As primeiras 15 vidas de Harry August – Claire North

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SINOPSE: Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.

Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

OPINIÃO: Que… livro!

Que tamanha preparação, que pesquisa, que exploração… uma obra perto de ser apelidada de magnífica!

Estamos perante um enredo que nos deixa com uma sensação de ansiedade e pequenez.

São 15 vidas, gente!

Nós estamos a meio da primeira. Como podemos nós entender o que é viver tantas vezes e sempre com a memória intacta. Os pormenores, as vivências, os conhecimentos, Harry lembra-se de tudo!

Ora tentem lembrar-se de um episódio de há 2/3 anos, daqueles que não tenham sido marcantes.

Ah, pois é!

E agora imaginem isto ampliado por centenas de anos! Acho que fiquei agorafobica com este livro.

Não é uma leitura fácil, afinal estamos perante personagens muito inteligentee é extremamente cultos. Seria de modo, uma vez que estamos perante avanços científicos e até o mais leigo dos homens depreende a tensão que os prós e os contras geram nos seus iguais.

Um dia, quando tiver mais tempo, vou reler este livro com um marcador e um bloco na mão. Apontarei os dados que nos são oferecidos ao longo do enredo, para compreender até onde foi o cuidado da autora com o chamado “efeito borboleta”, conceito que me fascina sobremaneira.

O grande ponto a desfavor: o final.

O fim fecha um ciclo, mais pequeno, aberto a meio do livro, kmas não satisfaz as grandes questões que surgem. Neste ponto, acredito que seja responsabilidade de cada autor lidar com as histórias que cria e, com isso, entendo que não devem permitir que estas o ultrapassem a nível cognitivo. Por outras palavras, se inventou um mundo, terá de saber como destruí-lo.

Leiam e ofereçam a leitores que gostam de ser desafiados!

Confissões de uma suspeita de assassínio – James Patterson

SINOPSE: Malcom e Maud Angel eram pais altamente exigentes. Quando são assassinados, Tandy, a filha mais velha, de dezasseis anos, torna-se a principal suspeita do crime. Nesse mesmo dia, ela decide descobrir quem é o verdadeiro assassino, ainda que seja ela própria ou um dos irmãos.Tandy é uma rapariga-prodígio, incrivelmente inteligente e com conhecimentos fora do vulgar. E agora também é herdeira de uma grande fortuna… Ela guarda muitos segredos, que regressam para a atormentar. Sente-se perdida, vítima da educação recebida dos pais. Mas não seria capaz de os matar… ou seria?

OPINIÃO por Vânia Alves:

James Patterson era um nome que, antes de ler este livro, não me dizia nada, mas a quem vou estar atenta.

As expectativas ficaram altas a partir do momento em que li a seguinte frase na sinopse:

«Nesse mesmo dia, ela decide descobrir quem é o verdadeiro assassino, ainda que seja ela própria ou um dos irmãos». 

Os dados estavam lançados. Tandy quer descobrir quem é o assassino, ainda que seja ela própria??

Como é que é?!

Ela própria?

A minha curiosidade atingiu o pico.

O facto de o livro ser uma espécie de desabafo para o leitor é uma característica especial e fez com que me sentisse mais próxima das personagens. Aqui senti que Tandy precisava de um ombro amigo, o que nos leva a entrar ainda mais na história.
Os capítulos são pequenos, pormenor que me agrada imenso numa leitura.

Toda a história nos consome, não querendo parar de ler só para ver o que vai acontecer a seguir.

Para além de Tandy, há muitas personagens que acabam por ter um papel importante e felicito o autor por conseguir não «estragar» nenhuma. Na minha opinião, são importantíssimas para o desenrolar da história e para todas as ilações que vão surgindo. Não posso dizer mais para não dar spoilers.

Aconselho vivamente a lerem o livro.

A família Angel vai prender qualquer leitor do primeiro ao último minuto.

Ilusão Perfeita – Jodi Picoult

2SINOPSEUma mulher acorda num cemitério ferida e a sangrar, completamente amnésica. Não sabe quem é nem o que faz ali. É socorrida por um polícia que acabara de chegar a Los Angeles. Alguns dias mais tarde, é apanhada de surpresa ao ser finalmente identificada pelo marido, nada mais, nada menos do que Alex Rivers, o famoso actor de Hollywood. Cassie fica deslumbrada pelo conto de fadas que está a viver. Mas nem tudo parece correcto e algo obscuro e perturbador se esconde por detrás daquela fachada de glamour. E é só quando a sua memória começa gradualmente a regressar que a sua vida de cenário perfeito se desmorona e Cassie enfrenta a necessidade de fazer escolhas que nunca sonhou ter de fazer.

OPINIÃO: Há nomes que mal são pronunciados levam muitos leitores a sorrir.

Muitos são os que, ao lerem uma boa opinião acerca destes autores, encolhem os ombros e pensam: “já sabia que ias gostar.”

Jodi Picoult é assim.

Metade dos leitores que conheço já leram todos (ou quase) os livros desta fantástica autora e não me apercebi de ninguém que tenha ficado indiferente às histórias dela.

Picoult não se limita a escrever, ela penetra nas suas personagens e esmiuça-lhes as emoções, os sentimentos, as atitudes, de tal forma que cremos estar perante pessoas reais.

Este é o terceiro livro que leio da autora e foi, sem dúvida, o pior.

Ao contrário do “19 minutos”(AQUI), que se debruça sobre o bullying e os atos fatais que daí podem advir, e do “Tudo por amor”(AQUI), que me revolveu as entranhas ao tratar do abuso sexual de menores, “Ilusão Perfeita” tentou incidir sobre a violência doméstica, mas ficando-se apenas por contar uma história de amor.

A violência doméstica é um tema sensível e muito, mas muito, duro. A leviandade com que a protagonista lida com o marido não permite que sintamos grande compaixão ou, até mesmo, aproximação para com o sofrimento dela.

Depois, o enredo vai-se desviando para um outro secundário, centrando-se noutro tema que teria conteúdo para ter um livro só para si: ser um descendente híbrido numa comunidade indígena.

Fiquei triste por Picoult não ter conseguido escrever algo BOM sobre a violência doméstica, por ter lido um livro dela e me ter levado a pensar: “isto nem parece dela!”

Se quiserem sofrer com um relato duro sobre este tema, aconselho o livro “O fim do silêncio”(AQUI).

Como é óbvio, apesar de inferior aos anteriores, “Ilusão Perfeita” não é um mau livro, apenas não consegue estar à altura de outros da autora.

Leiam Picoult, vale muito a pena!

Em busca do carneiro selvagem – Haruki Murakami

3427989SINOPSE: Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural…

Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

OPINIÃO: Esta é a primeira obra que leio do autor. No entanto, não foi a primeira vez que tomei contacto com a escrita dele, uma vez que já tinha, em tempos, lido o conto “Sono”(que foi, de facto, um autêntico sono)

“Em busca do carneiro selvagem” é o título, o tema e todo o enredo do livro. Ora, se por um lado somos presenteados com a escrita maravilhosa de Murakami, por outro lado vemo-nos enredados em páginas páginas de conteúdo inútil.

Claro que faz pensar, muitas vezes refleti sobre o que poderia ser este carneiro e o que é que o autor pretendia transmitir com as alusões que lhe ia fazendo ao longo do livro. Houve até um ou outro capítulo que voou! Mas, assim que eu pensava que a “coisa” ia arrancar, voltava a letargia.

Fiquei mesmo triste por não ter gostado, acreditam?

Fechei o livro e pensei: “É isto?”

Julguei mesmo que ia ficar arrebatada. Há tanto tempo que não dou 5* a um livro…

Contudo, fui advertida para não desistir de Murakami porque há livros bastante melhores do que este e que, talvez, façam mais o “meu género”(seja lá isso que for).

Aleph – José Luís Borges

9789897220715SINOPSE: O Aleph é um livro de histórias curtas de Jorge Luis Borges, publicado em 1949 e contendo, entre outros, o conto que dá nome ao livro. O escritor aborda vários pontos paradoxais como a imortalidade, a identidade, o duplo, a eternidade, o tempo, a soberba, a condição humana e suas crenças, com um alto grau de criatividade e escrita superior, com elevadíssimo grau cultural, submetendo o leitor a um intrincado labirinto de ideias e reflexões.

OPINIÃO: O que retirei de cada conto:

O imortal

A imortalidade é inércia e não é desejável. Os humanos são especiais porque morrem, mas os animais são imortais porque não se apercebem de que a morte existe e não a temem.

What?

Ora, discordo deste ponto, os animais, ao contrário dos homens, não cessam de viver num estado constante de sobrevivência e instinto, o que, a meu ver, está muito ligado com a percepção da existência, surpresa e inevitabilidade da morte.

De resto, são 9487473828299 referências a tudo e mais alguma coisa, sem aprofundar nada de nada. Tipo, só para dar uma ideia de que é culto, e letrado, e tal… *sigh

O morto

Deste, percebi que havia uma ruiva.

Os teólogos

O que é isto? Referências gregas e romanas umas atrás das outras?
Desisto! Que livro mais nojento, que coisa mais intragável!!!!