O milésimo andar – Katharine McGee

35272514SINOPSE: Uma torre de mil andares. A visão brilhante de um futuro onde tudo é possível se assim o desejarmos. Nova Iorque, cidade de sonhos e inovação daqui a cem anos. Todos querem qualquer coisa… e todos têm algo a perder. O exterior impecável de Leda Cole esconde um vício secreto por uma droga que nunca devia ter experimentado e por um rapaz em quem nunca devia ter tocado. A vida bela e descuidada de Eris Dodd-Radson desmorona-se quando uma traição lhe destrói a família. O trabalho de Rylin Myers num dos andares mais altos mergulha-a num mundo e num romance inimaginável… mas essa vida nova custar-lhe-á a que tinha antes? E a viver acima de todos, no milésimo andar, está Avery Fuller, uma rapariga que parece ter tudo, mas que vive atormentada pela única coisa que nunca poderá ter.

Segredos, escândalos e traições numa Nova Iorque como nunca a viu.

 

OPINIÃO: Estou muito surpreendida pela positiva.

Quando li a sinopse, percebi logo que ia gostar.

Em tempos, fui espetadora da série Gossip Girl e delirava com a crueldade daqueles adolescentes que tinham o mundo aos seus pés.  Nesta história, tal como em Gossip Girl, assistimos a uma enorme discrepância entre dois tipos de gentes: os ricos e os outros.

Em “O milésimo andar” existe uma Torre. Estamos em 2118 e a tecnologia é por demais avançada. As possibilidades sociais e monetárias verificam-se de acordo com o andar que cada um habita.

Os personagens que vivem mais acima, vivem no limite dos seus apetites. Tudo é ainda mais facilitado, devido aos avanços que o mundo trouxe àqueles que os podem pagar, está claro! Quanto mais possuímos, mais dificuldade temos em aceitar o que não podemos obter. Mas há coisas que o dinheiro não compra, e o ser humano há de sempre pecar sobre os mesmos erros.

Os elementos futuristas não são evidenciados ou exagerados. São mencionados com normalidade ao longo da narrativa, não deixando o leitor perdido em pormenores mas a desfrutar da leitura. Contudo, é impossível não ficarmos maravilhados ou horrorizados com o que o futuro nos poderá vir a reservar. Alguns momentos, o que nos é explicado o porquê de os nossos carros serem objetos proibidos, entre outros, deixaram-me a refletir no pendor segurança vs. liberdade.

Neste ambiente, já por si interessante, somos apresentados a 5 adolescentes: Avery, Leda, Rylin, Eris e Watt.

Todos escondem segredos e todos querem alguma coisa.

No entanto, o trama não é assim tão simples. O prólogo remete-nos logo a uma tragédia, na forma de prolepse, e eu confesso que não estava à espera de ficar amarrada às páginas desta maneira.

Entramos na leitura do livro a saber o que aconteceu, como vai terminar, mas não sabemos as identidades nem os motivos. Isto é de deixar qualquer um doido!

Está tudo mal! Todos os personagens são fintados, na sua felicidade, por algo exterior a eles. Depois, a coisa começa a recompor-se e, quando achamos que já sabemos responder às questões que nos acompanham desde o início, caímos numa armadilha.

Assim que o terminei, pensei que isto não podia terminar assim! Fui investigar e descobri duas novidades excelentes:

  1. O segundo volume tem data marcada para agosto de 2017 (Editorial Planeta, vão lançá-lo cá?)
  2. Os direitos já foram adquiridos para uma série televisiva!

Estou em pulgas para saber o que vai acontecer a seguir, como é que esta gente se vai desenvencilhar da teia onde se emaranharam.

Um reparo menos bom está na construção do texto, por parte da tradução e revisão. Foram, por exemplo, acrescentados termos como “a jovem”, “a senhora”, muitas vezes ao longo do livro, que não estão no original e que tornam o texto muito amador. 

Uma leitura para estes meses de verão. É um livro leve que não é oco. Tem muita substância e não maça.

 

 

 

 

 

A chave de Bronze – Holly Black&Cassandra Clare

33106779SINOPSE: A magia pode salvar-te. A magia pode matar-te. O momento devia ser de celebração. O Inimigo da Morte está morto. A sua cabeça é prova de que foi, enfim, derrubado. O mundo mágico não tem razões para suspeitar do contrário e concede a Callum, a Tamara e a Aaron o título de heróis. Contudo, numa festa que celebra o feito dos três, a comunidade de magos é cruelmente abalada. Uma aluna é assassinada e tudo indica que os piores receios de Call se confirmam: existe um espião noMagisterium. Ninguém está a salvo. Recorrendo à poderosa magia que lhes foi ensinada, os três amigos terão de arriscar as vidas para descobrir quem é o assassino. A magia, todavia, é perigosa: nas mãos erradas, poderá desencadear uma terrível destruição. E revelar o mais letal dos segredos…

OPINIÃO: Estou perplexa, estou parva, estou confusa, estou desejosa de saber como é que tudo se vai desenrolar agora!

Este volume termina de tal forma, que se avizinha uma história completamente diferente!

Se, em tempos, o enredo me pareceu muito semelhante ao Harry Potter, atrevo-me a dizer que aqui ousou-se mais. Com isto, refiro-me a uma certa complexidade nos personagens, no facto de não haver MESMO uma separação entre o Bem e o Mal.

Os seres humanos cometem loucuras, quando movidos por emoções fortes e todos sabemos que o poder corrompe. No entanto, a força com que nos bate o sofrimento é diferente, assim como as medidas que podemos tomar para contornar o alvo dessa dor.

Neste volume, todos os personagens são postos à prova. Aqui, já houve quem tenha sido alvo de discórdia e desconfiança, mas  agora é que vamos assistir o que será viver na verdadeira exclusão.

Algumas pontas são preenchidas e ficamos a conhecer melhor os elementos e as suas implicações. Os próprios elementais voltam a ser parte do enredo, desta vez, com alguma emocionalidade à mistura. Nem tudo é o que parece e o medo da desordem pode levar uma sociedade a enveredar por medidas injustas.

O passado não resolvido bate à porta e a nova geração terá de lidar com as consequências do que ficou interrompido.

Gosto, gosto mesmo muito desta coleção e mal posso esperar por pegar no próximo volume. Quando sai?

Empurrado para o pecado – Monica James … por Andreia Silva

imageSINOPSE: O livro começa onde o anterior nos deixou, com Dixon a tentar fugir das garras de Juliet, e a manter o relacionamento crescente com a inocente Maddy. Mas o que não esperava era ter de percorrer um caminho tortuoso para afastar a vil Juliet da sua vida. Um homem entre duas mulheres opostas.

O final da arrepiante história erótica e de suspense e uma grande história de amor e redenção.

OPINIÃO por Andreia Silva: Dixon é um mulherengo, egoísta e frio, auto-chamado de pecador que se envolve com Juliet, uma mulher perigosa mas ao mesmo tempo tentadora que, só por acaso, é meia irmã da doce Maddy por quem Dixon se encanta.

Dixon entra num jogo perigoso de sedução e mentira que pode acabar com a verdadeira definição do amor que encontrou com Maddy.

O livro tem, logo à partida pelo título e pelas palavras da capa, uma conotação mais virada para o erótico do que propriamente para o romance. E é isso que no início do livro nos é dado. Mas, apesar desta componente, o livro é mais do que descrições gráficas de conotação sexual. Tem um enredo bem construído sobre uma história interessante, quase sempre sem monotonia.

As personagens são bem construídas e as interações entre elas dão movimento à história, não a deixando ficar chata. Principalmente a da Juliet que, sendo a vilã do livro, tem um perfil psicológico interessante e é uma daquelas antagonistas que dá mais vida e ao livro. Na realidade, torna até a história mais credível. Peca por desaparecer um pouco bruscamente da história, mas entendo a intenção da autora.

O livro surpreendeu-me pela positiva. Confesso que entrei num modo reticente, à espera de revirar os olhos inúmeras vezes, mas o que aconteceu foi que a leitura me entusiasmou e até me chegou a emocionar.

Tem um final divertido e giro, digno de uma comédia romântica de fim de tarde.

Ninfas: Paixão Mortal – Sari Luhtanen&Mikko Oikkonen

4SINOPSE: Romance feminino intenso com uma nova abordagem, onde combina vários elementos; amor e mistério. Uma nova temática que se destaca.
Uma história de amor emocionante, onde as escolhas determinam a forma de viver a realidade.
Com uma linguagem envolvente, o livro oferece-nos vários tipos de elementos – paixão, mistério, luta pela sobrevivência, crise de identidade e duelos entre os grupos de ninfas e sátiros.

OPINIÃO: Antes de mais, vamos ver o que são “Ninfas”.

Não é que eu não o saiba ou que esteja a insinuar que os leitores também o desconhecem. Vamos apenas… clarificar o termo:

O que nos diz a Infopedia:
As Ninfas (do grego nymphé e do latim nympha ), na mitologia grega, são divindades femininas secundárias que habitam os campos, as florestas e os mares.
  • A autora conseguiu, embora de forma vaga, demonstrar esta faceta. Senti que poderia ter explorado muito mais esta característica, sobretudo, as capacidades da protagonista.
Encontram-se associadas à fertilidade, personificando a fecundidade da Natureza.
  • Aqui, a autora optou por limitar-lhes a fertilidade. As Ninfas desta história estão sujeitas um momento especial providenciado pela natureza.
(…)  tinham o poder de profetizar, de proteger, de curar e mesmo de inspirar, aparecendo muitas vezes a auxiliarem as outras divindades. 
  • Temos uma curandeira e uma lutadora. Duas personagens muito diferentes e interessantes.
Como divindades menores, as Ninfas não eram imortais mas permaneciam jovens, belas e graciosas, sendo, por isso, amadas por deuses e por homens.
  • Infelizmente, não temos deuses. Poderia ter sido um acréscimo que enriqueceria muito o enredo.
Frequentemente são descritas com vestidos leves, quase transparentes, de cabelos compridos e soltos ou entrançados.
  • Sim, não fica a dúvida de que elas são belas.
Agora, vamos focar-nos no livro:
Ninfas – Paixão Mortal conta a história de Didi, uma jovem que descobre que é diferente dos demais mortais pelo facto de ser uma viúva negra. Viúva negra é o eufemismo de: “Didi mata os homens com que tem relações sexuais”.
À partida, temos aqui uma premissa muito interessante.
Qual é o outro lado da moeda?
O facto de elas morrerem caso não se deitem com um homem na lua cheia.
Isto significa que as Ninfas são escravas do sexo e, ao mesmo tempo, assassinas por natureza.

Por outro lado, as Ninfas estão subjugadas aos sátiros desde o início dos tempos.

O que diz a Infopédia sobre este outro ser:

Divindade grega dos bosques e das montanhas, por vezes também chamado Sileno.
Este nome era-lhe dado principalmente quando atingia a velhice e ficava barrigudo, ainda mais feio e andando de burro.
  • Sileno! Este nome surge na narrativa, porém, muito distanciado do que nos é referido pela “lenda”.
Amantes do vinho, da música e da festa, faziam parte do ruidoso cortejo de Dioniso, bebendo e dançando, para além de perseguirem as ninfas e as ménades, vítimas preferidas do seu apetite sexual sempre ativo. Atrás delas ou de outras mulheres, corriam os campos desenfreadamente, sempre à procura de satisfazerem a sua sexualidade sempre insaciável.
  • A perseguição às ninfas é o main goal.
Por outro lado, estes sátiros, apesar de fãs de vinho e de sexo, parecem-me muito sofisticados e demasiado sérios no que toca à postura com que encaram a sociedade.
Achei curiosa a forma como a autora vê estas divindades, que eu irei sempre associar ao Philoctetes, o treinador de heróis. Para quem não sabe a quem me refiro, deixo aqui a foto:
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Estas fraquezas atribuídas a esta espécie de divindade são difíceis de digerir, principalmente num século em que se procura afirmar, cada vez mais, os direitos das mulheres e a igualdade de géneros. Desta forma, recomendo a que entrem na leitura de mente aberta e que tenham em conta o facto de estes seres terem necessidades, instintos diferentes dos humanos, para que não se sintam chocados com a leviandade com que o ato sexual é tratado.
Atenção: Não há cenas explícitas de sexo! Não é um livro erótico e sim uma espécie de YA, que aborda a sexualidade.
Há, no entanto, uma luta constante das Ninfas em conquistarem a sua independência face aos sátiros. Contudo, elas estão bastante conformadas com a sua natureza. Falamos, está claro de Kati e de Nadia, duas ninfas mais antigas, que procuram orientar Didi neste mundo difícil e perigoso.
Há em Kati qualquer coisa que fica a meio… Um lado mais carinhoso que não é suficiente, mas que permite criar alguma empatia com ela. Apesar do facto de eu a achar um pouco idiota por guardar tantos segredos. Mais de metade dos problemas que surgem devem-se à sua arrogância. Não a consigo ver como “astuciosa”, “prática” e “inteligente”, que é o que a narrativa nos pretende incutir.
A meu ver, o livro precisaria de mais algum preparo a nível de enredo, uma vez que há imensas situações que não batem certo.
Quanto ao público, é óbvio que se dirige aos jovens e, sobretudo, ao feminino.
Adoro mitologia grega, quem segue o blogue sabe disso e esta é a primeira vez que me deparo com uma abordagem a estas criaturas.
Foi-me dito que existe uma adaptação televisiva… vou espreitar:
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A manopla de cobre (Magisterium II) – Holly Black&Cassandra Clare

33SINOPSE: As férias de Verão de Callum Hunt não são como as dos outros miúdos. O companheiro de todos os dias é Ruína, um lobo Refém do Caos. O pai desconfia que ele é secretamente mau. A vida não é fácil para Call… e torna-se ainda mais difícil no dia em que decide ir à cave de casa e descobre que o pai poderá estar a tentar destruí-lo a ele e a Ruína.

OPINIÃO: Eu adoro isto!

Recuo aos anos da adolescência e sabem que mais? Continuo a entusiasmar-me com o género de histórias que metem miúdos com poderes, escolas de magia, profecias… Acho que há coisas que não saem de moda e que quem gostou vai gostar sempre.

Ok. Se vais ler isto com os olhos aguçados à procura das semelhanças com o Harry Potter, podes vir a rebolá-los nas órbitas várias vezes.

O que aconselho é que não o faças. Não te prendas nas partes que parecem copy paste do menino que a gente adora e conhece o Callum com as particularidades que ele tem.

O Magisterium é uma escola de magia. A magia, uma vez não tolhida de início (tal como nos é explicado no primeiro volume), tem de ser controlada. Quer isto dizer que frequentar a escola é obrigatório.

Quando pegamos neste 2ºvolume, já sabemos o porquê de o pai de Call ter feito de tudo para dissuadir o filho a estimular e aperfeiçoar a sua magia. Digam lá, não foi cá uma surpresa? Pois, aqui vamos acompanhar os sentimentos do protagonista, face a esta revelação devastadora, e conhecer mais um pouco da história de Constantine e o que o levou a enveredar pela magia do Caos.

Dá-me a impressão de que os personagens pisam em corda bamba e que a amizade que os une tem vindo a desfragmentar-se lentamente. E isso não augura nada de bom, tendo em conta as capacidades de Aaron…

Ao contrário de outras tantas histórias do género, em que sabemos quem é o vilão e que o desfecho será, obrigatoriamente, o confronto direto de protagonista vs. antagonista, aqui estou às avessas com as probabilidades quanto ao final. É neste ponto que esta coleção ganha, por ser imprevisível e mais complexa do que parece à partida.

Na minha humilde opinião, acho que estes livros merecem um pouco da tua atenção e estou certa de que, se não fores à procura das tais semelhanças com o mundo de Rowling, irão trazer-te bons momentos de entretenimento.

Que me dizes, vais dar-lhes uma oportunidade?

Eu cá já tenho o 3º na estante! eheh 😉