A penúltima esperança – Lí Marta

36377967SINOPSE: Mónica Ruivo isola-se em Porto Covo, para recuperar da dor causada pela morte do seu pai. Simultaneamente enfrenta também um desgosto de amor.
Ali conhece um estranho empresário do mundo da moda que não a deixa em paz enquanto ela não aceita ser uma das suas modelos. Acabando por se envolver demasiado com ele.
Deixando para trás a vida simples que levava, rapidamente se torna numa modelo famosa.
Quando reencontra Alexandre, o seu grande e único amor, tudo pode voltar a acontecer. Sentimentos escondidos, numa paixão por resolver, o erotismo e o amor têm uma intensidade única.
Numa equívoca contradição aos seus sentimentos mais profundos, depois de perder tudo o que tinha conquistado até ali, o amor consegue dar forças para vencer todas as batalhas.
Recomeçou de novo. Numa penúltima esperança.
Só que o destino tira-lhe o que ela tem de melhor na vida dando-lhe uma outra vida.
Terá ela ainda forças para enfrentar todos os desgostos?

OPINIÃO: É difícil escrever sobre um autor português, quando o que temos para dizer não é inteiramente bom.

A Lí tem uma prosa muito bonita. Não tem uma escrita básica e enche este seu livro com uma melodia romântica que é inegável, Porém, eu não escolhi o verbo “encher” à toa, porque é nele que reside o problema. A autora alonga-se demasiado nas descrições dos momentos, tornando a leitura aborrecida.

Já vos aconteceu querer calar o autor para ouvir os personagens? Pois, foi o que senti aqui, por várias vezes. Cheguei a saltitar os parágrafos para tentar encontrar o conteúdo da história.

No fim, percebi que se esmiuçasse este palavreado todo, tínhamos 10 páginas, se tanto, de história em si.

Outro grande problema é a intrusão do narrador. Cheguei a pensar para mim: “ela é bonita se eu achar que é bonita, ela é simpática se eu quiser, e não porque o raio do narrador me quer incutir essa ideia à força!”

Então, o que é que eu acho que falta a Lí Marta? Estudo.

Na minha opinião, a autora deveria procurar saber mais um pouco de escrita criativa, de construção de enredos e, sobretudo, deve dar atenção redobrada às dicas de escrita (que muitos desses livros fornecem). Dicas que nos dizem que não devemos descrever, devemos mostrar. Dicas que nos ensinam que temos de conseguir manter a atenção do leitor o máximo possível, dando-lhe sempre motivos para ele querer continuar a ler.

Uma história demora o seu tempo a ser escrita porque tem de ser programada, mexida, remexida. Depois de escrito um primeiro rascunho, raro é o autor que não vá precisar de mexer nele, e muito. Encaixar peças novas, retirar momentos mortos, reescrever passagens que ficaram curtas demais ou apagar aquelas descrições de que ninguém precisa.

Acho que Lí tinha aqui uma história que podia funcionar, se ela tivesse trabalhado mais nela, se ela tivesse ousado inserir mais pormenores, mais momentos, mais conteúdo.

Estamos todos em crescimento e acredito que com um pouco mais de interesse e com mais dedicação a outras peças fundamentais do processo de escrita, que não só sentar e escrever, a autora poderá vir a conseguir escrever algo genuinamente bom.

Por fim, preciso dizer que a capa, além de ser muito feia, não diz absolutamente nada acerca do livro. A editora deveria repensar seriamente no que anda a fazer neste sector.

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Misery – Stephen King

6521615SINOPSE: Paul Sheldon, um escritor de sucesso, cansa-se da sua heroína Misery, e decide matá-la no último volume da série e partir numa viagem. Um acidente de automóvel num lugar ermo deixa-o, porém, bastante ferido. Salvo por Annie, uma enfermeira que vem em seu socorro, Paul acredita ter encontrado a sorte, desconhecendo que Annie se identificava de tal modo com Misery que apenas surgiu no seu caminho para o obrigar a ressuscitar a personagem, e tudo fará para o conseguir.

OPINIÃO: Quem lê Stephen King sabe que existem sempre muitas edições dos seus livros.

No caso de Misery, publicado em 1987, a minha versão é de 1999. As mais recentes são as seguintes:

 

Falemos agora sobre Misery, o livro que me tirou o sono.

A história poderia simplesmente enquadrar-se no ambiente duro de um rapto. Se dissermos que todo o enredo se passa dentro de uma casa, numa só assoalhada e, principalmente, dentro de um quarto, poucos se safariam de criar um trama monótono e/ou curto. Porém, com King isso nunca acontece… Rapidamente, somos transportados para um ambiente de tortura psicológica, que se torna física (a seu tempo), e que nos tira a respiração. A loucura de Annie é tão palpável que assusta.

Quantos de nós, leitores apaixonados, já nos vimos envolvidos emocionalmente em uma série de livros? Obviamente que o mesmo sentimento surge com séries televisivas e até com telenovelas! Não é difícil encontrar, sobretudo nos dias de hoje, com a internet, comentários de puro descontentamento porque a personagem preferida de alguém morreu, ou porque o final não satisfez (ai, os finais que nunca agradam!), ou até porque (aqui manifesto o meu ódio!) as séries são canceladas sem lhes vermos um fim. Agora, convido-vos a colocarem-se no lugar de quem as escreve e de quem as produz e a imaginarem que têm um fã louco do outro lado. Este é o cenário de Paul que, para além de desagradar a “doce” Annie com a morte da sua personagem “Misery”, está literalmente nas mãos dela.

Annie é uma mulher perturbada. O seu histórico mental é desvendado pouco a pouco ao longo do livro. Quanto mais sabemos sobre Annie, mais tememos pela vida de Paul. Chega a um ponto que queremos que ele pare de tentar fugir, porque as consequências poderão ser mesmo muito más. Nós não queremos ver como é que Annie o vai punir, por Paul ser “tão mal agradecido” e de não perceber como ela “tem sido tão sua amiga”.

Os diálogos são absolutamente fantásticos. Conseguimos ouvi-los a falar, conseguimos saber como se sentem, como se movem, sem que o autor tenha de o explicar pormenorizadamente na narrativa.

Paul refugia-se na sua própria cabeça. Os momentos em que Paul vagueia pelas suas memórias, por vezes, tornam-se demasiado extensos e podem cansar um pouco. No entanto, parece importante para o autor que os leitores percebam que Paul não é boa pessoa, que o escritor tem os seus issues e defeitos, e é pelos seus pensamentos que o conhecemos a fundo. Contudo, nada justifica o tratamento a que ele é submetido por Annie. É impossível não criar empatia pela vítima e não chegar à conclusão de que Annie é um monstro que tem de ser imobilizado, talvez até abatido.

Não é uma leitura fácil. Dei por mim a fechar o livro algumas vezes para respirar. A insanidade está tão patente que tememos que nos afete de alguma forma. As reflexões a que o autor nos expõe são duras de encarar. A debilidade de Paul é tão bem retratada que, ao tentarmos colocar-nos no seu lugar, sabemos que não aguentaríamos. Ele também não aguenta! E nós lemos até ao fim, acompanhamos os seu sofrimento e torcemos para que a situação mude, seja de que forma for.

Quem segue este blogue sabe que faço a vénia a Stephen King, pela sua ousadia, pela sua capacidade em entrar na mente humana e de não temer chocar com o que poderá lá encontrar.

“Misery” é um dos seus melhores romances e é obrigatório para todos aqueles que gostam de ser traumatizados pela ficção.

O velho e o mar – Ernest Hemingway

6385157SINOPSE: Santiago, um velho pescador cubano, minado por um cancro de pele que o devora cruelmente, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe. Vai então bater-se, durante quatro dias, com um enorme espadarte, que conseguirá de facto capturar, para logo o ver ser devorado por um grupo de tubarões.

Esta aventura poética, onde Hemingway retrata, uma vez mais, a capacidade do homem para fazer face e superar com sucesso os dramas e as dificuldades da vida real, é seguramente uma das suas obras mais comoventes e aquela que mais entusiasmo tem suscitado, ao longo de mais de meio século, entre os seus fiéis leitores.

O Velho e o Mar recebeu o Prémio Pulitzer, de 1952, e, dois anos mais tarde, valeu a Hemingway a obtenção do Prémio Nobel da Literatura.

O Velho e o Mar é, porventura, a obra-prima de maturidade de E. Hemingway.

OPINIÃO: O velho é pescador.

O velho só tem um amigo: o rapaz.

O velho faz-se ao mar, em busca de um bom peixe. (Ou em busca de qualquer outra coisa mais transcendental, é o que se diz…)

Um peixe morde o isco, e o velho tem de segurar para que o peixe não fuja.

E, pronto, é isto.

Segura o peixe… é dificil. O peixe vai fugir… não pode ser! O peixe é forte… (parece que sim)

Há livros que me levam a esbugalhar os olhos quando tidos como GRANDES CLÁSSICOS!

O que é que raios é que esta historieta traz?

Bem, li muito sobre técnicas de pescaria e  há muito vocabulário sobre o tema.

O velho poderia ser uma boa personagem, se houvesse enredo para ele se mostrar.

Um livro muito, mas muito, preguiçoso. Para encher “chouriços” no currículo de um escritor que vivia da escrita para sobreviver.

Pequeno, com muito infodump (na altura isto não era problema, agora é um Deus nos livre se algum autor se põe a divagar sobre “nada” pelo meio das histórias), “O velho e o mar” não me convenceu nem um bocadinho. Terminei-o porque é minúsculo, e depois ri-me.

Acho que nunca vou entender como funciona isto dos clássicos!

Conhecem o lema: “tens fama, deita-te na cama?”

Pois… o nome vende. O nome é o clássico.

Btw, o autor suicidou-se. Parece que mesmo na altura dele, ele deve ter percebido que isto das obras-primas tende a vir no pos-morte.

Talvez o próprio autor procurasse algo nesta fase da sua vida e, tal como o velho, tudo o que encontrou perdeu-se. Restou uma história chata para contar.

Já estou como o outro, “se eu… vocês aplaudem?”

No hard feelings, please.

Plot&Structure – James Scott Bell

20181SINOPSE: The second book in the Write Great Fiction series, Plot and Structure offers clear and concise information on creating a believable and engaging plot that readers can’t resist. Written by award-winning thriller and suspense author James Scott Bell, this handy instruction guide provides: Easy-to-understand techniques on every aspect of plotting and structure, from brainstorming story ideas to building scenes, and from using subplots to crafting knock-out endings; Engaging exercises, perfect for writers at any level and at any stage in their novel; Practical and encouraging guidance from one of the most respected writers publishing today; Full of diagrams, plot brainstormers, and examples from popular novels, mastering plot and structure has never been so simple.

OPINIÃO: Há uns meses, se me falassem em estrutura e outlinings, apontaria logo a palma da mão com o argumento convicto de que isso limitava a minha criatividade.

WRONG!!!!!!!

Bem dita a hora em que investi um pouco de tempo nestes livros!

James Scott Bell, de uma forma muito simples, exemplificativa e direta, ensinou-me o que eram os 3 atos, a resolução e as respetivas portas sem retorno. Com ele, aprendi a importância da primeira linha, dos inícios e a existência do incidente inicial.

Garanto que jamais escreverei um livro sem explorar estes pontos antes de tudo.

A facilidade com que tudo flui após a elaboração destes marcos é incrível. O caminho que se percorre é mais curto, pois não é um início que se dirige para um final, mas para um primeiro meio, depois para um segundo meio e, só depois de passar por estas fases, é que os nossos personagens se preparam para o climax.

James Scott Bell cita um prol de autores, tanto clássicos como contemporâneos, para segurar as premissas que admite como mais importantes na construção de uma história. O facto de serem realçados autores de diferentes eras demonstra que a estrutura não é uma moda recente, mas sim essencial para qualquer livro.

Estou rendida a esta temática e, além de James Scott Bell, outros autores já começam a chegar à minha moradia para me cultivarem sobre como tornar as minhas histórias fluídas, cativantes e dignas de saírem da minha cabeça para as vossas estantes.

Wish me luck e try it!

😉

A guerra dos mundos – H.G. Wells

a guerra dos mundosSINOPSE: ‘Então, bruscamente, os relâmpagos brancos do Raio da Morte aproximaram-se de mim. As casas desabavam como se, se dissolvessem ao seu contacto, e dardejavam chamas; as árvores incendiavam-se com um rugido. O Raio varria o curso do reboque, lambendo as pessoas que corriam, e desceu até à água a menos de cinquenta metros de distancia do local onde eu me encontrava. Rastejou sobre o rio em direcção a Shepperton e a água na sua esteira erguia-se numa chicotada fervente, coroada de vapor. Voltei-me para a margem.
Tenho uma vaga memória do pé de um marciano, pisando o terreno a uns vinte metros da minha cabeça. Recordo-me também de um longo momento de suspense e, depois, dos quatro marcianos que transportavam entre eles os restos do seu companheiro, ora claros, ora indistintos, através de um véu de fumo, recuando interminavelmente pela vasta extensão do rio e dos prados. E, depois, muito lentamente, compreendi que tinha escapado por milagre.’
‘A Guerra dos Mundos’, de H.G.Wells, é não só uma das obras fundadoras da moderna ficção cientifica (juntamente com alguns outros livros do mesmo autor, e com quase todos os romances de Jules Vernes), como foi ainda o romance que Orson Welles utilizou para a genial criação radiofónica que lançou o pânico nos EUA, com multidões inteiras a convencerem-se de que os marcianos tinham de facto chagado á Terra.
Este livro pode ler-se como uma fantasia: a história de uma guerra com um final, ao menos temporariamente, feliz. Ou pode pensar-se no contexto em que foi escrita (1898), numa altura em que o mundo ocidental pressentia que uma boa parte do que tinha sempre tido como imutável e seguro estava de facto a chegar ao fim. Em qualquer caso, e seja qual for a perspectiva do leitor, A Guerra dos Mundos não deixará de ser por todos considerada como uma narrativa verdadeiramente apaixonante.

OPINIÃO:

Um livro, sem dúvida, muito à frente tendo em conta o tempo em que foi escrito. Facilmente se visualiza este caos na atualidade. Aliás, não estamos nós a ser bombardeados com distopias, apocalipses zombie e afins? Seja qual for o motivo que espoleta o caos, o resultado é semelhante: verifica-se o retorno ao estado natureza, à anarquia, ao auge da lei do mais forte.
Talvez por isso este livro não me tenha conquistado. Não posso dizer que é mais do mesmo, porque o mesmo é que veio depois dele, mas, infelizmente, sinto-me calejada deste género e sobretudo porque “A guerra dos mundos” é muito básico. Não explora convenientemente os personagens, a prioridade está na descrição e imagino o impacto que terá tido aquando a sua publicação. O autor é o rei da descrição. Não há ponta que lhe falhe e pormenor que escape.
Voltando ao enredo, estou familiarizada, mais pela história do cinema, da explosão científica dos inícios do século xx. Vilões mecânicos e gigantescos eram, quiçá, assustadores e misteriosos para as gentes da época. Explosões, tiros verdes, armas de destruição massiva… Cai-me no rídiculo… Hoje, aponto essas escolhas aos americanos, que adoram “fazer barulho”. O século XXI está a regressar ao nível anterior do “mecânico” e já não se contenta apenas com a imagem. Procuramos o bicho que habita na alma humana e a morte ganha novamente um significado diferente, mais profundo. Daí eu não me sentir minimamente inclinada por este clássico, porque é muito superficial, bélico, tem ação a mais, sentimento e emotividade de menos.
Contudo, para finalizar, pareceu-me perceber que este livro terá tido alguma responsabilidade sobre alguns momentos da mediatica série “Walking Dead”. Há alguns pormenores recentes da série que estão visivelmente expostos aqui. Se assim o foi, é de louvar. Prova um trabalho de pesquisa com qualidade.