Quando as estrelas caem – Amie Kaufman&Megan Spooner … por Andreia Silva

27996115SINOPSE: É uma noite igual às outras a bordo da Ícaro, os passageiros divertem-se. Tarver convida Lilac para ver as estrelas. Então, a catástrofe abate-se sobre a enorme nave de luxo: de súbito é puxada para fora do hiperespaço e despenha-se no planeta mais próximo. Lilac Laroux e Tarver Merendsen sobrevivem.
E estão sozinhos.

Um romance intenso. Uma história de amor. O Titanic distópico.

 

OPINIÃO: Ícaro é uma nave espacial, a mais magnífica de toda a galáxia, fruto do reino de LaRoux.

Ícaro destrói-se e sobrevivem apenas duas pessoas, dois jovens: o soldado herói Tarver, de origens humildes, e Lilac, filha do poderoso LaRoux. Os dois vão ter de se tolerar e de se entreajudar para sobreviverem, e talvez salvar o resto da humanidade.

De início, a história parecia-me como tantas outras histórias distópicas YA.  Não estava a ver nada no enredo que me permitisse achá-la espetacular. No entanto, com o decorrer das páginas fui-me apercebendo que, mesmo sendo dirigida a jovens, o livro tem uma escrita cuidada e profunda, não deixando a história nada superficial.

O mundo aqui criado está bem pensado e bem envolvido no trama e nas dificuldades que os protagonistas enfrentam. Apesar de ter um cheiro de alguma ficção científica, não chega a sê-lo e, por isso, pelo menos no meu entender, não se torna demasiado artificial.

Na globalidade é um livro bom, tem uma história cativante. Tem algo de diferente que prende o leitor e que lhe permite fugir da Terra e viajar pelo espaço, ainda que seja um inventado.

Tempo para falar – Helen Lewis … por Andreia Silva

17695060SINOPSE: Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

A crítica não ficou indiferente a um testemunho pungente que nos toca o coração.
«Em Tempo para Falar, Helen Lewis traça-nos um mapa do Inferno e, ao fazê-lo, oferece-nos uma obra de arte sem mácula. Nunca põe um pé em falso ao guiar-nos através de uma paisagem de pesadelo. A sua voz não se altera, o seu estilo permanece simples. Uma forma modesta de se exprimir que esconde a angústia da recordação.» Michael Longley

«É a história de um sofrimento quase inacreditável, mas contada de uma maneira que quase infunde alegria no leitor… notável pela sua simplicidade e lucidez elegíacas, pelo ímpeto irresistível, pela integridade insuperável e pela impressionante ausência de autocomiseração e rancor. Em suma, de abordagem fácil, empolgante e de uma honestidade evidente… todos deviam lê-la.» Independent

«O que distingue este livro de todos os relatos em primeira mão do Holocausto é a capacidade evidenciada por Lewis para descobrir traços de humanidade, onde, com toda a justiça, não tinha razões para os ver… recusa-se a desumanizar mesmo aqueles que tentaram arrancar-lhe tudo quanto tinha de humano – um feito raro para qualquer pessoa na sua situação.» Guardian

 

OPINIÃO: Helen Lewis não é uma personagem fictícia! Não é parte de um enredo que assenta em factos verídicos. Helen Lewis é uma sobrevivente dos horrores da Segunda Guerra Mundial e neste livro traz-nos o relato dessa sobrevivência.

Apesar de não ser um livro muito extenso, é um livro profundo. A descrição da história não foi limitada a factos, datas e acontecimentos mas foi preenchida com reflexões, pensamentos e sensações que, de certa forma, ajudam a tornar as coisas horríveis mais suportáveis. Foi colocada em poucas páginas que englobam muito tempo, e mesmo com a rapidez com que os anos vão passando o livro não deixa de ser impactante.

É uma história diferente de alguns livros baseados no holocausto, mas ao mesmo tempo, infelizmente, muito semelhante. Helen conseguiu atenuar as dores com a dança e sobreviveu por causa da dança. Mas a realidade (por vezes demasiado cruel) do que aconteceu está lá. E por isso é um livro bom. Não foi escrito para ser um bestseller mas para a história de Helen não morrer. O objetivo foi conseguido.

Sinto a tua falta – Kate Eberlen… por Andreia Silva

34329103SINOPSE: Tess sonha ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controlo da família e descobrir o que de facto deseja ser. Por um dia, nas férias, os caminhos destes jovens de dezoito anos cruzam-se antes de voltarem a casa e verificarem que a vida nem sempre decorre como planeado.

Nos dezasseis anos seguintes, com rumos de vida bastante diferentes, cada um descobrirá os prazeres da juventude, enfrentará problemas familiares e encarará as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo leva a crer que será impossível que um dia se conheçam verdadeiramente…

A extraordinária história que está a apaixonar o mundo.
Sinto a Tua Falta conta-nos duas trajetórias que se entrelaçam sem se tocarem, numa narrativa que emociona e que nos faz pensar. Um romance com todos os ingredientes para o êxito: amor impossível, drama, desventuras, paixão, sonhos interrompidos, doença, superação, esperança, emoção e com um final onde o amor triunfa acima de tudo.

 

OPINIÃO por Andreia Silva: 

Gus e Tess não se conhecem. Durante uma visita a Itália cruzam os caminhos, trocam olhares, mas ficam-se por aí.

Enquanto a vida dos dois decorre, nem sempre da maneira como esperavam que decorre, estão em busca de alguma coisa que nem sempre sabem onde possa estar. Como por exemplo, o amor.

O livro começa a ser narrado em 1997. Adorei que a autora fizesse questão de, em cada ano, mencionar algo característico, seja música, ou até mesmo acontecimentos políticos. Torna a história mais real e leva o leitor a entrar na época em questão.  E, por vezes, (aos mais velhos) a sentir alguma nostalgia…

Esta história é contada de uma forma muito bonita. Tem uma atmosfera à volta dela de paz, de harmonia, de uma certeza de que a felicidade pode estar sempre à nossa espera, por aí, sem nos darmos conta.

As personagens estão muito bem construídas e têm comportamentos constantes. Todo o rumo do enredo, à volta de duas pessoas que não contracenam entre si, faz ansiar por mais! Só para ver o momento em que o destino completará a sua missão.

Apesar de ser uma história extensa, o que faz algum sentido devido ao grande espaço temporal em que a história se desenvolve, não se torna enfadonha. Mesmo não havendo momentos de grandes tensões, há uma enorme beleza, romantismo e delicadeza na descrição das vidas de Tess e de Gus, não deixando espaço para que o leitor fique aborrecido. Antes pelo contrário, ficará tão embrenhado na história que até pode correr uma ou outra lágrima!

O milésimo andar – Katharine McGee

35272514SINOPSE: Uma torre de mil andares. A visão brilhante de um futuro onde tudo é possível se assim o desejarmos. Nova Iorque, cidade de sonhos e inovação daqui a cem anos. Todos querem qualquer coisa… e todos têm algo a perder. O exterior impecável de Leda Cole esconde um vício secreto por uma droga que nunca devia ter experimentado e por um rapaz em quem nunca devia ter tocado. A vida bela e descuidada de Eris Dodd-Radson desmorona-se quando uma traição lhe destrói a família. O trabalho de Rylin Myers num dos andares mais altos mergulha-a num mundo e num romance inimaginável… mas essa vida nova custar-lhe-á a que tinha antes? E a viver acima de todos, no milésimo andar, está Avery Fuller, uma rapariga que parece ter tudo, mas que vive atormentada pela única coisa que nunca poderá ter.

Segredos, escândalos e traições numa Nova Iorque como nunca a viu.

 

OPINIÃO: Estou muito surpreendida pela positiva.

Quando li a sinopse, percebi logo que ia gostar.

Em tempos, fui espetadora da série Gossip Girl e delirava com a crueldade daqueles adolescentes que tinham o mundo aos seus pés.  Nesta história, tal como em Gossip Girl, assistimos a uma enorme discrepância entre dois tipos de gentes: os ricos e os outros.

Em “O milésimo andar” existe uma Torre. Estamos em 2118 e a tecnologia é por demais avançada. As possibilidades sociais e monetárias verificam-se de acordo com o andar que cada um habita.

Os personagens que vivem mais acima, vivem no limite dos seus apetites. Tudo é ainda mais facilitado, devido aos avanços que o mundo trouxe àqueles que os podem pagar, está claro! Quanto mais possuímos, mais dificuldade temos em aceitar o que não podemos obter. Mas há coisas que o dinheiro não compra, e o ser humano há de sempre pecar sobre os mesmos erros.

Os elementos futuristas não são evidenciados ou exagerados. São mencionados com normalidade ao longo da narrativa, não deixando o leitor perdido em pormenores mas a desfrutar da leitura. Contudo, é impossível não ficarmos maravilhados ou horrorizados com o que o futuro nos poderá vir a reservar. Alguns momentos, o que nos é explicado o porquê de os nossos carros serem objetos proibidos, entre outros, deixaram-me a refletir no pendor segurança vs. liberdade.

Neste ambiente, já por si interessante, somos apresentados a 5 adolescentes: Avery, Leda, Rylin, Eris e Watt.

Todos escondem segredos e todos querem alguma coisa.

No entanto, o trama não é assim tão simples. O prólogo remete-nos logo a uma tragédia, na forma de prolepse, e eu confesso que não estava à espera de ficar amarrada às páginas desta maneira.

Entramos na leitura do livro a saber o que aconteceu, como vai terminar, mas não sabemos as identidades nem os motivos. Isto é de deixar qualquer um doido!

Está tudo mal! Todos os personagens são fintados, na sua felicidade, por algo exterior a eles. Depois, a coisa começa a recompor-se e, quando achamos que já sabemos responder às questões que nos acompanham desde o início, caímos numa armadilha.

Assim que o terminei, pensei que isto não podia terminar assim! Fui investigar e descobri duas novidades excelentes:

  1. O segundo volume tem data marcada para agosto de 2017 (Editorial Planeta, vão lançá-lo cá?)
  2. Os direitos já foram adquiridos para uma série televisiva!

Estou em pulgas para saber o que vai acontecer a seguir, como é que esta gente se vai desenvencilhar da teia onde se emaranharam.

Um reparo menos bom está na construção do texto, por parte da tradução e revisão. Foram, por exemplo, acrescentados termos como “a jovem”, “a senhora”, muitas vezes ao longo do livro, que não estão no original e que tornam o texto muito amador. 

Uma leitura para estes meses de verão. É um livro leve que não é oco. Tem muita substância e não maça.

 

 

 

 

 

A chave de Bronze – Holly Black&Cassandra Clare

33106779SINOPSE: A magia pode salvar-te. A magia pode matar-te. O momento devia ser de celebração. O Inimigo da Morte está morto. A sua cabeça é prova de que foi, enfim, derrubado. O mundo mágico não tem razões para suspeitar do contrário e concede a Callum, a Tamara e a Aaron o título de heróis. Contudo, numa festa que celebra o feito dos três, a comunidade de magos é cruelmente abalada. Uma aluna é assassinada e tudo indica que os piores receios de Call se confirmam: existe um espião noMagisterium. Ninguém está a salvo. Recorrendo à poderosa magia que lhes foi ensinada, os três amigos terão de arriscar as vidas para descobrir quem é o assassino. A magia, todavia, é perigosa: nas mãos erradas, poderá desencadear uma terrível destruição. E revelar o mais letal dos segredos…

OPINIÃO: Estou perplexa, estou parva, estou confusa, estou desejosa de saber como é que tudo se vai desenrolar agora!

Este volume termina de tal forma, que se avizinha uma história completamente diferente!

Se, em tempos, o enredo me pareceu muito semelhante ao Harry Potter, atrevo-me a dizer que aqui ousou-se mais. Com isto, refiro-me a uma certa complexidade nos personagens, no facto de não haver MESMO uma separação entre o Bem e o Mal.

Os seres humanos cometem loucuras, quando movidos por emoções fortes e todos sabemos que o poder corrompe. No entanto, a força com que nos bate o sofrimento é diferente, assim como as medidas que podemos tomar para contornar o alvo dessa dor.

Neste volume, todos os personagens são postos à prova. Aqui, já houve quem tenha sido alvo de discórdia e desconfiança, mas  agora é que vamos assistir o que será viver na verdadeira exclusão.

Algumas pontas são preenchidas e ficamos a conhecer melhor os elementos e as suas implicações. Os próprios elementais voltam a ser parte do enredo, desta vez, com alguma emocionalidade à mistura. Nem tudo é o que parece e o medo da desordem pode levar uma sociedade a enveredar por medidas injustas.

O passado não resolvido bate à porta e a nova geração terá de lidar com as consequências do que ficou interrompido.

Gosto, gosto mesmo muito desta coleção e mal posso esperar por pegar no próximo volume. Quando sai?