A mulher inocente – Amy Lloyd

39788072SINOPSE: Há vinte anos Dennis Danson foi preso pelo brutal assassínio de uma jovem na Florida, no condado de Red River.
Na actualidade é o assunto de um documentário resultante de um frenesi on-line para descobrir a verdade e libertar o homem que foi injustamente acusado.

A muitos quilómetros, em Inglaterra, Samantha é obcecada pelo caso de Dennis e começa a corresponder-se com ele. Sam depressa cai enfeitiçada pelo charme e bondade que ele tem para com ela. Decide rumar a Red River, para trabalhar na sua libertação e casar com ele.

Mas quando a campanha é bem-sucedida e Dennis é libertado, Sam começa a descobrir pormenores que sugerem que afinal ele pode não ser assim tão inocente.

Mas como confrontar o marido quando não se quer descobrir a verdade?

OPINIÃO: No final da década de 60, sete pessoas morreram de forma macabra às mãos de um grupo de fanáticos. Charles Manson era o líder e foi condenado à pena de morte, apesar de não ter estado presente quando se deram os homicídios. No entanto, a pena de morte sofreu uma suspensão no início da década de 70 na Califórnia e Charles Manson saiu do corredor da morte, tendo sido a sua pena comutada em prisão perpétua.

Charles Manson era visto como o diabo em pessoa, uma vez que mesmo tendo sido provado que não terá tido parte ativa nos homicídios, o júri considerou-o extremamente perigoso por ser capaz de convencer tanta gente a matar por si. Mesmo assim, foi condenado como homicida, o que gerou ondas de polémica em torno deste caso. Ganhou fãs pelo mundo, recebendo cartas e visitas de completos desconhecidos que o idolatravam.

Foi na sequência dessa correspondência e visitas que Manson conheceu Afton Elaine Burton. Esta mulher, 50 anos mais nova do que Manson, passou de fã a noiva. Contudo, o noivado terá sido desmanchado posteriormente por opção de Manson.

Foi esta a história que me ocorreu mal li a sinopse deste livro. Abri-o e após algumas linhas apareceu o nome do recluso: Dennis Danson. Ainda fiquei mais intrigada.

Recordo-me de ver algumas notícias reais acerca de Afton, de 26 anos, que estaria iludida com este monstro ao ponto de não conseguir vê-lo como tal. E foi com essa ideia que entrei no enredo deste livro. Não sei se esta é a base real que inspirou a autora, mas decidi expor o meu palpite a título de curiosidade.

Sam é a nossa protagonista. É ela o centro desta história e o ponto em que tudo se foca. Infelizmente, é uma personagem extremamente irritante. Atenção! Não é inverosímil, porque há pessoas assim. No entanto, a sua falta de auto-estima é angustiante. Sam é levada de uma carência que a torna egoísta e ciumenta. Quase que chegamos ao ponto de desejar que ela leve com um verdadeiro “abre-olhos”. Não sei se Sam está iludida ou se é simplesmente patética. A verdade é que esta mulher muda toda a sua existência em prol de um “amor” por um homem que não conhece, mas que pensa conhecer.

A primeira parte do livro aborda a dinâmica levada a cabo para a libertação de Dennis. Provas inconclusivas, reabertura do processo, fanatismo… É interessante perceber como nos EUA toda a gente é jurista, toda a gente percebe de leis e de justiça. Não é que na Europa isso não aconteça, mas ninguém lhes dá importância. Felizmente, aqui, muito dificilmente se dará ouvidos aos que os leigos apregoam, ao contrário do que acontece nos EUA.

A segunda parte do livro debruça-se sobre a saída de Dennis e a sua adaptação ao mundo exterior. Devo dizer que, aqui sim, me soou muito estranha a personalidade de um homem que esteve preso durante 20 anos num estabelecimento de alta segurança. São exploradas alguma possíveis mazelas psicológicas que ele terá sofrido e avanços culturais que terá perdido, mas não mais do que isso. Chega a um ponto (demasiado rápido), em que ele parece ter esquecido que viveu 20 anos (!) enclausurado, apesar de manter o fascínio infantil pela evolução tecnológica. Não se conhece nenhum pormenor do que terá sido a vida de Dennis nos últimos 20 anos. Somos levados um bocadinho ao passado antes da detenção e saltamos para a vida após a libertação. Torno a repetir: foram 20 anos! Não aconteceu nada de relevante em 20 anos?

Quanto ao desfecho, imaginei mil e uma coisas para justificar o comportamento que todos os leitores se irão questionar ao longo do livro. Comecei a achar uma coisa e foi-me entregue uma bem pior. Estava longe de lá chegar, porque também não foram deixadas muitas pistas neste sentido. O motivo é bom tinha pernas para andar, mas também não foi explorado; foi atirado no fim da história aos leitores. “Tomem lá, era por causa disto!” E ficou por aí. A autora podia ter chocado, podia ter explorado esse facto, deixado o leitor com a história presa na mente. Podia ter-nos repugnado, sem precisar escrever muito mais, sem precisar de acrescentar muito mais à história. Era plantar um pouquinho ali e acolá e a coisa funcionaria na perfeição quando se desse o clique no final. Afinal isto não é um thriller? Não era suposto que se entrasse num ambiente de loucura e de horror? Alguns sintomas sintomas poderão estar na história, mas não suficientemente caracterizados para estarem ligados ao tal motivo. Podia ser tanta coisa! Aliás, se era isso realmente, haveriam mais apetites, mais evidências. Cheguei à conclusão de que deve ter faltado a coragem à autora para enveredar por uma reflexão minuciosa (que acontece no processo de escrita) em torno desse tema. Ela protegeu-se e acabou por nos proteger a nós, que não queríamos ser protegidos. Foi deixada uma sugestão, sem pormenores suficientes para que o leitor pudesse imaginar o resto. O leitor pode optar por saltar linhas para se proteger, o escritor não o deve fazer, pois corre o risco de amparar a queda de quem a procura (na leitura, claro).

O derradeiro final está em sintonia com a personalidade de Sam, que foi construída ao longo do livro, e o seu último comportamento mereceu da minha parte um facepalm. Haja criaturas estranhas neste mundo!

Gostei da premissa, mas achei que a história tinha muito mais potencial do que o que foi realmente aproveitado.

P.S. : Adoro a capa!

 

 

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Sem rasto – K.L. Slater

38372356SINOPSE: Para Toni, Evie é a coisa mais importante do mundo
Quando perdeu o marido na guerra, Toni tomou medidas para começar tudo de novo e dar à filha, Evie, uma vida melhor.
Mudou-se para uma cidade diferente, arranjou um novo emprego e mudou a filha para outra escola.
Mas há coisas más que não param de acontecer
O recomeço está a ser difícil. Evie não gosta da escola, os vizinhos têm antecedentes criminais e a nova chefe é terrível. Para conseguir lidar com tudo isto, Toni começa a abusar de sedativos.
Quando fecha os olhos, as horas desaparecem e o descanso torna-se possível. É quando algo terrível acontece.
E agora Evie desapareceu
Ninguém sabe onde Evie está e não há pistas, nem suspeitos. Toda a gente culpa Toni, que rapidamente é vista pela opinião pública como uma mãe irresponsável e toxicodependente. Mas ela tem a certeza de não ter feito nada de errado. Ou será que fez?

OPINIÃO: Ser mãe não é fácil.

A partir do momento em que engravidamos, somos rodeadas de “especialistas” por todo o lado. Não é difícil encontrar pessoas que nos digam que a carne mal passada faz mal, a salada mal lavada pode transmitir toxoplasmose… Mas os verdadeiros génios só aparecem depois, quando a criança nasce e as nossas hormonas estão do avesso. É aí que nos avisam que a criança tem fome, que está muito frio, que está muito agasalhada, que devia ter um casado vestido, que devia estar em casa porque não são horas para andar na rua, que naquele sítio está muito fumo, que não se deve incutir a chupeta, que o leite materno é o melhor… O que era de nós, mães, sem os génios?

Assim, as nossas crianças vão crescendo, sendo as mães aconselhadas à exaustão, até que começam a andar e a viver socialmente. Criança cai, criança foge, criança magoa-se. Os génios apontam o dedo. Mas os génios dizem que a mãe também precisa de viver a sua vida, torcendo o nariz ao saberem que a criança pernoitou na casa da avó. Os génios dizem que a escola só faz bem, mas esboçam caretas se a criança tem de lá ficar até às seis da tarde. A mãe controla-se muitas vezes para não perguntar aos génios se eles não querem pagar-lhe as contas de casa, para que a criança possa vir para casa mais cedo. Também não questiona os génios se também abdicaram de si mesmos para viver em função dos filhos. Porque estes génios ou são pessoas que não os têm, ou que foram desgraçadamente infelizes durante a infância dos filhos, ou que já se esqueceram de como é ter crianças pequenas para criar.

Em tempos, os menores eram negligenciados. Hoje, são super-protegidos.

Para que serviu esta introdução? Para mostrar o quanto me enervaram os génios desta história.

Toni não está bem. Perdeu o marido e viu-se, de repente, com os seus projetos de vida destruídos, cheia de dívidas e com uma filha pequena para criar. À semelhança de muitas mães, Toni só pode contar com o apoio da própria mãe. No entanto, os avós tendem a ser criaturas demasiado mansas e permissivas. Aquela educação que nós vivemos nas suas mãos, os castigos, as palmadas, as restrições, as intransigências que odiávamos (mas que hoje entendemos e agradecemos), passa a ser monstruosa aos olhos de quem a praticou. Desautorizar os pais é recorrente e é morosa a tarefa de lhes transmitir que não podem fazer isso. No entanto, a mãe de Toni tem-na na mão. Sem ter essa intenção, a avó acaba por levar a sua filha a um estado de ansiedade ainda maior porque Toni não pode simplesmente reivindicar a criança temporariamente para que se perceba que ela é a mãe. Toni precisa dela, e isso dificulta o processo.

Esta avó está toldada pelos encantos da neta, de tal modo que não parece perceber que a filha está a cair numa teia complicada de emoções. A criança não é só a sua prioridade, mas a sua única preocupação. Quando parece perceber que a filha não se encontra no seu melhor estado, esquece-se de apoiá-la, porque Evie é sempre chamada à conversa. Toni precisa de voltar a se sentir ela mesma, precisa de combater o luto, de encontrar uma vida própria que a ajude a dispersar a depressão que se tem vindo a instalar nela desde que o marido morreu. Mas é forçada a preocupar-se com aspetos da vida da filha que estão bem!

Devido à propensão da avó para ser “génio” e de avisar Toni de tudo e mais alguma coisa acerca do (que ela acha ser o) bem-estar da neta, esta negligencia um conselho mais atento. Esta característica da avó, tão verosímil e tão bem caracterizada, acaba por levar Toni a enveredar em situações complicadas, uma vez que acaba por reivindicar o seu estatuto de mãe, ficando sozinha com Evie nos momentos em que devia pedir ajuda. A falta de apoio e atenção por parte dos outros em relação ao seu estado de espírito tão frágil, levam Toni a expor Evie a certos perigos.

O título original é “Blink”. Isto leva-me a pensar que não estarei muito longe daquilo que a autora quis passar com esta história. Por mais que estejamos atentos, por mais que amemos os nossos filhos e os queiramos proteger, bastar um piscar de olhos para que tudo desmorone. O problema é que Toni também errou com Evie, e os dedos são apontados com desprezo.

Com tudo isto, Toni está confusa, já não consegue filtrar a conversa dos “génios”, já não consegue distinguir o que eles dizem com razão e o que é pura intromissão. Torna-se, assim, um alvo fácil.

Foi duro assistir ao declínio desta mãe, porque é um cenário muito possível. Apontar o dedo a Toni é ser cruel, porque há momentos em que todos podemos vir a precisar de uma força exterior que nos puxe com bondade para fora do buraco. Nestas situações de desamparo total qualquer mão é suscetível de ser segurada e é nesses momentos que podem aparecer diabos com rosto de anjo.

Esta história é envolvente porque se centra mais no processo que levou ao desaparecimento de Evie do que do próprio rapto em si. Não é um enredo policial que nos leva a seguir pistas. É uma vida contada página a página, até ao momento em que tudo cairá por terra. Assistimos ao passado, à forma como tudo aconteceu, sempre com aquele conhecimento de que Evie foi raptada.

A meio do livro há uma reviravolta que eu não contava, que acentua a curiosidade. A partir daqui, as páginas voam.

Contudo, devo dizer que o final não me satisfez. Achei-o apressado e o climax foi construído de forma um pouco conveniente no que diz respeito ao tempo e ao lugar onde as personagens de repente foram parar.

É um thriller que se mistura com drama familiar. Tem mistério e aguça a curiosidade. Gostei sobretudo do facto de não se debruçar sobre nenhuma profissão em particular (polícia, jornalista, advogado…), mas de se centrar numa mulher comum com problemas palpáveis. Torna mais fácil que o leitor se identifique e que sofra com ela.

Este é o segundo livro da autora publicado em Portugal, sendo o primeiro “A salvo comigo” (opinião pela Andreia Silva AQUI!), também pela Topseller.

Quando a luz se apaga – Nick Clark Windo… por Andreia Silva

 

transferirSINOPSE: Bem-vindo ao incrível mundo do Feed!

Com apenas um pequeno chip, implantado no cérebro dos bebés ainda antes de nascerem, todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos. Crimes violentos? Fraude? Impossível, tudo o que vemos é registado no Feed. Desaparecimentos? Faltas? Já não existem, o Feed põe-nos a todos em contacto. Esquecimentos? Distrações? Coisa do passado, o Feed não se esquece de nada.

Até ao dia em que o Feed é desligado.

Nesse dia, o Presidente dos Estados Unidos é assassinado, em direto, para todo o mundo. Pouco depois, o Feed cai. Já não há livros. Já ninguém tem computadores. Já ninguém se lembra, sequer, de como consertar as coisas mais simples. Toda a informação estava guardada no Feed. Sem ele, a civilização desaba.

E tu, quem serás sem o Feed?

Desesperados por reconstruírem alguma forma de subsistência, os grupos de sobreviventes espalham-se, desconfiados uns dos outros, paranoicos e sem rumo. Conseguirão reerguer a Humanidade?

Combinando a atmosfera distópica de Walking Dead com o potencial destrutivo da tecnologia de Black Mirror, Nick Clark Windo apresenta-nos todo um novo mundo.
Ao retirar tudo às suas personagens, tira completamente o fôlego ao leitor.

OPINIÃO: No mundo apresentado neste livro existe uma sociedade diferente (futurística?). Os bebés nascem com um chip implantado no cérebro que resolve todos os maus problemas do mundo, além de não deixar existir esquecimentos ou distrações. Esse chip chama-se Feed e depois do Presidente dos EUA ser assassinado, ele cai. E agora? Como sobreviver num mundo onde ninguém sabe sequer o que o mal significa?

A descrição desta sociedade que ficou depois do chamado Colapso faz lembrar duas coisas: as primeiras sociedades recoletoras, com aquele instinto de sobrevivência, a procura da luz, da comida e mesmo da linguagem; e o mundo dos zombies, tantas vezes descrito na literatura e no cinema/televisão.

O livro começou bem, gostei da interação entre os personagens e o Feed. No entanto, achei a questão do chip demasiado confusa. Não se encontra muito bem explicado o que ele fazia e como. A sinopse diz que não existem crimes e fraudes, mas isso nunca é explicado no decorrer do livro, mesmo quando o Feed  deixa de existir.

No meio, a história começou a aborrecer-me um pouco, porque parecia que estava estagnada na luta por encontrarem recursos, sem nunca serem mortos, sem nunca acontecer algo de verdadeiramente revelador.

A escrita do autor é muito bonita, o que permite ter aqui um contraste: algo tão duro, como o declinar de uma sociedade, com pensamentos, sentimentos e emoções que nos fazem ter empatia para com os personagens.

É um livro com uma história muito criativa, com um bom argumento por detrás e com bons personagens. No entanto, na minha opinião, peca um pouco pela ausência de algumas explicações que permitiriam ao leitor entrar de cabeça neste novo mundo.

Sem saída – Taylor Adams… por Andreia Silva

39330438SINOPSE: Um thriller vertiginoso, repleto de reviravoltas inesperadas e com um final surpreendente.

Uma forte tempestade de neve.

Darby Thorne é uma estudante universitária que se encontra a viajar de carro no meio das Montanhas Rochosas, desesperada para ir ter com a mãe ao hospital. Quando é atingida por um forte nevão, Darby é obrigada a permanecer numa área de repouso junto à estrada.

Quatro estranhos e uma criança raptada.

Darby percebe que terá de pernoitar ali, juntamente com quatro estranhos. Até que descobre uma menina numa jaula dentro de um dos carros estacionados em frente à área de repouso. Quem é aquela criança? Porque se encontra presa? E qual dos quatro estranhos será o raptor?

Sem saber em quem confiar, o que fazer?

Não há rede de telemóvel, as linhas telefónicas não funcionam e não há por onde fugir, pois as estradas encontram-se cortadas devido à tempestade de neve. Em quem poderá Darby confiar e como irá ela salvar a criança?

OPINIÃO: Um grande nevão, uma cabana de descanso no meio do nada, desconhecidos e um carro com uma menina presa numa gaiola. É isto que Darby enfrenta numa noite onde tudo o que queria era chegar ao hospital onde a mãe vai ser operada.

Não gostei muito da protagonista, inicialmente. Achei-a demasiado ingénua e precipitada, um tanto ou quanto infantil. No entanto com o decorrer da história entendi que de ingénua não tinha nada. A forma como ela enfrenta a situação está muito bem explorada na sua personalidade e Darby não foi construída para ser uma heroína forçada, em que tudo o que pensa corre da maneira esperada.

O livro acontece apenas durante uma madrugada, mas dá a sensação de ser muito mais. Os capítulos estão tão bem interligados que não se dá pelo tempo passar (literalmente!). Quando pensei que já tinha toda a história desenrolada na minha cabeça, tudo muda. E isto aconteceu mais do que uma vez.

É de louvar um livro que, tendo um tempo de acção tão curto, arranje espaço no enredo para surpreender tanto o leitor.

Não contava com o ritmo alucinante das últimas cem páginas e muito menos com toda a imprevisibilidade que as evidenciou. O desvendar desta história apanhou-me desprevenida. Nunca estive a contar com aquilo (acabei por reler uma página para entender exatamente o que o autor queria realmente dizer com aquelas linhas).

Este livro é muito bom, mesmo. Ideal para quem quer se esquecer do mundo e ficar dentro daquela cabana no meio da neve, para quem procura sentir tudo o que foi sentido pelas personagens: o medo, a angústia, o pânico e por fim, a esperança!

5 estrelas!

Carbono alterado – Richard Morgan… por Andreia Silva

38495149SINOPSE: Uma mistura violenta e frenética de William Gibson, cinema japonês, policial negro e “Blade Runner”. No século XXV é difícil morrer para sempre. Os humanos têm um stack implantado nos corpos onde a sua consciência é armazenada, podendo fazer download para um novo corpo sempre que necessário. Quando o multimilionário Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs para descobrir quem assassinou o seu último corpo, o caso parece bicudo: a polícia diz que foi suicídio, Bancroft tem a certeza que não. A consciência de Kovacs, cujo último corpo acabara de ter uma morte violenta, é inserida no corpo de um polícia para investigar o caso. E, para o resolver, Kovacs terá de destruir inimigos do passado e lidar com a atracção por Kristin Ortega, a mulher que amava o corpo onde ele agora se encontra. Num mundo onde a tecnologia oferece o que a religião apenas promete, onde os interrogatórios em realidade virtual significam que se pode ser torturado até à morte e depois recomeçar de novo, e onde existe um mercado negro de corpos, Kovacs sabe que a última bala que lhe desfez o peito é apenas o começo dos seus problemas…

OPINIÃO: No século XXV, a noção de morrer é mudar de corpo. A consciências é armazenada e colocada em espera para ocupar um novo recetáculo.

Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs, que ocupa um corpo novo para investigar a morte daquele. Laurens diz que foi assassinado, mas a polícia está convencida de que se tratou de suicídio.

A ideia do livro é muito interessante. Faz-nos pensar numa espécie de reencarnação, ainda que diferente daquela que os cristãos proclamam, e se a sociedade evoluirá neste sentido.

No entanto, apesar da ideia ser criativa e de incentivar o leitor a ler, a querer saber mais, a querer descobrir o desenrolar dos acontecimentos, o livro é demasiado mastigado e faz com que se perca o interesse. A investigação de Kovacs fica muitas vezes perdida no meio de enredos secundários, que não sendo relevantes afastam o leitor.

Este tipo de enredo, de pura ficção científica, não é para qualquer leitor. Falando especificamente deste livro, a abundância dos conceitos técnicos e a descrição da sociedade tal como o autor a imaginou não permite que a leitura seja fluída.

Para os amantes deste género literário, acredito que será um livro que agradará sobremaneira, até porque tem uma coisa boa: permite ao leitor alienar-se na totalidade do espaço e do tempo em que se encontra.

A mim não me cativou o suficiente para ter gostado do livro na sua totalidade.