Desobediência – Naomi Alderman … por Andreia Silva

36104771SINOPSE: Para Ronit, uma jovem solteira a viver em Nova Iorque, o Judaísmo Ortodoxo no qual foi educada é uma religião sufocante de que fugiu há muito tempo. Quando descobre que o pai, um estimado rabi da comunidade judaica de Londres, faleceu, decide regressar a casa pela primeira vez em anos.
O seu regresso confronta-a com memórias de infância. As amizades e os amores que formou na adolescência voltam para a assombrar e lembram-na, de forma dolorosa, que não só é uma estranha na sua própria casa, mas também uma ameaça à tradição.
Dividida entre os seus desejos pessoais e a obediência a Deus, que escolha resta a Ronit? Uma vida de conformismo… ou desobedecer a tudo o que lhe foi ensinado desde a infância?

OPINIÃO: Ronit renunciou à religião, afastando-se (fugindo) da comunidade de judaísmo ortodoxo na qual nasceu e foi criada. Quando o pai, um rabi importante na mesma comunidade, morre, Ronit volta a um local que lhe mostra que o passado será sempre uma sombra no seu futuro.

Conhecia o judaísmo e algumas ideias e costumes, mas não tinha conhecimento do judaísmo ortodoxo. Este é mais rigoroso, rígido e conservador e isso está bem descrito ao longo de todo o livro, sobretudo nos pensamentos e nas acções dos personagens (e até nas orações da religião), à excepção da Ronit.

Todos os que ficaram na comunidade seguem as regras. É-nos mostrado como a religião (e não apenas esta) nos pode moldar a mente e como, por vezes, apenas a distância nos permitirá observá-la com clareza e não absorver as partes más dela.

Não é uma história muito activa. É um enredo com poucos acontecimentos surpreendentes, mas prima pelas revelações internas, nomeadamente no que diz respeito a emoções, pensamentos e ideais de vida.

Leva-nos a refletir sobre fazer o que está certo, porque foi o que nos ensinaram, e pensar o que se devia fazer em favor de nós mesmos.

Não é apenas um livro de um personagem que se revolta contra a sua religião. Ronit não foi apenas uma rebelde. A história revela-nos que o afastamento foi necessário para a sobrevivência emocional dela.

É um bom livro, descrevendo a religião sem cansar, sem muita acção, mas com momentos reflexivos.

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A súbita aparição de Hope Arden – Claire North

36041975.jpgSINOPSE: Ouçam-me. Lembrem-se de mim… O meu nome é Hope Arden, sou a rapariga de quem ninguém se lembra. Primeiro esquecem o meu rosto, depois a minha voz e, por fim, as consequências dos meus actos. Desapareço da memória sem deixar rasto. Começou quando tinha 16 anos, um momento de cada vez. O meu pai esqueceu-se de me levar à escola, um professor esqueceu-se que eu era sua aluna, a minha mãe colocou mesa para três, em vez de quatro. Um amigo olhou para mim e só viu uma estranha. Por mais que eu tente, por mais pessoas que magoe ou crimes que cometa, nunca se lembram de mim. E isso torna-me única… e particularmente perigosa. Esta é a história de Hope Arden, a rapariga que todos esqueceram. Uma saga de amor, esperança, desespero e ânsia de viver o momento e deixar uma marca na vida.

OPINIÃO: Alguma vez paraste para pensar no que seria se NINGUÉM te conhecesse?

Acredito que já te tenha acontecido lembrares-te de alguém e essa pessoa não se lembrar de ti. A memória é assustadoramente imprevisível, pois o que recordas nunca será o mesmo que a outra pessoa terá retido desse momento que viveram em conjunto.

E se NINGUÉM se lembrasse de ti?

Não terias amigos, família, conhecidos… serias uma névoa a deambular pelo mundo, a travar relacionamentos efémeros com a sociedade. 

Esta é a premissa deste livro: Hope é esquecida passados exatamente 60 segundos de terem olhado para o seu rosto.

Aconteceu por volta da adolescência, quando os próprios pais se questionaram quem era a jovem que habitava com eles.

Ser “esquecível” (isto existe?) traz vantagens: não há consequências objetivas dos atos cometidos.

É por isso que Hope é uma execelente ladra. Basta cruzar uma esquina e o seu perseguidor já não se lembra de quem está a tentar alcançar.

Estes dotes foram-se aperfeiçoando e Hope parte para a escala mundial. Enveredando pelo círculo dos mais abastados, acaba por  tropeçar nos resultados de uma aplicação de telemóvel que está, pouco a pouco, a dominar o mundo: o perfection.

O Perfection dá conselhos acerca de tudo, para que a pessoa se aproxime da perfeição.

Surge aqui aquela pergunta: o que é a perfeição?

Está claro que a identidade cairá por terra e que a pressão de atingir um estado de espírito falsamente feliz e hipócrita destruirá algumas pobres almas pelo caminho.

Hope não tencionava mexer com tubarões tão ferozes, não contava vir a comprometer a sua solitária existência numa batalha que não é dela. No entanto, Hope aspira tudo o que o Perfection retira das pessoas. Hope quer conhecer de verdade um ser humano e ser reconhecida por ele. Hope quer ser um ser humano individualizado e não mais um rosto na multidão.

Esta história tem passagens muito interessantes, sobretudo no que toca à condição da protagonista (imaginem a situação dela num hospital ou num restaurante). Contudo, quando o enredo se perde em devaneios quebra o ritmo, custando a encontrar o seu caminho.

A escrita é peculiar, um tanto poética. É emotiva e pragmática. Este elemento antagónico tão bem conseguido não me deixa alternativa a não ser reconhecer que  estamos perante alguém com  talento, que sabe dar uso à palavra escrita para contar histórias. 

É o segundo romance que leio da autora. Confesso que me entusiasmei mais com “As primeiras quinze vidas de Harry August” (AQUI).

Carry on – A história de Simon Snow – Rainbow Rowell… por Andreia Silva

36108617SINOPSE: Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma! Carry On – A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell – mas muito, muito mais monstros.

OPINIÃO: Simon Snow é já conhecido dos leitores de Rainbow Rowell por ser uma personagem de uma história criada pela protagonista no livro “Fangirl”.

Simon tem 18 anos e regressa ao seu último ano em Watford, uma escola de magia. A escola está a enfrentar uma guerra entre mágicos, e Simon, o mágico mais poderoso, é quem está destinado a vencer.

Existe no livro muita inspiração de outros livros sobre magia. Mas, atenção, o livro não é uma cópia! É dentro do que tem vindo a ser feito uma coisa renovada, uma lufada de ar fresco. Tem personagens muito bem construídas, muito bem interligadas e com um crescimento que acompanha o ritmo e a evolução da história.

A escrita da Rainbow teve sempre um carácter envolvente em todos os livros que li e neste não é excepção. Está muito bem escrito, com um humor e uma profundidade que, ao se alternarem, conferem um tom credível e maduro à história. A autora criou um mundo irreal mas ao mesmo tempo tão nosso conhecido (e adorei o nome dos feitiços!).

É um livro muito muito bom. E o melhor é que mesmo quando a acção se desenrola de facto, quando se atinge o ponto alto, o leitor, ainda assim, vai sendo apanhado de surpresa aos bocadinhos, terminando num final muito bom. E, mais uma vez, com magia muito real!

As gémeas – Saskia Sarginson … por Andreia Silva

22172320SINOPSE: Elas eram idênticas em tudo… até o impensável as ter separado.

Isolte e Viola são gémeas. Inseparáveis durante a infância, tornaram-se adultas muito distintas: Isolte é uma redatora de sucesso numa revista de moda, tem um namorado fotógrafo e um apartamento em Londres; Viola é uma pessoa desesperadamente infeliz e luta há muitos anos contra um distúrbio alimentar.
O que terá acontecido no passado para que as gémeas seguissem caminhos tão diferentes nas suas vidas? À medida que as duas irmãs começam a esclarecer as tragédias de um verão meio esquecido, segredos terríveis do passado vêm à tona, ameaçando apoderar-se das suas vidas…

 

OPINIÃO: Isolte e Viola são gémeas e têm toda aquela entrega uma à outra típica dos gémeos. No entanto, algo durante a infância as separou e é isso que a autora nos vais tentar contar durante este livro.

Eu gostei do livro, mas não foi tudo aquilo de que estava à espera. Estava a contar, segundo a sinopse, com uma pitada de policial e mistério que me fizesse querer ansiar por mais páginas. Mas, apesar do mistério existir e de não se saber o que de facto aconteceu, a história não puxa o leitor.

A narrativa torna-se um pouco confusa aos nossos olhos, uma vez que em cada capítulo podemos ter excertos na terceira pessoa e na primeira pessoa sem que seja dada a informação da voz que está a ser ouvida. O leitor chega lá pelo sentido e, muitas vezes, pelo tom que é usado.

É uma história muito descritiva. A autora não se limita a contar e a expôr fatos. Em cada acontecimento existe uma descrição de locais, de pessoas, de sensações que, por um lado, torna a escrita mais rica, mas por outro pode chegar a cansar o leitor por a história andar mais lenta.

No global, foi um livro que me agradou mas que não me prendeu. O final é bom mas um pouco aberto. Mas percebo a intenção da autora. Com o tipo de história e o rumo que tomou, o resto do final foi deixado na imaginação de cada um que a ler.

Destroços – Emily Bleeker … por Andreia Silva

34304348SINOPSE: Poderão duas pessoas unidas pela tragédia admitir a verdade, mesmo que implique arruinar as suas vidas?

 Lillian Linden é uma mentirosa. À superfície, aparenta ser a sobrevivente corajosa de um acidente de avião. Mas tem vindo a mentir à sua família e ao resto do mundo desde que os helicópteros de salvamento a resgataram a si e a Dave, outro sobrevivente, de uma ilha deserta no Pacífico Sul. Desaparecidos durante dois anos, tornaram-se estrelas e recebem as atenções de toda a imprensa. Mas nunca poderão contar a verdadeira história..

 O público está fascinado por ambos, mas Lillian e Dave têm de regressar às suas vidas e esposos. Genevieve Randall, uma jornalista experiente e obstinada, suspeita que a história pode ser falsa e está determinada a desvendar a verdade a qualquer custo, mesmo que implique destruir as vidas de Lillian e Dave.

Uma história eletrizante que nos faz questionar a importância da sobrevivência, tanto no meio da natureza selvagem como sob os holofotes da imprensa implacável.

OPINIÃO por Andreia SilvaHouve um acidente de avião e Dave e Lilian sobreviveram. Eles fizeram um pacto: elaboraram uma história mascarada de factos reais que, hoje, contam a uma cadeia de televisão (depois de dois anos de buscas, eles tornaram-se numa espécie de heróis nacionais).

A história começou logo com um tom de mistério à volta. Os protagonistas contam a sua “história” e o leitor sabe que essa não é a história verdadeira, mas, mesmo assim, não nos é dado logo qual a parte que eles não querem que ninguém saiba. Isso é bom. Incita o leitor a querer virar a página e mudar de capítulo.

Gostei muito da parte das descrições da vida numa ilha perdida, porque nos faz pensar na efemeridade das coisas materiais e de que, mesmo que elas nos façam momentaneamente felizes, não são elas que nos dão motivação para encarar um dia atrás do outro.

É um livro bem construído, muito bem pensado, numa mistura entre romance, suspense e drama. Gostei de não ter de o integrar em nenhum destes géneros e por isso acho que é um livro que agradará a muita gente.