Destroços – Emily Bleeker … por Andreia Silva

34304348SINOPSE: Poderão duas pessoas unidas pela tragédia admitir a verdade, mesmo que implique arruinar as suas vidas?

 Lillian Linden é uma mentirosa. À superfície, aparenta ser a sobrevivente corajosa de um acidente de avião. Mas tem vindo a mentir à sua família e ao resto do mundo desde que os helicópteros de salvamento a resgataram a si e a Dave, outro sobrevivente, de uma ilha deserta no Pacífico Sul. Desaparecidos durante dois anos, tornaram-se estrelas e recebem as atenções de toda a imprensa. Mas nunca poderão contar a verdadeira história..

 O público está fascinado por ambos, mas Lillian e Dave têm de regressar às suas vidas e esposos. Genevieve Randall, uma jornalista experiente e obstinada, suspeita que a história pode ser falsa e está determinada a desvendar a verdade a qualquer custo, mesmo que implique destruir as vidas de Lillian e Dave.

Uma história eletrizante que nos faz questionar a importância da sobrevivência, tanto no meio da natureza selvagem como sob os holofotes da imprensa implacável.

OPINIÃO por Andreia SilvaHouve um acidente de avião e Dave e Lilian sobreviveram. Eles fizeram um pacto: elaboraram uma história mascarada de factos reais que, hoje, contam a uma cadeia de televisão (depois de dois anos de buscas, eles tornaram-se numa espécie de heróis nacionais).

A história começou logo com um tom de mistério à volta. Os protagonistas contam a sua “história” e o leitor sabe que essa não é a história verdadeira, mas, mesmo assim, não nos é dado logo qual a parte que eles não querem que ninguém saiba. Isso é bom. Incita o leitor a querer virar a página e mudar de capítulo.

Gostei muito da parte das descrições da vida numa ilha perdida, porque nos faz pensar na efemeridade das coisas materiais e de que, mesmo que elas nos façam momentaneamente felizes, não são elas que nos dão motivação para encarar um dia atrás do outro.

É um livro bem construído, muito bem pensado, numa mistura entre romance, suspense e drama. Gostei de não ter de o integrar em nenhum destes géneros e por isso acho que é um livro que agradará a muita gente.

A única memória de Flora Banks – Emily Barr… por Andreia Silva

34859144SINOPSE: Um livro simplesmente inesquecível, que nos fica gravado na pele e na alma.

O meu nome é Flora Banks, tenho 17 anos e tenho amnésia.
Quando tinha dez anos, removeram-me um tumor do cérebro.
Desde então, sou incapaz de me lembrar do que acontece no dia a dia. Não consigo criar novas recordações.

O meu nome é Flora Banks, tenho 17 anos e tenho amnésia.
A minha memória reinicia inúmeras vezes. Suspende-se e recomeça como se a desligassem da corrente sem aviso. Para me lembrar de quem sou e do que gosto, escrevo-o em papéis.
Gravo-o até na minha própria pele.

O meu nome é Flora Banks, tenho 17 anos e tenho amnésia.
Esqueço tudo o que me acontece, exceto o momento em que beijei o Drake.
Um beijo que pode ser a minha cura. Um beijo que está prestes a levar-me numa viagem arriscada e que mudará a minha vida para sempre.
Será que estou preparada para tudo o que vou encontrar?

O meu nome é Flora Banks, tenho 17 anos e tenho amnésia, mas sou muito corajosa!
Um livro marcante!
Uma jornada emocionante que nos faz acreditar no impossível.

OPINIÃO por Andreia Silva: Flora Banks teve um tumor cerebral aos dez anos.

O tumor foi retirado e, juntamente com ele, foi-lhe retirada a capacidade de retenção de memórias. Pelo menos, as de agora.

Flora lembra-se de tudo antes dos dez anos. Depois, fica tudo confuso e ela recorre a papéis e a anotações que escreve no braço. Até ao dia em que beija o namorado da melhor amiga e nunca mais se esquece.

Esta questão do beijo que a protagonista consegue esquecer, ao contrário de outras coisas banais da vida, não me convenceu muito. Achei piada à questão da memória e isso foi, logo desde o início, aquilo que mais me atraiu na história, mas senti o enredo a ser um pouco forçado. Pelo menos de início.

Depois, entendi a intenção. A história está é muito bem construída, de forma a levar o leitor exatamente onde é pretendido.

Nesse momento, somos tocados e experimentamos a mesma sensação da protagonista e isso torna a história dela próxima de nós. Torna os sentimentos dela mais reais. Ficamos tristes com ela, ficamos felizes e entusiasmados com ela e queremos dar-lhe o resto da coragem de que ela precisa.

Gostei muito desta leitura. Apesar de ser mais dirigida a alguém da idade da Flora (17 anos), é um livro de todas as idades e para todas as idades.

É muito bonito!

O casamento escandaloso de Lady Isabella – Jennifer Ashley… por Andreia Silva

31675385SINOPSE: Da autora vencedora do prémio RITA para Melhor Romance, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Romance.
Isabella fugiu de um casamento intenso, mas Mac estava decidido a reconquistá-la.
Durante o seu baile de debutante, Lady Isabella, de 18 anos, é «roubada» pelo mal-afamado Lorde Mac Mackenzie e casam nessa mesma noite, escandalizando o sociedade londrina. Depois de três anos de um casamento atribulado, Isabella volta a escandalizar Londres ao separar-se de Mac. Destruído pela separação, Mac dedica-se apenas à pintura. Mas sem a sua musa, percebe que também o seu talento o abandonou. Quando Isabella vê exposto um quadro do ex- -marido, percebe que se trata de uma imitação e que há um falsificador a fazer-se passar pelo famoso Mac Mackenzie. Um mistério que faz Isabella reentrar na vida de Mac.
Quando a sua linda mulher volta a cruzar a porta de casa, Mac percebe que a quer de volta à sua vida e à sua cama e tudo fará para reconquistá-la. Isabella tenta resistir-lhe, mas ao aceitar ser pintada por ele, em poses eróticas, percebe que o desejo entre ambos é uma força imparável que apenas aumentou ao longo dos anos.

OPINIÃO POR ANDREIA SILVA: Isabella fugiu dos pais para casar com o Lorde Mac Mackenzie e, com a mesma loucura com que o fez, abandonou-o após três anos. Mas, quando deteta que alguém anda a fazer-se passar por ele, vendendo pinturas com o seu nome, regressa a um lugar onde o amor e a sedução esperam por ela.

Este é um tipo de livro que nunca engana e nunca difere muito de enredo para enredo. Estamos perante um romance histórico, não baseado em factos reais, que nos mostra uma sociedade onde os titulos, geralmente, importam mais do que os sentimentos.

Trata-se de uma escrita leve e um tanto ou quanto apimentada (que faz parte deste tipo de livro).

Gostava que a questão dos quadros falsificados e do impostor tivesse sido mais explorada, porque daria um diferencial à história e esta deixaria de ser apenas mais uma história de amor baseada na premissa do gato e o rato.

É uma história que entretém mas que pode tornar-se um pouco entendiante à medida que as páginas vão passando. Falta um pouco de personalidade às personagens e alguma coerência.

De um modo geral, é um livro bom, que proporciona uma leitura agradável, mas não é uma história espetacular.

Até que sejas minha – Samantha Hayes… por Andreia Silva

 22565410SINOPSE: Ela tem algo que outra pessoa quer. A qualquer custo?

Claudia parece ter a vida perfeita. Está grávida, vai ter um bebé muito desejado, tem um marido que a ama, embora ausente, e uma casa maravilhosa.

Depois, Zoe entra na vida dela. Zoe foi contratada para a ajudar quando o bebé nascer, e parece a pessoa certa para o cargo. Mas há qualquer coisa nela de que Claudia não gosta e que a faz desconfiar.

Quando encontra Zoe no seu próprio quarto, a remexer nos seus bens pessoais, a ansiedade de Claudia torna-se um medo bem real?

OPINIÃO por Andreia Silva: Claudia sempre quis ser mãe e depois de inúmeras gravidezes incompletas e muito sofrimento, está à espera de uma menina.

Com o marido a servir na Marinha, ela contrata Zoe, uma ama perfeita, mas com segundas intenções. Isso o leitor sabe desde o inicio. E não é isso que vai deixar todo o enredo à vista. A meu ver, ainda nos deixa mais interessados.

À medida que os capítulos vão passando, a curiosidade vai aguçando. O leitor sabe que vai acontecer alguma coisa, que não é bom, mas não sabe nunca o que é.

Os capítulos vão alternando entre Claudia, Zoe e uma inspetora da polícia que investiga os crimes que têm acontecido à volta de grávidas.

Não estava à espera, nem estava preparada para o rumo que a história tomou, ou foi tomando à medida que a narrativa era descrita.  Num momento, até acreditei que tinha já desvendado metade do mistério, mas não, nem um quarto tinha ficado sem o véu.

A forma como a autora escreveu e a maneira como usou as palavras de forma tão ambígua deu-me a volta ao pensamento e deixou-me literalmente de boca aberta.

Além disso, as reviravoltas, as revelações, a última frase do livro fez-me ansiar por mais páginas. Ainda virei, mas já só havia agradecimentos.

Só um conselho: se alguém tentar contar a história antes de o lerem, não deixem!

Vida roubada – Adam Johnson… por Andreia Silva

20763351SINOPSE: Vencedor do prémio Pulitzer 2013: Uma saga de amor, esperança e redenção no país mais fechado do mundo.

Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do, um jovem no país com a ditadura mais sombria do mundo: a Coreia do Norte.

Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.

Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.
–saidadeemergencia.com

OPINIÃO por Andreia SilvaJun Do vive no país mais fechado do mundo, tal como a capa nos diz: a Coreia do Norte.

O livro começa com a jornada dele, desde o orfanato onde vivia com o pai que o geria, até à sua ascenção ao Estado.

Sempre submisso ao líder do país, Jun Do arrisca tudo para salvar a mulher que ama.

A história tem um enredo interessante e o leitor sente-se como a intrometer-se no meio de algo que é secreto. Sentimo-nos a espiar e isso torna o livro aliciante. Gostei, especialmente, da estranheza que sentem os coeranos ao descobrir factos da cultura americana.

Contudo, não é um livro fácil. Tem uma história densa, com muitos pormenores e por não ser uma cultura com que facilmente tenhamos contato, torna-se complicado acompanhar os acontecimentos a um bom ritmo.

A promessa de uma saga de amor fica um pouco aquém das expetativas. Percebo o contexto da atmosfera envolvente mas acho que falta qualquer coisa nesse aspeto.

Na globalidade, é um livro bem escrito e muito bem pensado, mais concretamente ao nível da pesquisa política e cultural. Entendo perfeitamente o porquê do prémio atribuído, mas não fez muito o meu género e por esse motivo não me prendeu.