O homem de giz – C.J. Tudor

37416796SINOPSE: O livro de estreia de C. J. Tudor é um thriller com uma atmosfera densa e viciante que se passa em dois registos, em 1986 e nos nossos dias.

A história começa em 1986 e, após um hiato de trinta anos, o passado surge para transformar a vida de Eddie.
As influências de Stephen King e o toque de Irvin Welsh, conferem ao livro não só um tipo de narrativa diferente como um suspense ao limite.
O que contribui para que a história tenha um desfecho muito real e chocante.
O Homem de Giz conta-nos a história de um grupo de crianças, não poupando nos pormenores sociais onde estão inseridas e em como as influências de famílias disfuncionais contribuem para exacerbar o imaginário infantil.

A história começa quando aos doze anos Eddie e os amigos tiveram contacto com o misterioso Homem de Giz. Uma personagem central na trama e Eddie será assombrado por ela.
As estranhas figuras de giz conduzem Eddie e os amigos a um cadáver de uma rapariga pouco mais velha que eles e esta descoberta irá marcámos para sempre. Tudo aconteceu há trinta anos, e Eddie convenceu-se de que o passado tinha ficado para trás. Até ao dia em que recebeu uma carta que continha apenas duas coisas: um pedaço de giz e o desenho de uma figura em traços rígidos.
À medida que a história se vai repetindo, Eddie vai percebendo que o jogo nunca terminou.

OPINIÃO: Que excelente estreia!

Esta autora é a prova viva de que a verdadeira escola de um escritor está na leitura.

É impossível não perceber as influências, sobretudo de Stephen King, neste livro recheado de mistério e de terror.

Em 2016, Ed recebe uma visita do passado, o que o leva a reviver as memórias da sua infância.

Somos levados a conhecer o mundo de um Ed de 12 anos, que foi forçado a viver momentos horríveis, que, sem o saber, o iriam marcar.

Quando vivemos situações traumáticas, muitas vezes, não as reconhecemos como tal. No momento, aquela parte de nós que está a ser vítima de um episódio sórdido não consegue analisar a situação como quando estamos de fora. O discernimento tolda-se perante as emoções e, não raras as vezes, depois, tudo pode ser empurrado para um lugar recôndito do cérebro e menosprezado à superfície. Se isto acontece com crianças, que nem sequer reconhecem a verdadeira maldade de certas ações, o instinto de autodefesa, que todos temos, funciona ainda melhor.

Ed é feliz. Mesmo tendo de lidar com alguns bullies e com pesadelos, que o assombram sobretudo durante a noite, Ed está revestido com a carapaça da inocência e vive a sua vida sem dar demasiada importância ao que lhe acontece.

Neste contexto, Ed conta-nos o seu dia-a-dia sem julgamentos de valor acerca do que faz e do que assiste.

É incrível o quanto difere a percepção de uma criança de certos comportamentos humanos dos adultos. O conhecimento de certas práticas, pelos adultos, tidas como erráticas (até doentias) são corriqueiras aos olhos de um miúdo de 12 anos.

Há um crime, há um culpado. Claro! Mas este livro traz mais do que isso. Esta história explora momentos de puro terror, envereda pela mentira e deixa a sugestão de que há coisas que não devemos tentar saber, que é mais segura deixá-las cair no esquecimento.

Para os leitores de Stephen King, será impossível não ver, sobretudo no início deste livro, um pouco de “It” e de “Revival”. Uma vez que menciono duas grandes obras do mestre do terror, fica implícito que a autora merecerá a melhor atenção dos fãs do thriller e do terror.

“O homem de giz” lê-se de um só fôlego e mantém a curiosidade até ao final. Apenas aponto algumas cenas que precisariam de um maior desenvolvimento.

Estou de sobreaviso em relação a C.J. Tudor, porque tenho a certeza de que ouviremos falar muito dela no mundo literário.

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Mirror mirror – Cara Delevingne&Rowan Coleman… por Andreia Silva

25552072_1740652172622564_8783898830653728469_nSINOPSE: O romance que vai deixar marca!
Romance sobre a amizade e a identidade e o facto de que as aparências podem enganar. Quando olhar para o espelho, o que vê?
Explora o complicado mundo da adolescência: amizade, amor, sexualidade, descoberta da identidade, triunfo, decepção…
Repleta de elementos pouco usuais, que deixarão admirados não só os fãs de Cara Delevingne como os que ainda não conheçam a polémica artista.

OPINIÃO: Durante uma adolescência particularmente difícil, Naomi, Leo, Red e Rose juntam-se e formam um banda, a Mirror, Mirror.

A banda muda a vida dos quatro. Estes jovens passam de miúdos perdidos a quase adultos com objetivos.

No entanto, um dia, Naomi desaparece e é encontrada entre a vida e a morte. A tentativa da descoberta do que aconteceu com ela altera, novamente, o rumo de todos eles.

O livro tem uma mensagem muito importante: a adolescência não é só borbulhas e paixonetas. A adolescência pode ser perigosa devido à vulnerabilidade das mentes que podem ser levadas para todo o lado. Digamos que este livro, lido por qualquer adolescente, poderá servir como alerta e como chamada de atenção para os perigos do mundo lá fora.

Gostei do mistério à volta do desaparecimento da Naomi e da evolução que isso causou nos personagens. Estão bem construídas, de tal forma que, no meio do livro, quase a chegar ao fim, percebi um facto sobre uma delas que não me tinha apercebido. Estava bem escondido, mas fez juntar algumas peças do puzzle e dar todo um sentido à história.

Apesar de ter um tanto de atmosfera negra e deprimente, não é um livro triste. Pode nos levar a sentira alguma solidariedade e empatia, mas é uma história que nos mostra a força de uma amizade e de cada um de nós para enfrentar o que nos faz mal. Sejamos adolescentes ou não…

Antes de ires – Clare Swatman … por Andreia Silva

35597417SINOPSE: ENCONTRA A SUA ALMA GÉMEA…
Há pessoas que passam anos a ver o amor à sua frente antes de o descobrirem. Zoe e Ed fizeram, com mais ou menos tropeções, o seu caminho até à idade adulta, cada qual pelo seu trilho… mas sempre na mesma direção. Anos mais tarde, depois de terem navegado por empregos que não levavam a parte nehuma e caóticas partilhas de apartamentos, o amor floresce finalmente. O futuro juntos parece ponto assente…

ENTÃO ACONTECE O IMPENSÁVEL.
Uma manhã, a caminho do trabalho, Ed é derrubado da sua bicicleta e morre. E Zoe tem de arranjar maneira de sobreviver. Mas não está preparada para abrir mão das suas recordações. Como pode esquecer os tempos felizes, o primeiro beijo, tudo o que construíram juntos? Zoe decide que tem de dizer a Ed todas as coisas que nunca disse.

SÓ QUE AGORA É DEMASIADO TARDE. OU NÃO SERÁ?

OPINIÃO: Adorei mesmo!

Ed e Zoe são casados há alguns anos quando, depois de muitas discussões e tensão entre eles, se comportam como estranhos na mesma casa. Até que um dia, de repente, Ed morre e Zoe fica com a vida pendurada num mar de saudades e recordações. Será que podia ter feito alguma coisa diferente para alterar este desfecho?

Adoro livros com viagem no tempo porque me faz pensar no que mudaria (ou não) no passado. E se essas mudanças alterariam o rumo que a vida tomou. A escrita da autora é tão profunda que o leitor consegue sentir a dor, a angústia e a ânsia de mudar o destino que a protagonista, Zoe, sente.

É uma escrita emotiva, recheada de sentimentos que alternam entre a tristeza de perder a nossa metade com a esperança de poder evitar essa perda. As mudanças temporais que vão acontecendo ao longo da história (e quem ler, perceberá) estão bem contextualizadas e não deixa o leitor perder-se.

Fui surpreendida com o final. Apesar de me ter passado pela ideia algo do género não era bem aquilo que estava à espera e tornou-se no melhor final que esta história poderia ter tido. Dessa forma conseguiu atingir (penso eu) o objetivo do livro: tocar o coração!

Quando as estrelas caem – Amie Kaufman&Megan Spooner … por Andreia Silva

27996115SINOPSE: É uma noite igual às outras a bordo da Ícaro, os passageiros divertem-se. Tarver convida Lilac para ver as estrelas. Então, a catástrofe abate-se sobre a enorme nave de luxo: de súbito é puxada para fora do hiperespaço e despenha-se no planeta mais próximo. Lilac Laroux e Tarver Merendsen sobrevivem.
E estão sozinhos.

Um romance intenso. Uma história de amor. O Titanic distópico.

 

OPINIÃO: Ícaro é uma nave espacial, a mais magnífica de toda a galáxia, fruto do reino de LaRoux.

Ícaro destrói-se e sobrevivem apenas duas pessoas, dois jovens: o soldado herói Tarver, de origens humildes, e Lilac, filha do poderoso LaRoux. Os dois vão ter de se tolerar e de se entreajudar para sobreviverem, e talvez salvar o resto da humanidade.

De início, a história parecia-me como tantas outras histórias distópicas YA.  Não estava a ver nada no enredo que me permitisse achá-la espetacular. No entanto, com o decorrer das páginas fui-me apercebendo que, mesmo sendo dirigida a jovens, o livro tem uma escrita cuidada e profunda, não deixando a história nada superficial.

O mundo aqui criado está bem pensado e bem envolvido no trama e nas dificuldades que os protagonistas enfrentam. Apesar de ter um cheiro de alguma ficção científica, não chega a sê-lo e, por isso, pelo menos no meu entender, não se torna demasiado artificial.

Na globalidade é um livro bom, tem uma história cativante. Tem algo de diferente que prende o leitor e que lhe permite fugir da Terra e viajar pelo espaço, ainda que seja um inventado.

Tempo para falar – Helen Lewis … por Andreia Silva

17695060SINOPSE: Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

A crítica não ficou indiferente a um testemunho pungente que nos toca o coração.
«Em Tempo para Falar, Helen Lewis traça-nos um mapa do Inferno e, ao fazê-lo, oferece-nos uma obra de arte sem mácula. Nunca põe um pé em falso ao guiar-nos através de uma paisagem de pesadelo. A sua voz não se altera, o seu estilo permanece simples. Uma forma modesta de se exprimir que esconde a angústia da recordação.» Michael Longley

«É a história de um sofrimento quase inacreditável, mas contada de uma maneira que quase infunde alegria no leitor… notável pela sua simplicidade e lucidez elegíacas, pelo ímpeto irresistível, pela integridade insuperável e pela impressionante ausência de autocomiseração e rancor. Em suma, de abordagem fácil, empolgante e de uma honestidade evidente… todos deviam lê-la.» Independent

«O que distingue este livro de todos os relatos em primeira mão do Holocausto é a capacidade evidenciada por Lewis para descobrir traços de humanidade, onde, com toda a justiça, não tinha razões para os ver… recusa-se a desumanizar mesmo aqueles que tentaram arrancar-lhe tudo quanto tinha de humano – um feito raro para qualquer pessoa na sua situação.» Guardian

 

OPINIÃO: Helen Lewis não é uma personagem fictícia! Não é parte de um enredo que assenta em factos verídicos. Helen Lewis é uma sobrevivente dos horrores da Segunda Guerra Mundial e neste livro traz-nos o relato dessa sobrevivência.

Apesar de não ser um livro muito extenso, é um livro profundo. A descrição da história não foi limitada a factos, datas e acontecimentos mas foi preenchida com reflexões, pensamentos e sensações que, de certa forma, ajudam a tornar as coisas horríveis mais suportáveis. Foi colocada em poucas páginas que englobam muito tempo, e mesmo com a rapidez com que os anos vão passando o livro não deixa de ser impactante.

É uma história diferente de alguns livros baseados no holocausto, mas ao mesmo tempo, infelizmente, muito semelhante. Helen conseguiu atenuar as dores com a dança e sobreviveu por causa da dança. Mas a realidade (por vezes demasiado cruel) do que aconteceu está lá. E por isso é um livro bom. Não foi escrito para ser um bestseller mas para a história de Helen não morrer. O objetivo foi conseguido.