No calor da noite – Richard Castle … por Andreia Silva

30736888SINOPSE: O novo livro da série «Castle», em exibição no canal AXN. O romance perfeito para os dias (e noites) quentes que aí vêm. Intrigante e tenso, este livro narra a nova aventura de Nikki Heat, determinada e ousada, tão fascinante e bem humorada como a série em exibição no AXN. Nikki Heat foi afastada da polícia e embarca sozinha numa investigação. Só James Rook a poderá ajudar a recuperar o seu distintivo, fazendo aumentar a temperatura da sua relação. Depois de “Emoções Quentes” e de “Ondas de Calor”, ambos muito bem sucedidos em todos os países onde já foram publicados, chega agora às livrarias nacionais No Calor da Noite, um livro perfeito para as férias de verão.

OPINIÃO por Andreia Silva: Nikki Heat é uma policial com aspiração a tenente, que luta contra o crime numa esquadra rodeada por homens. Para a ajudar  (nos crimes e na vida) costuma ter a companhia do jornalista de investigação Rook.

Esta investigação começa com um padre a aparecer morto. E dizer mais seria inundar tudo de spoilers.

O livro começa bem. A forma como o assassinato é descrito e as primeiras investigações acerca dele são interessantes e motivantes, mas no decorrer do livro começam a ficar confusas com a quantidade de informação que se cruza.

É um livro bem pensado, e a dinâmica entre a polícia e o jornalista é bem conseguida com alguns diálogos divertidos.

Um facto positivo é que apesar de ser um livro integrante de uma série não deixa o leitor perdido em nenhum momento. A meu ver e por aquilo que entendi, as histórias, e até um pouco do enredo paralelo, são quase independentes dos livros anteriores.  É um livro com uma escrita típica de policial, mas não tem o toque de suspense no ar, não deixa o leitor a ansiar pelo virar da página.

Apesar de não me ter cativado ou me ter prendido como gostaria, não é um livro mau. Só não é bem o tipo de policial que me agrada mais. É bom, entretém e é divertido, mas não é excepcional.

Crónica dos bons malandros – Mário Zambujal

SINOPSE: Uma quadrilha decide assaltar o Museu Gulbenkian, farta dos seus banais assaltos. Durante o livro fala sobre a vida de cada um dos elementos da quadrilha e como se conheceram. Mas o assalto ao museu não correu como esperavam…

OPINIÃO: A minha estreia com Zambujal.
Este é daqueles títulos que sempre ouvimos falar e que quase toda a gente conhece. Ou por ter lido, ou por ter visto o filme, a verdade é que “Crónica dos bons malandros” já cá anda há muitos anos e já passou gerações.
Noto que é um livro que agrada a miúdos e graúdos e tal pode dever-se à forte componente humorística e linguagem fácil e acessível.
A temática também é bastante leve e as personagens deliciosas de conhecer.

A “Crónica dos bons malandros” apresenta-nos um grupo bem português, seja nas falas como nos costumes. Este grupo, liderado por Renato “o pacífico”, está carregado de particularidades que os diferenciam como pessoas. 
Adoro uma ficção onde me esqueço que estou a lidar com personagens, quando estas são de tal modo convincentes que parecem pessoas reais.
Este grupo está inclinado não para o mal, mas para o menos correto. Há aqui uma distinção entre um malandro que rouba e trapaceia e um criminoso que fere a integridade do próximo. Logo com o líder do grupo percebemos isso. Renato é chamado de “o pacífico” porque tem aversão a armas. Segundo ele, uma coisa é fazer um roubo, bater com os punhos, outra é matar alguém. Isso, segundo ele, é para ter “a polícia sempre à coca para o resto da vida”.

O livro é extremamente pequeno e ainda mais pequeno fica se o analisarmos segundo o enredo principal. 
No início temos uma reunião deste grupo, onde se preparam para o maior assalto de sempre. Porém, logo a seguir, temos um capítulo com a apresentação das personagens e o que as levou a juntarem-se a Renato e, claro, o que levou o próprio Renato a enveredar pela vida da “malandrice” (crime não se ajusta aqui).
Se retirarmos estas histórias de vida, o livro passa a conto. 

Há quem tenha gostado mais do enredo principal e toda a situação cómica e trapalhona da elaboração do plano de assalto. Já eu gostei mais das histórias de cada um. Achei muito interessante o rumo que levou a vida de cada um para os levar a Renato. Pormenores que mudaram a vida destes protagonistas. Seja uma professora tirana, um amor que fugiu, ou uma luta que se perdeu, a verdade é que todos foram levados pela vida de forma madrasta. Bem, todos exceto Silvino que já era malandro desde que nasceu, roubando a chupeta ao irmão ou os utensílios no consultório médico.

Há uma beleza na simplicidade da escrita de Mário Zambujal que pouco se vê. O autor não precisa de elaborar o texto, ou embelezar com palavras caras, para chegar ao leitor, para passar as mensagens pretendidas. Nas frases mais simples e curtas muitos significados se depreendem. É extremamente perspicaz na escolha do léxico.

É português, sabe a Portugal, só tenho pena que cheire demasiado a Lisboa. (Eheh)

Descobri que te amo – Ann E.Cannon

SINOPSE: Toda a gente tem segredos…
Ed é Sergio,ou é o contrário?Scout adora romances sentimentais…e Ed.Quark parece nunca se aperceber das pessoas à sua volta,até finalmente se apaixonar por…Scout.E o que esconde Elle,a rapariga dos sonhos de Ed?
Uma história doce sobre a vida e o amor.
Quatro vidas que se cruzam,quatro histórias de amor que nos levam a uma pergunta fundamental:será que o verdadeiro amor se esconde no
seio de uma grande amizade?
OPINIÃO: Ler um livro assim faz bem à alma.
“Descobri que te amo” é um livro ternurento, com um elevado sentido realista, sem grandes dramas e carregado de bom humor simples, nada de excessos forçados.
As personagens podem ser comparadas a qualquer um de nós pela simplicidade de como se desenvolvem na narrativa e ao mesmo tempo complexas, confusas como o próprio ser humano.
O destino tem uma carga elevada neste romance mas nada de muito extraordinário, nada que nos faça pensar “ei que exagero, isso nunca aconteceria na vida real”, pois, “Descobri que te amo” poderia facilmente ser uma história da vida real.
Algo que me agradou imensso foi a capacidade da autora em assumir a voz de cada uma das personagens e nenhuma se assemelhar. A criação de Ed/Sergio, Quark, Ellie e Scout é perfeita porque eles são genuínos.
Gostei do jeito complicado e alegre de Ed, da simplicidade e humildade de Scout, das questões sociais hilariantes de Quark e da ingenuidade de Ellie.
Fez-me bem ler este livro; tem um lado inocente que pouco se vê na literatura da actualidade e os temas que se debate aqui são o amor e a amizade.
Aconselho. É lindissimo!