A mulher do oficial nazi – Edith Hahn Beer… por Andreia Silva

38909071SINOPSE: Aqueles que não testemunharam do Holocausto, às vezes, têm dificuldade em perceber o quão profundamente isso afetou a vida na Europa durante os decénios de 30 e 40 do século XX. À medida que a Alemanha nazi estendia os tentáculos a todo o continente, populações inteiras foram despojadas, deslocadas e destruídas.

Edith Hahn Beer levava uma vida normal em Viena, no seio de uma família judia. Fora uma adolescente popular e tornara-se uma estudante de Direito extremamente bem-sucedida. Estava envolvida nos grandes debates políticos da época. Estava apaixonada. O seu futuro desenrolava-se à sua frente como uma passadeira vermelha. E, de repente, tudo terminou. Quando Hitler invadiu a Áustria em 1938, Edith ficou sem futuro.

No coração da Alemanha nazi, escondendo a sua identidade em casa e no trabalho, Edith viveu com o medo constante de ser descoberta. Foi ali que conheceu Werner – destacado membro do Partido Nazi -, que se apaixonou por ela e a pediu em casamento, mantendo a sua identidade em segredo. A filha de ambos viria a ser considerada a única judia a nascer num hospital do Reich em 1944.

Alguns anos depois, a Alemanha foi derrotada e Edith continuava viva. Sobreviveu quando milhões de judeus foram exterminados. Este livro conta a história de como esta mulher conseguiu manter o seu disfarce e de como, graças a uma sorte aleatória e à intervenção de algumas pessoas boas, foi diversas vezes resgatada da morte.

A Mulher do Oficial Nazi podia ser outro livro sobre o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial, o que já seria notável. Mas é, além disso, um relato verdadeiro, dramático e emocionante de uma mulher extraordinária que sobreviveu ao maior genocídio da história da Humanidade, sem pretender ser corajosa, famosa ou lembrada. Ela apenas quis sobreviver.

OPINIÃO: Edith Hahn Beer era uma estudante de Direito em Viena, quando Hitler decidiu que, dentro da espécie humana, havia raças diferentes e que umas eram superiores às outras.

Sendo judia não teve a vida, nem ela nem a sua família, facilitada com a invasão da Alemanha à Áustria em 1938. Com alguma sorte e com a ajuda das pessoas certas, apesar de todos os horrores, Edith sobreviveu ao pior desastre da humanidade.

Este livro contém relatos tão cruéis e tão frios sobre um período da humanidade, que nos faz ter vergonha de partilharmos a mesma espécie com os causadores dele.

Mas o facto é que o que é descrito nestas páginas, infelizmente, é a mais dura das verdades e por isso torna-se um livro quase obrigatório, para que nós, seres humanos, não voltemos a cometer os mesmos erros calamitosos.

Geralmente, quando as histórias são focadas no Holocausto ou na Segunda Guerra Mundial, vemos muitas vezes o ponto de vista dos judeus e sentimos e sofremos com eles.

E como seria ser nazi?

Como seria conviver, diariamente, com um nazi? Com alguém que, de certa forma, era responsável por todo aquele terror? É esse o diferencial deste livro.

Além de ser escrito sem floreados, com relatos sem piedade pelo leitor, é um relato de alguém que para sobreviver se disfarçou de inimigo. Mostra que a coragem não se ganha, mas que se conquista quando se sente a vida a fugir do corpo.

É um livro estremamente sincero, que atinge quem o lê. Leva-nos a agradecer pela paz que, pelo menos em algumas partes do mundo, existe de momento.

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