Deixa-me odiar-te – Anna Premoli… por Andreia Silva

38354263.jpgSINOPSE: Jennifer e Ian conhecem-se há sete anos e nos últimos cinco só têm discutido. Chefes de duas equipas no mesmo banco, entre eles sempre houve um confronto aberto e declarado. Detestam-se e dificultam a vida uma ao outro. Até que um dia são obrigados a cooperar na gestão da conta de um cliente aristocrata e abastado.

Na vida e no amor há sempre uma segunda oportunidade?

Um romance moderno, divertido e terno, uma história atual e muito cinamatográfica com todos os ingredientes de uma bela comédia romântica.

OPINIÃO: Ian e Jennifer trabalham juntos há anos. Têm um ódio de estimação tal um pelo outro, que até no emprego toda a gente teme as suas discussões. Até narizes partidos já existiram entre os dois! Um dia, quando são forçados a trabalhar juntos, a picardia aumenta de tom e acaba por roçar no sentimento mais perto do ódio: o amor.

Quando se lê a sinopse, ou quando mal se começa a ler o livro, à partida, já se sabe como vai terminar. Portanto, a imprevisibilidade não é algo que acontece ao longo destas páginas. Este facto não confere ao livro um tom desagradável, antes pelo contrário. É daqueles livros que, mesmo sabendo que a história se vai desenrolar até a um determinado desfecho, nos deixa tranquilos e calmos, mesmo que haja momentos em que isso não parece que vá acontecer.

É uma escrita leve que a autora nos oferece, com uma linguagem bem humorada e com diálogos dotados de ironia e sarcasmo. É-nos narrado um romance que, apesar de contemporâneo, tem aquele toquezinho de impossibilidade dos tempos antigos, quando as diferenças sociais eram decisivas na “escolha” do amor.

Não é um livro que vá mudar a vida de alguém, nem que tenha algum ensinamento à volta deste enredo. Mas é um livro perfeito para relaxar e dar uns sorrisos.

Uma leitura leve, excelente para os românticos e para os não tão românticos assim.

Adaptada ao cinema, esta história seria uma daquelas comédias românticas intemporais, de domingo à tarde, que nos faria rir e ao mesmo tempo suspirar com este romance nascido de um ódio profundo.

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A herdeira dos olhos tristes – Karen Swan… por Andreia Silva

37940467.jpgSINOPSE: 1974. Elena Damiani é uma herdeira rica e bela, com tudo para ser feliz. Contudo, aos vinte e seis anos já vai no terceiro casamento e uma juventude repleta de cicatrizes. Quando conhece o homem que parece ser o seu par perfeito, percebe que ele é precisamente o único homem que ela não pode ter, e nem todo o dinheiro do mundo é capaz de mudar essa circunstância.
Mais de 40 anos depois, a jovem Francesca vive la dolce vita. Antiga advogada, foi para Roma em busca de uma nova vida. Um acaso fortuito leva-a ao Palazzo Mirandola, onde conhece a famosa Viscondessa Elena dei Damiani. A empatia entre ambas é imediata e Francesca fica fascinada pelo mundo de Elena, pelo seu passada e pelas suas incríveis histórias.
Quando a Viscondessa a incumbe de narrar a sua extraordinária vida, Francesca entra num mundo de privilégios, aparências e excessos. Mas só quando um valioso anel de diamantes é encontrado num túnel antigo da cidade, mesmo por baixo do Palazzo, é que Francesca percebe a rede de mentiras que envolve Elena. A braços com o seu próprio passado tortuoso, Francesca é incapaz de ignorar a verdade, revelando um segredo antigo que pode mudar muitas vidas…

OPINIÃO: Francesca muda-se para Roma para recomeçar a sua vida e cruza-se com Elena por acaso. Elena é uma mulher riquíssima e famosa da alta sociedade italiana. Quando sente que encontrou alguém em quem pode confiar, Elena pede a Francesca que transcreva as memórias dela para um livro, que dê a conhecer a todos a verdadeira Viscondessa.

À partida, este romance agradar-me-ia logo pelo simples facto de envolver alguém mais velho a debitar as suas memórias cheias de mistérios e de teias escondidas. Segredos que tendem a estar presentes nas histórias de vida destas famílias, onde aparentemente parece sempre estar tudo bem. No final, ficou comprovado que sim. Que este é o género de história que mais me dá gosto ler.

Primeiro de tudo, a autora tem uma capacidade imensa para descrever lugares. Dá vontade de viajar imediatamente para Roma porque conseguimos visualizar ao pormenor os locais.

Gostei muito da dinâmica da Francesca com o Nico. Foram construídos com uma química e um certo odiozinho de estimação (típico!), o que os torna muito credíveis. Esta particularidade dá um certo humor à história retirando um pouco a nostalgia e o suspense ao romance.

A alternância entre a história atual, que apanha a vida da Francesca, e a história da vida de Elena torna o livro fluído, demasiado interessante para parar de ser lido.

Tem romance, intriga, mistério e as habituais mentiras e segredos que são postos a descoberto, transformando todas as atitudes e caminhos tomados em algo que faz sentido.

Há alguma partes, quando se começa a chegar ao final, em que senti uma dicotomia de emoções entre os capítulos. Alguns eram um pouco aborrecidos, mas outros logo os compensavam pelo ritmo dos diálogos e a acção mais veloz, o que me fez chegar ao auge da história num ápice.

O final é, de certo modo, surpreendente!

É um bom romance, bom para nos refugiarmos numa tarde fria de inverno e nos perdermos, quer em Roma quer nos segredos desta Viscondessa.

O leitor do comboio – Jean-Paul Didierlaurent… por Andreia Silva

34440638SINOPSE: O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.
Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.
A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.
O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.

OPINIÃO: Guylain Vignolles sente-se miserável na sua vida como trabalhador de um sítio onde (desumanamente) se destroem livros. “Livros em excesso”, dizem eles. Destruídos por uma máquina que é descrita como parecendo ter uma réstia de vida própria. A única coisa que o anima é ficar com algumas das páginas dispersas resultantes da destruição, que usa para ler em voz alta no comboio que apanha todos os dias às 6h27.

Quando encontra uma pen drive perdido no seu banco de comboio, repleta de textos estilo diário, escritos por uma empregada de limpeza de uma grande superfície comercial, a vida dele ganha outro sentido.

É uma história curta, mas o essencial pode ser retirado destas páginas. Mostra-nos que a literatura, ainda que sejam páginas sem aparente conexão entre si, pode unir pessoas e pode mudar a vida delas. Mostra-nos que os livros nunca poderão ser interpretados como um mero desperdício, eles são essenciais para que não nos tornemos, nós mesmo, umas máquinas rotineiras.

Gostei especialmente dos textos escritos pela empregada. São descrições de sentimentos e sensações de alguém cuja existência é, por vezes, esquecida. São espelhos de uma realidade que nos passa ao lado. O resto do livro é uma rede à volta destes textos.

Este livro fez-me passar um bom bocado. Não é nada de transcendente mas é uma história que toca no coração de todos os leitores ou, pelo menos, daqueles que gostam de livros.

O último dos nossos – Adélaide de Clermont-Tonnerre

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SINOPSE: Dresden, 1945: sob um dilúvio de bombas, uma mãe agoniza para dar à luz o seu filho. Manhattan, 1969: um homem encontra a mulher da sua vida no coração da Big Apple.

Do inferno da Europa, em 1945, à Nova Iorque hippie. Neste romance premiado com o Grande Prémio do romance da Academia Francesa, Adelaide de Clermont-Tonnerre conta a história dos anos loucos vividos na pele por dois genuínos filhos do século XX: Werner Zilch, nascido na Alemanha no estertor da Segunda Guerra Mundial, e Rebecca Lynch, herdeira de um homem de negócios e de uma mulher que logrou escapar com vida ao campo de concentração de Auschwitz. Uma paixão louca e proibida num cenário histórico repleto de reviravoltas e marcado pelo suspense.

Werner Zilch é um jovem carismático e empreendedor. Adotado desde tenra idade, vê-se confrontado com a descoberta das suas origens, tudo menos gloriosas. Aos olhos dos outros, pode ser considerado responsável pelos erros cometidos pelos seus antepassados? Como aceitar que o seu progenitor estivesse ligado ao nazismo?

A par das personagens, surgem nomes que os leitores por certo reconhecerão, todos eles figuras marcantes do seu tempo. A saber: Andy Warhol, Truman Capote, tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan…

Uma complexa história de amor que é, ao mesmo tempo, um capítulo ficcionado da nossa História. O leitor não conseguirá pousar o livro enquanto não descobrir quem é, na verdade, «o último dos nossos». No fim, fica a pergunta: estaremos condenados a responder pelos crimes e pelo sofrimento dos nossos pais e avós?

OPINIÃO: Estamos no fim da segunda guerra mundial. A Alemanha está destruída e muitos foram os inocentes que sofreram com as bombas que caíram do céu, naquele fatídico dia em Dresden. Ninguém escolhe a hora para nascer, assim como ninguém escolhe a hora de morrer. Uma vida surge num momento de dor e outra história vai ser contada.

São dois tempos, são dois enredos. Werner Zilch vive em Nova Iorque. Muitos anos se passaram desde a guerra e Werner nunca parou dois segundos da sua enérgica existência para pensar nela. No entanto, este jovem de difícil temperamento está prestes a descobrir que está ligado a uma história de sofrimento, perda, dor e desencontros.

Este livro traz algo de novo. Normalmente, somos transportados para o centro da guerra e acompanhamos os passos daqueles que sobreviveram. Aqui, estamos a lidar com os descendentes, com o que sentem aqueles que são “filhos” do Holocausto.

A geração hippie, tal como diz a sinopse, teve o seu auge na década de 60 nos Estados Unidos. Um movimento de paz, e também de excessos, e de descobrimento pessoal. É muito difícil contrastar a Europa de 1940 com o ambiente do Novo Mundo de 1960. O pensamento diverge demasiado! A escolha não terá sido, decerto, aleatória, porque bastava transportar a vida de Werner para a Europa para que as ideologias não fossem tão diferentes. A Europa recordou, e recorda, e sentiu os danos da guerra por muitos mais anos do que a América. Até a própria vida não seria tão promissora.

Werner foi criado numa época de oportunidades e rapidamente vê o seu esforço a dar frutos. Este personagem apoia-se no desconhecimento do seu passado genético para viver livremente. Segundo ele, uma vez que não sabe quem são os seus pais, é como uma tela em branco. Não está vinculado a seguir as passadas de ninguém, só porque “lhe está no sangue”. Outros personagens se lhe juntam, jovens que caracterizam a América em expansão.

Este livro também traz uma história de amor muito peculiar. Duas almas selvagens e irreverentes, que brindam a história com um romance tempestuoso. A personalidade de Werner é muito singular e muito diferente do estereótipo do protagonista galã. Werner é teimoso, impetuoso, elétrico, impulsivo e muito apaixonado. Este jovem é transportado pela vida ao sabor das suas emoções. Arrisco-me a dizer que este personagem é uma criança num corpo de homem, com muito dinheiro no bolso. Mas gostei dele! Não há espaço para nos aborrecermos e estamos constantemente a revirar os olhos com as atitudes dele, assim como os seus próprios amigos.  Ele cansa, mas encanta, de certo modo.

Contudo, sendo eu uma leitora que se inclina mais para outro género literário, que não o romance romântico, agarrei-me com mais força às descrições, que nos eram fornecidas através de analepses e memórias, da segunda guerra mundial. É sempre doloroso e chocante lembrar como o mundo, há bem pouco tempo, agiu de forma tão sangrenta, tão desumana. Ouço muitas vezes queixas de leitores de que o tema está batido, mas não. O tema não pode ser esquecido, porque enquanto nos lembrarmos do quão cruel a sociedade civilizada pode ser, não corremos o risco de voltar a permitir que se caia num semelhante relativismo sobre o valor da vida novamente.

Foi uma leitura interessante e também didática. Aprendi alguns aspetos históricos que desconhecia. Até já os divulguei a outras pessoas em conversas que começam com: “Aprendi num livro que…” 😉

 

Antes que seja tarde – Margarida Rebelo Pinto… por Andreia Silva

36612267SINOPSE: Neste novo livro de Margarida Rebelo Pinto encontramos três mulheres de gerações diferentes, desde os anos 60 até aos dias de hoje, com vidas sentimentais atribuladas e algo em comum: a atração pelo proibido.

Antes que seja tarde é um romance sobre o lado mais selvagem do amor, quando a paixão manda mais do que a razão e os sentidos falam mais alto. Os amores proibidos nunca caem na rotina, mas serão o caminho certo para o verdadeiro amor? O que fazer quando não se pode construir uma vida com quem se ama?

O destino cruzado destas 3 mulheres leva-nos a uma viagem alucinante sobre o lado obscuro das relações, onde a mentira, a traição e o adultério andam a par com a dignidade de uma grande história de amor.

 

OPINIÃO: “Antes que Seja Tarde” não conta apenas uma história, mas as histórias cruzadas de mulheres que têm uma coisa em comum: o amor por homens que nem sempre estão disponíveis física e emocionalmente para as amar, na mesma medida do amor que elas sentem por eles.

Já li alguns livros da autora e confesso que estava à espera de alguma evolução, não na escrita, mas no tipo de enredo.

As histórias que são contadas na primeira pessoa no início do capítulo são desabafos internos, ainda que alguns sejam reflexivos, de mulheres que sofrem e que perseguem a vontade de amar incondicionalmente.

Não há uma verdadeira acção associada. Isto não lhe tira a beleza,  mas fica a faltar algo mais para, por exemplo, poder atrair mais leitores.

Notei, ao longo da leitura, uma escrita um pouco contraditória, no sentido de haver um cruzamento de linguagens introspetivas e cuidadas com palavras mais rudes e um tanto grosseiras, especialmente de cariz sexual. Não que tenha algo contra, mas nos sítios onde foram colocadas destoam.

Na globalidade é um livro agradável de ser lido, que vai deliciar todos os corações românticos, principalmente aqueles que de momento sofrem. Não acrescenta nada de novo, nem nos faz saltar da cadeira, mas é um bom aconchego.