Escrito na água – Paula Hawkins

34474680SINOPSE: Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial A Rapariga no Comboio

CUIDADO COM AS ÁGUAS CALMAS. NÃO SABEMOS O QUE ESCONDEM NO FUNDO.

Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.

Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?

Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.
Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que A Rapariga no Comboio.

Escrito na Água de Paula Hawkins
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um dos livros mais aguardados de 2017.»
Revista TIME

OPINIÃO: Eu tenho a mania que adivinho tudo antes do final. Gosto de traçar as minhas suspeitas e de tentar criar uma espécie de profile das personagens, tipo “Mentes Criminosas”.

Faço estas análises de forma automática e, por esse motivo, são poucos os livros que me surpreendem. Costumo atender aos pormenores e crer que o autor os colocou lá por um motivo, o que tem sido um factor de desânimo em muitas das leituras que faço, uma vez que parece que se tem vindo, cada vez mais, a escrever com o manuscrito no joelho, sem preocupação em construir verdadeiros enredos.

Paula Hawkins não é assim. É impossível não reparar no imenso trabalho que a autora tem de elaborar o plano da sua história, em plantar pormenores e de fazê-los ressaltar ao longo do livro.

Não é à toa que ela é uma autora de bestsellers, que ela conquista pela sua escrita. Ela trabalha para isso, além do óbvio talento que lhe é inegável.

“A rapariga no comboio” foi uma leitura que me prendeu (AQUI) e o “Escrito na água” consumiu-me por completo.

Logo nas primeiras páginas, fomos preparados para o que nos esperava. Aos leitores mais atentos não escaparam as referências iniciais, sobretudo, quando Julia entra na casa de Nell e se depara com a decoração. Há quem diga que a forma como decoramos o nosso lar diz muito de nós. Desta forma, o que se poderá dizer de uma mulher que tem aqueles quadros (AQUI)?

A sinopse induz-nos a uma espécie de “policial/crime”. No entanto, não demoramos a perceber que o livro explora uma natureza mais profunda: o suicídio. (AQUI)

A partir daqui, temos as bases para enveredarmos na teia (e que teia!).

Prontos? Não, ainda não…

Se não leram “A rapariga no comboio” não estarão preparados para a crueldade que Hawkins consegue invocar com a sua escrita. Não há meias medidas e as personagens falam como se fossem reais, não há cá eufemismos.

Quem se lembra da “gorda e bêbada da Rachel”?(A rapariga no comboio”) Pois, preparem-se para a ignorância da população de comunidades pequenas, para homens machistas, para adolescentes revoltadas… Não é um livro para pessoas sensíveis, é uma história escrita para quem gosta de uma boa dose de mistério e de emoções fortes. É um enredo complexo, carregado de pistas, que fazem o deleite do leitor mais exigente, aquele que gosta de pensar, de refletir, de ser surpreendido…

Diálogos magníficos, personagens com personalidades e características únicas, muita ambiguidade e tons de cinzento pincelados por todos os lados. E o rio… o rio, o mar, a própria água que tanto tem de purificadora como de assassina.

Paula Hawkins é uma autora a quem faço a vénia; é uma inspiração. Uma mulher que escreve sem pudores, com mestria e com uma qualidade que faz dela um to read obrigatório dentro do género.

Depois de explorar o alcoolismo e o adultério em “A rapariga no comboio”, “Escrito na água” debruça-se, sobretudo, sobre o suicídio.

Achei curioso que, tanto num livro como no outro, Hawkins tenha feito uso das memórias, não da forma mais óbvia (e errada) que todos nós temos, mas ao atribuir-lhes a verdadeira essência de falsidade e névoa que lá habitam. A verdade é algo muito estranho de aferir… A verdade está nos olhos de quem a vê e da forma como a vê.

Qual é a verdade?

O mesmo se aplica à moralidade. Quantos de nós julgamos os “antigos” que afogavam as ninhadas de gatos?

A sociedade não é una e as gerações trazem sempre algo de novo, mas também a velha e tacanha mentalidade escondida.

Parecem reflexões disparadas à toa, mas garanto que após lerem o livro, entenderão até que ponto Hankins foi profunda e crítica.

Quanto à minha “técnica” de tentar adivinhar o final, consegui?

O que acham?

Estava no caminho certo, mas também fui fintada. Boa!

Por treze razões – Jay Asher

18033269_1501554846532299_8031842047339460361_nSINOPSE: Ao regressar das aulas, Clay Jensen encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobriu sete cassetes com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes, Clay é surpreendido pela voz de Hannah Baker, uma adolescente de dezasseis anos que se suicidara duas semanas antes e por quem estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os treze motivos que a levaram a pôr fim à vida. Guiado pela voz de Hannah, Clay testemunha em primeira mão o seu sofrimento e descobre que os treze motivos correspondem a treze pessoas…

OPINIÃO: À semelhança do que tem acontecido com algumas das minhas reviews cinematográficas, a análise deste livro, e da sua adaptação pela Netflix, foi publicada pela IGN Portugal (AQUI).

A invenção das asas – Sue Monk Kidd … por Andreia Silva

25606943SINOPSE: Hetty, uma escrava do início do século XIX, sonha com uma vida para lá das paredes sufocantes da opulenta mansão Grimké.
Sarah, a filha dos Grimké, desde cedo que quer fazer algo pelo mundo, mas é sufocada pelos limites rígidos impostos às mulheres.

Tudo tem início quando Sarah faz onze anos e lhe dão Hetty, um ano mais nova, para ser sua aia. Nas décadas seguintes, cada uma à sua maneira, as jovens lutam por liberdade e independência. Moldando o destino uma da outra, vivem uma intensa relação de amizade marcada pela culpa, rebeldia, separação, os caminhos ínvios do amor e também pelo nascimento do movimento abolicionista que mudará as suas vidas para sempre. Será que a religião, a sociedade e a família podem enfrentar os sonhos de duas jovens?

Inspirada pela figura histórica de Sarah Grimké, Sue Monk Kidd transcende o registo histórico para nos oferecer um testemunho deslumbrante e poderoso da luta das mulheres e dos escravos em nome da liberdade. A Invenção das Asas é um triunfo da arte de contar histórias, abordando um tema sensível e atual, de uma forma honesta e poética.

OPINIÃO por Andreia SilvaNo século XIX, na mansão da família Grimké vive Sarah, a irmã do meio de uma carrada de irmãos.

Aos onze anos é-lhe atribuída uma das escravas como aia, Hetty. Contudo, Sarah recusa, uma vez que ter uma escrava a seu mando vai contra os seus princípios. No entanto, nem uma menina de 11 anos e muito menos uma escrava conseguem ter voz.

Esta história não se baseia simplesmente numa menina negra e escrava a tentar ganhar a sua liberdade. Também não é uma história de uma menina rica a tentar ser mais do que é esperado de si por ser mulher. É uma história que nos é contada a duas vozes, mas vivida por um único tipo de alma: pura, resistente e ansiosa pela liberdade física e mental.

À medida que os anos vão passando, e tanto Sarah como Hetty ficam mais velhas, vamos percebendo que nenhuma das duas vai desistir daquilo em que acredita.

Ao existir a alternância das vozes de ambas, é dado ao leitor duas perspetivas e dois tipos de anseios. A escrita é cuidada, profunda, mas, ao mesmo tempo, simples, ajudando o leitor a sentir esses mesmos anseios.

Este enredo, baseado numa história real, choca-nos por conter tanto preconceito e desrespeito pela vida humana. Por outro lado, alerta-nos, ao nos fazer ver que o ser humano pode ser capaz de tanta crueldade com o próximo.

Tem um final um tanto ou quanto repentino. Eu, pelo menos, não contava que aquela fosse a última página. Porém, entendo e concordo. Deixa o leitor a pensar e, de certo modo, feliz!

Os quadros – Escrito na água

34474680De forma a enquadrar os leitores, deixo aqui parte da sinopse para que consigam saber de quem estou a falar:

“Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.”

Ora bem, Jules, a irmã de Nel, diz-nos que estes quadros são uma prova da obsessão da irmã, dando a impressão de que estamos diante de um cenário inquietante.

Senti a necessidade de os ver, de perceber se serão assim tão mórbidos como a narrativa quer transparecer.

O que é que Nel tem, afinal, pendurado em casa?

1# Ofélia de Millais

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2# Tripla Hécate de Blake

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3# Sabat das bruxas de Goya

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4# Cão afogado de Goya

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Bem… de facto não eram os meus eleitos para decorar a minha sala eheh

Jules detesta particularmente o último. Também consigo depreender o desespero que emana dele. No entanto, confesso que o que mais me inquieta é o primeiro.

E vocês?

As Referências da pág.20 – Escrito na água

34474680Como já devem ter percebido, caso sigam a página de facebook do blogue, estou a ler o exemplar de avanço do novo livro da autora Paula Hawkins, que será lançado no dia 2 de Maio do presente ano.

Para os mais distraídos, estamos a falar da mesma autora do bestseller, lançado em 2015: A rapariga no comboio (AQUI)

As primeiras páginas de um livro são muito importantes, porque têm de avisar o leitor onde é que ele se está a meter.

Então, qual a minha surpresa ao chegar à página 20 e dar de caras com algumas referências que me deixaram com a pulga atrás da orelha.

Para os amantes do terror, estes nomes de locais não passarão despercebidos. Afinal, são sítios mórbidos e muito reais, que dão asas a muita inspiração dentro das produções literárias e cinematográficas dos géneros mais cruéis.

Que referências são essas, afinal?

(Informações retiradas da Wikipedia)

1# Beachy head

“Beachy Head é um cabo de giz ao sul da Inglaterra, perto da cidade de Eastbourne,(…) 

O penhasco de Beachy Head é o mais alto penhasco marítimo de giz da Grã Bretanha, se elevando a 162 metros do nível do mar. (…)

Sua altura fez com que se tornasse um dos pontos de suicídio mais famosos do mundo. Há uma estimativa de 20 mortes por ano em Beachy Head.”

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2# Aokigahara

“Aokigahara (青木ヶ原), também conhecida como Mar de Árvores (樹海), é uma floresta de 35km² situada na base noroeste do monte Fuji, no Japão. (…)

Devido à densidade das árvores, que bloqueiam o vento, e à ausência de vida selvagem, Aokigahara é conhecida por ser estranhamente silenciosa. Contam-se muitas lendas acerca da floresta. Algumas delas a relacionam com demônios e espíritos malignos característicos da mitologia japonesa e é conhecida por ser um local comum de suicídios. No ano de 2010, 54 pessoas completaram o ato na floresta, apesar de numerosas mensagens, em japonês e inglês, para que as pessoas reconsiderassem suas ações. Em média, são encontrados cem corpos por ano, alguns em avançado estado de putrefação ou até mesmo somente seus esqueletos.”

3# Preikestolen

“Preikestolen  (em português significa “Púlpito do Pregador” ou “Púlpito de Rocha”) é uma falésia de 604 metros de desnível (…), Noruega. O topo da falésia é de aproximadamente 25 por 25 metros, quadrado e quase plano.

É uma grande atração turística da Noruega. Durante os quatro meses do verão de 2006 cerca de 95000 pessoas percorreram os 3,8 km de caminhada até ao Preikestolen, fazendo dele uma das atrações turísticas mais visitadas do país.

Em outubro de 2013, registou-se a primeira morte de um turista no local.”

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Desta forma, é impossível não percebermos que estamos diante de uma história que promete muita intensidade.

Curiosos? Keep in touch 😉