Com amor, Simon (Filme) – Análise

Olá,

Como alguns devem ter reparado, no passado dia 29 de maio fui ao cinema ver a adaptação do livro da Porto Editora: “O coração de Simon contra o mundo”.

Deixo agora a minha opinião, que podem conhecer clicando na imagem:

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O filme estreia esta quinta-feira, dia 21 de junho, e eu acho que todos deveriam ir assistir. A mensagem que a história quer transmitir é por demais pertinente para passar despercebida.

Vejam o trailer e entusiasmem-se:

Enjoy! 😉

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As sombras de Leonardo Da Vinci – Christian Gálvez… por Andreia Silva

39080980SINOPSE: Século XVI. Os conflitos pelo poder nos Estados Italianos crescem ao mesmo tempo que as artes prosperam. A Igreja e famílias como os Médici e os Sforza detêm o domínio do território e das riquezas. Savonarola ganha seguidores. Verrocchio, Botticelli, Miguel Ângelo e Rafael são artistas respeitados.
Florença é casa dos Médici e berço desta ebulição cultural. O criativo e genial Leonardo da Vinci finalmente começa a criar nome, tem o seu próprio ateliê e clientes e liberdade para desenvolver a sua arte e as suas invenções. Mas uma acusação anónima de sodomia obriga-o a abandonar os seus planos e a cidade das artes.
Invejas e medos, ignorância e corrupção, sofrimento e perseguição. Quando Leonardo percebe que nada do que parece ser é e que os inimigos podem estar em qualquer lugar, debate-se entre a vontade de triunfar e o desejo de vingança, entre o homem pecador e o génio inventivo, entre o passado e o futuro.

Este é um romance histórico com uma extensa pesquisa por trás, em que as descrições e os grandes nomes da época criam o ambiente perfeito para conhecermos melhor o homem por trás de toda a genialidade.

OPINIÃO: Em pleno Renascimento, no meio de uma Florença que respira arte, temos o nascimento de um artista que como qualquer génio tem adoradores, mas também muitos inimigos. Quando Leonardo Da Vinci é acusado de sodomia e sofre na pele o ódio das pessoas, muda-se, numa tentativa de continuar com as suas criações. Contudo, acompanha-o o desejo de vingança, que está enraizado dentro de si.

Neste romance histórico ficou bem patente, desde o início, a intensa e aprofundada investigação documental que o autor fez para a construção deste enredo. Desde as datas, aos locais onde cada cena é descrita e, principalmente, não há como não notar de que todos os personagens estão muito bem contextualizados. Estes dão à história uma grande credibilidade e criam o cenário ideal à volta do enredo.

Confesso que gostei mais do início e do fim do que propriamente do meio do livro. A história do Da Vinci é de facto, interessante.

Gostei especialmente de conhecer o crescimento pessoal de alguém que não foi apenas um pintor, mas que se dedicou ao conhecimento em geral porque tinha uma grande sede de saber. De conhecer como este homem pensou nas suas maiores e mais conhecidas obras e de como as arquitetou de forma a ainda hoje serem apreciadas.

Pelo meio, a história arrastou-se porque a narrativa de capítulo a capítulo era redundante. Há lugar muitas analepses, que saltam do presente para passado de forma constante.

Na globalidade, é um livro bom. No entanto, dentro do género não é dos meus favoritos.

Tudo o que queres que eu seja – Mindy Mejia

39279183.jpgSINOPSE: Hattie Hoffman passou toda a vida desempenhando diversos papéis: boa aluna, boa filha, boa namorada. Mas Hattie quer mais, algo maior, enfim, algo que se revela extremamente perigoso. Quando é encontrada brutalmente apunhalada até a morte, a tragédia desfaz a comunidade da pequena cidade. Em breve, vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento secreto, altamente comprometedor e potencialmente explosivo. A questão é: alguém sabia? Até onde poderiam ter ido para lhe pôr fim? O namorado de Hattie parece ter ficado perturbado com a sua morte, mas terá ele ficado tão apaixonado que ela se tornou uma obsessão? Ou a natureza impulsiva e temerária de Hattie simplesmente a pôs no lugar errado à hora errada, levando-a a uma morte violenta às mãos de um estranho? Cheio de reviravoltas, seguimos a reconstrução de um ano na vida de uma jovem perigosamente cativante, no decurso do qual os segredos mais sombrios de uma pequena cidade vêm ao de cima… e ela fica cada vez mais perto da morte.

OPINIÃO: As mulheres são mesmos “bichos” estranhos.

Estamos numa cidade pequena, onde nada acontece. O xerife preocupa-se com alguns bêbados e arrufos ocasionais. Todos se conhecem e sabem o que esperar dos seus vizinhos. Até ao dia em que Hattie aparece morta, com uma facada no peito e o rosto desfeito.

O crime serve de mote para nos transportar para o passado, mais concretamente para o ano que antecedeu este momento, a fim de conhecermos melhor esta jovem de 18 anos e o que a levou a este desfecho.

A par dos plots de Hattie, temos os de Del e os de Peter. São todos narrados na primeira pessoa, o que permite uma ligação mais intimista com a personagem.

Del é o xerife e também o melhor amigo do pai de Hattie, Bud. Enquanto lida com o caso, assistimos à tempestade que ribomba dentro deste homem que luta por se distanciar das suas próprias emoções. Del conhecia Hattie desde pequena e terá de lidar com o que lhe impõe o dever e ao mesmo tempo com o que esta morte representa para ele enquanto pessoa.

Peter acabou de chegar à cidade. Este homem não gosta do rumo que a sua vida tomou e encontra-se a deslizar aos poucos para um abismo emocional. É neste contexto que Peter se prepara para errar, ou não (tudo dependerá do ponto de vista do leitor).

Esta história aborda vários temas. Para além do factor mais óbvio, que é o homicídio, também somos levados a refletir sobre o casamento e as suas cedências. Qual é o ponto de ruptura? O que é exigível a quem prometeu uma vida a dois sob juramento?

Também alude à parentalidade. Conhecemos mesmo os nossos filhos?

Indagamos sobre o egoísmo, em comunhão com a necessidade de sentirmos algo ou até de fugirmos das represálias de não sermos quem as pessoas esperam que sejamos.

E, sobretudo, apercebemo-nos das máscaras que as pessoas colocam para se conseguirem inserir nessa mesma sociedade de exigências.

Uns são mais astuciosos do que outros. Uns são mais cultos do que outros. Uns acreditam conseguir manipular os outros. O resultado nunca poderá ser bom quando as pessoas são usadas.

Um ponto extremamente interessante neste enredo foi a inclusão da peça shakespeariana “Macbeth”. Conheci algumas curiosidades sobre a mesma e também fiquei rendida à interpretação que lhe foi conferida nesta história. Os pontos em que o enredo da peça se liga com o enredo da história estão muito bem conseguidos.

Bem conseguida também está a construção da personalidade dos protagonistas. Os traços das suas personalidades vertem-se nos diálogos que travam e nas atitudes que tomam.

Os momentos mais íntimos são muito visuais e emotivos. Leva-nos a ponderar acerca do que está certo ou errado. Até que ponto certos comportamentos serão assim tão censuráveis, e se não seriam menos danosos se a sociedade não pressionasse tanto para que eles não tivessem lugar.

O final surpreendeu-me. Não contava com ele, não da forma como aconteceu no seu todo. Contudo, pareceu-me haver no climax muito convenience plot, o que me leva a não lhe conseguir reconhecer o mérito de um final totalmente inesperado. (Se o pára-quedas surge do nada, debaixo do banco num avião em queda, a culpa não será do espectador que não se apercebeu de que este existia.) Pareceu-me faltar alguma motivação da parte de alguns personagens para fazerem a presença no final.

Contudo, lê-se bastante bem e entretém na medida do desejável. Transmite algumas emoções e leva-nos a tecer opiniões que tenderão a contradizer-se ao longo da história.

O teorema Katherine – John Green

22027220SINOPSE: Dezanove foram as vezes que Colin se apaixonou.
Das dezanove vezes a rapariga chamava-se Katherine.
Não Katie ou Kat, Kittie ou Cathy, e especialmente não Catherine, mas KATHERINE.
E das dezanove vezes, levou com os pés.
Desde que tinha idade suficiente para se sentir atraído por uma rapariga, Colin, ex-menino prodígio, talvez génio matemático, talvez não, doido por anagramas, saiu com dezanove Katherines. E todas o deixaram. Então ele decide inventar um teorema que prevê o resultado de qualquer relacionamento amoroso. E evitar, se possível, ter o coração novamente destroçado. Tudo isso no curso de um verão glorioso passado com o seu amigo Hassan a descobrir novos lugares, pessoas estranhas de todas as idades e raparigas especiais que têm a grande vantagem de não se chamarem Katherine.

OPINIÃO: John Green entrou na minha estante com o seu livro mais emblemático: a culpa é das estrelas. Fui um entre os milhões de leitores que se apaixonou pela batalha que os personagens travaram, contada com um toque de humor mórbido que tornou a leitura intensa, inteligente e cativante.

Depois desta experiência, apostei no autor, claro! Li o À procura de Alaska e depois o Cidades de papel. Contudo, nenhum destes livros chegou aos calcanhares de A culpa é das estrelas.

O meu beloved Clube de leitura sugeriu ler O teorema Katherine. Ora bem, senti-me em casa, porque afinal já tinha um repertório considerável de obras lidas do autor. E embora nenhum me tenha arrebatado como o da primeira experiência, foram boas leituras.

Qual não foi o meu espanto ao me deparar com um livro fraquinho, com uma história chatinha e sem interesse que se destaque.

Eu tenho noção de que John Green escreve YA e que, como tal, os seus livros são dirigidos a um público mais jovem, mas sempre me pareceu que havia um “quê” de profundidade nas suas obras que as elevava dentro do género. Até agora…

O teorema de Katherine conta a história de Colin e de como ele se apaixonou por muitas Katherines. Entusiasta da matemática, decide criar um teorema que demonstre se uma relação vai ou não funcionar logo à partida. E pronto, é isto. Ele e o amigo saem em road trip e a viagem termina logo na primeira paragem, onde conhecem outros adolescentes. Os ideais de Colin são postos à prova e todo o livro é previsível e não há aquela emoção a que Green nos habituou nos outros livros. Há simplesmente a idiotice da adolescência.

Sinto que esbarrei num muro. Muro este que me vai impedir de querer continuar a ler o autor. Se leram outros que valham a pena, ajudem-me a ressuscitar a vontade de ler as obras deste autor.