A amiga genial – Elena Ferrante

24445388SINOPSE: “A Amiga Genial” é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente.
Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro.
Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja.
Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração.
O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue.
“A Amiga Genial” tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse.

OPINIÃO: Uma história sobre gentes e as suas vivências. Uma narrativa corrida com altos e baixos à medida da própria vida.

Jamais teria pegado neste magnífico livro, se não fosse o Clube de leitura a propor. Comprei-o de nariz torcido e abri-o para fazer um esgar de descontentamento, ao verificar que a prosa era extensa e com poucos diálogos. Pensava que ia enfiar-me numa leitura densa que me ia acompanhar durante semanas a ler aos bochechos, a torcer para que acabasse.

Pois… fiei-me na aparência do livro e acreditei na premissa de “não faz o meu género”… Mais uma vez, senti-me estúpida por crer que isso existe, isso dos “géneros”… Estou cada dia mais convencida de que gosto de histórias, de livros (neste caso) e que isso dos géneros é a preguiça de tentar, o receio de não gostar. Ainda bem que tentei, ainda bem que me meti nesta Itália dos anos cinquenta, naquela Nápoles pobre e tão deliciosamente popular e, sobretudo, porque me permiti conhecer a amizade de Lenu e Lila.

Temos um prólogo sugestivo. A pulga instala-se atrás da orelha, mas rapidamente somos transportados para o início da história, para a bela, doce e cruel infância. Os episódios poderiam ter saído da boca dos nossos avós. Aquela liberdade das ruas que hoje pouco existe. As conversas inocentes e as suposições infantis do que os adultos fazem…

Lenu é a narradora, mas a sua narrativa não é direcionada para si mesma, mas para Lila, a misteriosa rapariga felina que se instala no seu coração desde tenra idade. A “catraia” que não tem medo de ninguém e que irrita qualquer um com a sua petulância e teimosia.

Fico imediatamente rendida a esta escolha de narrador. O facto de ser Lenu a narrar os acontecimentos, permite que Lila se mantenha uma incógnita também para nós leitores. Veja-se, Lila é uma carta fora do baralho, é peculiar, é incompreendida e confusa. Ninguém sabe o que a move, o que ela pensa e o que ela pretende fazer. Os leitores conhecem Lila tão bem como Lenu, o que nos destaca, porque Lenu é quem a conhece melhor, mas que, por outro lado, nos deixa no mesmo patamar de todos: também não nos é permitido conhecê-la verdadeiramente.

A história acompanha o crescimento destas amigas e das suas alegrias e tristezas. A transformação das personalidades de crianças para adolescentes é gradual, lenta, e joga com as influências e com aquela parte de nós que diz-se ser inata, os talentos.

Nunca seríamos quem somos se não se cruzassem algumas pessoas na nossa vida. Nunca ganharíamos aqueles medos ou aquelas aspirações, se não fosse aquele momento que nos assustou e aquela pessoa que nos incentivou a seguir em frente. Nunca teríamos parado ou abrandado naquela demanda, se não nos tivessem desencorajado. A vida é feita de momentos pequenos, que se tornam gigantes quando persistem na memória, levando-nos a admitir que fomos atingidos por eles, quando não pareciam ter significado algum na altura em que ocorreram.

As dúvidas do futuro, o que anda de um lado, não está a andar no outro, mas a “vida da vizinha é sempre melhor”. Povo, gente, nostalgia e, está claro, segredos!

Este livro é maravilhoso pela realidade que nos impõe. Mostra-nos que qualquer vida, se for bem contada, pode cativar os outros, porque todos vivemos histórias diferentes.

No entanto, é impossível não sentir que está uma tragédia à espreita. Não é dada importância acrescida a nenhum facto que o preveja, mas sente-se que há ali uma parte da história que não será feliz. Tememos a chegada desse momento e sabemos que, tal como os personagens, seremos apanhados desprevenidos. Não é assim a vida?

Os personagens não têm personalidades ou humores fixos. Quem tem? Quem é que está sempre feliz? Quem é que não vacila nas suas ideologias? Quem é que acredita sempre na mesma teoria e não recua, nem por uma vez? Quem é que não se exalta?

Apaixonante!

Este livro apresenta a infância e a adolescência. São 4 livros no total. São mais dois a três estágios de vida para que aquele prólogo se veja esclarecido.

Venha o próximo!

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