Antes que seja tarde – Margarida Rebelo Pinto… por Andreia Silva

36612267SINOPSE: Neste novo livro de Margarida Rebelo Pinto encontramos três mulheres de gerações diferentes, desde os anos 60 até aos dias de hoje, com vidas sentimentais atribuladas e algo em comum: a atração pelo proibido.

Antes que seja tarde é um romance sobre o lado mais selvagem do amor, quando a paixão manda mais do que a razão e os sentidos falam mais alto. Os amores proibidos nunca caem na rotina, mas serão o caminho certo para o verdadeiro amor? O que fazer quando não se pode construir uma vida com quem se ama?

O destino cruzado destas 3 mulheres leva-nos a uma viagem alucinante sobre o lado obscuro das relações, onde a mentira, a traição e o adultério andam a par com a dignidade de uma grande história de amor.

 

OPINIÃO: “Antes que Seja Tarde” não conta apenas uma história, mas as histórias cruzadas de mulheres que têm uma coisa em comum: o amor por homens que nem sempre estão disponíveis física e emocionalmente para as amar, na mesma medida do amor que elas sentem por eles.

Já li alguns livros da autora e confesso que estava à espera de alguma evolução, não na escrita, mas no tipo de enredo.

As histórias que são contadas na primeira pessoa no início do capítulo são desabafos internos, ainda que alguns sejam reflexivos, de mulheres que sofrem e que perseguem a vontade de amar incondicionalmente.

Não há uma verdadeira acção associada. Isto não lhe tira a beleza,  mas fica a faltar algo mais para, por exemplo, poder atrair mais leitores.

Notei, ao longo da leitura, uma escrita um pouco contraditória, no sentido de haver um cruzamento de linguagens introspetivas e cuidadas com palavras mais rudes e um tanto grosseiras, especialmente de cariz sexual. Não que tenha algo contra, mas nos sítios onde foram colocadas destoam.

Na globalidade é um livro agradável de ser lido, que vai deliciar todos os corações românticos, principalmente aqueles que de momento sofrem. Não acrescenta nada de novo, nem nos faz saltar da cadeira, mas é um bom aconchego.

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As raparigas esquecidas – Sara Blaedel… por Andreia Silva

30292213SINOPSE: Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher.Passam-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes.Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.

«Arrepiante! Um enredo fabuloso, pleno de personagens realistas!»

Publishers Weekly

 

OPINIÃO: Uma mulher é encontrada morta numa floresta dinamarquesa.  Apesar de ser facilmente identificável devido a uma cicatriz de elevado tamanho no rosto, o cadáver não é reclamado nem consta da lista de desaparecidos. A partir da foto divulgada pela agente Louise Rick, é revelado que esta mulher foi, na realidade, uma das “raparigas esquecidas” de uma instituição para doentes mentais.

O livro tem, à partida, uma premissa boa e provavelmente agradar-me-ia, visto ser um thriller nórdico e, por isso, macabro e surpreendente. Não me desiludiu nesse aspeto, mas faltou-lhe qualquer coisa para ser um livro de cortar a respiração. A investigação foi feita de uma maneira um pouco confusa e os factos escondidos não despertavam a curiosidade que se pretende neste tipo de livro.

Não gostei muito da agente de polícia, apesar da boa química que ela tem com o seu parceiro de investigação, o Eik. A ligação com o passado é patente e a resolução deste crime não é apenas uma questão de justiça social, mas de resolução pessoal da própria Louise. E é aqui que a confusão com a investigação acontece e isso não me agradou.

No entanto, o desfecho está muito bem conseguido e foi aqui que a autora prendeu a minha atenção. A partir daqui, apenas parei na última página.

Não esperava que fosse aquela personagem a culpada de todas aquelas tragédias…

É um bom policial, mas não me fez perder o sono.

Mirror mirror – Cara Delevingne&Rowan Coleman… por Andreia Silva

25552072_1740652172622564_8783898830653728469_nSINOPSE: O romance que vai deixar marca!
Romance sobre a amizade e a identidade e o facto de que as aparências podem enganar. Quando olhar para o espelho, o que vê?
Explora o complicado mundo da adolescência: amizade, amor, sexualidade, descoberta da identidade, triunfo, decepção…
Repleta de elementos pouco usuais, que deixarão admirados não só os fãs de Cara Delevingne como os que ainda não conheçam a polémica artista.

OPINIÃO: Durante uma adolescência particularmente difícil, Naomi, Leo, Red e Rose juntam-se e formam um banda, a Mirror, Mirror.

A banda muda a vida dos quatro. Estes jovens passam de miúdos perdidos a quase adultos com objetivos.

No entanto, um dia, Naomi desaparece e é encontrada entre a vida e a morte. A tentativa da descoberta do que aconteceu com ela altera, novamente, o rumo de todos eles.

O livro tem uma mensagem muito importante: a adolescência não é só borbulhas e paixonetas. A adolescência pode ser perigosa devido à vulnerabilidade das mentes que podem ser levadas para todo o lado. Digamos que este livro, lido por qualquer adolescente, poderá servir como alerta e como chamada de atenção para os perigos do mundo lá fora.

Gostei do mistério à volta do desaparecimento da Naomi e da evolução que isso causou nos personagens. Estão bem construídas, de tal forma que, no meio do livro, quase a chegar ao fim, percebi um facto sobre uma delas que não me tinha apercebido. Estava bem escondido, mas fez juntar algumas peças do puzzle e dar todo um sentido à história.

Apesar de ter um tanto de atmosfera negra e deprimente, não é um livro triste. Pode nos levar a sentira alguma solidariedade e empatia, mas é uma história que nos mostra a força de uma amizade e de cada um de nós para enfrentar o que nos faz mal. Sejamos adolescentes ou não…

Desobediência – Naomi Alderman … por Andreia Silva

36104771SINOPSE: Para Ronit, uma jovem solteira a viver em Nova Iorque, o Judaísmo Ortodoxo no qual foi educada é uma religião sufocante de que fugiu há muito tempo. Quando descobre que o pai, um estimado rabi da comunidade judaica de Londres, faleceu, decide regressar a casa pela primeira vez em anos.
O seu regresso confronta-a com memórias de infância. As amizades e os amores que formou na adolescência voltam para a assombrar e lembram-na, de forma dolorosa, que não só é uma estranha na sua própria casa, mas também uma ameaça à tradição.
Dividida entre os seus desejos pessoais e a obediência a Deus, que escolha resta a Ronit? Uma vida de conformismo… ou desobedecer a tudo o que lhe foi ensinado desde a infância?

OPINIÃO: Ronit renunciou à religião, afastando-se (fugindo) da comunidade de judaísmo ortodoxo na qual nasceu e foi criada. Quando o pai, um rabi importante na mesma comunidade, morre, Ronit volta a um local que lhe mostra que o passado será sempre uma sombra no seu futuro.

Conhecia o judaísmo e algumas ideias e costumes, mas não tinha conhecimento do judaísmo ortodoxo. Este é mais rigoroso, rígido e conservador e isso está bem descrito ao longo de todo o livro, sobretudo nos pensamentos e nas acções dos personagens (e até nas orações da religião), à excepção da Ronit.

Todos os que ficaram na comunidade seguem as regras. É-nos mostrado como a religião (e não apenas esta) nos pode moldar a mente e como, por vezes, apenas a distância nos permitirá observá-la com clareza e não absorver as partes más dela.

Não é uma história muito activa. É um enredo com poucos acontecimentos surpreendentes, mas prima pelas revelações internas, nomeadamente no que diz respeito a emoções, pensamentos e ideais de vida.

Leva-nos a refletir sobre fazer o que está certo, porque foi o que nos ensinaram, e pensar o que se devia fazer em favor de nós mesmos.

Não é apenas um livro de um personagem que se revolta contra a sua religião. Ronit não foi apenas uma rebelde. A história revela-nos que o afastamento foi necessário para a sobrevivência emocional dela.

É um bom livro, descrevendo a religião sem cansar, sem muita acção, mas com momentos reflexivos.

Como parar o tempo – Matt Haig … por Andreia Silva

36375275SINOPSE: «Tal como basta apenas um instante para se morrer, também basta apenas um instante para se viver. Fecha-se simplesmente os olhos e deixa-se que todos os receios fúteis se esvaiam.» 

O meu nome é Tom Hazard. Pareço ter 40 anos, mas não se deixe iludir, sou muito mais velho do que isso. Séculos mais velho. E este é o meu perigoso segredo. Fui contemporâneo de Shakespeare, vivi em Paris nos loucos anos 20, cruzei os mares de uma ponta a outra. Eternamente a fugir do meu passado e à procura daquilo que me foi roubado. Mas sem identidade ou raízes, a vida eterna pode tornar-se um vazio.

Numa tentativa de voltar à normalidade, arranjei trabalho como professor de História. (Quem melhor para relatar o passado do que alguém que o viveu realmente?) Talvez desta forma consiga perder o medo de viver. A única regra para pessoas como eu é nunca se apaixonarem.
Infelizmente, descobri isto tarde demais.

Escrito com alma e coração, Como Parar o Tempo celebra aquilo que nos torna humanos e ensina-nos uma verdade universal: a vida deve ser vivida sem medos.

OPINIÃO: Tom Hazard nasceu há mais de 400 anos e não tem o aspeto de uma múmia, mas o de um homem comum de 40 anos. Não viaja no tempo, “simplesmente” envelhece mais devagar.

Quanto tenta, por uma vez, ter uma vida normal, apaixona-se. E essa era a única regra que ele não podia quebrar…
A premissa de haver um personagem que não morre não é original (existem dezenas de vampiros e lobisomens por essa literatura fora), mas nunca me tinha deparado com este tipo de condição. E o livro começou, logo por aí, a despertar a minha atenção.
A história é contada com saltos temporais e espaciais. Viajamos de Londres, para Paris, para Austrália, do século XVIII, para o século XX, e também para a tualidade.

É assim que conhecemos e entendemos a personalidade atual do Tom e todas as suas angústias por ter vivido tanto.
À medida de que ele vai vivendo, partilha ideias sobre a humanidade e o que significa ser um ser humano. Coloca-nos a refletir e a perceber o quão somos efémeros e, na realidade, muito pequeninos. Tem uma linguagem extremamente filosófica e introspetiva. De tal forma, que é quase palpável a dor e o sofrimento de tantos anos acumulados.

É um livro muito bom, que nos mostra que o tempo é, de facto, muito relativo!