It – Stephen King

22613112SINOPSE: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em It – A Coisa, clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

OPINIÃO: As crianças dos anos 90 cresceram a temer o palhaço que aparecia nos bueiros. É um facto. Aquela personagem que outrora representava a alegria das crianças ficou para sempre marcada para esta nova geração de adultos. Somos muitos, aqueles que em tenra idade desafiaram a atenção dos pais e assistiram a trechos do filme “It” de 1990.

Essa mesma geração de adultos terá, hoje, a cautela redobrada em relação aos seus próprios filhos, uma vez que Pennywise regressou em 2017 num fantástico remake desta obra maravilhosa do mestre do terror.

Stephen King publicou este livro pela primeira vez em 1986.

Estamos perante um “senhor” livro. Esta bela peça de arte conta com cerca de um milhar de páginas.

O enredo viaja entre os finais dos anos 50 e meados de 80. Os anos 80 eram a atualidade aquando a primeira publicação do livro. Contudo, não se notam muitas diferenças em relação à nossa própria infância ou a que nos precedeu, tirando, está claro, no que toca à tecnologia.

Esta infância que é retratada será familiar aos adultos nascidos até aos finais dos anos 80, e até para alguns nascidos nos primórdios dos anos 90. Para os mais jovens poderá parecer estranha a liberdade concedida a estas crianças para rumarem pelo verão afora nos assentos das suas bicicletas, enveredando pelos bosques/montes, construindo abrigos e investindo as moedas poupadas em doces.

Um grupo de crianças cria a sua própria sociedade. Nestes núcleos nascem certezas, verdades, medos, amores, ódios e demandas que se sobrepõem a qualquer obrigação que os adultos lhes possam querer delegar.

Em “It”, Georgie é brutalmente assassinado. O corpo tenro e pequeno da criança é encontrado junto a um bueiro, sem um braço, a esvair-se em sangue. (Ei, é King! Estas descrições são uma constante.)

Passa quase um ano e Billy, o irmão mais velho de Georgie, tenta viver o sua dia-a-dia num ambiente familiar destruído pela desgraça. O mundo de Billy são os seus amigos. Entre a fuga rotineira aos bullies, à paixão inocente que nutre por Beverly e à lealdade enraizada em cada um dos membros do “Clube dos falhados”, a infância encontra os seus próprios meios para prosseguir o seu caminho, remetendo o que é mais horrível para uma aparente normalidade.

O monstro que tirou a vida ao pequeno Georgie voltou para levar mais vítimas com ele. É neste ponto que este grupo ganha um novo alento, que nasce uma nova coragem a envolver o medo que está sempre lá. Unidos, decidem tomar uma atitude.

Estas passagens de quando os personagens são mais novos são absolutamente enternecedoras e emotivas. Senti-me ligada a todos estes miúdos, encantada com todas as características que formam as suas personalidades. Em adultos são diferentes, e é curioso como os adultos são retratados como sendo mais fracos, mais falíveis. É como se o autor quisesse mostrar que há uma força especial, um imenso poder na inocência e na imaginação. A criança não está toldada por ideias pré-concebidas, não limita o que vê e sente ao razoável, ao óbvio, e por isso não é apanhada desprevenida. As crianças são corajosas porque a ideia da morte não lhes parece tão verosímil.

É um livro de terror, sim. Tem momentos horrorosos que me fizeram fechar o livro e aguardar até o sono assentar realmente antes de desligar a luz do candeeiro. Porém, é muito mais do que isso. É um livro sobre pessoas, sobre emoções, sobre o crescimento e as velhas amizades.

Todas as histórias têm que ter um fim e confesso que não gostei muito do desfecho. Já não é a primeira vez que isto me acontece com os livros de este autor. Sinto que a fantasia se torna desconcertada e que é descarregada de forma fraudulenta do resto. Contudo, o prazer da leitura foi tal que não posso deixar de colocar este livro entre os meus favoritos.

Este autor é a minha maior inspiração e esta obra destaca-se pela sua perseverança no tempo. Atual, emotiva, terrorífica e memorável.

🚨 Não há edição em português de Portugal.

 

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One thought on “It – Stephen King

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