Um de nós mente – Karen M. McManus

39967848SINOPSE: Simon Kelleher é o criador do Má-Língua, uma nova aplicação que está a encurralar a elite de Bayview High, revelando pormenores da vida privada dos alunos da escola.
Mas o caso torna-se mais grave quando Simon e quatro colegas ficam fechados de castigo numa sala, e ele morre diante das suas vítimas.
Os quatro que se tornam suspeitos imediatos do homicídio, são:
A melhor aluna da escola, BRONWYN, que nunca viola uma regra e quer entrar em Yale. A estrela da equipa de basebol de Bayview, COOPER. NATE, o criminoso, que está em liberdade condicional por vender droga. A menina bonita, ADDY, que parece ter a vida perfeita ao lado do namorado perfeito.
Que segredos queriam esconder para eliminar Simon?
Quem será o culpado?

OPINIÃO: Gostei muito!

Vinha eu já lançada do mundo adolescente, depois de devorar a segunda temporada de 13 razões, e à procura de algo dentro do género que me cativasse da mesma forma. Pois, este livro conseguiu! Acompanhar as consequências que a estranha morte de Simon teve na vida destes quatro adolescentes prendeu-me às páginas de uma forma que me surpreendeu. Contava gostar, mas não contava ficar a ler até às 2horas da manhã sem querer largar o livro.

O que é um young adult? A internet diz-me que é um género que tem como público-alvo jovens entre os 14 e 21. Pois bem, com mais 10 anos em cima do limite máximo posso dizer que sou irremediavelmente fã de um bom livro escrito dentro deste género. Por isso, senhores adultos acima dos 21, não se retraiam e apostem neste livro porque vale a pena.

Em Portugal diz-se que o ambiente escolar não é sequer parecido com o americano. Sou forçada a ter de concordar, na medida em que, de facto, os nossos adolescentes não são tão mauzinhos. Contudo, é indiferente que se trate de um jovem americano, português ou de outra nacionalidade qualquer, todos têm os seus segredos e todos prezam para que estes não sejam divulgados. A escola pode ser uma selva em qualquer lugar do planeta, e disso não tenho dúvidas.

Se és da década de 80 ou da primeira parte de 90, viveste uma adolescência em que a má-língua era feita via “disse que disse”, dando lugar muitas vezes ao chamado “telefone estragado”. Isto é, a história sofria alterações conforme o locutor que a transmitia. Se “boca a boca” a divulgação de pormenores da vida íntima era um problema, agora imaginem a divulgação ser feita pelas redes sociais. A internet chega a todos, e esse é o seu grande objetivo. Pois, aqui, neste contexto, também chega a todos. E isso pode não ser bom… nada bom.

Simon é um coscuvilheiro. Ao divulgar na sua app os segredos dos colegas da escola, fez muitos inimigos. Simon não está preocupado com o impacto negativo que a sua criação e ocupação possam ter na sua vida social, porque uma coisa é verdade: todos sabem quem é Simon. “Bem ou mal, o que importa é que falem de nós”, esta é a máxima, certo?

Pode ser que não seja bem assim. Simon acaba morto na própria escola e talvez por culpa do seu reinado de ódio e ressentimento.

Quem é que o matou? Qual destes jovens tem o segredo mais obscuro, que seria capaz de matar para o proteger?

A narrativa está muito bem conseguida. A cada capítulo vamos conhecendo os 4 suspeitos: as suas personalidades, as suas aspirações, o ambiente familiar, etc. Com a informação que nos vai sendo dada, através de diálogos, de pensamentos, do comportamento que adotam face à morte de Simon, vamos podendo tecer as nossas suspeitas. A cada página que avançamos mais o leque se abre ou se fecha em torno de um ou outro personagem. É enervante! Começamos a achar que foi aquele, depois o outro. Daqui a pouco não parece plausível e damos por nós a pensar que foram todos e, mais tarde, nenhum deles! Então, em que é que ficamos?

O final é muito interessante, mas confesso que já andava lá perto. O enredo mostra-se mais rebuscado do que parece e convida a  uma segunda leitura para localizar aquelas pistas todas que são expostas no final.

As histórias de vida de cada um são devidamente exploradas, permitindo que criemos laços mais estreitos com os personagens. No meu caso, simpatizei mais com Nate, porque trouxe alguma profundidade à história, levando-nos, com as provações que enfrenta, a refletir sobre problemas mais “reais”.

A escrita é simples e as páginas voam!

Quem segue este blogue sabe que não minto nas minhas opiniões, que não vanglorio livros de que não gosto. Devem ter reparado que o publicitei várias vezes durante a leitura. Isso não vos diz nada?

Para mim a literatura e o cinema tem tudo a ver com chegar ao leitor, levá-lo para dentro da história e não o deixar descansar enquanto não descobrir tudo. Se é isto é procuro nos livros, “Um de nós mente” cumpriu a sua função.

Não acreditam? Leiam e digam-me de vossa justiça.

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