A bailarina de Auschwitz – Edith Eger… por Andreia Silva

41581285SINOPSE: Um livro poderoso e comovente que nos leva numa viagem universal de redenção e cura.

Edith Eger tinha 16 anos quando foi enviada para Auschwitz. Naquele campo de concentração suportou experiências inimagináveis, incluindo ser forçada a dançar para o infame Joseph Mengele. Durante os meses seguintes, a resiliência da jovem ajudou muitos a sobreviver. Quando o campo foi finalmente libertado pelas tropas americanas, Edith foi retirada de uma pilha de corpos moribundos.

Em A Bailarina de Auschwitz, Edith Eger partilha a sua experiência do Holocausto e as histórias extraordinárias das pessoas que ajudou desde essa altura. Atualmente, ela é uma psicóloga reconhecida internacionalmente e os seus pacientes incluem mulheres vítimas de abusos e soldados com síndrome de stresse pós-traumático. Edith Eger explica como a mente de muitos de nós se tornou numa prisão e mostra como a liberdade é possível quando nos confrontamos com o nosso sofrimento.

A Bailarina de Auschwitz é um livro transformador, um exame profundo do espírito humano e da nossa capacidade de cura.

OPINIÃO: Neste livro, Edith Eger conta-nos na primeira pessoa os horrores que viveu quando foi enviada para Auschwitz. Através de um relato muito verdadeiro e muito cru, é-nos relatado o máximo da crueldade humana e aquilo que fica dentro de uma pessoa que sofreu o que Edith sofreu.

Não pode haver uma verdadeira opinião a este livro porque, infelizmente, tudo o que aparece nele (até aquilo que nem em pesadelos poderíamos imaginar), infelizmente, foi a mais verdadeira e pura das realidades.

Este livro faz-nos sentir que estamos numa sala, com um café quente nas mãos, a ouvir a própria Edith a falar. É uma leitura que não parece leitura e que, sem se dar por isso, passa a voar.

O livro encontra-se dividido em quatro partes bem distintas umas das outras, em ordem cronológica: o antes, o durante e o depois. Sabemos logo de início que não vamos ter um relato apenas do que aconteceu durante a guerra. Sabemos que Edith escolheu uma profissão que pudesse ajudar as pessoas e isso torna este relato diferente, porque nos mostra o que todos nos perguntamos: Se sobrevivermos, como viveremos com certas memórias?

Como qualquer livro sobre o Holocausto (especialmente este, que nos é narrado de forma tão pessoal e íntima), gera sentimentos de raiva para com os responsáveis destas barbaridades. Mas, em simultâneo, despertam momentos de esperança e, principalmente, a relativização dos problemas quotidianos.

É, ao mesmo tempo, uma narrativa e uma consulta de psicologia. Porque, através das suas palavras, Edith faz-nos olhar para dentro de cada um de nós e descobrir sentimentos e emoções que se escondem. Passamos a encarar a a vida, e até os nossos problemas, com outros olhos.

É um livro mesmo muito bom. Recomendo!

Anúncios

Profunda obsessão – K.L.Slater… por Andreia Silva

41745840.jpgSINOPSE: Uma mãe dedicada
Ben é um pai viúvo que dá o seu melhor para criar os filhos pequenos com a ajuda de Judi, a sua mãe dedicada. Para Judi, nada é mais importante do que a família, e estar perto do seu filho e dos seus netos é a única coisa que lhe dá alento na vida.

Um novo membro da família
Mas Ben apaixona-se por Amber, que parece ter tudo para ser a madrasta perfeita para as crianças. Só que Judi não gosta de Amber, e está certa de que esta esconde alguma coisa. A verdade é que Amber também não gosta de Judi, e tudo fará para a afastar do seu caminho.

Uma perigosa obsessão
Tanto Judi como Amber querem Ben e as crianças só para si, e ambas acabam por revelar um comportamento perigosamente obsessivo, que poderá pôr em risco a vida de todos. Incluindo a das crianças.

«Um excelente thriller psicológico, repleto de surpresas.» — Me Loves Books

OPINIÃO: Ben é viúvo e cria os dois filhos com a ajuda indispensável de Judi, a avó mais dedicada do mundo. Porém, Amber chega à família como namorada de Ben e muda por completo toda a rotina familiar. Amber e Judi não se toleram e entram numa espiral obsessiva de ter os meninos só para si.

O livro começa de forma lenta, mas fica-se de imediato com a pulga atrás da orelha nas duas primeiras páginas. Surge logo uma expetativa que promete. Na realidade a história não é lenta, o suspense é que não nos atinge de rompante, sendo introduzido de forma subtil de forma a que somos compelidos a continuar a ler.

Não estava a entender a relação entre Judi e Amber, mas uma coisa chamou-me desde logo à atenção: a construção do ódiozinho entre as duas é tão bem feito que sentimos as faíscas entre elas nos diálogos. Aliás, chegou a um ponto em que a Amber me irritou de tal modo que agradeci o facto de ela ser apenas uma “mera” personagem.

Mas o melhor desta história estava guardado para o final. É bom que ninguém desista do livro antes de chegar ao fim. Acreditem em mim, é um desfecho que vale pelo livro inteiro! Quando menos esperava que existisse uma reviravolta, ela apareceu do nada e apanhou-me completamente de surpresa. E aí sim, tudo fez sentido.

Não é daqueles livro que nos atingem logo, mas tem ali qualquer coisa que faz com que se continue, que se leia capítulo atrás de capítulo. E tudo valerá por aquele final!

A verdade segundo Ginny Moon – Benjamin Ludwig… por Andreia Silva

39324921.jpgSINOPSE: Enternecedor e repleto de momentos inesperados, este romance apresenta-nos Ginny Moon, que na sua jornada até um novo lar descobre o verdadeiro significado da palavra família.

Eu tenho medo pela minha Bonequinha. Ela é pequenina e não consegue alimentar-se sozinha. A mãe Gloria passa-se da cabeça. Porque é que ninguém acredita quando digo que a Bonequinha está sozinha e que tenho de a ajudar? Nem mesmo os meus novos Pais Para Sempre, que vivem na Casa Azul, acreditam em mim…

Ginny tem autismo. Nem sempre entende o que ouve. Nem sempre tem a capacidade para distinguir o que é real. Mas sabe que foi retirada à mãe, e que esta era violenta e consumia drogas; e sabe, também, que precisa de voltar para junto da sua Bonequinha. Esta obsessão e o seu comportamento errático e agressivo levaram a que duas adoções fossem anuladas.

Poderá Ginny ter razão? Às vezes, o seu novo pai adotivo fica com a sensação de que a Bonequinha poderá ser algo mais. Mas, como já explicou a Ginny inúmeras vezes, não existe qualquer registo de outra criança na sua antiga casa. Porque não conseguirá Ginny ultrapassar esta questão?

OPINIÃO: Ginny tem autismo e viveu os últimos cinco anos em adopções consecutivas. A mãe biológica era (é!) perigosa, física e psicologicamente, e consumia drogas.

Apesar de, por vezes, demonstrar uma desconexão com o mundo que a rodeia, Ginny tem uma certeza: precisa de voltar a casa para recuperar a sua Bonequinha que, estando com a mãe, não está em segurança.

Este livro não deve ter sido fácil de ser escrito. Esta narrativa, sendo toda na voz de Ginny, que tem uma visão do mundo muito própria, não tem um discurso linear porque os pensamentos de Ginny são simplesmente assim. E, por esse motivo, já é de louvar a coragem do autor.

Em cada capítulo, temos a sensação de estarmos dentro da cabeça de Ginny, a sentir toda aquela ansiedade de quem não entende o porquê de não a entenderem. E principalmente a ansiedade de não saber qual o lugar que ela ocupa no mundo.

Não existe, no entanto, e contra as minhas iniciais expetativas, um drama lamechas. Não é incitado no leitor aquela dor física que o obriga, por exemplo, a chorar. Mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser um livro emotivo. Explicando: é um livro que mexe com o leitor mas não ao ponto máximo de o emocionar até ao limite.

Gostei da forma como a história da última adoção decorreu. Mostra um lado muito real de uma família que leva, do nada, com uma adolescente que tem um passado complicado e que tem uma forma especial de ver o mundo. Tanto o Pai Para Sempre como a Mãe Para Sempre (nomes ditos mais tarde, ao longo da história) estão extremamente bem construídos, dando toda uma veracidade à história que a deixa próxima do leitor.

É um livro bom, tocante e que nos deixa a pensar no verdadeiro conceito de família e na sua importância.

Eliza e os seus monstros – Francesca Zappia… por Andreia Silva

40693507SINOPSE: Na net, ela é mundialmente famosa.
Cá fora, ninguém sabe o seu nome.
No mundo real, ela é Eliza, uma miúda solitária, invisível e sem amigos. Online, ela é LadyConstellation, a famosa e anónima criadora de Monstrous Sea, um dos webcomics mais populares do mundo. Wallace é novo na escola. É um rapaz estranho, misterioso e que raramente fala. Mas na Internet ele é Rainmaker, o escritor da fanfiction de Monstrous Sea mais lida nos fóruns da série, e é seguido por mais de um milhão de fãs.

Os caminhos de Eliza e Wallace cruzam-se inesperadamente e, quando percebem que têm a mesma paixão por Monstrous Sea e a mesma forma de ver o mundo, surge uma relação improvável que vai alterar as suas vidas para sempre. No entanto, ambos julgam que o outro é apenas um fã comum de Monstrous Sea. Ela não sabe que ele é o seu maior fã, e ele não sabe que ela é a própria autora.

Um livro esplendoroso sobre a vida online e offline!

OPINIÃO: Eliza Mirk é uma adolescente que passa despercebida em todo o lado.

Isto no mundo real.

No mundo dentro dos ecrãs, ela transforma-se na criadora da mais famosa banda desenhada: Monstrous Sea.

Quando Wallace entra de paraquedas na escola, e Eliza descobre que ele também é solitário e criador de algo online, cria-se uma amizade.

Confesso que estava à espera de outra coisa. Não de outro tipo de história, mas de um outro tipo de impacto. Pode ter sido por já ter lido o Made You Up, também da autora, um livro que adorei e ainda hoje me recordo. Ou pode ter sido por esta história não estar narrada de uma forma que me agarre a ela.

A escrita da autora não se modificou. É uma escrita suave, bem marcada por sentimentalismos e pela solidão da Eliza. Faz-nos entender que a arte, para ela, é como se funcionasse como um bálsamo e que, no meio de tudo o que acontece e que no fundo a faz crescer, ela só quer é criar a história que faz sonhar todos, incluindo ela mesma.

Falando na banda desenhada em si, uma vez que parte dela vai sendo relatada ao longo do livro, não gostei propriamente. Aliás as últimas páginas da BD não as li. Não é que esteja mal feita (os desenhos são muito bonitos), mas a história à volta dos monstros marinhos e de outros planetas não é propriamente o meu tema favorito.

Não foi um livro que me prendeu, mas que acredito que vá agradar, e muito, a muita gente. Não é por ser um livro mais jovem que tem uma idade para ser lido. Acho que quem gosta de histórias de crescimento pessoal deve dar uma oportunidade a esta história.

Quem teme a morte – Nnedi Okorafor… por Andreia Silva

39932607SINOPSE: Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.

Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

OPINIÃO: No futuro, numa África diferente da atual, existem dois povos: os Nuru, de pele branca e os Okoke de pele mais escura. Seguindo o chamado Livro Grande, os Nuru querem exterminar os Okoke. Quando uma mulher Okoke é violada por um Neru, dá à luz a uma criança destinada a salvar o seu povo do genocídio.

Desde este prólogo que achei que o livro não seria muito do meu agrado, especialmente por ter tanto de fantasia. E. de facto, não ficou muito longe destas expetativas.

A história começa a ser narrada a um bom ritmo, mesmo que por momentos se torne confusa, devido às explicações das origens dos povos e da profecia de ter de existir um extermínio dos Okoke.

Pelo meio começa a existir algum arrastamento do trama, o que torna, por vezes, a leitura mais chata e enfadonha. Toda a caminhada dela para chegar a um determinado ponto vai perdendo importância exatamente por este arrastamento.

Onyesonwu é uma personagem forte e bem construída, apesar de por vezes sentir que ela está sobrevalorizada, deixando um pouco de lado a importância de outras com papéis também preponderantes.

Não deixando de ser uma boa leitura e um livro agradável de ser lido, não é de todo um livro que chegue a todos. Tem particularidades, de escrita e de enredo, que não agradará a todos os leitores. Agradou-me a história em si, mas o facto de se ter tornado demasiado arrastado não me fez adorá-lo.