Até que sejas minha – Samantha Hayes… por Andreia Silva

 22565410SINOPSE: Ela tem algo que outra pessoa quer. A qualquer custo?

Claudia parece ter a vida perfeita. Está grávida, vai ter um bebé muito desejado, tem um marido que a ama, embora ausente, e uma casa maravilhosa.

Depois, Zoe entra na vida dela. Zoe foi contratada para a ajudar quando o bebé nascer, e parece a pessoa certa para o cargo. Mas há qualquer coisa nela de que Claudia não gosta e que a faz desconfiar.

Quando encontra Zoe no seu próprio quarto, a remexer nos seus bens pessoais, a ansiedade de Claudia torna-se um medo bem real?

OPINIÃO por Andreia Silva: Claudia sempre quis ser mãe e depois de inúmeras gravidezes incompletas e muito sofrimento, está à espera de uma menina.

Com o marido a servir na Marinha, ela contrata Zoe, uma ama perfeita, mas com segundas intenções. Isso o leitor sabe desde o inicio. E não é isso que vai deixar todo o enredo à vista. A meu ver, ainda nos deixa mais interessados.

À medida que os capítulos vão passando, a curiosidade vai aguçando. O leitor sabe que vai acontecer alguma coisa, que não é bom, mas não sabe nunca o que é.

Os capítulos vão alternando entre Claudia, Zoe e uma inspetora da polícia que investiga os crimes que têm acontecido à volta de grávidas.

Não estava à espera, nem estava preparada para o rumo que a história tomou, ou foi tomando à medida que a narrativa era descrita.  Num momento, até acreditei que tinha já desvendado metade do mistério, mas não, nem um quarto tinha ficado sem o véu.

A forma como a autora escreveu e a maneira como usou as palavras de forma tão ambígua deu-me a volta ao pensamento e deixou-me literalmente de boca aberta.

Além disso, as reviravoltas, as revelações, a última frase do livro fez-me ansiar por mais páginas. Ainda virei, mas já só havia agradecimentos.

Só um conselho: se alguém tentar contar a história antes de o lerem, não deixem!

Vida roubada – Adam Johnson… por Andreia Silva

20763351SINOPSE: Vencedor do prémio Pulitzer 2013: Uma saga de amor, esperança e redenção no país mais fechado do mundo.

Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do, um jovem no país com a ditadura mais sombria do mundo: a Coreia do Norte.

Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.

Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.
–saidadeemergencia.com

OPINIÃO por Andreia SilvaJun Do vive no país mais fechado do mundo, tal como a capa nos diz: a Coreia do Norte.

O livro começa com a jornada dele, desde o orfanato onde vivia com o pai que o geria, até à sua ascenção ao Estado.

Sempre submisso ao líder do país, Jun Do arrisca tudo para salvar a mulher que ama.

A história tem um enredo interessante e o leitor sente-se como a intrometer-se no meio de algo que é secreto. Sentimo-nos a espiar e isso torna o livro aliciante. Gostei, especialmente, da estranheza que sentem os coeranos ao descobrir factos da cultura americana.

Contudo, não é um livro fácil. Tem uma história densa, com muitos pormenores e por não ser uma cultura com que facilmente tenhamos contato, torna-se complicado acompanhar os acontecimentos a um bom ritmo.

A promessa de uma saga de amor fica um pouco aquém das expetativas. Percebo o contexto da atmosfera envolvente mas acho que falta qualquer coisa nesse aspeto.

Na globalidade, é um livro bem escrito e muito bem pensado, mais concretamente ao nível da pesquisa política e cultural. Entendo perfeitamente o porquê do prémio atribuído, mas não fez muito o meu género e por esse motivo não me prendeu.

Escrito na água – Paula Hawkins

34474680SINOPSE: Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial A Rapariga no Comboio

CUIDADO COM AS ÁGUAS CALMAS. NÃO SABEMOS O QUE ESCONDEM NO FUNDO.

Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.

Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?

Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.
Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que A Rapariga no Comboio.

Escrito na Água de Paula Hawkins
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um dos livros mais aguardados de 2017.»
Revista TIME

OPINIÃO: Eu tenho a mania que adivinho tudo antes do final. Gosto de traçar as minhas suspeitas e de tentar criar uma espécie de profile das personagens, tipo “Mentes Criminosas”.

Faço estas análises de forma automática e, por esse motivo, são poucos os livros que me surpreendem. Costumo atender aos pormenores e crer que o autor os colocou lá por um motivo, o que tem sido um factor de desânimo em muitas das leituras que faço, uma vez que parece que se tem vindo, cada vez mais, a escrever com o manuscrito no joelho, sem preocupação em construir verdadeiros enredos.

Paula Hawkins não é assim. É impossível não reparar no imenso trabalho que a autora tem de elaborar o plano da sua história, em plantar pormenores e de fazê-los ressaltar ao longo do livro.

Não é à toa que ela é uma autora de bestsellers, que ela conquista pela sua escrita. Ela trabalha para isso, além do óbvio talento que lhe é inegável.

“A rapariga no comboio” foi uma leitura que me prendeu (AQUI) e o “Escrito na água” consumiu-me por completo.

Logo nas primeiras páginas, fomos preparados para o que nos esperava. Aos leitores mais atentos não escaparam as referências iniciais, sobretudo, quando Julia entra na casa de Nell e se depara com a decoração. Há quem diga que a forma como decoramos o nosso lar diz muito de nós. Desta forma, o que se poderá dizer de uma mulher que tem aqueles quadros (AQUI)?

A sinopse induz-nos a uma espécie de “policial/crime”. No entanto, não demoramos a perceber que o livro explora uma natureza mais profunda: o suicídio. (AQUI)

A partir daqui, temos as bases para enveredarmos na teia (e que teia!).

Prontos? Não, ainda não…

Se não leram “A rapariga no comboio” não estarão preparados para a crueldade que Hawkins consegue invocar com a sua escrita. Não há meias medidas e as personagens falam como se fossem reais, não há cá eufemismos.

Quem se lembra da “gorda e bêbada da Rachel”?(A rapariga no comboio”) Pois, preparem-se para a ignorância da população de comunidades pequenas, para homens machistas, para adolescentes revoltadas… Não é um livro para pessoas sensíveis, é uma história escrita para quem gosta de uma boa dose de mistério e de emoções fortes. É um enredo complexo, carregado de pistas, que fazem o deleite do leitor mais exigente, aquele que gosta de pensar, de refletir, de ser surpreendido…

Diálogos magníficos, personagens com personalidades e características únicas, muita ambiguidade e tons de cinzento pincelados por todos os lados. E o rio… o rio, o mar, a própria água que tanto tem de purificadora como de assassina.

Paula Hawkins é uma autora a quem faço a vénia; é uma inspiração. Uma mulher que escreve sem pudores, com mestria e com uma qualidade que faz dela um to read obrigatório dentro do género.

Depois de explorar o alcoolismo e o adultério em “A rapariga no comboio”, “Escrito na água” debruça-se, sobretudo, sobre o suicídio.

Achei curioso que, tanto num livro como no outro, Hawkins tenha feito uso das memórias, não da forma mais óbvia (e errada) que todos nós temos, mas ao atribuir-lhes a verdadeira essência de falsidade e névoa que lá habitam. A verdade é algo muito estranho de aferir… A verdade está nos olhos de quem a vê e da forma como a vê.

Qual é a verdade?

O mesmo se aplica à moralidade. Quantos de nós julgamos os “antigos” que afogavam as ninhadas de gatos?

A sociedade não é una e as gerações trazem sempre algo de novo, mas também a velha e tacanha mentalidade escondida.

Parecem reflexões disparadas à toa, mas garanto que após lerem o livro, entenderão até que ponto Hankins foi profunda e crítica.

Quanto à minha “técnica” de tentar adivinhar o final, consegui?

O que acham?

Estava no caminho certo, mas também fui fintada. Boa!

Por treze razões – Jay Asher

18033269_1501554846532299_8031842047339460361_nSINOPSE: Ao regressar das aulas, Clay Jensen encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobriu sete cassetes com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes, Clay é surpreendido pela voz de Hannah Baker, uma adolescente de dezasseis anos que se suicidara duas semanas antes e por quem estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os treze motivos que a levaram a pôr fim à vida. Guiado pela voz de Hannah, Clay testemunha em primeira mão o seu sofrimento e descobre que os treze motivos correspondem a treze pessoas…

OPINIÃO: À semelhança do que tem acontecido com algumas das minhas reviews cinematográficas, a análise deste livro, e da sua adaptação pela Netflix, foi publicada pela IGN Portugal (AQUI).