O cobrador – Seth C.Adams

41003092SINOPSE: Esta é a noite. Chegou a hora.

Quando entrei na floresta pela primeira vez, era pouco mais do que uma criança. Tinha 13 anos, acabara de me mudar para uma pequena vila no Arizona, e o único amigo que tinha era o meu cão, o Bandit.

Foi assim que conheci os meus amigos, com quem formei o Clube dos Intrusos. O Bobby Gordo, o Jim e a Tara. Eles tornaram-se os meus melhores amigos. Tivemos alguns encontros desagradáveis com miúdos mais velhos armados em vilões, e com um polícia que provavelmente não devia ser autorizado a ter armas nem a usar distintivo. Tirando isso, divertimo-nos imenso.

Foi também assim que encontrámos um carro abandonado, bem no meio da floresta, onde ninguém ia. Ninguém exceto nós. Foi aí que as coisas começaram a piorar. No banco da frente, uma fortuna em notas. No porta-bagagens, um cadáver. Parecia ser um mistério divertido para resolver.

Mas depois… chegou o Cobrador.
Ele sabia o nosso segredo.
E as coisas nunca voltariam a ser iguais.

O nosso verão de inocência tornou-se um pesadelo.

«Intenso, aterrador e de fazer disparar o coração. Uma arrepiante estreia literária.» – Chris Curran, autora bestseller internacional

Esta é a noite. Chegou a hora.

OPINIÃO: A capa é misteriosa. Começo por aí porque é o primeiro factor que nos faz olhar duas vezes para um livro. O mercado é imenso e acabamos por ter que ser cada vez mais seletivos. Olhamos para as capas e só depois lemos a sinopse. Raramente acontece de outra forma, quando um livro é novidade e nunca ouvimos falar dele antes.

A sinopse tem ali um “quê” de mistério que aguça a curiosidade ainda mais: “O nosso verão de inocência tornou-se um pesadelo.” Hum… Começa a prometer…

Depois, o comentário: «Intenso, aterrador e de fazer disparar o coração. Uma arrepiante estreia literária.» Aqui já estou convencida! Emoções fortes? Eu procuro isso numa história. Adoro ser chocada e traumatizada com narrativas intensas, aterradoras, que nos fazem disparar o coração.

E depois, lá está o selo na capa que me arrebatou:

Para os fãs de Stranger Things… Gosto muito de Stranger Things e das referências que a série faz à realidade dos anos 80. Sou apaixonada pela Eleven e pelas suas batalhas interiores. Há uma dureza nas personalidades daquelas crianças que cativa público de qualquer idade.

E de IT… Aqui falou a minha língua! Para os fãs de IT? História mais aterradora, mais cruel. Ainda recordo algumas passagens. Ai, as descrições! Consigo ter 31 anos e sentir-me aterrorizada com aquele Pennywise.

E de O homem de giz… Bem… um livro que me surpreendeu pela positiva, que jogou muito com as influências de Stephen King, especialmente com IT. Ainda o recordo com respeito e tenho algumas memórias que ficaram comigo de algumas passagens bem chocantes.

O que podia correr mal nesta leitura, se é dirigida aos fãs destas 3 histórias?

Bem… aconteceu que este livro é juvenil.

A literatura juvenil destina-se à faixa etária que vai entre a infância e a adolescência. (É o que diz na net! Não estou a inventar!) Estamos a falar, talvez, de jovens dos 11 aos 15/16 anos, não?

Bem, vamos lá clarificar esta ideia. Estereotipar os livros ou filmes como juvenis e não lhes dar uma hipótese está errado! Que fique ciente de que eu não marco barreiras que dizem: “Ai, aquilo é para putos. Nem vou ler!” Eu leio livros juvenis e há livros juvenis muito bons! Mas o que não funciona é aliciar os leitores com uma expetativa e dar-lhes outra totalmente diferente.

Ora, o Stranger Things, no parents guide, oscila entre os M12 e os M16. É um público largo!

Já o IT é para M16. Amigos, este não engana ninguém.

Já O cobrador é um M12 e acredito que me agradaria imenso tê-lo lido com essa idade.

A história é narrada por Joey. Dá a ideia de que o protagonista é agora adulto e que recorda um verão marcante da sua infância. Porém, Joey perde-se a contar pormenores, peripécias e momentos do seu dia-a-dia. De como chegou à cidade, de como tem uma relação muito pouco saudável com a irmã, de como ama o seu cão, onde trabalha o pai, a feira… Isto alonga-se por páginas e páginas.

Então, no final da primeira parte (são 3), temos: um bullying, uns adultos mais idiotas, uns pais interessantes, um amigo gordo, um negro, uma floresta, um desconhecido, uma paixoneta e uma irmã mais velha. O cenário está montado para se parecer com as histórias referidas no selo da capa do livro. Mas as parecenças ficam por aí.

Em primeiro lugar, a narrativa está carregada de humor. É um humor infantil, que faria delícias aos olhos dos miúdos. O Joey é o maior! Ele é destemido, muito corajoso, dá peidos e arrotos (peço desculpa por mencionar isto, mas ele fala disto mais do que uma vez!) e faz o dedo do meio muitas vezes à irmã e às pessoas na rua que o aborrecem, só porque sim. E ele não é um bronco! É um puto esperto, inteligente. Aposto que muitos miúdos iam adorar o Joey. Afinal, ele também sabe lutar, foi pai que lhe ensinou. Pai este que dá uma coça a qualquer um, é livreiro e fornece-lhe desde pequeno uma coleção infindável de BD’s.

Depois, vem a parte das consequências. Aquelas mais básicas, que existem, que sabemos de senso comum, que surgem por tomarmos determinadas opções, tais como bater num agente de autoridade, mandar alguém para um hospital depois de lhe dar um enxerto de pancada e,… tentem responder a esta pergunta: o que acontece a um cão que ataca alguém com ferocidade a nosso mando? Hum? Alguém adivinha?

Pois… pelos vistos, nada! É fixe só…

O livro chama-se “O cobrador”, mas ele tem um papel tão curto na história que me leva a pensar no porquê de terem optado por este título. Aliás, (estou a erguer as mãos acima da cabeça de frustração!) há muita coisa que não entendo nesta história! Não houve uma revisão de conteúdo? Porque é que não há âncoras entre um capítulo e outro. Isto é, porque é que não se criaram momentos para cativar o leitor, para o incitar a ler o resto? A promessa de um castigo por parte de homens maus não me parece suficiente. Além de que estes pedaços do verdadeiro enredo, aquele que é prometido pela capa e pela sinopse, são sugados pelo extensoooo conteúdo acerca da vida do Joey.

Para finalizar, o autor tem uma escrita interessante. Joga bem com as palavras. Gostei muito das comparações, das metáforas que utiliza. São perspicazes e caem bem. Não posso dizer o mesmo dos diálogos, que me pareceram forçados. Especialmente, as palavras que saem da boca dos “maus”. Fizeram-me lembrar as saídas dos vilões dos desenhos animados que o meu filho vê na Sic K.

No que toca à história… bem… já disse o que tinha a dizer.

A Topseller tem apostas maravilhosas no seu catálogo. Este blogue tem imensos livros da editora comentados e, como poderão constatar, a larga maioria é digna de recomendação. São livros com lugar cativo na minha estante. Quanto a este, penso que deveria passar para a Topseller Bliss. Não faz sentido estar a aludir a qualidades que este livro não tem. Isso só vai induzir o leitor em erro e levá-lo a adquirir uma história que não vai corresponder às expetativas. Leiam-no, se quiserem, mas saibam para o que vão.

Se soubesse para o que ia, talvez não me tivesse desiludido tanto.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s