Despertar – Stephen King

36526739SINOPSE: Numa pequena cidade da Nova Inglaterra, há mais de meio século, uma sombra desce sobre um rapazinho que brinca com os seus soldadinhos de chumbo. Jamie Morton ergue os olhos e vê um homem espantoso, o novo pastor. Charles Jacobs, juntamente com a sua bela mulher, vão transformar a igreja da comunidade. Todos os homens e rapazes estão um bocadinho apaixonados pela senhora Jacobs; as mulheres e as raparigas sentem o mesmo em relação ao reverendo Jacobs, incluindo a mãe e a irmã de Jamie.

O reverendo partilha um laço mais profundo com Jamie, que tem como base uma obsessão secreta. Quando a família Jacobs é assolada pela tragédia, o carismático pastor amaldiçoa Deus, apouca toda a crença religiosa e é banido de uma cidade em choque. Jamie tem os seus próprios demónios. Apaixonado pela guitarra desde os treze anos, toca em bandas pelos Estados Unidos, vivendo uma vida nómada de rocker em fuga da família e da sua terrível perda.

Aos trinta anos, viciado em heroína e desesperado, volta a encontrar Charles Jacobs, e as consequências deste encontro serão profundas para os dois homens. A sua ligação torna-se um pacto para lá do diabólico e Jamie descobre os vários sentidos de «despertar». Um romance rico e perturbador que se estende por cinco décadas até o desfecho mais aterrador, que um dos melhores de King alguma vez escreveu.
Despertar de Stephen King
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Hipnotizante.»
Publishers Weekly

OPINIÃO: Conheces a sensação se seres arrancado do teu sossego e de te veres envolvido de tal forma numa história que os espaços em que tens de viver a tua vida são os intervalos e não o contrário?

Ai, Stephen King, aquela vénia que te dedico a cada livro que leio…

“Despertar”, ou “Revival” no original, conta a história de vida de Jamie e da sua perda.

Jamie é apenas uma criança quando conhece o Reverendo Charles Jacobs, e muitos anos se passarão até que ele se aperceba da força com que este homem tocou a sua vida.

Uma tragédia assola a vida do reverendo. Consumado pela dor, O Reverendo faz “o” discurso. As palavras que profere irão marcar profundamente e irremediavelmente as mentes daquele povo. Sobretudo as mais jovens; Jamie entre estes.

Quando estes dois personagens se encontram novamente, Jamie está completamente perdido. O reverendo ajuda-o de uma forma que ligará estas duas personagens para sempre.

“Despertar” aborda temáticas difíceis. Somos transportados para reflexões profundas acerca da existência de Deus, do além e da justiça divina. Mais uma vez, a religião tem uma presença muito forte nas obras de King.

O enredo é denso e carregado das descrições a que os leitores do autor estão habituados. Stephen King explora todos os seus personagens, sejam protagonistas ou secundários, dando-nos sempre uma visão negra de cada um.

É uma história que se arrasta ao longo de uma vida. A cada página que virava, não parava de pensar para onde é que isto me ia levar. Sabia que, eventualmente, me surgiriam cenários mais macabros e que teria de respirar antes de prosseguir. Por vezes, eram apenas sugestões, peripécias contadas com uma voz leve e sem a força que o que é descrito exige. Isso é que é ainda mais arrepiante.

O terror é uma constante, seja na forma física ou psicológica. Apesar de muitas vezes não ser visual, há uma nuvem quase palpável de pessimismo a acompanhar esta narrativa.

O final levou-me a pensar muito no final do livro “It” e pergunto-me se estará relacionado. Sabemos que King cruza muitas vezes as suas histórias e estou inclinada a acreditar que o autor recuperou muito da sua voz em “It” para dar vida a este livro.

Os direitos para a produção cinematográfica de “Despertar” já foram adquiridos. Stephen King é o autor com mais livros adaptados ao ecrã e, na sua larga maioria, conseguem arrecadar legiões de fãs. Tanto os filmes como os livros transformam-se em ícones que conseguem atravessar o tempo. Já foram feitos alguns remakes das obras mais antigas (Carrie, It, A torre negra, entre outros) e os mais recentes não fugirão à regra. Estou desejosa de ver Russel Crowe na pele do Reverendo, na adaptação desta magnífica obra literária.

Sou suspeita, sou fã, Stephen King é o meu autor de eleição, mas arrisco ainda assim: se gostam de ler bons livros, bem escritos e emocionalmente fortes, leiam “Despertar” com a mente aberta. Deixem-se levar pelas questões lançadas. Mas, atenção!, não se deixem cair no abismo da “perda”.

 

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À morte ninguém escapa – M. J. Airlidge

25197261.jpgSINOPSE: O corpo de um homem é encontrado numa casa vazia.O seu coração foi arrancado e entregue à família. A detetive Helen Grace sabe que esta não será a última vítima de um assassino em série. Os media chamam-lhe Jack, o Estripador, mas ao contrário: este mata homens de família que vivem vidas duplas e enganam as suas mulheres.Helen consegue pressentir a fúria por detrás de cada assassínio. Mas o que ela nunca conseguirá prever é quão volátil na realidade este assassino é. Nem o que a aguarda no final desta caça ao homem.

OPINIÃO: E eu que dizia que não gostava de policiais!

Este é o segundo volume da série policial de Airlidge, que acompanha as investigações da agente Helen Grace. Podem ler a opinião do primeiro, “Um-dó-li-tá”, AQUI!

Depois dos acontecimentos de “Um-dó-li-tá”, Helen está fragilizada, tanto a nível pessoal como profissional. Muita coisa mudou e a agente está a sentir dificuldades em adaptar-se às novidades na esquadra. No entanto, alguém anda a matar homens que recorrem a prostitutas, deixando um cenário grotesco atrás de si. Não como Helen poder virar as costas a este caso.

As peças vão-se juntando aos poucos e, tal como acontece a Helen, somos muitas vezes enviados para armadilhas.

Agrada-me bastante que a história não se perca em demasia em pormenores técnicos e que explore as emoções dos personagens.

Os diálogos estão muito bem construídos. As palavras escolhidas, e a forma como são proferidas, estão em sintonia com as personalidades dos interlocutores.

Não é que eu seja muito fã do temperamento de Grace, mas partilho com ela as frustrações burocráticas e hierárquicas que a querem impedir de chegar ao cerne da questão. Os seus métodos são um pouco ortodoxos e a justiça, devido aos relatórios que têm de apresentar e às contas que têm de prestar a superiores, é pouco dada a movimentos geridos pelo instinto.

O desfecho é intrigante e, mais uma vez, somos brindados com uma narrativa fluída, cruel e estimulante. A revelação da identidade do assassino e dos seus motivos é o momento mais aguardado e é fácil criar expectativas que saem forjadas. Com este autor, ainda não me aconteceu.

Estou a fugir das séries, mas esta já me prendeu. O terceiro volume já me aguarda na estante e prevejo que me irei afundar novamente numa espiral de suposições que me irão surpreender no final.

Muito aconselhado!

Antes que seja tarde – Margarida Rebelo Pinto… por Andreia Silva

36612267SINOPSE: Neste novo livro de Margarida Rebelo Pinto encontramos três mulheres de gerações diferentes, desde os anos 60 até aos dias de hoje, com vidas sentimentais atribuladas e algo em comum: a atração pelo proibido.

Antes que seja tarde é um romance sobre o lado mais selvagem do amor, quando a paixão manda mais do que a razão e os sentidos falam mais alto. Os amores proibidos nunca caem na rotina, mas serão o caminho certo para o verdadeiro amor? O que fazer quando não se pode construir uma vida com quem se ama?

O destino cruzado destas 3 mulheres leva-nos a uma viagem alucinante sobre o lado obscuro das relações, onde a mentira, a traição e o adultério andam a par com a dignidade de uma grande história de amor.

 

OPINIÃO: “Antes que Seja Tarde” não conta apenas uma história, mas as histórias cruzadas de mulheres que têm uma coisa em comum: o amor por homens que nem sempre estão disponíveis física e emocionalmente para as amar, na mesma medida do amor que elas sentem por eles.

Já li alguns livros da autora e confesso que estava à espera de alguma evolução, não na escrita, mas no tipo de enredo.

As histórias que são contadas na primeira pessoa no início do capítulo são desabafos internos, ainda que alguns sejam reflexivos, de mulheres que sofrem e que perseguem a vontade de amar incondicionalmente.

Não há uma verdadeira acção associada. Isto não lhe tira a beleza,  mas fica a faltar algo mais para, por exemplo, poder atrair mais leitores.

Notei, ao longo da leitura, uma escrita um pouco contraditória, no sentido de haver um cruzamento de linguagens introspetivas e cuidadas com palavras mais rudes e um tanto grosseiras, especialmente de cariz sexual. Não que tenha algo contra, mas nos sítios onde foram colocadas destoam.

Na globalidade é um livro agradável de ser lido, que vai deliciar todos os corações românticos, principalmente aqueles que de momento sofrem. Não acrescenta nada de novo, nem nos faz saltar da cadeira, mas é um bom aconchego.

As raparigas esquecidas – Sara Blaedel… por Andreia Silva

30292213SINOPSE: Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher.Passam-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes.Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.

«Arrepiante! Um enredo fabuloso, pleno de personagens realistas!»

Publishers Weekly

 

OPINIÃO: Uma mulher é encontrada morta numa floresta dinamarquesa.  Apesar de ser facilmente identificável devido a uma cicatriz de elevado tamanho no rosto, o cadáver não é reclamado nem consta da lista de desaparecidos. A partir da foto divulgada pela agente Louise Rick, é revelado que esta mulher foi, na realidade, uma das “raparigas esquecidas” de uma instituição para doentes mentais.

O livro tem, à partida, uma premissa boa e provavelmente agradar-me-ia, visto ser um thriller nórdico e, por isso, macabro e surpreendente. Não me desiludiu nesse aspeto, mas faltou-lhe qualquer coisa para ser um livro de cortar a respiração. A investigação foi feita de uma maneira um pouco confusa e os factos escondidos não despertavam a curiosidade que se pretende neste tipo de livro.

Não gostei muito da agente de polícia, apesar da boa química que ela tem com o seu parceiro de investigação, o Eik. A ligação com o passado é patente e a resolução deste crime não é apenas uma questão de justiça social, mas de resolução pessoal da própria Louise. E é aqui que a confusão com a investigação acontece e isso não me agradou.

No entanto, o desfecho está muito bem conseguido e foi aqui que a autora prendeu a minha atenção. A partir daqui, apenas parei na última página.

Não esperava que fosse aquela personagem a culpada de todas aquelas tragédias…

É um bom policial, mas não me fez perder o sono.

Mirror mirror – Cara Delevingne&Rowan Coleman… por Andreia Silva

25552072_1740652172622564_8783898830653728469_nSINOPSE: O romance que vai deixar marca!
Romance sobre a amizade e a identidade e o facto de que as aparências podem enganar. Quando olhar para o espelho, o que vê?
Explora o complicado mundo da adolescência: amizade, amor, sexualidade, descoberta da identidade, triunfo, decepção…
Repleta de elementos pouco usuais, que deixarão admirados não só os fãs de Cara Delevingne como os que ainda não conheçam a polémica artista.

OPINIÃO: Durante uma adolescência particularmente difícil, Naomi, Leo, Red e Rose juntam-se e formam um banda, a Mirror, Mirror.

A banda muda a vida dos quatro. Estes jovens passam de miúdos perdidos a quase adultos com objetivos.

No entanto, um dia, Naomi desaparece e é encontrada entre a vida e a morte. A tentativa da descoberta do que aconteceu com ela altera, novamente, o rumo de todos eles.

O livro tem uma mensagem muito importante: a adolescência não é só borbulhas e paixonetas. A adolescência pode ser perigosa devido à vulnerabilidade das mentes que podem ser levadas para todo o lado. Digamos que este livro, lido por qualquer adolescente, poderá servir como alerta e como chamada de atenção para os perigos do mundo lá fora.

Gostei do mistério à volta do desaparecimento da Naomi e da evolução que isso causou nos personagens. Estão bem construídas, de tal forma que, no meio do livro, quase a chegar ao fim, percebi um facto sobre uma delas que não me tinha apercebido. Estava bem escondido, mas fez juntar algumas peças do puzzle e dar todo um sentido à história.

Apesar de ter um tanto de atmosfera negra e deprimente, não é um livro triste. Pode nos levar a sentira alguma solidariedade e empatia, mas é uma história que nos mostra a força de uma amizade e de cada um de nós para enfrentar o que nos faz mal. Sejamos adolescentes ou não…