Quando a luz se apaga – Nick Clark Windo… por Andreia Silva

 

transferirSINOPSE: Bem-vindo ao incrível mundo do Feed!

Com apenas um pequeno chip, implantado no cérebro dos bebés ainda antes de nascerem, todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos. Crimes violentos? Fraude? Impossível, tudo o que vemos é registado no Feed. Desaparecimentos? Faltas? Já não existem, o Feed põe-nos a todos em contacto. Esquecimentos? Distrações? Coisa do passado, o Feed não se esquece de nada.

Até ao dia em que o Feed é desligado.

Nesse dia, o Presidente dos Estados Unidos é assassinado, em direto, para todo o mundo. Pouco depois, o Feed cai. Já não há livros. Já ninguém tem computadores. Já ninguém se lembra, sequer, de como consertar as coisas mais simples. Toda a informação estava guardada no Feed. Sem ele, a civilização desaba.

E tu, quem serás sem o Feed?

Desesperados por reconstruírem alguma forma de subsistência, os grupos de sobreviventes espalham-se, desconfiados uns dos outros, paranoicos e sem rumo. Conseguirão reerguer a Humanidade?

Combinando a atmosfera distópica de Walking Dead com o potencial destrutivo da tecnologia de Black Mirror, Nick Clark Windo apresenta-nos todo um novo mundo.
Ao retirar tudo às suas personagens, tira completamente o fôlego ao leitor.

OPINIÃO: No mundo apresentado neste livro existe uma sociedade diferente (futurística?). Os bebés nascem com um chip implantado no cérebro que resolve todos os maus problemas do mundo, além de não deixar existir esquecimentos ou distrações. Esse chip chama-se Feed e depois do Presidente dos EUA ser assassinado, ele cai. E agora? Como sobreviver num mundo onde ninguém sabe sequer o que o mal significa?

A descrição desta sociedade que ficou depois do chamado Colapso faz lembrar duas coisas: as primeiras sociedades recoletoras, com aquele instinto de sobrevivência, a procura da luz, da comida e mesmo da linguagem; e o mundo dos zombies, tantas vezes descrito na literatura e no cinema/televisão.

O livro começou bem, gostei da interação entre os personagens e o Feed. No entanto, achei a questão do chip demasiado confusa. Não se encontra muito bem explicado o que ele fazia e como. A sinopse diz que não existem crimes e fraudes, mas isso nunca é explicado no decorrer do livro, mesmo quando o Feed  deixa de existir.

No meio, a história começou a aborrecer-me um pouco, porque parecia que estava estagnada na luta por encontrarem recursos, sem nunca serem mortos, sem nunca acontecer algo de verdadeiramente revelador.

A escrita do autor é muito bonita, o que permite ter aqui um contraste: algo tão duro, como o declinar de uma sociedade, com pensamentos, sentimentos e emoções que nos fazem ter empatia para com os personagens.

É um livro com uma história muito criativa, com um bom argumento por detrás e com bons personagens. No entanto, na minha opinião, peca um pouco pela ausência de algumas explicações que permitiriam ao leitor entrar de cabeça neste novo mundo.

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Sem saída – Taylor Adams… por Andreia Silva

39330438SINOPSE: Um thriller vertiginoso, repleto de reviravoltas inesperadas e com um final surpreendente.

Uma forte tempestade de neve.

Darby Thorne é uma estudante universitária que se encontra a viajar de carro no meio das Montanhas Rochosas, desesperada para ir ter com a mãe ao hospital. Quando é atingida por um forte nevão, Darby é obrigada a permanecer numa área de repouso junto à estrada.

Quatro estranhos e uma criança raptada.

Darby percebe que terá de pernoitar ali, juntamente com quatro estranhos. Até que descobre uma menina numa jaula dentro de um dos carros estacionados em frente à área de repouso. Quem é aquela criança? Porque se encontra presa? E qual dos quatro estranhos será o raptor?

Sem saber em quem confiar, o que fazer?

Não há rede de telemóvel, as linhas telefónicas não funcionam e não há por onde fugir, pois as estradas encontram-se cortadas devido à tempestade de neve. Em quem poderá Darby confiar e como irá ela salvar a criança?

OPINIÃO: Um grande nevão, uma cabana de descanso no meio do nada, desconhecidos e um carro com uma menina presa numa gaiola. É isto que Darby enfrenta numa noite onde tudo o que queria era chegar ao hospital onde a mãe vai ser operada.

Não gostei muito da protagonista, inicialmente. Achei-a demasiado ingénua e precipitada, um tanto ou quanto infantil. No entanto com o decorrer da história entendi que de ingénua não tinha nada. A forma como ela enfrenta a situação está muito bem explorada na sua personalidade e Darby não foi construída para ser uma heroína forçada, em que tudo o que pensa corre da maneira esperada.

O livro acontece apenas durante uma madrugada, mas dá a sensação de ser muito mais. Os capítulos estão tão bem interligados que não se dá pelo tempo passar (literalmente!). Quando pensei que já tinha toda a história desenrolada na minha cabeça, tudo muda. E isto aconteceu mais do que uma vez.

É de louvar um livro que, tendo um tempo de acção tão curto, arranje espaço no enredo para surpreender tanto o leitor.

Não contava com o ritmo alucinante das últimas cem páginas e muito menos com toda a imprevisibilidade que as evidenciou. O desvendar desta história apanhou-me desprevenida. Nunca estive a contar com aquilo (acabei por reler uma página para entender exatamente o que o autor queria realmente dizer com aquelas linhas).

Este livro é muito bom, mesmo. Ideal para quem quer se esquecer do mundo e ficar dentro daquela cabana no meio da neve, para quem procura sentir tudo o que foi sentido pelas personagens: o medo, a angústia, o pânico e por fim, a esperança!

5 estrelas!

Carbono alterado – Richard Morgan… por Andreia Silva

38495149SINOPSE: Uma mistura violenta e frenética de William Gibson, cinema japonês, policial negro e “Blade Runner”. No século XXV é difícil morrer para sempre. Os humanos têm um stack implantado nos corpos onde a sua consciência é armazenada, podendo fazer download para um novo corpo sempre que necessário. Quando o multimilionário Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs para descobrir quem assassinou o seu último corpo, o caso parece bicudo: a polícia diz que foi suicídio, Bancroft tem a certeza que não. A consciência de Kovacs, cujo último corpo acabara de ter uma morte violenta, é inserida no corpo de um polícia para investigar o caso. E, para o resolver, Kovacs terá de destruir inimigos do passado e lidar com a atracção por Kristin Ortega, a mulher que amava o corpo onde ele agora se encontra. Num mundo onde a tecnologia oferece o que a religião apenas promete, onde os interrogatórios em realidade virtual significam que se pode ser torturado até à morte e depois recomeçar de novo, e onde existe um mercado negro de corpos, Kovacs sabe que a última bala que lhe desfez o peito é apenas o começo dos seus problemas…

OPINIÃO: No século XXV, a noção de morrer é mudar de corpo. A consciências é armazenada e colocada em espera para ocupar um novo recetáculo.

Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs, que ocupa um corpo novo para investigar a morte daquele. Laurens diz que foi assassinado, mas a polícia está convencida de que se tratou de suicídio.

A ideia do livro é muito interessante. Faz-nos pensar numa espécie de reencarnação, ainda que diferente daquela que os cristãos proclamam, e se a sociedade evoluirá neste sentido.

No entanto, apesar da ideia ser criativa e de incentivar o leitor a ler, a querer saber mais, a querer descobrir o desenrolar dos acontecimentos, o livro é demasiado mastigado e faz com que se perca o interesse. A investigação de Kovacs fica muitas vezes perdida no meio de enredos secundários, que não sendo relevantes afastam o leitor.

Este tipo de enredo, de pura ficção científica, não é para qualquer leitor. Falando especificamente deste livro, a abundância dos conceitos técnicos e a descrição da sociedade tal como o autor a imaginou não permite que a leitura seja fluída.

Para os amantes deste género literário, acredito que será um livro que agradará sobremaneira, até porque tem uma coisa boa: permite ao leitor alienar-se na totalidade do espaço e do tempo em que se encontra.

A mim não me cativou o suficiente para ter gostado do livro na sua totalidade.

As sombras de Leonardo Da Vinci – Christian Gálvez… por Andreia Silva

39080980SINOPSE: Século XVI. Os conflitos pelo poder nos Estados Italianos crescem ao mesmo tempo que as artes prosperam. A Igreja e famílias como os Médici e os Sforza detêm o domínio do território e das riquezas. Savonarola ganha seguidores. Verrocchio, Botticelli, Miguel Ângelo e Rafael são artistas respeitados.
Florença é casa dos Médici e berço desta ebulição cultural. O criativo e genial Leonardo da Vinci finalmente começa a criar nome, tem o seu próprio ateliê e clientes e liberdade para desenvolver a sua arte e as suas invenções. Mas uma acusação anónima de sodomia obriga-o a abandonar os seus planos e a cidade das artes.
Invejas e medos, ignorância e corrupção, sofrimento e perseguição. Quando Leonardo percebe que nada do que parece ser é e que os inimigos podem estar em qualquer lugar, debate-se entre a vontade de triunfar e o desejo de vingança, entre o homem pecador e o génio inventivo, entre o passado e o futuro.

Este é um romance histórico com uma extensa pesquisa por trás, em que as descrições e os grandes nomes da época criam o ambiente perfeito para conhecermos melhor o homem por trás de toda a genialidade.

OPINIÃO: Em pleno Renascimento, no meio de uma Florença que respira arte, temos o nascimento de um artista que como qualquer génio tem adoradores, mas também muitos inimigos. Quando Leonardo Da Vinci é acusado de sodomia e sofre na pele o ódio das pessoas, muda-se, numa tentativa de continuar com as suas criações. Contudo, acompanha-o o desejo de vingança, que está enraizado dentro de si.

Neste romance histórico ficou bem patente, desde o início, a intensa e aprofundada investigação documental que o autor fez para a construção deste enredo. Desde as datas, aos locais onde cada cena é descrita e, principalmente, não há como não notar de que todos os personagens estão muito bem contextualizados. Estes dão à história uma grande credibilidade e criam o cenário ideal à volta do enredo.

Confesso que gostei mais do início e do fim do que propriamente do meio do livro. A história do Da Vinci é de facto, interessante.

Gostei especialmente de conhecer o crescimento pessoal de alguém que não foi apenas um pintor, mas que se dedicou ao conhecimento em geral porque tinha uma grande sede de saber. De conhecer como este homem pensou nas suas maiores e mais conhecidas obras e de como as arquitetou de forma a ainda hoje serem apreciadas.

Pelo meio, a história arrastou-se porque a narrativa de capítulo a capítulo era redundante. Há lugar muitas analepses, que saltam do presente para passado de forma constante.

Na globalidade, é um livro bom. No entanto, dentro do género não é dos meus favoritos.

O silêncio – Fiona Barton… por Andreia Silva

36477118SINOPSE: Quando um parágrafo num jornal revela uma tragédia com décadas, a maioria dos leitores quase nem se apercebe. Mas, para três estranhos, é impossível ignorar…

Numa demolição em curso de uma velha casa de classe média em Londres, um trabalhador descobre um esqueleto minúsculo, que parece estar enterrado há anos. Para a jornalista Kate Waters, é uma história que lhe chama a atenção. Escreve uma notícia para o jornal onde trabalha, mas sente que faltam muitas respostas, e a pergunta que lhe surge é: quem é o bebé sepultado?

À medida que Kate investiga, descobre ligações com um crime que abalou a cidade há anos: um bebé recém-nascido foi raptado da maternidade de um hospital local e nunca foi encontrado. Os pais ficaram devastados pela perda e ausência de respostas.

Mas há muito mais nesta história e Kate investiga a casa e o passado das pessoas que moraram no bairro e que se recusam a falar do grande mistério do rapto da criança.
E Kate depressa se encontra na posse de segredos inesperados que surgem das vidas de três mulheres – e divididos entre o que ela pode e não pode contar…

 

OPINIÃO: É encontrado numa escavação um esqueleto de um bebé, o que gera um ambiente de choque e estupefação.

Para a jornalista Kate Waters é uma nova oportunidade para voltar à ribalta do jornalismo (Kate caiu no esquecimento desde o caso que lemos em “A Viúva”). No entanto, quando começa a esgravatar no passado das mulheres ligadas ao local vai descobrindo segredos.

Tal como no livro anterior, este thriller é feito a pensar num leitor que gosta de ser levado através das páginas aos bocadinhos. Isto porque, com os capítulos pequenos e com o suspense refletido no final de cada um, há sempre um convite ao leitor para continuar a ler, nem que seja apenas só mais um pouco.

Agradou-me mais este enredo do que o do volume anterior. A questão à volta do bebé foi muito aliciante.

Todos os saltos entre as diferentes vozes femininas à volta deste suspense não me permitiram perceber tudo logo de início. Apesar de, por vezes, ter achado que tinha adivinhado o desfecho.

Mas nunca estive sequer perto de adivinhar como a história iria acabar. As últimas páginas, o desfecho do enredo, deixaram-me, literalmente de boca aberta. Não me tinha surgido na mente. Porém, fez todo o sentido.

É um excelente livro para quem gosta de resolver mistérios. Aviso de antemão que, muito provavelmente, não vai conseguir resolver este até que chegue ao final da história.