Destroços – Emily Bleeker … por Andreia Silva

34304348SINOPSE: Poderão duas pessoas unidas pela tragédia admitir a verdade, mesmo que implique arruinar as suas vidas?

 Lillian Linden é uma mentirosa. À superfície, aparenta ser a sobrevivente corajosa de um acidente de avião. Mas tem vindo a mentir à sua família e ao resto do mundo desde que os helicópteros de salvamento a resgataram a si e a Dave, outro sobrevivente, de uma ilha deserta no Pacífico Sul. Desaparecidos durante dois anos, tornaram-se estrelas e recebem as atenções de toda a imprensa. Mas nunca poderão contar a verdadeira história..

 O público está fascinado por ambos, mas Lillian e Dave têm de regressar às suas vidas e esposos. Genevieve Randall, uma jornalista experiente e obstinada, suspeita que a história pode ser falsa e está determinada a desvendar a verdade a qualquer custo, mesmo que implique destruir as vidas de Lillian e Dave.

Uma história eletrizante que nos faz questionar a importância da sobrevivência, tanto no meio da natureza selvagem como sob os holofotes da imprensa implacável.

OPINIÃO por Andreia SilvaHouve um acidente de avião e Dave e Lilian sobreviveram. Eles fizeram um pacto: elaboraram uma história mascarada de factos reais que, hoje, contam a uma cadeia de televisão (depois de dois anos de buscas, eles tornaram-se numa espécie de heróis nacionais).

A história começou logo com um tom de mistério à volta. Os protagonistas contam a sua “história” e o leitor sabe que essa não é a história verdadeira, mas, mesmo assim, não nos é dado logo qual a parte que eles não querem que ninguém saiba. Isso é bom. Incita o leitor a querer virar a página e mudar de capítulo.

Gostei muito da parte das descrições da vida numa ilha perdida, porque nos faz pensar na efemeridade das coisas materiais e de que, mesmo que elas nos façam momentaneamente felizes, não são elas que nos dão motivação para encarar um dia atrás do outro.

É um livro bem construído, muito bem pensado, numa mistura entre romance, suspense e drama. Gostei de não ter de o integrar em nenhum destes géneros e por isso acho que é um livro que agradará a muita gente.

Uma noite em Lisboa – Erich Maria Remarque

29245744SINOPSE: A Alemanha Nazi ocupava grande parte da Europa. Terra de todos e de ninguém devido ao jogo duplo de Salazar, Lisboa foi durante toda a guerra um território neutro. Num cenário de guerra e perseguição, tornou-se o paraíso à beira-mar plantado. Para além da sua beleza natural e da paz, foi uma das poucas portas de saída para os que desejavam uma oportunidade para construir uma nova vida do outro lado do Atlântico.
Depois… uma noite em Lisboa, quando um refugiado olha cobiçosamente para um transatlântico, um homem aproxima-se dele com dois bilhetes de embarque e uma história para contar. É uma história perturbante de coragem e traição, risco e morte. Onde o preço do amor vai para além do imaginável, e o legado do mal é infinito. À medida que a noite evolui, os dois homens e a própria cidade criam um laço que vai durar o resto das suas vidas…

OPINIÃO: Um clássico da literatura e, como tal, um livro introspetivo que nos leva a embarcar numa teia de sentimentos e de pequenas conquistas num mundo de elites.

Habituados estamos à temática que explora a segunda grande guerra e ainda chocados ficamos ao conhecer, uma e outra vez (por vozes diferentes), a injustiça dos que padeceram diretamente da ideologia nazi, tal doença que deflagrou pela mente do mundo.

O povo quando tem medo é perigoso. Sabemos disto e tememos o caos por esse mesmo motivo. O instinto leva-nos a descobrirmos o que de pior temos em nós.

Onde fica o amor? Será possível encontrar paixões, quando se tem de espreitar sobre o ombro a cada passo dado em direção à liberdade?

Este pequeno livro traz um relato intimista de um homem que perde a esperança e outro que ainda não a deixou fugir.

Um conta a história, o outro ouve-a. Os caminhos são semelhantes, mas as pegadas que pisam nunca serão as mesmas e, por isso, nunca poderá habitar o mesmo monstro em cada um.

Tem passagens lindíssimas e descrições fantásticas de uma Europa não tão longínqua. Frases dignas de sublinhar e de interiorizar, qual a força com que persistem no tempo.

Não sei se acontece a todos, mas assusta-me que aquilo que dizemos nos dias de hoje seja uma cópia exata do que foi dito nos momentos que precederam tempos de verdadeiro horror. Entristece-me que o mundo caia nos mesmos erros, porque me leva a indagar se não seremos realmente os monstros que tendemos a nos transformar.

O final está aberto a interpretações, que é o que a vida é: um emaranhado de interpretações, em que, por vezes, uma ou outra conquista as restantes.

Vida roubada – Adam Johnson… por Andreia Silva

20763351SINOPSE: Vencedor do prémio Pulitzer 2013: Uma saga de amor, esperança e redenção no país mais fechado do mundo.

Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do, um jovem no país com a ditadura mais sombria do mundo: a Coreia do Norte.

Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.

Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.
–saidadeemergencia.com

OPINIÃO por Andreia SilvaJun Do vive no país mais fechado do mundo, tal como a capa nos diz: a Coreia do Norte.

O livro começa com a jornada dele, desde o orfanato onde vivia com o pai que o geria, até à sua ascenção ao Estado.

Sempre submisso ao líder do país, Jun Do arrisca tudo para salvar a mulher que ama.

A história tem um enredo interessante e o leitor sente-se como a intrometer-se no meio de algo que é secreto. Sentimo-nos a espiar e isso torna o livro aliciante. Gostei, especialmente, da estranheza que sentem os coeranos ao descobrir factos da cultura americana.

Contudo, não é um livro fácil. Tem uma história densa, com muitos pormenores e por não ser uma cultura com que facilmente tenhamos contato, torna-se complicado acompanhar os acontecimentos a um bom ritmo.

A promessa de uma saga de amor fica um pouco aquém das expetativas. Percebo o contexto da atmosfera envolvente mas acho que falta qualquer coisa nesse aspeto.

Na globalidade, é um livro bem escrito e muito bem pensado, mais concretamente ao nível da pesquisa política e cultural. Entendo perfeitamente o porquê do prémio atribuído, mas não fez muito o meu género e por esse motivo não me prendeu.

A invenção das asas – Sue Monk Kidd … por Andreia Silva

25606943SINOPSE: Hetty, uma escrava do início do século XIX, sonha com uma vida para lá das paredes sufocantes da opulenta mansão Grimké.
Sarah, a filha dos Grimké, desde cedo que quer fazer algo pelo mundo, mas é sufocada pelos limites rígidos impostos às mulheres.

Tudo tem início quando Sarah faz onze anos e lhe dão Hetty, um ano mais nova, para ser sua aia. Nas décadas seguintes, cada uma à sua maneira, as jovens lutam por liberdade e independência. Moldando o destino uma da outra, vivem uma intensa relação de amizade marcada pela culpa, rebeldia, separação, os caminhos ínvios do amor e também pelo nascimento do movimento abolicionista que mudará as suas vidas para sempre. Será que a religião, a sociedade e a família podem enfrentar os sonhos de duas jovens?

Inspirada pela figura histórica de Sarah Grimké, Sue Monk Kidd transcende o registo histórico para nos oferecer um testemunho deslumbrante e poderoso da luta das mulheres e dos escravos em nome da liberdade. A Invenção das Asas é um triunfo da arte de contar histórias, abordando um tema sensível e atual, de uma forma honesta e poética.

OPINIÃO por Andreia SilvaNo século XIX, na mansão da família Grimké vive Sarah, a irmã do meio de uma carrada de irmãos.

Aos onze anos é-lhe atribuída uma das escravas como aia, Hetty. Contudo, Sarah recusa, uma vez que ter uma escrava a seu mando vai contra os seus princípios. No entanto, nem uma menina de 11 anos e muito menos uma escrava conseguem ter voz.

Esta história não se baseia simplesmente numa menina negra e escrava a tentar ganhar a sua liberdade. Também não é uma história de uma menina rica a tentar ser mais do que é esperado de si por ser mulher. É uma história que nos é contada a duas vozes, mas vivida por um único tipo de alma: pura, resistente e ansiosa pela liberdade física e mental.

À medida que os anos vão passando, e tanto Sarah como Hetty ficam mais velhas, vamos percebendo que nenhuma das duas vai desistir daquilo em que acredita.

Ao existir a alternância das vozes de ambas, é dado ao leitor duas perspetivas e dois tipos de anseios. A escrita é cuidada, profunda, mas, ao mesmo tempo, simples, ajudando o leitor a sentir esses mesmos anseios.

Este enredo, baseado numa história real, choca-nos por conter tanto preconceito e desrespeito pela vida humana. Por outro lado, alerta-nos, ao nos fazer ver que o ser humano pode ser capaz de tanta crueldade com o próximo.

Tem um final um tanto ou quanto repentino. Eu, pelo menos, não contava que aquela fosse a última página. Porém, entendo e concordo. Deixa o leitor a pensar e, de certo modo, feliz!

Destroços – Emily Bleeker … por Vânia Alves

34304348SINOPSE: Poderão duas pessoas unidas pela tragédia admitir a verdade, mesmo que implique arruinar as suas vidas?

 Lillian Linden é uma mentirosa. À superfície, aparenta ser a sobrevivente corajosa de um acidente de avião. Mas tem vindo a mentir à sua família e ao resto do mundo desde que os helicópteros de salvamento a resgataram a si e a Dave, outro sobrevivente, de uma ilha deserta no Pacífico Sul. Desaparecidos durante dois anos, tornaram-se estrelas e recebem as atenções de toda a imprensa. Mas nunca poderão contar a verdadeira história..

 O público está fascinado por ambos, mas Lillian e Dave têm de regressar às suas vidas e esposos. Genevieve Randall, uma jornalista experiente e obstinada, suspeita que a história pode ser falsa e está determinada a desvendar a verdade a qualquer custo, mesmo que implique destruir as vidas de Lillian e Dave.

Uma história eletrizante que nos faz questionar a importância da sobrevivência, tanto no meio da natureza selvagem como sob os holofotes da imprensa implacável.

OPINIÃO por Vânia Alves: Emily Bleeker… mais uma estreia e mais uma autora a quem me rendi. Adorei o mistério da sinopse, arrisquei e não me arrependi!

Lillian e Dave são as duas personagens principais que contam a história «em separado». Os capítulos são divididos pelas personagens e pelas fases: ilha e casa.

Confesso que no início me fez um bocado de confusão, ora era a Lillian já após o resgate, como no capítulo seguinte era o Dave, ainda na ilha. A confusão logo passou e tudo começou a fazer imenso sentido.

O livro prendeu-me muito pelo facto de, ao longo da história eu não conseguir ter ideia do que raio se tinha passado na ilha. Poucas páginas faltavam quando finalmente fiquei a saber. E não é um daqueles livros que enrola demasiado ao ponto de deixar uma pessoa sem vontade de continuar, muito pelo contrário, na minha opinião, não enrola absolutamente nada, todo o desenrolar é necessário.

Entretanto, cheguei à ultima página de Destroços e uma palavrinha ali no meio deixou-me com o bichinho atrás da orelha, reli-a mais de duas vezes…

Se quiserem saber o porquê vão ter mesmo que ler o livro. E acredito que não se vão arrepender.

A Lillian e o Dave estão à vossa espera 🙂