Ariadnis – Josh Martin

36671459SINOPSE: Nós viemos depois do cometa.
Nós sobrevivemos à grande onda.
Nós somos as escolhidas.

Depois de o mundo antigo ter desaparecido, restou apenas uma ilha. Os seus habitantes formaram duas cidades, separadas por Ariadnis, uma terra divina. Mas as diferenças entre os povos de Metis e Athenas rapidamente os conduziram à guerra.

Perturbado por este conflito, o ser divino de Ariadnis decreta que em cada uma das cidades nascerá um Escolhido. Dotados de poderes especiais, os dois Escolhidos irão confrontar-se no dia do seu décimo oitavo aniversário, num desafio mortal e misterioso que decidirá qual o povo mais digno de habitar a ilha.

Aula e Joomia são as Escolhidas e resta-lhes apenas um ano até ao dia do grande confronto. Ambas preferiam ter uma vida normal, mas os seus destinos estão traçados, e nesta jornada não há espaço para a amizade nem tempo para o amor.
Só uma reclamará o prémio final de Ariadnis

OPINIÃO: Ariadnis é um livro dirigido a jovens leitores. Esta é a primeira frase que me salta de imediato, após virar a última página.

A história tem início numa profecia. São duas cidades, divididas pela cultura, mas que amam o mesmo Deus (apesar de num lado acreditarem que esse Deus é homem e do outro que é do género feminino).

De tempos em tempos nascem “Escolhidos” que terão de prestar uma prova ao completarem 18 anos.

Confesso que alguns pormenores acerca da profecia e de como ela se tem vindo a realizar ao longo dos anos me confundiu. Não me sinto capaz de traçar uma linha coerente do que realmente aconteceu até ao momento presente da história em relação aos escolhidos (não eram sempre 2, por exemplo).

Aula e Joomia são as protagonistas desta história de fantasia. São as Escolhidas e destacam-se pelas suas personalidades.

Aula é bruta, impulsiva e teimosa. Joomia vive em comunhão com a natureza e é calma, acanhada e muda.

O livro é composto pelos dias que precedem a grande prova. Não aprofunda muito mais, até tropeçar no climax. No fundo, senti que o objetivo era dar a conhecer o peso que as Escolhidas carregam e de como elas tinham de aprender a lidar com essa responsabilidade, não porque uma profecia assim o diz, mas porque querem fazer o que é mais correto.

Há muita moralidade a querer passar, assim como a importância de preservar o ambiente, a ignorância religiosa e os seus dogmas, a aceitação da homossexualidade e da liberdade sexual, a boa índole, etc. Afinal, é um livro dirigido ao público mais jovem e, como tal, não pode descurar do objetivo educativo.

Percebe-se que a história terá continuação. Confesso que fiquei um pouco curiosa em saber como é que o autor irá trabalhar o segundo volume, tendo em conta o estado em que deixou as protagonistas e o vilão.

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Os pássaros do fim do mundo – Charlie Jane Anders… por Andreia Silva

36174443SINOPSE: Um romance original sobre o fim do mundo… e o princípio do nosso futuro.

Patricia e Laurence tornaram-se amigos quando o resto da escola decidiu marginalizá-los: Laurence, por ser um geek dos computadores, e Patricia, por ser uma suposta bruxa que fala com animais. Mas a interferência das famílias e a ocorrência de circunstâncias muito invulgares acabam por ditar o fim da amizade.

Quando chegam à idade adulta, os dois têm vidas muito diferentes, mas um objetivo em comum: Laurence tornou-se um génio da engenharia e está envolvido na criação de uma máquina de viagens intergalácticas, para salvar os humanos do colapso do planeta; e Patricia, formada na academia secreta de magia, trabalha para reparar os eternos problemas da Terra e dos seus habitantes.

Inevitavelmente, os dois amigos voltam a reunir-se, graças a uma força maior do que eles: algo gigantesco e imperial que trará o Apocalipse.
E Patricia e Laurence nem imaginam que serão as suas escolhas a determinar o destino do planeta e de toda a Humanidade.

OPINIÃO: Patricia e Laurence são duas crianças de que ninguém gosta. Ele é um nerd da tecnologia e ela é chamada de bruxa por falar com animais.

Depois de um afastamento, ainda durante a infância, os dois voltam a encontrar-se em adultos. Laurence é agora um génio da engenharia e Patricia é uma feiticeira secreta que acaba com os problema dos outros.

Juntos vão tentar impedir o apocalipse!

Fantasia não é o meu género preferido de literatura, mas agrada-me quando a fantasia não preenche a história na totalidade.

Este é um livro diferente. A mistura entre ciência, magia e realidade está muito bem desenvolvida e gostei especialmente disso. Confesso que algumas partes da história foram um pouco lentas, mas a forma como a autora ligou o início ao final está tão bem conseguida que posso dizer que gostei do livro.

Engana-se quem pensa tratar-se de um livro para crianças imaginativas. Apesar do toque de irrealidade o livro é cruelmente real. Este apocalipse é tido como sendo resultante da acção da humanidade sobre a Natureza e apesar de toda a magia e tecnologias, ainda que aliadas, a humanidade corre o risco de desaparecer. No mundo real, podemos não ter uma solução como eles. E isso dá que pensar e assusta. Esta parte, escondida no meio do enredo, foi o que mais me intrigou.

As duas personagens centrais desta história estão muito bem construídas, tendo em conta o dom de cada uma delas. A interação que têm desde que são crianças até ao apocalipse não é forçada e dá credibilidade à história.

Com uma mistura de romance, ficção científica e fantasia, somos levados para um fim de mundo que nos deixa a refletir sobre os nossos atos, naquilo que fazemos que pode contribuir para o derradeiro fim da humanidade, tal como a conhecemos.

A boa filha – Karin Slaughter

36297458SINOPSE: Duas meninas são obrigadas a entrar no bosque com uma pistola apontada. Uma foge para salvar a vida. A outra fica para trás.

Há vinte e oito anos, um crime horrível sacudiu a feliz vida familiar de Charlotte e Samantha Quinn. A sua mãe foi morta. O seu pai, um conhecido advogado de defesa de Pikeville, ficou prostrado de dor. A família desfez-se irremediavelmente, consumida pelos segredos daquela noite pavorosa.

Transcorridos vinte e oito anos, Charlie tornou-se advogada, seguindo os passos do pai. É a filha ideal. Mas quando a violência volta a aumentar em Pikeville e uma grande tragédia assola a localidade, Charlie vê-se imersa num pesadelo. Não só é a primeira pessoa a chegar à cena do crime, mas também o caso desperta as recordações que tentou manter à margem durante quase três décadas. Porque a surpreendente verdade sobre o acontecimento que destruiu a sua família não pode permanecer oculta para sempre.

Cheio de voltas e reviravoltas inesperadas e transbordante de emoção, A boa filha é um romance apaixonante: suspense em estado puro.

OPINIÃO: A vida é imprevisível. Charlie e Sam viram as suas vidas mudar num dia que começara como tantos outros.

O livro inicia com uma bomba a ser lançada para cima dos leitores. Num momento vemos duas crianças felizes e no instante seguinte o mundo delas desmorona.

Não há avisos, não há suspense, o macabro surge sem aviso, tal como na vida.

Vinte e oito anos passados e outro crime abala a comunidade de Pikeville, e Charlie é obrigada a reviver as memórias que suprimiu ao longo da sua vida.

Esta foi a minha estreia com Karin Slaughter. Confesso que o tamanho do livro assustou-me, mas rapidamente me apercebi de que as páginas voavam de cada vez que lhe pegava.

Somos brindados com personagens verosímeis e muito cativantes. Os diálogos estão extremamente bem conseguidos, dando plena voz às personalidades dos interlocutores.

Charlie e Sam têm uma relação de irmãs tão característica que enternece os nossos corações. A própria Sam sofre de condições que nos levam a torcer por ela. Charlie é irreverente e teimosa. É a profissional que esconde as suas fraquezas e mantém o seu lado de menina presente no seu jeito de viver. Por fim, Rusty e as suas manias. Rusty e o seu lado cómico, indiferente… ou não.

A história dói, mexe com os nervos. Há uma crueldade muito palpável nos atos desumanos que são praticados, levando-nos a crer, mais uma vez, de que existem pessoas simplesmente más. Depois, há aquela ambiguidade, sobretudo no que toca à temática jurídica.

Rusty é um advogado a que chamam implacável. No entanto, se virmos bem, Rusty limita-se a fazer o seu trabalho. Se os criminosos saem em liberdade por Rusty os defender, será mesmo culpa de Rusty?

Além disso, mais para a frente, conseguimos perceber uma certa inclinação de Rusty contra a pena de morte. Este tema (não sei se vos acontece) mexe muito com os meus ideais, que oscilam imenso quanto à aplicação desta medida penal.

Tendo eu umas luzes (devem ser mais do que luzes, espero) acerca do nosso sistema penal, foi deveras interessante perceber como é que o sistema jurídico americano lida com certas situações. Aqui em Portugal acreditamos na reintegração do indivíduo na sociedade, não tendo as penas a finalidade primária de sanção. Nos EUA não funciona desse modo, o que acaba por me chocar que existam certas leis que são exatamente opostas ao que verificamos na Europa. Coisas que nos deixam a pensar…

Para aqueles que adoram livros com teor jurídico, este livro é obrigatório.

Para aqueles que procuram livros com cenas fortes, esta história vai cumprir o desejado.

Para quem quer ler um bom livro, “A boa filha” será uma excelente escolha.

Recomendo.

Esta edição premeia-nos com uma prequela, que tem como protagonista Charlie. Eu adoro a Charlie e estou esperançosa de que a autora invista mais nesta personagem e que, no futuro, nos traga mais histórias dela.

Querido mundo – Bana Alabed… por Andreia Silva

25508032_1740649402622841_561001729125553434_nSINOPSE: Quando Bana Alabed, uma menina de oito anos, acedeu ao Twitter para descrever os horrores da guerra na Síria, onde ela e a família viviam, as suas mensagens angustiantes emocionaram o mundo e deram voz a milhões de crianças inocentes.
A infância feliz de Bana foi subitamente interrompida pela guerra civil no país, quando tinha apenas três anos. Ao longo dos quatro anos seguintes, ela testemunhou diariamente os efeitos de bombardeamentos, a destruição e o medo.
Esta aterradora experiência culminou no violento cerco de Aleppo em que Bana, os pais e os dois irmãos mais novos ficaram encurralados, com escasso acesso a alimentos, água, medicamentos e outros bens essenciais. Perante a permanente ameaça de morte causada pelas bombas implacáveis que caíam perto deles – uma delas destruiu por completo a casa onde habitavam -, Bana e a família não tiveram alternativa senão tentar deixar o cenário de violência em Aleppo e procurar, apesar de todos os riscos, um plano de evacuação para a Turquia.
Escrito com as próprias palavras de Bana e incluindo cartas comoventes de Fatemah, sua mãe, “Querido Mundo” não é apenas um relato absorvente de uma família num país em guerra – é também um olhar único e pungente de uma criança sobre uma das maiores crises de sempre da Humanidade.
Bana perdeu a sua melhor amiga, a escola que frequentava, o lar e a sua terra natal. Mas não perdeu a esperança – para ela e para todas as crianças do mundo que são vítimas e refugiadas de guerra e que merecem uma vida melhor.

OPINIÃO: Bana Alabed é uma menina síria, protagonista e narradora deste pequeno grande livro.

Bana viveu na pele as consequências de uma guerra civil e, com a ajuda da tecnologia e do mundo, conseguiu escapar e ter um resto de infância o mais normal possível. Entenda-se normal como pacífica e feliz.
O pior deste livro é, infelizmente, ser real. Apesar de ser escrito e descrito através dos olhos de uma criança, é de salientar a existência de uma maturidade misturada com uma inocência de quem está a descobrir que afinal há muitas coisas e pessoas más no mundo.
Como o livro contém fotografias, ainda o torna mais real e mais cruel porque se consegue ver os rostos das pessoas que sofreram os horrores que a Bana nos vais relatando ao longo das páginas.
Não é um livro muito extenso porque essa não é a intenção dele. Acaba por nos mostrar uma realidade com factos demasiado cruéis de acontecimentos que vemos apenas nas notícias e que, muitas vezes, nos passam ao lado e nem prestamos a devida atenção.
É triste e esperançoso ao mesmo tempo.

À crueldade da realidade que a Bana viveu junta-se a alegria da vida toda que ela tem pela frente!

A penúltima esperança – Lí Marta

36377967SINOPSE: Mónica Ruivo isola-se em Porto Covo, para recuperar da dor causada pela morte do seu pai. Simultaneamente enfrenta também um desgosto de amor.
Ali conhece um estranho empresário do mundo da moda que não a deixa em paz enquanto ela não aceita ser uma das suas modelos. Acabando por se envolver demasiado com ele.
Deixando para trás a vida simples que levava, rapidamente se torna numa modelo famosa.
Quando reencontra Alexandre, o seu grande e único amor, tudo pode voltar a acontecer. Sentimentos escondidos, numa paixão por resolver, o erotismo e o amor têm uma intensidade única.
Numa equívoca contradição aos seus sentimentos mais profundos, depois de perder tudo o que tinha conquistado até ali, o amor consegue dar forças para vencer todas as batalhas.
Recomeçou de novo. Numa penúltima esperança.
Só que o destino tira-lhe o que ela tem de melhor na vida dando-lhe uma outra vida.
Terá ela ainda forças para enfrentar todos os desgostos?

OPINIÃO: É difícil escrever sobre um autor português, quando o que temos para dizer não é inteiramente bom.

A Lí tem uma prosa muito bonita. Não tem uma escrita básica e enche este seu livro com uma melodia romântica que é inegável, Porém, eu não escolhi o verbo “encher” à toa, porque é nele que reside o problema. A autora alonga-se demasiado nas descrições dos momentos, tornando a leitura aborrecida.

Já vos aconteceu querer calar o autor para ouvir os personagens? Pois, foi o que senti aqui, por várias vezes. Cheguei a saltitar os parágrafos para tentar encontrar o conteúdo da história.

No fim, percebi que se esmiuçasse este palavreado todo, tínhamos 10 páginas, se tanto, de história em si.

Outro grande problema é a intrusão do narrador. Cheguei a pensar para mim: “ela é bonita se eu achar que é bonita, ela é simpática se eu quiser, e não porque o raio do narrador me quer incutir essa ideia à força!”

Então, o que é que eu acho que falta a Lí Marta? Estudo.

Na minha opinião, a autora deveria procurar saber mais um pouco de escrita criativa, de construção de enredos e, sobretudo, deve dar atenção redobrada às dicas de escrita (que muitos desses livros fornecem). Dicas que nos dizem que não devemos descrever, devemos mostrar. Dicas que nos ensinam que temos de conseguir manter a atenção do leitor o máximo possível, dando-lhe sempre motivos para ele querer continuar a ler.

Uma história demora o seu tempo a ser escrita porque tem de ser programada, mexida, remexida. Depois de escrito um primeiro rascunho, raro é o autor que não vá precisar de mexer nele, e muito. Encaixar peças novas, retirar momentos mortos, reescrever passagens que ficaram curtas demais ou apagar aquelas descrições de que ninguém precisa.

Acho que Lí tinha aqui uma história que podia funcionar, se ela tivesse trabalhado mais nela, se ela tivesse ousado inserir mais pormenores, mais momentos, mais conteúdo.

Estamos todos em crescimento e acredito que com um pouco mais de interesse e com mais dedicação a outras peças fundamentais do processo de escrita, que não só sentar e escrever, a autora poderá vir a conseguir escrever algo genuinamente bom.

Por fim, preciso dizer que a capa, além de ser muito feia, não diz absolutamente nada acerca do livro. A editora deveria repensar seriamente no que anda a fazer neste sector.