A última saída – Federico Axat

38122682SINOPSE: Ted é rico e tem uma família perfeita. O que o terá levado a tomar a decisão de acabar com a própria vida?
Quando ouve o toque da campainha, a sua primeira reação é ignorá -lo e premir o gatilho. É então que descobre uma nota escrita por si próprio de que ele não se lembra de todo: Abre a porta. É a tua última saída! Do outro lado da porta, vê um desconhecido, Lynch, que não só sabe o que Ted ia fazer como também lhe faz uma proposta difícil: um plano para evitar que a família sofra as consequências devastadoras da decisão que tomara.
Ted aceita sem imaginar que a nota escrita e a proposta de Lynch são apenas o início de um jogo macabro de manipulações… Às vezes, só podemos confiar em nós próprios. Outras nem sequer isso.

OPINIÃO: “Primeiro estranha-se e depois entranha-se”. É a frase perfeita para caracterizar este livro.

Andei umas boas páginas a perguntar-me o que era aquilo, o que estava a acontecer. Estava confusa, confusa, confusa.

Não tardei a perceber que eu estava tal e qual como Ted, e isso é absolutamente brilhante! Se o protagonista está confuso, também o está o leitor. É justo!

Assim que o enredo começou a fazer sentido, dei por mim verdadeiramente agarrada a esta história. As emoções que ela encerra são difíceis de articular e passamos a vivenciar uma desconfiança tal que nos sentimos comandados por uma verdadeira teoria da conspiração, onde nada parece real.

Para quê temer monstros, espíritos ou diabos com chifres, se podemos andar a carregar o nosso maior inimigo connosco?

Quando a nossa própria razão se vira contra nós, a quem podemos acudir?

A loucura é assustadora e este autor conseguiu imprimi-la num enredo rebuscado, imaginativo e inteligente. Os animais foram um toque de mestre, as analogias dos loucos, que tanto sentido fazem! (Creepy!)

Já se dizia antes: “Antes perder uma perna do que o juízo”.

A capa é muito apelativa, a escrita é envolvente, os diálogos estão muito bem conseguidos, os personagens são autênticos e as pistas estão presentes ao longo do livro. Quanto ao título, faz sentido no final, assim como são respondidas muitas outras questões.

O derradeiro final larga uma passagem que me ultrapassou e, de vez em quando, lembro-me dela e esforço-me por entender o que significa aquela sugestão do advogado. Se tiverem alguma ideia do que foi lançado ali, falem comigo, por favor!

Recomendo a todos aqueles que gostam de histórias que entram de forma atroz na mente humana e que não temem a escuridão que se encerra em todos nós naqueles meandros do subconsciente, depois da linha que nos separa da racionalidade, do real.

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Petrus Logus: O guardião do tempo – Augusto Cury… por Andreia Silva

Liv60710021_fSINOPSE: Quando as fontes de água secaram, as terras tornaram-se inférteis e a violência invadiu o planeta, a Catástrofe aconteceu.

Agora, cem anos depois, o mundo volta a reestruturar-se e novos povos começam a surgir. O Reino de Cosmus, liderado pelo poderoso rei Apolo, tornou-se um grande império. Apoiado pelos seus cruéis conselheiros, Apolo prega que o conhecimento foi o responsável pela destruição do mundo e proíbe o uso da tecnologia, o acesso às escolas e aos livros. Porém, apesar do seu poder, Apolo não consegue controlar um dos seus filhos, o príncipe Petrus, que, ao contrário do irmão Lexus, não está interessado no poder e na guerra. Petrus gosta de aprender, foi educado pelo sábio Malthus para ser um líder justo e generoso e sofre as consequências de ser uma mente livre. Condenado a usar a Máscara da Humilhação, que pune os maiores criminosos do reino, o jovem príncipe tem de sobreviver para realizar a sua grande missão e tentar mudar o rumo da História.

Petrus Logus – O Guardião do Tempo é um bestseller no Brasil, da autoria do médico, professor e escritor Augusto Cury.

OPINIÃO: A Humanidade destruiu o que de melhor existia no planeta, e aconteceu a Catástrofe.

Séculos depois, num reino chamado Cosmus, existe um rei com dois filhos: um é ambicioso pelo poder do dinheiro e outro é ambicioso pelo poder do conhecimento e da justiça.

Petrus, rodeado de amigos fiéis, tenta enfrentar os conselheiros do rei, e o próprio rei, numa tentativa de restaurar o sentimento de humanidade entre os seres humanos que restam.

Augusto Cury não é um escritor que se limita a contar uma história ao leitor, descrevendo factos, pessoas, lugares e mostrando um enredo com princípio, meio e fim. Em simultâneo com a história há muitos pensamentos à volta do enredo, principalmente que têm a ver com a nossa pegada neste grande ecossistema que é o planeta Terra. Essa parte tocou-me imenso. A forma como ele (sem intenção?) nos mostra que são os Homens que podem causar a sua própria extinção funciona (ou devia funcionar) como uma estalada na cara de todos nós.

A história em si é muito simples o que torna a leitura fluída e dinâmica. Torna-se um daqueles livros que não nos deixa parar, e as páginas viram-se sozinhas.

Está mascarado de fantasia para não ser demasiado cruel para connosco. Porque, infelizmente, estas fantasias podem, muito facilmente, vir a ser as duras realidades do nosso amanhã.

Sabe a pouco quando chega ao fim. O final chama pela continuação (que existe!), deixando em aberto a batalha que Petrus ainda tem de enfrentar, mesmo tendo descoberto tantas coisas sobre ele mesmo.

É tocante, é profundo e incrivelmente revelador!

Querido mundo – Bana Alabed… por Andreia Silva

25508032_1740649402622841_561001729125553434_nSINOPSE: Quando Bana Alabed, uma menina de oito anos, acedeu ao Twitter para descrever os horrores da guerra na Síria, onde ela e a família viviam, as suas mensagens angustiantes emocionaram o mundo e deram voz a milhões de crianças inocentes.
A infância feliz de Bana foi subitamente interrompida pela guerra civil no país, quando tinha apenas três anos. Ao longo dos quatro anos seguintes, ela testemunhou diariamente os efeitos de bombardeamentos, a destruição e o medo.
Esta aterradora experiência culminou no violento cerco de Aleppo em que Bana, os pais e os dois irmãos mais novos ficaram encurralados, com escasso acesso a alimentos, água, medicamentos e outros bens essenciais. Perante a permanente ameaça de morte causada pelas bombas implacáveis que caíam perto deles – uma delas destruiu por completo a casa onde habitavam -, Bana e a família não tiveram alternativa senão tentar deixar o cenário de violência em Aleppo e procurar, apesar de todos os riscos, um plano de evacuação para a Turquia.
Escrito com as próprias palavras de Bana e incluindo cartas comoventes de Fatemah, sua mãe, “Querido Mundo” não é apenas um relato absorvente de uma família num país em guerra – é também um olhar único e pungente de uma criança sobre uma das maiores crises de sempre da Humanidade.
Bana perdeu a sua melhor amiga, a escola que frequentava, o lar e a sua terra natal. Mas não perdeu a esperança – para ela e para todas as crianças do mundo que são vítimas e refugiadas de guerra e que merecem uma vida melhor.

OPINIÃO: Bana Alabed é uma menina síria, protagonista e narradora deste pequeno grande livro.

Bana viveu na pele as consequências de uma guerra civil e, com a ajuda da tecnologia e do mundo, conseguiu escapar e ter um resto de infância o mais normal possível. Entenda-se normal como pacífica e feliz.
O pior deste livro é, infelizmente, ser real. Apesar de ser escrito e descrito através dos olhos de uma criança, é de salientar a existência de uma maturidade misturada com uma inocência de quem está a descobrir que afinal há muitas coisas e pessoas más no mundo.
Como o livro contém fotografias, ainda o torna mais real e mais cruel porque se consegue ver os rostos das pessoas que sofreram os horrores que a Bana nos vais relatando ao longo das páginas.
Não é um livro muito extenso porque essa não é a intenção dele. Acaba por nos mostrar uma realidade com factos demasiado cruéis de acontecimentos que vemos apenas nas notícias e que, muitas vezes, nos passam ao lado e nem prestamos a devida atenção.
É triste e esperançoso ao mesmo tempo.

À crueldade da realidade que a Bana viveu junta-se a alegria da vida toda que ela tem pela frente!

A árvore das mentiras – Frances Hardinge

60710024_A_Arvore_Das_MentirasSINOPSE: As folhas eram frias e ligeiramente pegajosas. Não havia engano possível: Faith tinha-as visto meticulosamente reproduzidas no diário do pai. Estava diante da árvore das mentiras, que fora o maior segredo do reverendo, que fora o seu tesouro e a sua maldição. E agora a planta era dela, e a viagem que o pai não chegara a fazer poderia ser feita pela filha. Quando o pai de Faith morre, em circunstâncias misteriosas, ela decide investigar, para descobrir a verdade que se esconde por trás das mentiras. Procurando pistas entre os seus pertences, descobre uma estranha árvore, que se alimenta de mentiras sussurradas e dá um fruto que revela segredos ocultos. Mas, quando perde o controlo das falsidades que põe a circular, Faith percebe que, se a mentira seduz, a verdade estilhaça.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«A Árvore das Mentiras é brilhante, entusiasmante, sombrio e completamente original. Toda a gente devia ler Frances Hardinge.»
Patrick Ness

«Divertido e provocador, este romance rico e profuso consegue o melhor da boa ficção histórica: dar nova luz ao mundo.»
The Guardian

«Tematicamente rico, estilisticamente impressionante, absolutamente inesquecível.»
Kirkus

«A escrita de Frances Hardinge mostra-se no seu melhor neste romance – irónica, melancólica e cheia de um humor negro.»
Publishers Weekly

OPINIÃO: Estou com dificuldade em escrever a review deste livro. Foi uma leitura que me fez pensar tanto que acho que não conseguirei fazer jus aos sentimentos que despoletou.

Esta história tem lugar no século XIX. Sabemos que estamos em pleno avanço científico, mas ainda sob uma influência muito forte da igreja. As mulheres são criaturas menores e o enredo não se cansa de passar essa mensagem. Faith tem um temperamento recatado e servil, tal como lhe é esperado pelos progenitores e pela sociedade. A sua calma é, porém, aparente. Com a mente em constante rebuliço de ideias e de sede de conhecimento, Faith trava uma batalha consigo mesma ao refrear os impulsos curiosos que a empurrariam para a desobediência.

Filha de um homem de ciência, a nossa protagonista vê-se aliciada pelos cadernos de notas, livros, espécimes que povoam o seu lar. No entanto, é depois de uma tragédia que Faith é posta à prova. Terá de escolher se deixará a vida correr o seu curso, apesar das consequências que estão a ser impostas à sua família, ou continuar o trabalho secreto do pai, explorando as possibilidades da árvore das mentiras.

A ostentação do saber é belo quando é emanado de um homem. Contudo, Faith sabe que não pode dar a entender que é inteligente, sob o risco de ser olhada com desdém pelos adultos, ou com estranheza pelos jovens da sua idade. A própria ciência da época apoia esta inferioridade intelectual do sexo feminino, ao sustentar esta ideia no tamanho da cabeça da mulher, muito mais pequena do que a dos homens.

São tantos os disparates que lemos neste enredo que dei por mim a dar graças por ter nascido neste século. É maravilhosa a quantidade de pormenores que nos chegam, sendo fácil perceber que estes ingleses do século XIX eram seres arrogantes e estupidamente convictos dos seus ideais toldados pelo preconceito. Hoje estamos cientes de que o preconceito apenas serve como um muro para o avanço, sobretudo científico, pelo que se torna hilariante assistir a estes sábios homens, tão apaixonados pelo desenvolvimento e pelo conhecimento, a serem impedidos de avançar devido aos seus egos inchados. É claro que inda temos destes “alfas” no século XXI, mas felizmente é a exceção e não a regra.

Para além da desigualdade de género, a história aprofunda com mestria a força dos boatos. Hoje dizemos que as redes sociais criaram juízes, mas já antes da difusão em massa de opiniões misturadas com factos pela internet, o povo já tecia as suas presunções e julgava mediante as convicções que criava a partir das mesmas. Na ausência de mecanismos para servirem de probatória, a palavra era tudo. E esta, quando lançada, transformava-se numa verdade irrefutável, desde que coubesse no que as pessoas queriam acreditar. Neste ponto, atualidade não diverge assim tanto. Quantas vezes já assistimos a rumores, que mesmo depois de serem desmentidos e provados em contrário, a prevalecerem?

A mentira é um emaranhado de linhas que se multiplicam de boca em boca. No centro desta teia está aquele que a montou, engolido pelo peso e pela força do monstro que libertou, a ter de medir cada passo que dá para que este não dê por ele e o devore.

Um livro que abre horizontes ao obrigar a refletir sobre o poder que as ilações podem ter sobre a vida de alguém. Emocionalmente atual e com mensagens por demais pertinentes a ter em consideração, como a animalidade que existe no efeito grupo, na sua capacidade de ostracizar o elemento-alvo.

O elemento fantástico está somente na existência da árvore, e mesmo assim a sua origem cultural é-nos dada a conhecer. Aos poucos, conseguimos duvidar da magia e questionar se ela está realmente ali ou não. Hoje a separação entre o racional e o fantástico está mais vincada, mas, por vezes, é mais inteligente apenas questionar e deixar a pergunta a fermentar, do que anexar-lhe uma resposta à força pelo receio do desconhecido. Tendo em conta a suavidade com que o fantástico se mistura nesta história, arrisco a afirmar que qualquer leitor (amante ou não do género) conseguirá desfrutar desta leitura.

Ao fechar a porta – B.A. Paris

35497182SINOPSE: Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace… Ela e Jack são inseparáveis.

Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?

Um thriller brilhante e perturbador, profundamente arrebatador, que se tornou num autêntico fenómeno literário internacional com publicação em mais de 35 países. A não perder.

 

OPINIÃO: Ainda estou a digerir… Que corrida!

Um dia e meio… Este livro foi lido num dia e meio!!

Há já algum tempo que este livro captou a minha atenção. Na altura, ainda não havia previsão para o lançamento em português. Cheguei a ponderar adquirir a versão original, apesar de não gostar de ler romances em inglês. Livros técnicos tudo bem, mas como escrevo em português ajuda-me ler narrativas na nossa língua.

Para minha felicidade, a Presença anunciou que o livro “Behind closed doors” ia ser publicado por cá e, mal ele me chegou às mãos, li-o de uma assentada.

Não sei do que estava à espera, mas não era disto. Não desiludiu, surpreendeu!

Esperava uma história de violência doméstica, algum terror psicológico… As minhas suposições variavam nesse sentido: marido controlador, família disfuncional… qualquer coisa desse género.

Porém, não há família! Jack não é um simples abusador e Grace não é uma simples mulher abusada. Não me interpretem mal. Não acho que haja qualquer “simplicidade” na violência, seja ela qual for. Apenas quero passar a ideia de que são mais comuns esses casos do que o que nos é apresentado aqui.

Este enredo está muito bem construído e o que oferece não são só momentos tensos. O leitor é obrigado a desafiar-se numa constante tortura mental. Também a minha mente entrou num turbilhão, também eu procurava uma brecha por onde Grace pudesse escapar. Não havia tempo para relaxar — só se pousasse o livro um bocadinho… Eu pousei. Não há um único capítulo calmo.

Os enredos, normalmente, contam com altos e baixos. Aqui estamos sempre no pico. Não podemos sossegar porque Grace também não pode. Somos Grace e questionamos as suas atitudes, sem ter como lhe apontar um dedo e dizer que teríamos feito de outra forma. Aliás, eu cheguei a concluir que, com o  meu temperamento, não teria resistido ou durado um dia. Eu teria sucumbido à emoção e não teria como levar a melhor sobre Jack. Porque Jack é meticuloso, porque Jack está sempre um passo à frente, porque Jack é louco mas ninguém sabe e ninguém acreditaria.

Temos de encontrar uma saída, mas as portas estão fechadas e as janelas têm grades — metaforicamente, é tão verdade que sufoca acompanhar esta mulher nas suas privações. É claustrofóbico!

Não é muito visual, não descreve cenários horrorosos. É muito, mas mesmo muito, psicológico. Faz-nos questionar como é fácil rotular alguém de louco, tirando à pessoa qualquer credibilidade.

A história é contada na voz de de Grace. Nós somos a Grace e, como tal, não sabemos algumas coisas sobre Jack. No entanto, acredito que podia ter sido acrescentado um episódio no final para suprir essas questões que ficaram em aberto. Ou até pelo meio do livro! Confesso que fiquei mesmo triste de não ter algumas respostas…

A última cena, que é absolutamente espetacular, podia ter sido adiada mais um pouco, ou estendida. Pessoalmente, acho que o livro só falha aqui, tem um final um pouco apressado. Termina com uma frase que tem um significado imenso e entendo a opção de fechar assim o livro, mas fica aquela sensação de que não foi tudo dito.

Por fim, não me parece que seja preciso dizer com todas as letras, mas faço-o para os mais distraídos: Recomendo! É uma leitura obrigatória para todos os leitores que procuram histórias com emoções fortes.

Aviso: esta provoca arritmia!