As impertinências do cupido – Ana Gil Campos

35448682SINOPSE: No Itaim Bibi, um bairro nobre de São Paulo, tudo parece sereno, entregue às rotinas diárias. Sob esta aparência tranquila, porém, as vidas íntimas dos seus moradores são atravessadas por inúmeras aventuras.

Ao longo deste livro, somos convidados a espreitar à janela de cada personagem, partilhando os seus segredos e confidências, sorrindo com as suas conquistas e suspirando com as suas frustrações.

Num registo divertido, Ana Gil Campos traça um retrato plausível e cru do que são as relações amorosas nos dias de hoje, bem mais complexas e problemáticas do que um olhar menos atento consegue captar.

OPINIÃO: “As impertinências do cupido” é um livro de contos. As histórias são contemporâneas e pretendem explorar como é visto o amor nos nossos dias.

É um livro muito pequenino e de fácil leitura. Ideal para oferecer àquela amiga romântica que gosta de ler um pouquinho de cada vez e de sublinhar as passagens.

As passagens incidem sobre um momento da vida dos personagens em que eles questionam o amor que vivem, ou que não vivem. Estamos a falar de pessoas adultas, com personalidades já vincadas e que se veem, muitas vezes, entre aquela relação de uma vida e a aquelas que não experienciaram. A rotina impõe-se e parece que a paixão fugiu pela porta da entrada sem que eles dessem por isso. Ou talvez não, talvez esteja escondida e eles não saibam que estão diante de algo mais forte do que aquele desejo dos primeiros tempos.

Sejam os solteiros, os casados com filhos e aqueles que ainda não os têm, todos têm as suas queixas. Há aqueles que traem e aqueles que não o fazem, mas que são alvo de outros defeitos. Há quem considere uma característica um defeito, mas depois, para outro, já não é. São seres humanos numa teia de perspetivas, quando, no fundo, me parece que não sabem o que fazer com a rotina.

Ao longo dos contos, apercebemo-nos que os personagens estão interligados, que se conhecem, e que se referem quando refletem sobre as suas relações amorosas. Inevitavelmente, veio-me à cabeça a música do Miguel Araújo, “Os maridos das outras”, no sentido de que ninguém parece feliz com o que tem e que o que o outro tem é melhor, até lá chegarmos e a história se repetir em contrario sensu.

Ana Gil Campos é uma das novas autoras portuguesas publicada pela Coolbooks.

Li em formato ebook, pela aplicação WookReader e recomendo. 😉

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A viúva e o papagaio – Virginia Woolf

22442449SINOPSE: Imprevisível, divertido e inteligente, este conto acompanha a aventura da Sra. Gage, uma velha viúva que descobre uma herança inesperada com a ajuda de um papagaio invulgar. “Não está ninguém em casa!”, “Não está ninguém em casa!” é só o que o papagaio James sabe dizer, mas ele esconde um segredo, assim como esta história esconde uma lição…

OPINIÃO: Se eu tivesse lido este conto na minha infância tinha adorado!

Tem os ingredientes perfeitos para prender os miúdos.

Fiquei a saber que Virginia Woolf costumava escrever contos infantis para os sobrinhos e só pelo facto de ela conseguir chegar a este público tão exigente, tiro-lhe o chapéu.

Eu não consigo escrever para crianças. O texto tem de ser simples, mas tem de ser interessante. Não pode ser longo, mas também não pode ser vago. As personagens têm de parecer reais, mas sem ambiguidade. Tem de haver mistério, mas não temos de ter cuidado para não assustar. Tem de transmitir uma moralidade, mas não ao ponto de ferir suscetibilidades. E não pensem que eles não reparam nas gafes, porque eles questionam logo as incongruências!

A menina que recomendou este livro no nosso clube de leitura (o nosso membro mais novo eheh) disse que a história não lhe saía da cabeça. Não é maravilhoso que os mais pequenos se entusiasmem desta forma com os livros?

Atenção! É uma leitura recomendada a crianças do 5ºano de escolaridade. Acredito que poderá ser confuso para os meninos mais novos.

A amiga genial – Elena Ferrante

24445388SINOPSE: “A Amiga Genial” é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente.
Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro.
Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja.
Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração.
O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue.
“A Amiga Genial” tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse.

OPINIÃO: Uma história sobre gentes e as suas vivências. Uma narrativa corrida com altos e baixos à medida da própria vida.

Jamais teria pegado neste magnífico livro, se não fosse o Clube de leitura a propor. Comprei-o de nariz torcido e abri-o para fazer um esgar de descontentamento, ao verificar que a prosa era extensa e com poucos diálogos. Pensava que ia enfiar-me numa leitura densa que me ia acompanhar durante semanas a ler aos bochechos, a torcer para que acabasse.

Pois… fiei-me na aparência do livro e acreditei na premissa de “não faz o meu género”… Mais uma vez, senti-me estúpida por crer que isso existe, isso dos “géneros”… Estou cada dia mais convencida de que gosto de histórias, de livros (neste caso) e que isso dos géneros é a preguiça de tentar, o receio de não gostar. Ainda bem que tentei, ainda bem que me meti nesta Itália dos anos cinquenta, naquela Nápoles pobre e tão deliciosamente popular e, sobretudo, porque me permiti conhecer a amizade de Lenu e Lila.

Temos um prólogo sugestivo. A pulga instala-se atrás da orelha, mas rapidamente somos transportados para o início da história, para a bela, doce e cruel infância. Os episódios poderiam ter saído da boca dos nossos avós. Aquela liberdade das ruas que hoje pouco existe. As conversas inocentes e as suposições infantis do que os adultos fazem…

Lenu é a narradora, mas a sua narrativa não é direcionada para si mesma, mas para Lila, a misteriosa rapariga felina que se instala no seu coração desde tenra idade. A “catraia” que não tem medo de ninguém e que irrita qualquer um com a sua petulância e teimosia.

Fico imediatamente rendida a esta escolha de narrador. O facto de ser Lenu a narrar os acontecimentos, permite que Lila se mantenha uma incógnita também para nós leitores. Veja-se, Lila é uma carta fora do baralho, é peculiar, é incompreendida e confusa. Ninguém sabe o que a move, o que ela pensa e o que ela pretende fazer. Os leitores conhecem Lila tão bem como Lenu, o que nos destaca, porque Lenu é quem a conhece melhor, mas que, por outro lado, nos deixa no mesmo patamar de todos: também não nos é permitido conhecê-la verdadeiramente.

A história acompanha o crescimento destas amigas e das suas alegrias e tristezas. A transformação das personalidades de crianças para adolescentes é gradual, lenta, e joga com as influências e com aquela parte de nós que diz-se ser inata, os talentos.

Nunca seríamos quem somos se não se cruzassem algumas pessoas na nossa vida. Nunca ganharíamos aqueles medos ou aquelas aspirações, se não fosse aquele momento que nos assustou e aquela pessoa que nos incentivou a seguir em frente. Nunca teríamos parado ou abrandado naquela demanda, se não nos tivessem desencorajado. A vida é feita de momentos pequenos, que se tornam gigantes quando persistem na memória, levando-nos a admitir que fomos atingidos por eles, quando não pareciam ter significado algum na altura em que ocorreram.

As dúvidas do futuro, o que anda de um lado, não está a andar no outro, mas a “vida da vizinha é sempre melhor”. Povo, gente, nostalgia e, está claro, segredos!

Este livro é maravilhoso pela realidade que nos impõe. Mostra-nos que qualquer vida, se for bem contada, pode cativar os outros, porque todos vivemos histórias diferentes.

No entanto, é impossível não sentir que está uma tragédia à espreita. Não é dada importância acrescida a nenhum facto que o preveja, mas sente-se que há ali uma parte da história que não será feliz. Tememos a chegada desse momento e sabemos que, tal como os personagens, seremos apanhados desprevenidos. Não é assim a vida?

Os personagens não têm personalidades ou humores fixos. Quem tem? Quem é que está sempre feliz? Quem é que não vacila nas suas ideologias? Quem é que acredita sempre na mesma teoria e não recua, nem por uma vez? Quem é que não se exalta?

Apaixonante!

Este livro apresenta a infância e a adolescência. São 4 livros no total. São mais dois a três estágios de vida para que aquele prólogo se veja esclarecido.

Venha o próximo!

Misery – Stephen King

6521615SINOPSE: Paul Sheldon, um escritor de sucesso, cansa-se da sua heroína Misery, e decide matá-la no último volume da série e partir numa viagem. Um acidente de automóvel num lugar ermo deixa-o, porém, bastante ferido. Salvo por Annie, uma enfermeira que vem em seu socorro, Paul acredita ter encontrado a sorte, desconhecendo que Annie se identificava de tal modo com Misery que apenas surgiu no seu caminho para o obrigar a ressuscitar a personagem, e tudo fará para o conseguir.

OPINIÃO: Quem lê Stephen King sabe que existem sempre muitas edições dos seus livros.

No caso de Misery, publicado em 1987, a minha versão é de 1999. As mais recentes são as seguintes:

 

Falemos agora sobre Misery, o livro que me tirou o sono.

A história poderia simplesmente enquadrar-se no ambiente duro de um rapto. Se dissermos que todo o enredo se passa dentro de uma casa, numa só assoalhada e, principalmente, dentro de um quarto, poucos se safariam de criar um trama monótono e/ou curto. Porém, com King isso nunca acontece… Rapidamente, somos transportados para um ambiente de tortura psicológica, que se torna física (a seu tempo), e que nos tira a respiração. A loucura de Annie é tão palpável que assusta.

Quantos de nós, leitores apaixonados, já nos vimos envolvidos emocionalmente em uma série de livros? Obviamente que o mesmo sentimento surge com séries televisivas e até com telenovelas! Não é difícil encontrar, sobretudo nos dias de hoje, com a internet, comentários de puro descontentamento porque a personagem preferida de alguém morreu, ou porque o final não satisfez (ai, os finais que nunca agradam!), ou até porque (aqui manifesto o meu ódio!) as séries são canceladas sem lhes vermos um fim. Agora, convido-vos a colocarem-se no lugar de quem as escreve e de quem as produz e a imaginarem que têm um fã louco do outro lado. Este é o cenário de Paul que, para além de desagradar a “doce” Annie com a morte da sua personagem “Misery”, está literalmente nas mãos dela.

Annie é uma mulher perturbada. O seu histórico mental é desvendado pouco a pouco ao longo do livro. Quanto mais sabemos sobre Annie, mais tememos pela vida de Paul. Chega a um ponto que queremos que ele pare de tentar fugir, porque as consequências poderão ser mesmo muito más. Nós não queremos ver como é que Annie o vai punir, por Paul ser “tão mal agradecido” e de não perceber como ela “tem sido tão sua amiga”.

Os diálogos são absolutamente fantásticos. Conseguimos ouvi-los a falar, conseguimos saber como se sentem, como se movem, sem que o autor tenha de o explicar pormenorizadamente na narrativa.

Paul refugia-se na sua própria cabeça. Os momentos em que Paul vagueia pelas suas memórias, por vezes, tornam-se demasiado extensos e podem cansar um pouco. No entanto, parece importante para o autor que os leitores percebam que Paul não é boa pessoa, que o escritor tem os seus issues e defeitos, e é pelos seus pensamentos que o conhecemos a fundo. Contudo, nada justifica o tratamento a que ele é submetido por Annie. É impossível não criar empatia pela vítima e não chegar à conclusão de que Annie é um monstro que tem de ser imobilizado, talvez até abatido.

Não é uma leitura fácil. Dei por mim a fechar o livro algumas vezes para respirar. A insanidade está tão patente que tememos que nos afete de alguma forma. As reflexões a que o autor nos expõe são duras de encarar. A debilidade de Paul é tão bem retratada que, ao tentarmos colocar-nos no seu lugar, sabemos que não aguentaríamos. Ele também não aguenta! E nós lemos até ao fim, acompanhamos os seu sofrimento e torcemos para que a situação mude, seja de que forma for.

Quem segue este blogue sabe que faço a vénia a Stephen King, pela sua ousadia, pela sua capacidade em entrar na mente humana e de não temer chocar com o que poderá lá encontrar.

“Misery” é um dos seus melhores romances e é obrigatório para todos aqueles que gostam de ser traumatizados pela ficção.

Passatempos de Natal&Fim de ano 2017

 

  1. 25442942_1739512372736544_6703642566013408670_n TERMINADO – Sandra Sousa
  2. 25498369_1739972796023835_202270270184529685_n TERMINADOPaula Fonseca Pedras
  3. 25446448_1740646059289842_2564767591580461723_n.jpg Com apoio da Porto Editora.TERMINADO – Ana João
  4. 25508032_1740649402622841_561001729125553434_n Com apoio da Editorial Presença.TERMINADO – Susana Gomes
  5. 25552072_1740652172622564_8783898830653728469_n.jpgCom apoio da Editorial Planeta Portugal.TERMINADO – Liliana Carvalho
  6. 25659294_1743162479038200_1401277942093629438_nCom apoio da Edições Saída de Emergência.TERMINADO – Joana Pa