Quero-te morta – Peter James

CLUBE DO AUTOR 1SINOPSE: Quando uma mulher conhece o atraente e charmoso Bryce Laurent através de um site de encontros, a atração é imediata. Contudo, à medida que a ligação entre eles se torna mais intensa, a verdade sobre o passado de Bryce, e o seu lado mais negro, começam a emergir. Tudo o que contou sobre a sua vida revela-se uma teia de mentiras e, aos poucos, a paixão de Red Westwood converte-se em terror.

OPINIÃO: São histórias como esta que me fazem ponderar acerca da pena de morte. Sou apologista de que não temos o direito de tirar a vida a ninguém, independentemente dos crimes que possam ter sido cometidos. Pois… isto na teoria é muito bonito… A convicção é fraca e oscila muitas vezes, tendo em conta as atrocidades que se assistem no dia a dia.

Aqui temos um caso de obsessão, um homem que vive com um único objetivo: fazer sofrer a mulher que o deixou.

Bryce é um psicopata. Ao longo do livro somos apresentados ao seu passado e o que conhecemos vai de encontro ao que a psicologia afirma, de que na maioria das vezes tudo advém de traumas infantis.

Este homem não é capaz de ser razoável. Com isto quero dizer que ninguém o conseguirá dissuadir de perseguir a sua vítima e as pessoas que a rodeiam.

Apanhar Bryce também é um problema. Este homem não é um simples criminoso, mas um génio naquilo a que se dedica. Detentor da experiência de variados ofícios a que se dedicou ao longo “das suas vidas”, Bryce é extremamente perigoso, esquivo e doente.

“Quero-te morta” é um livro que se lê bastante bem, depois de percebermos que se trata de um volume de uma coleção. Algumas passagens soavam-me estranhas até perceber que estava perante uma “continuação”. Este livro pode ser lido de forma independente, mas há com certeza algo que se perde. A perseguição de Bryce a Red é aberta neste livro e fica totalmente fechada. Contudo, esta série chama-se “Roy Grace”, que é o nome do detetive, e somos várias vezes transportados para a vida pessoal deste, cuja informação não remonta apenas deste volume. Apesar de haver o cuidado de facilitar a um leitor de primeira viagem nesta série o entendimento do que se está a passar, senti que se tivesse tido a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento das peripécias do detetive rejubilaria com as revelações que este volume traz.

As emoções foram muitas e, sobretudo, acabei por me sentir solidária para com a policia. Ter de proteger mulheres como Red é dose! Se o monstro é demoníaco, a vítima é uma idiota. Até se percebem certas atitudes, mas irritou-me a arrogância dela em se manter firme quanto a algumas decisões pessoais que tomou, precisando tanto da proteção policial.

É um policial da cabeça aos pés! No entanto, envereda também pela cabeça do vilão e da vítima, e não só da polícia, dando-nos uma visão muito ampla do enredo.

Gostava de ter a oportunidade de ler a série por ordem. Apesar de ter sido uma leitura que deixou algumas marcas pela crueldade e realismo que muito bem transmitiu, acredito que a desfrutaria muito mais se estivesse completamente dentro do contexto da totalidade do que é narrado, tanto sobre as qualidades de Roy Grace como detetive, como acerca das suas inimizades e amores perdidos em volumes anteriores.

O final é absolutamente soberbo e apeteceu-me bater palmas.

Quando as estrelas caem – Amie Kaufman&Megan Spooner … por Andreia Silva

27996115SINOPSE: É uma noite igual às outras a bordo da Ícaro, os passageiros divertem-se. Tarver convida Lilac para ver as estrelas. Então, a catástrofe abate-se sobre a enorme nave de luxo: de súbito é puxada para fora do hiperespaço e despenha-se no planeta mais próximo. Lilac Laroux e Tarver Merendsen sobrevivem.
E estão sozinhos.

Um romance intenso. Uma história de amor. O Titanic distópico.

 

OPINIÃO: Ícaro é uma nave espacial, a mais magnífica de toda a galáxia, fruto do reino de LaRoux.

Ícaro destrói-se e sobrevivem apenas duas pessoas, dois jovens: o soldado herói Tarver, de origens humildes, e Lilac, filha do poderoso LaRoux. Os dois vão ter de se tolerar e de se entreajudar para sobreviverem, e talvez salvar o resto da humanidade.

De início, a história parecia-me como tantas outras histórias distópicas YA.  Não estava a ver nada no enredo que me permitisse achá-la espetacular. No entanto, com o decorrer das páginas fui-me apercebendo que, mesmo sendo dirigida a jovens, o livro tem uma escrita cuidada e profunda, não deixando a história nada superficial.

O mundo aqui criado está bem pensado e bem envolvido no trama e nas dificuldades que os protagonistas enfrentam. Apesar de ter um cheiro de alguma ficção científica, não chega a sê-lo e, por isso, pelo menos no meu entender, não se torna demasiado artificial.

Na globalidade é um livro bom, tem uma história cativante. Tem algo de diferente que prende o leitor e que lhe permite fugir da Terra e viajar pelo espaço, ainda que seja um inventado.

Tempo para falar – Helen Lewis … por Andreia Silva

17695060SINOPSE: Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

A crítica não ficou indiferente a um testemunho pungente que nos toca o coração.
«Em Tempo para Falar, Helen Lewis traça-nos um mapa do Inferno e, ao fazê-lo, oferece-nos uma obra de arte sem mácula. Nunca põe um pé em falso ao guiar-nos através de uma paisagem de pesadelo. A sua voz não se altera, o seu estilo permanece simples. Uma forma modesta de se exprimir que esconde a angústia da recordação.» Michael Longley

«É a história de um sofrimento quase inacreditável, mas contada de uma maneira que quase infunde alegria no leitor… notável pela sua simplicidade e lucidez elegíacas, pelo ímpeto irresistível, pela integridade insuperável e pela impressionante ausência de autocomiseração e rancor. Em suma, de abordagem fácil, empolgante e de uma honestidade evidente… todos deviam lê-la.» Independent

«O que distingue este livro de todos os relatos em primeira mão do Holocausto é a capacidade evidenciada por Lewis para descobrir traços de humanidade, onde, com toda a justiça, não tinha razões para os ver… recusa-se a desumanizar mesmo aqueles que tentaram arrancar-lhe tudo quanto tinha de humano – um feito raro para qualquer pessoa na sua situação.» Guardian

 

OPINIÃO: Helen Lewis não é uma personagem fictícia! Não é parte de um enredo que assenta em factos verídicos. Helen Lewis é uma sobrevivente dos horrores da Segunda Guerra Mundial e neste livro traz-nos o relato dessa sobrevivência.

Apesar de não ser um livro muito extenso, é um livro profundo. A descrição da história não foi limitada a factos, datas e acontecimentos mas foi preenchida com reflexões, pensamentos e sensações que, de certa forma, ajudam a tornar as coisas horríveis mais suportáveis. Foi colocada em poucas páginas que englobam muito tempo, e mesmo com a rapidez com que os anos vão passando o livro não deixa de ser impactante.

É uma história diferente de alguns livros baseados no holocausto, mas ao mesmo tempo, infelizmente, muito semelhante. Helen conseguiu atenuar as dores com a dança e sobreviveu por causa da dança. Mas a realidade (por vezes demasiado cruel) do que aconteceu está lá. E por isso é um livro bom. Não foi escrito para ser um bestseller mas para a história de Helen não morrer. O objetivo foi conseguido.

A mulher do camarote 10 – Ruth Ware

35485468SINOPSE: Uma jornalista faz a cobertura da viagem inaugural de um cruzeiro de luxo. O que parecia uma grande oportunidade profissional revela-se um pesadelo quando ela testemunha um possível crime no camarote ao lado do seu. Porém, para sua surpresa, todos os passageiros continuam a bordo. Não falta ninguém e ninguém pode sair do navio…

OPINIÃO: Este é o segundo romance que leio da autora.

Tal como o livro anterior, Ruth Ware transporta-nos para um ambiente onde só podemos contar com a nossa própria capacidade de dedução.

Desta vez, abandonamos a “floresta muito, muito escura” para embarcarmos no Aurora Borealis, um navio de cruzeiro na sua travessia inaugural.

A protagonista é uma mulher ansiosa, que acaba de passar por um mau bocado quando lhe assaltam o apartamento com ela no interior. Ainda sob o efeito do trauma do assalto, e com historial de episódios de pânico (para o qual está medicada), Lo é facilmente desacreditada quando afirma ter assistido a um homicídio a bordo do cruzeiro.

Devo dizer que a facilidade com que o relato de Lo é tido como lunático me assustou. Tomar ansioliticos ainda pode ser visto pelo mundo como um tabu apesar de serem cada vez mais as pessoas que os tomam, e mais ainda as que necessitam de tomar. O realismo da dificuldade da protagonista em se impor como alguém lúcido e capaz é de levar qualquer leitor a estremecer.

Hoje somos cidadãos dignos e amanhã loucos. Afinal, um homicídio não é propriamente uma boa publicidade para a inauguração de um cruzeiro de luxo, pois não?

Sabiam que as leis marítimas são ainda muito difusas, que há muita dificuldade em saber a quem pertence a jurisdição nos crimes cometidos em águas internacionais?

Não me surpreende que comparem a autora a Agatha Christie. Os livros de Ruth Ware levam-nos a pensar nos crimes à moda antiga, a atentar aos pormenores, aos comportamentos dos suspeitos, sem o auxílio das tecnologias de que se carregam os policiais modernos. Tal como os clássicos da eterna escritora de crimes, o enredo centra-se em suposições, palpites e muitos diálogos.

É um livro que se lê bastante bem e que não desvenda tudo até ao derradeiro final. No entanto, devo dizer que fiquei com algumas questões no virar da última página. O desfecho pareceu-me apressado.

“A mulher do camarote 10” é um romance policial que vos levará a pensar. A ansiedade que provoca deve-se sobretudo às circunstâncias, estar em alto mar, sem acesso à internet, sem rede móvel, e às ações de Lo que, na situação em que se encontra, não ajudam a que ganhe a credibilidade que merece… ou não…

The Call – Peadar O’Guilin

35421397SINOPSE: Três minutos

Uma trombeta soa à distância. Foste Chamado. Agora, à tua volta, só vês cinzento. Este novo mundo não tem cor e sabes que vais começar uma corrida contra o tempo. Tens apenas três minutos para te agarrares à vida.

Dois minutos

Os Sídhe estão cada vez mais perto. Consegues ouvir as vozes deles, as gargalhadas sedentas de sangue e o som dos seus passos. Achas que estás preparado. Sabes tudo sobre eles. Sabes exatamente o que fazem aos jovens como tu, quando os conseguem apanhar. São tão belos como terríveis, tão simpáticos como cruéis. Já te viram. Resta-te fugir.

Um minuto

Se não correres, se não te esconderes, podes desaparecer a qualquer minuto e ficar, para sempre, nesta terra de horrores. A caçada já começou e tu és a presa. Conseguirás sobreviver?

«The Call é uma história de sobrevivência que sobressai entre todas as que existem. É uma lufada de ar fresco, fantástica e poderosa.» — The Bookbag

OPINIÃO: Este livro é muito sombrio. Inspirado no folclore irlandês, o autor traz-nos uma história de sobrevivência.

Há muitos anos, as fadas foram exiladas para a Terra cinzenta. Cerca de 2000 passados desde essa separação, os Sídhe encontraram uma forma de iniciar a sua vingança. Os adolescentes são chamados, todos sem exceção, para passarem 3 minutos e 4 segundos no mundo das fadas.

Atualmente, um em cada dez morre. Os corpos regressam mutilados e os que sobrevivem carregam traumas, alguns até deformações físicas, para o resto da sua existência.

Para que a espécie humana possa prosperar, a partir dos 10 anos as crianças ingressam numa escola de sobrevivência, onde são treinadas como se estivessem no exército, aprimorando as variadas técnicas para que consigam resistir a uma hora na Terra Cinzenta(3 minutos e 4 segundos no nosso mundo).

O melhor que esta narrativa traz são as descrições. A Terra Cinzenta é um mundo horroroso, no verdadeiro sentido da palavra. As deformações postas a cabo pelos Sídhe nos humanos que lá caem parecem saídas dos nossos piores pesadelos. São misturas grotescas de seres humanos com animais e plantas e, na grande maioria, ávidos por carne humana. O ambiente é inóspito, o próprio ar queima os pulmões, espirais doentias rodopiam no céu, erva de lâminas cobrem o terreno, e todos terão de lá cair um dia.

A imprevisibilidade dos chamados é o que torna a leitura viciante. A qualquer momento os nossos personagens podem desaparecer, deixando atrás de si um amontoado de roupa. 3 minutos e 4 segundos depois regressam ao mesmo local, vivos, mortos ou pior.

Sobrevivam ou não, as mazelas serão visíveis tanto físico como psicologicamente.

Os episódios do chamado estão muito bem construídos, com muita imaginação. Esses momentos são muito, mas mesmo muito, violentos.

A escolha do autor para protagonizar esta história não deixa de ser curiosa. Num mundo em que a resistência física ditará a sobrevivência, Nessa tem uma deficiência nas pernas que não lhe permite deslocar-se com a mesma rapidez dos demais.

Inconformada com a piedade alheia e com a certeza que todos parecem ter de que ela jamais resistirá ao chamado, Nessa treina com fervor para provar a todos, e a si mesma, que não será uma presa fácil para os Sídhe.

A sociedade disciplina os jovens a serem fortes, rápidos e impiedosos na hora do seu chamado. Com isto, também vemos a natureza humana na sua multitude: há quem repugne a violência necessária com que são obrigados a lidar, e há aqueles que se encontram a si mesmos na ânsia de magoar e de matar.

O livro está bem escrito e é de fácil leitura. Contudo, torci o nariz a alguns dos vocábulos empregues nos diálogos, por serem grosseiros, desnecessários e, de certa forma, demasiado próprios de ambiente de balneário masculino.

Mais uma vez, afirmo que o enredo ganha muito pelo belo-horrível das descrições. Palmas para o autor e para o seu imaginário macabro.