As raparigas perdidas – Simone St James

40584345SINOPSE: Vermont, 1950

Há um lugar para onde vão as raparigas que ninguém quer. As raparigas problemáticas, as filhas ilegítimas, aquelas que são demasiado espertas para o seu próprio bem. É uma escola chamada Idlewild Hall, que na vila se diz estar assombrada. Quatro colegas tornam-se amigas, sussurrando sobre os seus medos. Até que uma desaparece?

Vermont, 2014

Por muito que tente, a jornalista Fiona Sheridan não consegue deixar de revisitar os eventos que, há 20 anos, levaram à morte da sua irmã, cujo corpo foi encontrado nos jardins da abandonada Idlewild Hall. Apesar de o namorado da irmã ter sido julgado e condenado pela sua morte, Fiona tem a certeza de que algo ficou por contar?

Quando descobre que Idlewild Hall vai ser recuperada por um investidor anónimo, Fiona decide que é hora de escrever um artigo sobre a história, e desenterrar todos os seus segredos.

E, com eles, uma voz que se ouvia pelos corredores?

OPINIÃO: Oh Mary Hand, Mary Hand, que me levaste a visitar as memórias de um eu mais jovem que passou por uma fase em que mal fitava o espelho com medo de ver ali a Bloody Mary. A tua lengalenga, que mesmo se entoada nos pensamentos das meninas do colégio, levava-as a recear que tu ainda assim as ouvisses e te sentisses convidada a aparecer…

As raparigas perdidas é um livro de mistério, de abandono, de família, de perda e tem uma boa pitada de terror que não deixará nenhum leitor indiferente.

Estou na minha praia. Adoro histórias de fantasmas, e quanto mais subtis forem as aparições mais nervoso miudinho traz. As raparigas perdidas é um livro que não se foca exclusivamente em Mary Hand e na razão pela qual ela deambula por aquele colégio interno de meninas.  Se é um ponto forte na história, sim! A meu ver, por uma questão de gosto pessoal, o mais forte. Porém, além do espírito, há um crime, há quatro meninas com uma existência difícil, há História propriamente dita e também há um cadáver. Não há espaço para aborrecimento. Depois, com muita subtileza, Mary Hand vai dando ares da sua graça. As descrições são perspicazes, transportando-nos para lá. Também nós sentimos o dilema de enfrentar uma situação semlhante. Estamos mesmo a vê-la? Ela existe? O que raios é aquilo? Tenho medo, sei que sim, mas porquê? Porque não compreendo? O que é que ela quer!?

A história que está em volta de Mary Hand acaba por ser um pouco clichê, mas que importa? Funciona! Eu já tremia de expetativa de cada vez que alguém se aproximava do colégio. Isto porque já sabemos que ela lá está, já sabemos que ela não quer ser esquecida, que vai apresentar-se com toda a sua força a todos os intrusos que pisarem naquele local.

Quanto às personagens (vivas!), as passagens das meninas eram mais interessantes, mais emotivas, pelo que me interessei mais pelas analepses do que pelo tempo real do romance. As suas histórias de vida poderiam ter sido mais exploradas, isto porque simplesmente me soube a pouco o que fiquei realmente a conhecer sobre o que lhes aconteceu.

A personagem principal, Fiona, carrega um trauma que a torna um pouco cansativa. Todos os seus movimentos seguem o mesmo objetivo, que é perceber o que aconteceu realmente com a irmã. Não simpatizei com Fiona. Achei-a arrogante. Irritava-me um pouco aquela mania da independência total, quando no fundo acabava por precisar de toda a gente. São muitas as vezes em que ela permite que a teimosia tolde o seu raciocínio e a sua inteligência. Há ali uma espécie de hipocrisia da parte dela, que se quer distanciar do nome sonante do pai, para não sentir que a sua carreira progrediu devido ao facto de ser filha de quem é, mas, ao mesmo tempo, recorre a ele várias vezes para que este use os seus contatos para sair de becos sem saída. Não há mal nenhum nisso! Daí eu não perceber porque é que estas personagens têm sempre de estar tão relutantes em usar o que têm ao seu dispor. O belo “C” existe e toda a gente o usa quando pode.

Há bem pouco tempo, escrevi na opinião ao livro “Sem Rasto” que o facto de a protagonista desse mesmo livro não ser polícia, jornalista, etc, levou-me a que sentisse uma proximidade maior com a história. Aqui, aconteceu-me exatamente o oposto. A  profissão de Fiona (jornalista) afastou-me um pouco da personagem, uma vez que pelo estatuto que goza, tem ao seu dispor privilégios de que não lograria se fosse uma simples cidadã que tivesse tropeçado nesta história. O que me parece que também teria funcionado bastante bem. Todavia, tal não teria, talvez, permitido aprofundar tanto alguns factos que vão sendo lançados ao longo da história. Daí, eu entender a escolha da autora ao seguir por este caminho.

É assim, um livro que tem na sua base uma investigação. Como qualquer enredo deste género, as pistas vão ser lançadas aos poucos e vai caber ao leitor colher e tentar passar a perna à protagonista. Não há só uma pergunta, são várias e todas a precisarem de  respostas. Mesmo que nos interessemos por saber mais sobre uma das demandas, na verdade damos por nós a querer que tudo fique em partos limpos. Há motivos mais do que suficientes para ficar agarrado até à última página. É, por isso, um livro que entretém bastante e que, de forma geral, gostei bastante.

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