Em busca do carneiro selvagem – Haruki Murakami

3427989SINOPSE: Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural…

Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.

OPINIÃO: Esta é a primeira obra que leio do autor. No entanto, não foi a primeira vez que tomei contacto com a escrita dele, uma vez que já tinha, em tempos, lido o conto “Sono”(que foi, de facto, um autêntico sono)

“Em busca do carneiro selvagem” é o título, o tema e todo o enredo do livro. Ora, se por um lado somos presenteados com a escrita maravilhosa de Murakami, por outro lado vemo-nos enredados em páginas páginas de conteúdo inútil.

Claro que faz pensar, muitas vezes refleti sobre o que poderia ser este carneiro e o que é que o autor pretendia transmitir com as alusões que lhe ia fazendo ao longo do livro. Houve até um ou outro capítulo que voou! Mas, assim que eu pensava que a “coisa” ia arrancar, voltava a letargia.

Fiquei mesmo triste por não ter gostado, acreditam?

Fechei o livro e pensei: “É isto?”

Julguei mesmo que ia ficar arrebatada. Há tanto tempo que não dou 5* a um livro…

Contudo, fui advertida para não desistir de Murakami porque há livros bastante melhores do que este e que, talvez, façam mais o “meu género”(seja lá isso que for).

A rainha no palácio das correntes de ar – Stieg Larsson

6751710SINOPSE: Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

OPINIÃO: E parece que voltamos aos erros do primeiro livro… Cerca de 40 páginas de informação, conteúdos técnicos, nomes e mais nomes.

O terceiro volume não coloca um ponto final à história, mas é o último livro que o autor escreveu antes de falecer. Não se sente um desfecho completo, porém há um ciclo que se cumpre e não ficamos insatisfeitos se ficarmos por aqui, se não quisermos ler o seguinte, que já não é pela mão de Stieg Larsson.

Quanto ao enredo, já desconfiavamos da conspiração por detrás da detenção juvenil de Lisbeth. Não é propriamente uma novidade que a hacker aborreceu homens perigosos e influentes. Uma vez que o silêncio dela não parece estar a venda e o raio da rapariga tem 7 vidas, o sistema terá de atuar.

Neste ponto, o poder judicial é o único que lhe pode valer e confesso que a ação da irmã de Michael me agradou e contribuiu para me interessar por este volume, mais fraquinho que os anteriores.

Fiquei feliz por, finalmente, Lisbeth ser confrontada com a sua personalidade e que alguém conseguisse furar aquele ego que também irritava e que só a afundava mais em segredos e consequentemente em injustiças. Ninguém consegue viver sozinho!

O quarto livro não é uma prioridade. Sinto que, aos poucos, esta serie foi perdendo a emotividade, o suspense que caracterizou o primeiro volume, centrando-se em expor corrupções governamentais. O índole político é bom, mas sem as batalhas interiores dos personagens e outros assuntos mais pessoais, parece que estou a ler artigos técnicos ou a estudar.

A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo – Stieg Larsson

14SINOPSE: Depois de uma longa estada no estrangeiro, Lisbeth Salander regressa à Suécia e instala-se luxuosamente numa zona nobre da cidade. Mikael Blomkvist, que tentara contactá-la durante meses, sem sucesso, desiste e concentra-se no trabalho. À Millennium chega material para uma notícia explosiva: o jornalista Dag Svensson e a sua companheira Mia Johansson entregam na editora dois documentos que provam o envolvimento de personalidades importantes numa rede de tráfico de mulheres para exploração sexual. Quando Dog e Mia são brutalmente assassinados, todos os indícios recolhidos no local do crime apontam um suspeito: Lisbeth Salander, e a polícia move-lhe uma implacável perseguição. Lisbeth Salander, que está disposta a romper de vez com o passado e a punir aqueles que a prejudicaram, tem agora de provar a sua inocência e só uma pessoa parece disposta a ajudá-la: Mikael Blomkvist que, apesar de todas as evidências, se recusa a acreditar na sua culpabilidade.

OPINIÃO: Há quanto tempo é que eu não pegava num segundo volume, logo após terminar o primeiro?

Quem lê o primeiro volume não consegue deixar de se sentir curioso com a misteriosa Lisbeth. Interdita, institucionalizada durante a infância e adolescência, alvo de controvérsia por parte de quem a conhece: ou é louca ou é genial. Em suma, uma criatura deveras interessante.

Este volume é centrado nela e nos seus segredos. Responde a muitas perguntas pertinentes, assim como:

– porque é Lisbeth inderdita?

– porque é que é apelidada de violenta se, até agora, só a vimos defender-se?

– de onde é que ela vem?

– é louca?

– entre os que a amam e os que a temem, quem mente?

Há quem goste mais do primeiro volume e é certo que complementa mais mistério e é mais direcionado ao género policial típico, mas aqui é que entramos realmente no propósito do enredo, o verdadeiro cerne que move os personagens que aprendemos a gostar no anterior.

É impossível não ficar agarrado a esta história.

Conhecemos outros personagens e surgem novas questões.

  • quem é Zala?
  • quem é o gigante loiro?

Fenomenal!

Muito bem construído, apesar de conter algum infodump que, pelo que me foi dado a saber, não quiseram editar devido à morte prematura do autor e do que poderia ser ou não essencial para os livros que ele não chegou a escrever, mas que deixou em formato rascunho.

 Quem consegue ficar indiferente a este título enorme, mas que conta tanta coisa?

Os homens que odeiam as mulheres – Stieg Larsson

kSINOPSE: O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstöm e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, recebe uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais do país, quer que Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu com a sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma grande investigadora e um dos melhores hackers do país. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

OPINIÃO: Eu sei porque demorei tanto a ler este livro.

Existem 2 motivos para ter arrastado esta leitura por quase um ano: tem o início mais chato de todos os tempos e já tinha visto o filme.

Em parte, estou a mentir porque eu não arrastei o livro por um ano, mas as primeiras, hum, digamos, cerca de 50 páginas. Quando as ultrapassei, mesmo sabendo o final, o assassino, os mistérios todos que o enredo do primeiro volume escondia, devorei o resto.

Estas personagens estão absolutamente bem concebidas! E atrevo-me a dizer que encontrei uma das melhores de todos os tempos: Lisbeth Salamander.

Nem consigo conceber a ideia de eu conseguir criar um ser tão dotado como ela. E, a partir do momento em que sinto isto, é meu dever fazer a vénia ao criador.

Contudo, Stieg Larsson já não se encontra entre nós e pelo que se diz, não viveu o suficiente para assistir ao arrebatamento que os seus livros provocam nos leitores.

É uma triste realidade, pois este homem merecia receber e sentir os aplausos.

Ademais, além da associal, taciturna e teimosa Lisbeth, também temos Mikael e o seu espírito sempre libertino e leal.

Dá a impressão de que os conhecemos e, mesmo quando eles falham, reconhecemos a qualidade destes seres como humanos capazes de mudar alguma coisa no mundo elitista e corrupto em que vivemos.

A história que é entregue a Mikael para desvender é capaz de prender qualquer leitor. Ao contrário do plot que se encontra subjacente e que é explorado mais para o final, o enredo principal oferece amores/desamores, segredos, preconceito, amizade verdadeira, mortes mal explicadas, entre outros elementos que espicaçam a curiosidade de qualquer um.

Se ainda não tiveram oportunidade de conhecer esta gente, façam um esforço para avançar as primeiras páginas e verão que nao se vão arrepender.

A morte de Ivan Ilitch – Lev Tolstoi

8SINOPSE: Considerada por muitos críticos como a novela mais perfeita da literatura mundial, A Morte de Ivan Ilitch aborda um tema comum e inevitável na vida de qualquer ser humano – a morte, provocando reacções e emoções fortes e diferentes. Quando se apercebe de que a morte está perto, Ivan Ilitch começa a questionar as suas decisões e o percurso de vida.

OPINIÃO: Estar a morrer sucks por vários motivos.

Ivan:

  • sente-se mal a toda a hora;
  • ouve triliões de opiniões médicas diferentes;
  • experimenta triliões de medicações;
  • arca com os efeitos secundários desses triliões de medicações;
  • conhece mil e uma causas para o seu problema;
  • vê otimismo e pessimismo nas expressões dos médicos;
  • pensa ver pessimismo nos médicos quando este não está lá;
  • enerva-se com a indiferença dos médicos;
  • zanga-se com o mundo;
  • desconta na família;
  • começa a perder as capacidades de um ser autónomo;
  • torna-se um fardo para a família;
  • sente-se um fardo para a família;
  • deixa de qualquer sentimento nas pessoas além de pena;
  • não sabe o que sente pela família;
  • não sabe o que sente pela vida que teve;
  • não sabe se prefere morrer ou sobreviver nestas condições;
  • sente muitas dores;
  • não sente nada de nada…

Complicado este livro.