Confissões de uma suspeita de assassínio – James Patterson

SINOPSE: Malcom e Maud Angel eram pais altamente exigentes. Quando são assassinados, Tandy, a filha mais velha, de dezasseis anos, torna-se a principal suspeita do crime. Nesse mesmo dia, ela decide descobrir quem é o verdadeiro assassino, ainda que seja ela própria ou um dos irmãos.Tandy é uma rapariga-prodígio, incrivelmente inteligente e com conhecimentos fora do vulgar. E agora também é herdeira de uma grande fortuna… Ela guarda muitos segredos, que regressam para a atormentar. Sente-se perdida, vítima da educação recebida dos pais. Mas não seria capaz de os matar… ou seria?

OPINIÃO por Vânia Alves:

James Patterson era um nome que, antes de ler este livro, não me dizia nada, mas a quem vou estar atenta.

As expectativas ficaram altas a partir do momento em que li a seguinte frase na sinopse:

«Nesse mesmo dia, ela decide descobrir quem é o verdadeiro assassino, ainda que seja ela própria ou um dos irmãos». 

Os dados estavam lançados. Tandy quer descobrir quem é o assassino, ainda que seja ela própria??

Como é que é?!

Ela própria?

A minha curiosidade atingiu o pico.

O facto de o livro ser uma espécie de desabafo para o leitor é uma característica especial e fez com que me sentisse mais próxima das personagens. Aqui senti que Tandy precisava de um ombro amigo, o que nos leva a entrar ainda mais na história.
Os capítulos são pequenos, pormenor que me agrada imenso numa leitura.

Toda a história nos consome, não querendo parar de ler só para ver o que vai acontecer a seguir.

Para além de Tandy, há muitas personagens que acabam por ter um papel importante e felicito o autor por conseguir não «estragar» nenhuma. Na minha opinião, são importantíssimas para o desenrolar da história e para todas as ilações que vão surgindo. Não posso dizer mais para não dar spoilers.

Aconselho vivamente a lerem o livro.

A família Angel vai prender qualquer leitor do primeiro ao último minuto.

Um-dó-li-tá – M.J.Arlidge

23388794SINOPSE: DOIS REFÉNS. UMA BALA. UMA DECISÃO TERRÍVEL. SACRIFICARIA A SUA VIDA PELA DE OUTRA PESSOA?

Uma jovem rapariga surge dos bosques após sobreviver a um rapto aterrador. Cada mórbido pormenor da sua história é verdadeiro, apesar de incrível. Dias mais tarde é descoberta outra vítima que sobreviveu a um rapto semelhante.

As investigações conduzem a um padrão: há alguém a raptar pares de pessoas que depois são encarcerados e confrontados com uma escolha terrível: matar para sobreviver, ou ser morto.

À medida que mais situações vão surgindo, a detetive encarregada deste caso, Helen Grace, percebe que a chave para capturar este monstro imparável está nos sobreviventes. Mas a não ser que descubra rapidamente o assassino, mais inocentes irão morrer?

Um jogo perigoso e mortal num romance de estreia arrebatador e de arrasar os nervos, que lembra filmes como Saw, Enigma Mortal e A Conspiração da Aranha.

OPINIÃO: Esta história fica na cabeça.

Não por ter uma premissa original, uma vez que já assistimos à “escolha” nos filmes “Saw”, mas pelas descrições tão reais que só um bom escritor consegue oferecer.

Além disso, qual é o coração que não palpita ao imaginar-se nestas situações?

O assassino deste livro é cruel porque não se importa. O monstro desta história é paciente, uma característica que consegue deixar-nos com os nervos em franja.

Juro que ainda visualizo aquela ferida infetada…

Adiante…

Não sou fã de policiais. Acredito que haja uma diferença gigante entre thrillers com e sem polícias, sendo eu mais adepta dos segundos.

No entanto, esta história não se debruça (muito) sobre questões técnicas e sobre os procedimentos das autoridades, deixando imenso espaço para que possamos conhecer as personagens no seu lado mais humano e menos profissional.

Fica avisado, desde já, o leitor mais sensível que estão presentes imagens chocantes e de difícil degustação, de trago azedo e resoluções que nos deixam a pensar e que tornam as personagens ainda mais cinzentas.

Este é o primeiro volume de uma série que irei manter na minha estante.

Apenas faço um reparo à tradução do título. O livro deveria chamar-se “Pim, pam, pum” e não “Um-dó-li-tá”. A lengalenga do “Pim pam pum” é bem mais cruel e, por isso, tem uma  semelhança muito maior com a lengalenga que deu o título ao original: “Eeny, meeny, miny, moe”.

A criança de fogo – S. K. Tremayne

30SINOPSE: Quando Rachel se casa com David, tudo parece encaixar-se. Ao mudar-se de uma vida de mãe solteira para a bela mansão Carnhallow na Cornualha, ela ganha riqueza, amor e até um irmão para a sua filha, Millie. É então que o seu enteado, Jamie, faz uma previsão assustadora, e a vida perfeita de Rachel começa a desmoronar-se. Assombrada pelo fantasma da falecida mulher de David, a mãe de Jamie, e à medida que suspeita que a morte daquela não tenha sido suicídio, Rachel começa a temer que as palavras do enteado se tornem realidade: «Irás morrer no Natal»

OPINIÃO: Isto é um thriller, não de deixem enganar pela sinopse e pelo próprio enredo fantasmagórico.

Quem leu o livro “As gémeas do gelo” saberá ao que me refiro, quando digo que o autor gosta de nos fintar com o terror ao longo das suas histórias.

Ao estilo deste título anterior, também “A criança de fogo” tem lugar num local isolado e icónicO da velha Inglaterra. Desta vez, os nossos personagens têm em mãos um passado gigantesco de uma linhagem poderosa que oprimiu e explorou o povo durante séculos. Na atualidade, a bela e “mal-humorada” Carnhallow ergue-se imponente sobre as falésias, olhando para as minas e para o sangue que elas lembram, fruto da ganância e a ambição dos antepassados de David.

David é viúvo e tem um filho, Jamie. Dezoito meses após a morte de Nina, David volta a casar. Rachel esforça-se para caber naquela família quebrada e, sobretudo, para conseguir não se sentir perdida e pequena dentro de Carnhallow, onde as paredes parecem sussurrar e os mortos parecem querer falar mais alto do que os vivos.

O autor dedica-se imenso por dar a conhecer aos leitores a história do local e as descrições constantes que faz da casa, das minas, das falésias, do mato e do mar,  permitem que visualizemos a beleza sinistra do cenário.

A história em si é tensa e de difícil. A loucura é tão palpável que dá medo. Ela envereda com vagar nos personagens e damos por nós a recear que um dia ela nos toque da mesma forma.

Torci o nariz um bocadinho com o final porque me fez lembrar os desfechos “hollywoodescos”. No entanto, entendo-o e acredito que irão satisfazer uma larga fatia de leitores.

Adoraria ler algo do autor que fosse realmente sobrenatural, que penetrasse de facto para o lado sombrio e irreal, tal é a mestria com que ele constrói as passagens mais negras e profundas.

Verdade escondida – Mary Kubica

27SINOPSE: Quinn Collins acorda e não encontra a amiga com quem partilha a casa na cidade de Chicago. O quarto dela tem a cama vazia e a janela aberta, e Quinn recorda-se vagamente de ter ouvido um rangido durante a noite. Esther Vaughan desapareceu sem deixar rasto. Entre os pertences da amiga encontra uma carta enigmática, assim como outros objetos que colocam em dúvida se Esther será a pessoa que Quinn julgava ser.
Entretanto, numa pequena cidade perto de Chicago, uma rapariga misteriosa aparece num café onde um jovem chamado Alex Gallo trabalha. Alex sente-se desde logo atraído por ela, mas acaba por descobrir algo obscuro e sinistro que porá em causa os seus sentimentos.
Enquanto Quinn continua em busca de respostas para o desaparecimento de Esther, e Alex tenta saber mais sobre a rapariga desconhecida, forma-se um enredo de ilusões que ameaça esconder uma dura e chocante verdade. Quem será aquela estranha rapariga?

OPINIÃO: 3º livro que leio da autora e sei que não será o último.

Mary Kubica veio para ficar na minha estante.

Os dois volumes anteriores deixaram-me de sobreaviso, já comecei este livro sabendo que ia ser fintada ao longo da narrativa, de forma a que o final se revelasse surpreendente.

É esta a grande qualidade da autora, a sua capacidade de criar mistério e de o manter até ao fim.

Este enredo incide sobre uma relação de amizade.

Esther é dedicada e a pessoa perfeita para se dividir a casa. No entanto, a personalidade distraída da nossa protagonista não lhe permite ver que Esther é muito mais do que aparenta e que por debaixo da faceta simpática e altruísta desta há segredos que podem ser letais. Só quando Esther desaparece é que Quinn se começa a indagar quem será a sua amiga realmente.

Quinn é egoísta. Esta característica que adotou ao longo da vida irá trazer-lhe imensas dúvidas que a motivarão a prosseguir e a recuar várias vezes ao longo da sua demanda de descobrir o paradeiro da amiga.

Gostei de estar diante de uma personagem menos agradável e com defeitos. Faz-nos sentir mais próximos da realidade.

Por outro lado, Alex dá a voz ao segundo enredo que virá a cruzar-se com o primeiro.

Esta narrativa é mais lenta e custa-nos um pouco perceber a ligação que terá com a principal. Porém, há de facto um vínculo que une as conversas (à partida, corriqueiras) de Alex com aquela senhora que não sai de casa, que tem medo que o mundo a engula.

É bom e aconselho a autora.

Mary Kubica traz mistérios sem polícias, traz segredos sem investigações, conta histórias perigosas sem chatear com argumentos técnico-forenses. Kubica explora as profundezas do ser humano e as loucuras que este é capaz de cometer para amansar o monstro que vive nele.

O fim do silêncio – Suzanne Redfearn

TOPseller 3SINOPSE: Todos pensam que ela tem o casamento perfeito. Só ela sabe que é mentira. Jillian tem uma carreira sólida, o casamento perfeito, um marido que todas invejam e dois filhos lindos. Ela é um exemplo para todos.Só que nem tudo é o que parece, e a realidade dela é assustadora. Violência doméstica, desprezo emocional, alcoolismo… A vida de Jill é um filme de terror constante. Subitamente, o seu pior pesadelo torna-se realidade: num ato de desespero, vê-se obrigada a fugir com os dois filhos, sem dinheiro ou plano de fuga. Quando o marido a acusa de sequestro, tem início um duelo desigual, em que de um lado está a polícia e agentes federais que procuram os menores raptados, e do outro uma mulher determinada a fazer tudo para proteger aqueles que mais ama. A única arma de Jillian é a verdade, mas ninguém parece acreditar nela…

OPINIÃO: Dos melhores livros que li em 2016.

Uns podem dizer que é um tema batido, mas não posso discordar mais. Afinal, não é ainda uma realidade recorrente na vida de muitas mulheres (e homens)?

Jill tem o marido perfeito aos olhos da sociedade. Jill tem um monstro dentro de quatro paredes. Jill é molestada, agredida e ameaçada no sítio a que chama lar.

Jill quer fugir, mas tem dois filhos pequenos e receia por eles. A pequena não entende e ama o pai mais do que tudo, o mais velho já sofre às mãos dele.

Ele verbaliza o que lhe fará, caso ela o deixe, mas não de forma clara e precisa. O monstro é esperto e é sob frases meigas e aparentemente românticas que a sentencia àquele inferno de cada vez que a mão dele lhe cai em cima.

A astúcia deste homem assusta, ao ponto de ela parecer a louca aos olhos dos vizinhos.

Afinal, qual das progenitoras se “esquece” de ir buscar os filhos?

Quem é que se “distrai”, permitindo que as crianças se magoem ou brinquem com o perigo?

É uma leitura angustiante porque é tão real que facilmente nos colocamos no lugar dela.

É no seio de ambientes deste tipo que nos parece possível conceber as soluções mais primitivas. Damos por nós a desejar que ela pegue numa arma e o mate de uma vez por todas.

O mal faz de nós cruéis e o amor que temos aos filhos pode transformar-nos em criminosos.

Uma leitura obrigatória, ávida e interessante, na medida em que nos consciencializa que nem todos os lares são como os nossos e que as aparências podem iludir.

P.S.: Relembro que a violência doméstica é uma crime público. A denúncia destes comportamentos é uma obrigação de todos. A máxima: “entre marido e mulher, ninguém mete a colher” é coisa do passado.

 O procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime. A apresentação da queixa por parte da vítima ou a denúncia do crime por qualquer pessoa ou entidade pode ser feita numa Esquadra da PSP, Posto da GNR, ou directamente no Ministério Público.