O silêncio das filhas – Jennie Melamed

36988660SINOPSE: Basta uma pergunta inocente.
E nada será igual para estas raparigas.

Vanessa, Amanda, Caitlin e Janey vivem numa ilha. Não sabem em que região do mundo nem em que ano estão, mas aprenderam que a vida lá é uma bênção comparada à das temidas Terras Devastadas — onde reina a doença e a podridão. Aquele era um lugar tão negro que os seus dez antepassados decidiram debandar e fundar uma nova sociedade com novas regras. Neste mundo, as mulheres e as suas filhas levam uma vida austera e controlada pelos patriarcas. O destino não lhes pertence. Apenas no verão, e enquanto crianças, é que elas são livres. Assim que a puberdade desperta, tornam-se esposas em treino nas mãos dos pais, dos maridos e dos seus governantes. Logo que deixam de ser úteis, são imediatamente descartadas, segundo os rituais da ilha.

Todas as mulheres cumprem as regras. Até que um dia, a pequena Caitlin assiste a algo tão chocante que não consegue guardar silêncio sobre o que sente. Ela conta às outras. A palavra espalha-se. A redoma quebra-se. E então, uma pergunta paira-lhes na cabeça: será o destino delas assim tão inevitável? Crua, destemida e negra. A história de um culto numa ilha isolada, a que nenhum leitor ficará indiferente.

OPINIÃO: Não precisamos de invocar monstros das profundezas do infernos para ressuscitar o medo. Basta olharmos para a história do mundo e apercebermo-nos de que os direitos que tomamos por garantidos não são imutáveis, tendo em conta os preconceitos que ainda hoje povoam a mente do povo.

A sociedade faz a força e quando uma “tribo” decide viver segundo certos ideais, os párias sofrem.

Esta história traz-nos uma pequena sociedade instalada numa ilha, onde a mente das pessoas foi moldada a acreditar em rituais repulsivos, comportamentos abusivos e em estatutos desiguais entre géneros.

Haverá algo neste mundo mais assustador do que o fundamentalismo religioso?

O que fazer, o que pensar, quando certas ações caem num tal relativismo que ninguém as questiona?

O que acontece a quem o faz? Todos sabemos o que acontece a quem se opõe nestas situações…

“O silêncio das filhas” é um livro que nos leva a refletir sobre os direitos que as mulheres adquiriram na atualidade e na possibilidade de os verem retirados um dia. Com o mesmo toque claustrofóbico do “The handmaid’s tail”, a premissa da crueldade entre géneros está presente e funciona.

As vozes das mulheres estão bem conseguidas, passando para nós um conjunto de personalidades distintas, pontos de vista e histórias de vida, que apesar de semelhantes, terão desfechos diferentes movidos pela força com que enfrentam o seu destino e também pelo momento em que escolhem fazê-lo.

Eu tenho um problema com os finais. Considero que os desfechos (sendo o momento mais difícil de construir numa narrativa) têm de estar ao nível dos pontos que se foram abrindo ao longo da história. Aqui, faltou alguma coisa. Foi como se tivéssemos de aceitar, simplesmente, algumas coisas que foram acontecendo e o enredo se partisse, ficando por ali.

Gostaria de saber se a autora, que é sem dúvida promissora e de quem vou estar de olho doravante, pensa em voltar a esta ilha para lhe dar o climax e o ponto final que merece.

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