À morte ninguém escapa – M. J. Airlidge

25197261.jpgSINOPSE: O corpo de um homem é encontrado numa casa vazia.O seu coração foi arrancado e entregue à família. A detetive Helen Grace sabe que esta não será a última vítima de um assassino em série. Os media chamam-lhe Jack, o Estripador, mas ao contrário: este mata homens de família que vivem vidas duplas e enganam as suas mulheres.Helen consegue pressentir a fúria por detrás de cada assassínio. Mas o que ela nunca conseguirá prever é quão volátil na realidade este assassino é. Nem o que a aguarda no final desta caça ao homem.

OPINIÃO: E eu que dizia que não gostava de policiais!

Este é o segundo volume da série policial de Airlidge, que acompanha as investigações da agente Helen Grace. Podem ler a opinião do primeiro, “Um-dó-li-tá”, AQUI!

Depois dos acontecimentos de “Um-dó-li-tá”, Helen está fragilizada, tanto a nível pessoal como profissional. Muita coisa mudou e a agente está a sentir dificuldades em adaptar-se às novidades na esquadra. No entanto, alguém anda a matar homens que recorrem a prostitutas, deixando um cenário grotesco atrás de si. Não como Helen poder virar as costas a este caso.

As peças vão-se juntando aos poucos e, tal como acontece a Helen, somos muitas vezes enviados para armadilhas.

Agrada-me bastante que a história não se perca em demasia em pormenores técnicos e que explore as emoções dos personagens.

Os diálogos estão muito bem construídos. As palavras escolhidas, e a forma como são proferidas, estão em sintonia com as personalidades dos interlocutores.

Não é que eu seja muito fã do temperamento de Grace, mas partilho com ela as frustrações burocráticas e hierárquicas que a querem impedir de chegar ao cerne da questão. Os seus métodos são um pouco ortodoxos e a justiça, devido aos relatórios que têm de apresentar e às contas que têm de prestar a superiores, é pouco dada a movimentos geridos pelo instinto.

O desfecho é intrigante e, mais uma vez, somos brindados com uma narrativa fluída, cruel e estimulante. A revelação da identidade do assassino e dos seus motivos é o momento mais aguardado e é fácil criar expectativas que saem forjadas. Com este autor, ainda não me aconteceu.

Estou a fugir das séries, mas esta já me prendeu. O terceiro volume já me aguarda na estante e prevejo que me irei afundar novamente numa espiral de suposições que me irão surpreender no final.

Muito aconselhado!

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As raparigas esquecidas – Sara Blaedel… por Andreia Silva

30292213SINOPSE: Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher.Passam-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes.Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.

«Arrepiante! Um enredo fabuloso, pleno de personagens realistas!»

Publishers Weekly

 

OPINIÃO: Uma mulher é encontrada morta numa floresta dinamarquesa.  Apesar de ser facilmente identificável devido a uma cicatriz de elevado tamanho no rosto, o cadáver não é reclamado nem consta da lista de desaparecidos. A partir da foto divulgada pela agente Louise Rick, é revelado que esta mulher foi, na realidade, uma das “raparigas esquecidas” de uma instituição para doentes mentais.

O livro tem, à partida, uma premissa boa e provavelmente agradar-me-ia, visto ser um thriller nórdico e, por isso, macabro e surpreendente. Não me desiludiu nesse aspeto, mas faltou-lhe qualquer coisa para ser um livro de cortar a respiração. A investigação foi feita de uma maneira um pouco confusa e os factos escondidos não despertavam a curiosidade que se pretende neste tipo de livro.

Não gostei muito da agente de polícia, apesar da boa química que ela tem com o seu parceiro de investigação, o Eik. A ligação com o passado é patente e a resolução deste crime não é apenas uma questão de justiça social, mas de resolução pessoal da própria Louise. E é aqui que a confusão com a investigação acontece e isso não me agradou.

No entanto, o desfecho está muito bem conseguido e foi aqui que a autora prendeu a minha atenção. A partir daqui, apenas parei na última página.

Não esperava que fosse aquela personagem a culpada de todas aquelas tragédias…

É um bom policial, mas não me fez perder o sono.

Como parar o tempo – Matt Haig … por Andreia Silva

36375275SINOPSE: «Tal como basta apenas um instante para se morrer, também basta apenas um instante para se viver. Fecha-se simplesmente os olhos e deixa-se que todos os receios fúteis se esvaiam.» 

O meu nome é Tom Hazard. Pareço ter 40 anos, mas não se deixe iludir, sou muito mais velho do que isso. Séculos mais velho. E este é o meu perigoso segredo. Fui contemporâneo de Shakespeare, vivi em Paris nos loucos anos 20, cruzei os mares de uma ponta a outra. Eternamente a fugir do meu passado e à procura daquilo que me foi roubado. Mas sem identidade ou raízes, a vida eterna pode tornar-se um vazio.

Numa tentativa de voltar à normalidade, arranjei trabalho como professor de História. (Quem melhor para relatar o passado do que alguém que o viveu realmente?) Talvez desta forma consiga perder o medo de viver. A única regra para pessoas como eu é nunca se apaixonarem.
Infelizmente, descobri isto tarde demais.

Escrito com alma e coração, Como Parar o Tempo celebra aquilo que nos torna humanos e ensina-nos uma verdade universal: a vida deve ser vivida sem medos.

OPINIÃO: Tom Hazard nasceu há mais de 400 anos e não tem o aspeto de uma múmia, mas o de um homem comum de 40 anos. Não viaja no tempo, “simplesmente” envelhece mais devagar.

Quanto tenta, por uma vez, ter uma vida normal, apaixona-se. E essa era a única regra que ele não podia quebrar…
A premissa de haver um personagem que não morre não é original (existem dezenas de vampiros e lobisomens por essa literatura fora), mas nunca me tinha deparado com este tipo de condição. E o livro começou, logo por aí, a despertar a minha atenção.
A história é contada com saltos temporais e espaciais. Viajamos de Londres, para Paris, para Austrália, do século XVIII, para o século XX, e também para a tualidade.

É assim que conhecemos e entendemos a personalidade atual do Tom e todas as suas angústias por ter vivido tanto.
À medida de que ele vai vivendo, partilha ideias sobre a humanidade e o que significa ser um ser humano. Coloca-nos a refletir e a perceber o quão somos efémeros e, na realidade, muito pequeninos. Tem uma linguagem extremamente filosófica e introspetiva. De tal forma, que é quase palpável a dor e o sofrimento de tantos anos acumulados.

É um livro muito bom, que nos mostra que o tempo é, de facto, muito relativo!

O comboio errado – Jeremy de Quidt

36174612SINOPSE: É tarde. Está escuro. Um rapaz apressa-se para apanhar o comboio, entrando a bordo um segundo antes da partida. De repente, percebe que está no comboio errado. Fica irritado, compreensivelmente, mas não fica assustado.

Ainda…

O rapaz sai na estação seguinte, mas a plataforma está completamente vazia, e não se parece com nenhuma outra estação que ele já tenha visto. Mas o rapaz continua a não estar assustado.

Ainda…

Então, um estranho aproxima-se… alguém com histórias para contar e ajudar a passar o tempo. Mas estas não são como as velhas histórias. Estas histórias são pesadelos, e vêm com um alto preço a pagar.

Ainda não estás assustado?

Mas vais ficar!

OPINIÃO: Quem é que se lembra dos livros dos “Arrepios”? Recordo-me da minha mãe me proibir de os ler, porque eu depois só queria dormir com a luz acesa e porta do quarto aberta…

Ok. Porque é que eu estou a falar dos “Arrepios” aqui?

Na verdade, este livro fez-me regressar a esses tempos. Os contos são simples, de um terror tão sugestivo e tão pouco visual. Trabalham bem com a imaginação e confesso que sustive a respiração algumas vezes. Recordei a menina que fui um dia, ao ser induzida a pensar no que teria acontecido depois, para onde os finais em aberto me conduziam.

Os contos são todos protagonizados por pré-adolescentes, os quais eu acredito serem o público-alvo deste livro. Em todas as histórias, os pais são figurantes, ou porque não acreditam, ou porque estão ausentes. Tudo o que vamos lendo está a ser contado a outro jovem, que se perdeu ao descer na estação errada do comboio. Um velho estranho, que se faz acompanhar por um cão, uma candeia e um saco de folhas, faz companhia ao rapaz, aterrorizando-o com estas peripécias.

Conforme o velho termina cada conto, voltamos à estação e assistimos às conversas e ao crescendo de medo que o rapaz vai sentindo. Os diálogos estão fabulosos e o livro lê-se mesmo muito rápido!

Quanto aos contos, são 8 no total:

  1. Arrepiou-me… a sugestão que o final deixa é muito forte;
  2. Levou-me a admitir que, mesmo com 30 anos de idade, acho que me passava se a luz da entrada, que ativa com sensor, estivesse num constante pisca-pisca (temos uma lá na casa dos meus pais);
  3. Vai fazer com olhe mais vezes pelo retrovisor do carro enquanto conduzo;
  4. Produziu imagens aterrorizantes na minha cabeça… aquela boca… aquelas saídas tão infantis e, ao mesmo tempo, tão inquietantes;
  5. As fotografias fizeram-me lembrar um livro em particular da coleção “Arrepios”;
  6. Sou irmã mais velha, este conto mexeu comigo e sei que se o tivesse lido em miúda ia deixar-me com os nervos em franja;
  7. Quem nunca jogou ao “Bloody Mary”? Eu nunca tive coragem, e ainda hoje me recuso a pensar na lengalenga na frente a um espelho.
  8. Este confundiu-me, mas admito que se há coisas que funcionam sempre, são os armários.

O final é interessante e joga, mais uma vez, com o psicológico. Ao todo, o livro trabalha com as capacidades de dedução e com a imaginação. Achei-o fantástico para o público mais jovem! Se o meu filho, quando for pré-adolescente, não for medricas, vou com certeza passar-lho.

Em suma, muito bem conseguido e altamente recomendado para quem gosta de sentir aquele friozinho na barriga.

Não é um terror visual, não tem nada de macabro, mas é muito sugestivo e isso funciona muito bem.

 

 

Vidas Finais – as sobreviventes

36353431SINOPSE: Para sobreviver a um assassino, é preciso ter um instinto assassino.
Há dez anos, Quincy Carpenter, uma estudante universitária, foi a única sobrevivente de uma terrível chacina numa cabana onde passava o fim de semana com amigos. A partir desse momento, começou a fazer parte de um grupo ao qual ninguém queria pertencer: as Últimas Vítimas.
Desse grupo fazem também parte Lisa Milner, que perdeu nove amigas esfaqueadas na residência universitária onde vivia, e Samantha Boyd, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava. As três raparigas foram as únicas sobreviventes de três hediondos massacres e sempre se mantiveram afastadas, procurando superar os seus traumas. Mas, quando Lisa aparece morta na banheira de sua casa, Samantha procura Quincy e força-a a reviver o passado, que até ali permanecera recalcado.
Quincy percebe, então, que se quiser saber o verdadeiro motivo por que Samantha a procurou e, ao mesmo tempo, afastar a polícia e os jornalistas que não a deixam em paz, terá de se lembrar do que aconteceu na cabana, naquela noite traumática.
Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

OPINIÃO: Os thrillers estão na moda. E eu adoro esta moda!

Vidas Finais traz-nos uma história macabra de uma realidade que, felizmente, não temos em Portugal: as final girls.

Final girls não tem uma tradução literal para a nossa língua, mas também não será difícil de explicar: quando um psicopata ataca um conjunto de pessoas, a final girl será aquela que sobrevive.

Na nossa história temos 3: Lisa, Sam e, a nossa protagonista, Quincy.

Todas sobreviveram a um predador e todas têm de viver com as memórias e com os traumas que estas acarretam. Não é fácil viver com a noção de que fomos os únicos sobreviventes de um massacre, ainda mais quando os falecidos eram entes queridos. Esta é a realidade de Quincy, que oculta as suas fraquezas, 10 anos após a fatídica noite que levou os seus amigos e que, curiosamente, a deixou sair “impune”.

Este livro transportou-me a seu bel prazer. Depois de algumas páginas, questionei-me qual era a história.

Mais algumas páginas volvidas e perguntei-me onde é que isto me iria levar.

Poucas depois, a pergunta recaía sobre o que raios se tinha passado naquela noite na cabana.

A esta dúvida juntaram-se mais umas quantas e, de repente, estava enrolada numa teia de curiosidade que só cessou quando cheguei ao derradeiro climax e tudo foi respondido.

I didn’t see that coming!

Na página onde tudo foi revelado, dei por mim a perceber finalmente o desfecho e acho que disse mesmo em voz alta: oh meu Deus, oh meu Deus!

Desconfiei de tanta gente, teci inúmeras conclusões e via as minhas suposições a serem postas de lado logo no capítulo seguinte.

Gostei muito! Adoro quando me convenço que estou diante de um enredo “fácil” e me surpreendo com rasteiras e rasteiras até cair de cabeça no que o autor prepara para o final.

No entanto, o livro é recomendado por Stephen King e isso deixava-me na retranca, porque para ele apelar a esta leitura é porque tinha algo de diferente, de bom! E tem, e é bom!

Os direitos foram adquiridos pela Universal. Em breve, muitos mais falarão desta história. Disso não tenho qualquer dúvida!

Leitura fluída, pormenores macabros, muita ansiedade e personagens credíveis, são algumas das características deste livro, que é obrigatório para os amantes de histórias intensas e que gostam de ser deixados na expectativa.

My kind of book.