Não sou um monstro – Carme Chaparro

38909050.jpgSINOPSE: Em apenas trinta segundos a sua vida pode transformar-se num pesadelo!

Se há alguma coisa pior do que um pesadelo é que esse pesadelo se repita. e entre os nossos piores sonhos, os de todos, poucos causam mais angústia do que uma criança que desaparece sem deixar rasto.

É isso o que ocorre no início deste romance: num centro comercial, no meio do bulício de uma tarde de compras, um predador mantém-se à espreita, à coca, escolhendo a presa que está prestes a arrebatar.

OPINIÃO: Livros difíceis, livros difíceis…

Leitores sensíveis, preparem-se para se sentirem ansiosos com este livro. Tudo que envolva crianças é mais doloroso. Disso, já sabemos.

“Não sou um monstro” explora um caso de rapto de crianças. Logo no início, desaparece um menino de cinco anos com as mesmas características físicas da criança que havia desaparecido, no mesmo centro comercial, nas mesmas circunstâncias misteriosas, cujo culpado nunca foi descoberto. A polícia, a comunicação social e as próprias pessoas ficam em alvoroço. Estarão diante de um raptor em série? O que é feito destes meninos? Estarão vivos? Estarão mortos?

Estas são as perguntas praxe deste género literário. São as questões que queremos ver resolvidas e que, neste livro, o são de uma forma imprevisível e original.

O enredo não poupa o leitor, descrevendo cenas e momentos cruéis. É violento e cru. Explora os sentimentos das mães que perdem filhos e não acredito existir sensação mais dolorosa neste mundo do que essa. A incerteza, a ausência, o medo, a saudade… Há situações que doem só de imaginar! Damos por nós a respirar fundo e a segurar o braço dos nossos filhos com força, numa demonstração de posse e desconfiança para com os desconhecidos.

A história segue o ritmo de uma investigação policial, com os altos e baixos típicos, os impasses e as descobertas graduais que alimentam a curiosidade.

Porém, achei que a autora de alongou em demasia na descrição de momentos pessoais de certas personagens que não tiveram relevância para o desfecho. Também no que diz respeito aos protagonistas, algumas cenas soavam repetidas, aludindo aos mesmos sentimentos mais do que uma vez, ocupando, sensivelmente, uns quantos parágrafos desnecessários que quebravam o ritmo à leitura.

A exploração do background de alguns personagens fará, contudo, sentido se este livro der origem a uma série. Caso contrário, são cenas que facilmente deveriam ter sido suprimidas ou encurtadas para permitir a fluidez na leitura.

O final está bem conseguido, mas confesso que estranhei o comportamento do culpado. Não me parece terem sido plantadas, ao longo da narrativa, pistas para permitir ao leitor chegar a este desfecho por si mesmo. Ou então, fui eu que me distraí.

“Não sou um monstro” é de uma autora espanhola. Carme Chaparro traz este caso assustador para o nosso país vizinho, tornando tudo palpável e demasiado próximo de nós.

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