O novo aluno – Tracy Chevalier … por Andreia Silva

250x.jpgSINOPSE: Chegado à sua quarta escola em seis anos, Osei Kokote, filho de um diplomata, sabe que precisa de um aliado se quiser sobreviver ao primeiro dia de aulas. É uma sorte dar-se tão bem com Dee, a rapariga mais popular da escola. Mas há um colega que não suporta aquela relação: Ian decide destruir a amizade entre o rapaz negro e a menina de ouro. Chegados ao fim do dia, a escola e os seus principais atores (professores e alunos) nunca mais serão os mesmos. A tragédia de Otelo é transportada para o recreio de uma escola suburbana de Washington nos anos 70, onde os miúdos se apaixonam e desapaixonam antes da hora de almoço e praticam um racismo casual que vem de casa e dos professores.

OPINIÃO: Osei é o aluno novo numa escola americana, nos anos 70.

Osei é negro e a combinação das duas situações não lhe trará boas situações.

Apesar de saber que nada será facilitado, por ter sido o aluno novo demasiadas vezes, faz amizade com Dee, uma menina que, de forma destemida mas ao mesmo tempo inocente, ignora todo o preconceito que o resto da escola tem perante esta amizade.
Esta história passa-se (apenas) durante um dia de aulas, no decorrer do início, do fim e dos intervalos da manhã e da tarde. No entanto, não necessitava de mais espaço temporal porque a mensagem que é passada é dada durante este tempo curto, com uma escrita ao mesmo tempo envolvente e cruelmente real.
É contada através de miúdos, que demonstram sentimentos e atitudes tão negativas que se chega a duvidar da idade deles, principalmente da de Ian.

Ian é descrito como sendo calculista e frio e isso está muito bem expresso em todo o livro. Chega até a ser irritante!
A autora, de uma maneira subtil, critica a sociedade em geral (não apenas a americana) pela maneira como esta trata os outros, pela maneira como olha e sente os outros e, principalmente, aqueles que são diferentes muitas vezes por serem apenas desconhecidos.

No fundo, a autora mostra que o preconceito existe em todo o lado e que, mesmo sendo subtil, ele acaba por se revelar nas atitudes das pessoas.
É um livro muito bom, que devia ser lido por todos. É impactante, de certa forma surpreendente e é impossível não ficar a refletir sobre o final.

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O comboio errado – Jeremy de Quidt

36174612SINOPSE: É tarde. Está escuro. Um rapaz apressa-se para apanhar o comboio, entrando a bordo um segundo antes da partida. De repente, percebe que está no comboio errado. Fica irritado, compreensivelmente, mas não fica assustado.

Ainda…

O rapaz sai na estação seguinte, mas a plataforma está completamente vazia, e não se parece com nenhuma outra estação que ele já tenha visto. Mas o rapaz continua a não estar assustado.

Ainda…

Então, um estranho aproxima-se… alguém com histórias para contar e ajudar a passar o tempo. Mas estas não são como as velhas histórias. Estas histórias são pesadelos, e vêm com um alto preço a pagar.

Ainda não estás assustado?

Mas vais ficar!

OPINIÃO: Quem é que se lembra dos livros dos “Arrepios”? Recordo-me da minha mãe me proibir de os ler, porque eu depois só queria dormir com a luz acesa e porta do quarto aberta…

Ok. Porque é que eu estou a falar dos “Arrepios” aqui?

Na verdade, este livro fez-me regressar a esses tempos. Os contos são simples, de um terror tão sugestivo e tão pouco visual. Trabalham bem com a imaginação e confesso que sustive a respiração algumas vezes. Recordei a menina que fui um dia, ao ser induzida a pensar no que teria acontecido depois, para onde os finais em aberto me conduziam.

Os contos são todos protagonizados por pré-adolescentes, os quais eu acredito serem o público-alvo deste livro. Em todas as histórias, os pais são figurantes, ou porque não acreditam, ou porque estão ausentes. Tudo o que vamos lendo está a ser contado a outro jovem, que se perdeu ao descer na estação errada do comboio. Um velho estranho, que se faz acompanhar por um cão, uma candeia e um saco de folhas, faz companhia ao rapaz, aterrorizando-o com estas peripécias.

Conforme o velho termina cada conto, voltamos à estação e assistimos às conversas e ao crescendo de medo que o rapaz vai sentindo. Os diálogos estão fabulosos e o livro lê-se mesmo muito rápido!

Quanto aos contos, são 8 no total:

  1. Arrepiou-me… a sugestão que o final deixa é muito forte;
  2. Levou-me a admitir que, mesmo com 30 anos de idade, acho que me passava se a luz da entrada, que ativa com sensor, estivesse num constante pisca-pisca (temos uma lá na casa dos meus pais);
  3. Vai fazer com olhe mais vezes pelo retrovisor do carro enquanto conduzo;
  4. Produziu imagens aterrorizantes na minha cabeça… aquela boca… aquelas saídas tão infantis e, ao mesmo tempo, tão inquietantes;
  5. As fotografias fizeram-me lembrar um livro em particular da coleção “Arrepios”;
  6. Sou irmã mais velha, este conto mexeu comigo e sei que se o tivesse lido em miúda ia deixar-me com os nervos em franja;
  7. Quem nunca jogou ao “Bloody Mary”? Eu nunca tive coragem, e ainda hoje me recuso a pensar na lengalenga na frente a um espelho.
  8. Este confundiu-me, mas admito que se há coisas que funcionam sempre, são os armários.

O final é interessante e joga, mais uma vez, com o psicológico. Ao todo, o livro trabalha com as capacidades de dedução e com a imaginação. Achei-o fantástico para o público mais jovem! Se o meu filho, quando for pré-adolescente, não for medricas, vou com certeza passar-lho.

Em suma, muito bem conseguido e altamente recomendado para quem gosta de sentir aquele friozinho na barriga.

Não é um terror visual, não tem nada de macabro, mas é muito sugestivo e isso funciona muito bem.

 

 

SOS Ansiedade – Enrique Rojas

34462986SINOPSE: Num país em que o consumo de ansiolíticos é muito elevado, este livro vem esclarecer e ajudar os que sofrem de ansiedade.

OPINIÃO: Muito mau!

Há especialistas que são excelentes a fazer investigações e a lecionar para os seus pupilos, detentores das bases necessárias para entender o que se encontra subjacente a um léxico técnico, mas quando se trata de fazer chegar ao público em geral os seus conhecimentos, espalham-se redondamente por não serem capazes de se desligarem da nomenclatura da sua área e “traduzir” o texto para os leigos.

Este livro deve ser bom para estudantes de medicina, enfermagem e, sobretudo, psicologia, mas para mim, mera licenciada em línguas e estudante de direito, é uma teia de palavras-tipo carregadas de significados que não conheço e que me deixaram ainda mais ansiosa do que quando o comecei a ler. Não há explicações fáceis, o senhor doutor dá muitas coisas por “sabidas”, o que é deveras frustrante!

Não aconselho.

Vidas Finais – as sobreviventes

36353431SINOPSE: Para sobreviver a um assassino, é preciso ter um instinto assassino.
Há dez anos, Quincy Carpenter, uma estudante universitária, foi a única sobrevivente de uma terrível chacina numa cabana onde passava o fim de semana com amigos. A partir desse momento, começou a fazer parte de um grupo ao qual ninguém queria pertencer: as Últimas Vítimas.
Desse grupo fazem também parte Lisa Milner, que perdeu nove amigas esfaqueadas na residência universitária onde vivia, e Samantha Boyd, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava. As três raparigas foram as únicas sobreviventes de três hediondos massacres e sempre se mantiveram afastadas, procurando superar os seus traumas. Mas, quando Lisa aparece morta na banheira de sua casa, Samantha procura Quincy e força-a a reviver o passado, que até ali permanecera recalcado.
Quincy percebe, então, que se quiser saber o verdadeiro motivo por que Samantha a procurou e, ao mesmo tempo, afastar a polícia e os jornalistas que não a deixam em paz, terá de se lembrar do que aconteceu na cabana, naquela noite traumática.
Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

OPINIÃO: Os thrillers estão na moda. E eu adoro esta moda!

Vidas Finais traz-nos uma história macabra de uma realidade que, felizmente, não temos em Portugal: as final girls.

Final girls não tem uma tradução literal para a nossa língua, mas também não será difícil de explicar: quando um psicopata ataca um conjunto de pessoas, a final girl será aquela que sobrevive.

Na nossa história temos 3: Lisa, Sam e, a nossa protagonista, Quincy.

Todas sobreviveram a um predador e todas têm de viver com as memórias e com os traumas que estas acarretam. Não é fácil viver com a noção de que fomos os únicos sobreviventes de um massacre, ainda mais quando os falecidos eram entes queridos. Esta é a realidade de Quincy, que oculta as suas fraquezas, 10 anos após a fatídica noite que levou os seus amigos e que, curiosamente, a deixou sair “impune”.

Este livro transportou-me a seu bel prazer. Depois de algumas páginas, questionei-me qual era a história.

Mais algumas páginas volvidas e perguntei-me onde é que isto me iria levar.

Poucas depois, a pergunta recaía sobre o que raios se tinha passado naquela noite na cabana.

A esta dúvida juntaram-se mais umas quantas e, de repente, estava enrolada numa teia de curiosidade que só cessou quando cheguei ao derradeiro climax e tudo foi respondido.

I didn’t see that coming!

Na página onde tudo foi revelado, dei por mim a perceber finalmente o desfecho e acho que disse mesmo em voz alta: oh meu Deus, oh meu Deus!

Desconfiei de tanta gente, teci inúmeras conclusões e via as minhas suposições a serem postas de lado logo no capítulo seguinte.

Gostei muito! Adoro quando me convenço que estou diante de um enredo “fácil” e me surpreendo com rasteiras e rasteiras até cair de cabeça no que o autor prepara para o final.

No entanto, o livro é recomendado por Stephen King e isso deixava-me na retranca, porque para ele apelar a esta leitura é porque tinha algo de diferente, de bom! E tem, e é bom!

Os direitos foram adquiridos pela Universal. Em breve, muitos mais falarão desta história. Disso não tenho qualquer dúvida!

Leitura fluída, pormenores macabros, muita ansiedade e personagens credíveis, são algumas das características deste livro, que é obrigatório para os amantes de histórias intensas e que gostam de ser deixados na expectativa.

My kind of book.