Profunda obsessão – K.L.Slater… por Andreia Silva

41745840.jpgSINOPSE: Uma mãe dedicada
Ben é um pai viúvo que dá o seu melhor para criar os filhos pequenos com a ajuda de Judi, a sua mãe dedicada. Para Judi, nada é mais importante do que a família, e estar perto do seu filho e dos seus netos é a única coisa que lhe dá alento na vida.

Um novo membro da família
Mas Ben apaixona-se por Amber, que parece ter tudo para ser a madrasta perfeita para as crianças. Só que Judi não gosta de Amber, e está certa de que esta esconde alguma coisa. A verdade é que Amber também não gosta de Judi, e tudo fará para a afastar do seu caminho.

Uma perigosa obsessão
Tanto Judi como Amber querem Ben e as crianças só para si, e ambas acabam por revelar um comportamento perigosamente obsessivo, que poderá pôr em risco a vida de todos. Incluindo a das crianças.

«Um excelente thriller psicológico, repleto de surpresas.» — Me Loves Books

OPINIÃO: Ben é viúvo e cria os dois filhos com a ajuda indispensável de Judi, a avó mais dedicada do mundo. Porém, Amber chega à família como namorada de Ben e muda por completo toda a rotina familiar. Amber e Judi não se toleram e entram numa espiral obsessiva de ter os meninos só para si.

O livro começa de forma lenta, mas fica-se de imediato com a pulga atrás da orelha nas duas primeiras páginas. Surge logo uma expetativa que promete. Na realidade a história não é lenta, o suspense é que não nos atinge de rompante, sendo introduzido de forma subtil de forma a que somos compelidos a continuar a ler.

Não estava a entender a relação entre Judi e Amber, mas uma coisa chamou-me desde logo à atenção: a construção do ódiozinho entre as duas é tão bem feito que sentimos as faíscas entre elas nos diálogos. Aliás, chegou a um ponto em que a Amber me irritou de tal modo que agradeci o facto de ela ser apenas uma “mera” personagem.

Mas o melhor desta história estava guardado para o final. É bom que ninguém desista do livro antes de chegar ao fim. Acreditem em mim, é um desfecho que vale pelo livro inteiro! Quando menos esperava que existisse uma reviravolta, ela apareceu do nada e apanhou-me completamente de surpresa. E aí sim, tudo fez sentido.

Não é daqueles livro que nos atingem logo, mas tem ali qualquer coisa que faz com que se continue, que se leia capítulo atrás de capítulo. E tudo valerá por aquele final!

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A verdade segundo Ginny Moon – Benjamin Ludwig… por Andreia Silva

39324921.jpgSINOPSE: Enternecedor e repleto de momentos inesperados, este romance apresenta-nos Ginny Moon, que na sua jornada até um novo lar descobre o verdadeiro significado da palavra família.

Eu tenho medo pela minha Bonequinha. Ela é pequenina e não consegue alimentar-se sozinha. A mãe Gloria passa-se da cabeça. Porque é que ninguém acredita quando digo que a Bonequinha está sozinha e que tenho de a ajudar? Nem mesmo os meus novos Pais Para Sempre, que vivem na Casa Azul, acreditam em mim…

Ginny tem autismo. Nem sempre entende o que ouve. Nem sempre tem a capacidade para distinguir o que é real. Mas sabe que foi retirada à mãe, e que esta era violenta e consumia drogas; e sabe, também, que precisa de voltar para junto da sua Bonequinha. Esta obsessão e o seu comportamento errático e agressivo levaram a que duas adoções fossem anuladas.

Poderá Ginny ter razão? Às vezes, o seu novo pai adotivo fica com a sensação de que a Bonequinha poderá ser algo mais. Mas, como já explicou a Ginny inúmeras vezes, não existe qualquer registo de outra criança na sua antiga casa. Porque não conseguirá Ginny ultrapassar esta questão?

OPINIÃO: Ginny tem autismo e viveu os últimos cinco anos em adopções consecutivas. A mãe biológica era (é!) perigosa, física e psicologicamente, e consumia drogas.

Apesar de, por vezes, demonstrar uma desconexão com o mundo que a rodeia, Ginny tem uma certeza: precisa de voltar a casa para recuperar a sua Bonequinha que, estando com a mãe, não está em segurança.

Este livro não deve ter sido fácil de ser escrito. Esta narrativa, sendo toda na voz de Ginny, que tem uma visão do mundo muito própria, não tem um discurso linear porque os pensamentos de Ginny são simplesmente assim. E, por esse motivo, já é de louvar a coragem do autor.

Em cada capítulo, temos a sensação de estarmos dentro da cabeça de Ginny, a sentir toda aquela ansiedade de quem não entende o porquê de não a entenderem. E principalmente a ansiedade de não saber qual o lugar que ela ocupa no mundo.

Não existe, no entanto, e contra as minhas iniciais expetativas, um drama lamechas. Não é incitado no leitor aquela dor física que o obriga, por exemplo, a chorar. Mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser um livro emotivo. Explicando: é um livro que mexe com o leitor mas não ao ponto máximo de o emocionar até ao limite.

Gostei da forma como a história da última adoção decorreu. Mostra um lado muito real de uma família que leva, do nada, com uma adolescente que tem um passado complicado e que tem uma forma especial de ver o mundo. Tanto o Pai Para Sempre como a Mãe Para Sempre (nomes ditos mais tarde, ao longo da história) estão extremamente bem construídos, dando toda uma veracidade à história que a deixa próxima do leitor.

É um livro bom, tocante e que nos deixa a pensar no verdadeiro conceito de família e na sua importância.

Eliza e os seus monstros – Francesca Zappia… por Andreia Silva

40693507SINOPSE: Na net, ela é mundialmente famosa.
Cá fora, ninguém sabe o seu nome.
No mundo real, ela é Eliza, uma miúda solitária, invisível e sem amigos. Online, ela é LadyConstellation, a famosa e anónima criadora de Monstrous Sea, um dos webcomics mais populares do mundo. Wallace é novo na escola. É um rapaz estranho, misterioso e que raramente fala. Mas na Internet ele é Rainmaker, o escritor da fanfiction de Monstrous Sea mais lida nos fóruns da série, e é seguido por mais de um milhão de fãs.

Os caminhos de Eliza e Wallace cruzam-se inesperadamente e, quando percebem que têm a mesma paixão por Monstrous Sea e a mesma forma de ver o mundo, surge uma relação improvável que vai alterar as suas vidas para sempre. No entanto, ambos julgam que o outro é apenas um fã comum de Monstrous Sea. Ela não sabe que ele é o seu maior fã, e ele não sabe que ela é a própria autora.

Um livro esplendoroso sobre a vida online e offline!

OPINIÃO: Eliza Mirk é uma adolescente que passa despercebida em todo o lado.

Isto no mundo real.

No mundo dentro dos ecrãs, ela transforma-se na criadora da mais famosa banda desenhada: Monstrous Sea.

Quando Wallace entra de paraquedas na escola, e Eliza descobre que ele também é solitário e criador de algo online, cria-se uma amizade.

Confesso que estava à espera de outra coisa. Não de outro tipo de história, mas de um outro tipo de impacto. Pode ter sido por já ter lido o Made You Up, também da autora, um livro que adorei e ainda hoje me recordo. Ou pode ter sido por esta história não estar narrada de uma forma que me agarre a ela.

A escrita da autora não se modificou. É uma escrita suave, bem marcada por sentimentalismos e pela solidão da Eliza. Faz-nos entender que a arte, para ela, é como se funcionasse como um bálsamo e que, no meio de tudo o que acontece e que no fundo a faz crescer, ela só quer é criar a história que faz sonhar todos, incluindo ela mesma.

Falando na banda desenhada em si, uma vez que parte dela vai sendo relatada ao longo do livro, não gostei propriamente. Aliás as últimas páginas da BD não as li. Não é que esteja mal feita (os desenhos são muito bonitos), mas a história à volta dos monstros marinhos e de outros planetas não é propriamente o meu tema favorito.

Não foi um livro que me prendeu, mas que acredito que vá agradar, e muito, a muita gente. Não é por ser um livro mais jovem que tem uma idade para ser lido. Acho que quem gosta de histórias de crescimento pessoal deve dar uma oportunidade a esta história.

Às cegas… adaptação

39331264Em março do presente ano, a Topseller lançou o livro Às cegas de Josh Malerman. O título original é Bird Box, e só depois de muitas páginas é que o entendemos. Oh, e como o entendemos…

Não me vou repetir em relação ao que achei do livro, podem ler a minha opinião AQUI!

Reitero apenas que foi uma leitura que me envolveu imenso.

Aquando o lançamento do livro, ficamos a saber que a Netflix tinha adquirido os direitos de adaptação. Imediatamente surgiram algumas imagens que mostravam que o processo avançava a bom ritmo. Adiantou-se de que o filme teria data prevista para o final do ano de 2018.

Nomes como Sandra Bullock, Sarah Paulson e John Malkovich integram um elenco de luxo. Recentemente, ficamos a saber que Machine Gun Kelly fará uma participação. Quanto a este, confesso que estou curiosa para ver o que o rapper que chateou tanto o Eminem terá para mostrar nos ecrãs.

Foi liberada a data, 21 de dezembro, e o trailer:

Caso sejam como eu e gostem de ler o livro antes do filme, podem adquiri-lo AQUI! 

Para os que já leram, estão tão ansiosos como eu?

 

O medo – C.L. Taylor

41197689SINOPSE: Quando Ben, o novo namorado de Louise, a tenta levar numa viagem-surpresa a França, ela entra em pânico, sai do carro e foge. Ben não entende. Não pode entender, porque não sabe o que aconteceu a Louise da última vez que um namorado a levou pelo canal da Mancha. Ela tinha 14 anos. Mike tinha 31. E o que aconteceu deixou marcas em Louise para sempre.

Hoje com 32 anos, Louise nunca conseguiu ter uma relação estável. Guarda o seu segredo inconfessável dentro do peito e, por isso, ninguém a conhece verdadeiramente. Depois do que aconteceu com Ben, decide fugir do mundo e isolar-se. Abandona Londres, deixa os amigos e começa a procurar um novo emprego perto da casa onde cresceu, que agora lhe pertence.

Ao instalar-se, descobre que Mike, agora com 49 anos, ainda vive e trabalha na vila. Quando o vê a beijar uma rapariga de 13 anos, Louise decide que já chega.

Está na altura de Mike sentir o medo com que Lou vive desde aquela viagem.

OPINIÃO: Este é o segundo livro que leio de C. L. Taylor e tenho a certeza de que não será o último. Lembro-me de ficar agarrada às páginas de “Desaparecido” , de a história fluir dentro de mim com uma naturalidade desconcertante. Na altura, atribuí-lhe, sem qualquer reticência, as cinco estrelas. E hoje, tendo em conta a memória vívida que guardo da leitura prazerosa que foi, sei que lhe dava a mesma cotação.

“O Medo” tem uma história intrigante e, apesar de não ter conquistado a ribalta, que ainda pertence ao “Desaparecido”, foi uma leitura interessante e que me deixou de curiosa, com vontade de ler mais, muitas vezes. Fui transportada para um rol de acontecimentos difíceis de engolir, uma vez que estamos perante um enredo que explora uma relação entre um adulto e uma adolescente.

O tema é complexo. Sabemos que as pessoas têm o horrível hábito de tecer opiniões extremamente desagradáveis nestas situações em que uma adolescente se envolve com um homem adulto. Há aquela tendência de apontar o dedo à adolescente e dizer que ela não é assim tão inocente quanto isso. Apesar de poderem existir situações dessas, eu acredito que só quem passa por elas é que sabe realmente o tamanho de trauma que carrega.

Independentemente de haver consentimento (inicial ou posterior), está em causa a vida de uma menor. Para quem não sabe, a pedofilia enquadra-se nos crimes contra a autodeterminação sexual. É justo a sociedade considerar que uma miúda (ou rapaz) de treze ou catorze anos (já não estou a falar de crianças porque isso é simplesmente monstruoso) não tem a capacidade suficiente para tomar a decisão de se entregar sexualmente a um adulto.

O código penal português diz o seguinte:

Artigo 173.º
Actos sexuais com adolescentes

1 – Quem, sendo maior, praticar ato sexual de relevo com menor entre 14 e 16 anos, ou levar a que ele seja praticado por este com outrem, abusando da sua inexperiência, é punido com pena de prisão até 2 anos.
2 – Se o ato sexual de relevo consistir em cópula, coito oral, coito anal ou introdução vaginal ou anal de partes do corpo ou objetos, o agente é punido com pena de prisão até 3 anos.
3 – A tentativa é punível.

A nossa lei refere-se à inexperiência, exatamente o que foi explorado neste livro. Está em causa a autodeterminação sexual desta(s) menina(s).

Em “O Medo” somos guiados pela protagonista, Lou. Desde logo percebemos que há qualquer coisa nesta mulher adulta que não está bem. Lou não consegue manter relacionamentos, tem dificuldades em se entregar às pessoas, em criar laços fortes com alguém, sejam estes amorosos ou de amizade. Lou carrega um peso sobre ela que nunca resolveu. E este remonta ao início da sua adolescência.

A história de como Lou se envolveu com Mike é contada em capítulos intercalados. O presente e passado misturam-se com mestria, manipulando a nossa opinião até ao desfecho. O que é certo é que ficamos sempre na expetativa ao encerrar de cada capítulo.

Caminhamos por esta relação ao ritmo que ela foi evoluindo e vamos pensando: “O que é que aconteceu, afinal?”

O que traumatizou realmente Lou surge finalmente, mas não em catadupa. As ações são subtis e o entendimento tardio, tal como eu acredito que deve acontecer na vida real numa situação deste género. O que existe ali vai-se quebrando e deixando mazelas, através de olhares, gestos e, por fim, ações. As palavras não estão em sintonia com o que  se está a viver, porque são elas que servem para manipular. Chega a um ponto em que só sobra isso e já não surte efeito desejado, já não apaziguam. O que era, supostamente, amor, dá lugar ao medo.

O leitor debate-se com o que vai sentindo Lou ao longo de todo o livro. Nem ela sabe. A sua cabeça foi confundida, a sua existência foi testada ao limite. O que ela acreditava tão piamente caiu por terra e o que aconteceu de bom é agora negro e impossível de gerir. Ela tinha 14 anos… Hoje é uma mulher adulta, mas o redemoinho de emoções está lá. A isto se chama um trauma. Mike impediu que Lou se autodetermina-se sexualmente e agora Lou sofre com isso.

O livro tem um enredo atual a desenrolar-se. Porém, foi nos aspetos emocionais que me foquei mais, porque acho que é aqui que a autora brilha: na sua capacidade de nos obrigar a pensar nas coisas, de nos fintar as certezas.

Mas aqui não há culpa de ambos os lados. Aqui, (quem tenha 2 dedos de testa) é impossível não saber quem é o verdadeiro vilão.

Ao contrário de “Desaparecido”, “O Medo” tem o seu vilão vincado desde o início: Mike. Nunca, nem por um segundo, foi possível ver este homem com bons olhos. A sua personalidade, as suas linhas de diálogo, as suas ações, o seu jeito dengoso e agressivo apontam imediatamente para alguém que não merece qualquer simpatia.

Mike não tem um plot próprio. Tudo o que vamos sabendo sobre ele é através das suas vítimas. Nenhuma delas tem credibilidade para o embelezar aos nossos olhos e isso ajudou a prever o final. Tendo em conta o que fui achando dele, não consegui surpreender-me com a derradeira revelação.

É um livro bom, de rápida leitura e com um tema pertinente. Não é o melhor da autora, mas é suficientemente bom para ganhar lugar cativo na minha estante ao lado dos “irmãos”.