Misery – Stephen King

6521615SINOPSE: Paul Sheldon, um escritor de sucesso, cansa-se da sua heroína Misery, e decide matá-la no último volume da série e partir numa viagem. Um acidente de automóvel num lugar ermo deixa-o, porém, bastante ferido. Salvo por Annie, uma enfermeira que vem em seu socorro, Paul acredita ter encontrado a sorte, desconhecendo que Annie se identificava de tal modo com Misery que apenas surgiu no seu caminho para o obrigar a ressuscitar a personagem, e tudo fará para o conseguir.

OPINIÃO: Quem lê Stephen King sabe que existem sempre muitas edições dos seus livros.

No caso de Misery, publicado em 1987, a minha versão é de 1999. As mais recentes são as seguintes:

 

Falemos agora sobre Misery, o livro que me tirou o sono.

A história poderia simplesmente enquadrar-se no ambiente duro de um rapto. Se dissermos que todo o enredo se passa dentro de uma casa, numa só assoalhada e, principalmente, dentro de um quarto, poucos se safariam de criar um trama monótono e/ou curto. Porém, com King isso nunca acontece… Rapidamente, somos transportados para um ambiente de tortura psicológica, que se torna física (a seu tempo), e que nos tira a respiração. A loucura de Annie é tão palpável que assusta.

Quantos de nós, leitores apaixonados, já nos vimos envolvidos emocionalmente em uma série de livros? Obviamente que o mesmo sentimento surge com séries televisivas e até com telenovelas! Não é difícil encontrar, sobretudo nos dias de hoje, com a internet, comentários de puro descontentamento porque a personagem preferida de alguém morreu, ou porque o final não satisfez (ai, os finais que nunca agradam!), ou até porque (aqui manifesto o meu ódio!) as séries são canceladas sem lhes vermos um fim. Agora, convido-vos a colocarem-se no lugar de quem as escreve e de quem as produz e a imaginarem que têm um fã louco do outro lado. Este é o cenário de Paul que, para além de desagradar a “doce” Annie com a morte da sua personagem “Misery”, está literalmente nas mãos dela.

Annie é uma mulher perturbada. O seu histórico mental é desvendado pouco a pouco ao longo do livro. Quanto mais sabemos sobre Annie, mais tememos pela vida de Paul. Chega a um ponto que queremos que ele pare de tentar fugir, porque as consequências poderão ser mesmo muito más. Nós não queremos ver como é que Annie o vai punir, por Paul ser “tão mal agradecido” e de não perceber como ela “tem sido tão sua amiga”.

Os diálogos são absolutamente fantásticos. Conseguimos ouvi-los a falar, conseguimos saber como se sentem, como se movem, sem que o autor tenha de o explicar pormenorizadamente na narrativa.

Paul refugia-se na sua própria cabeça. Os momentos em que Paul vagueia pelas suas memórias, por vezes, tornam-se demasiado extensos e podem cansar um pouco. No entanto, parece importante para o autor que os leitores percebam que Paul não é boa pessoa, que o escritor tem os seus issues e defeitos, e é pelos seus pensamentos que o conhecemos a fundo. Contudo, nada justifica o tratamento a que ele é submetido por Annie. É impossível não criar empatia pela vítima e não chegar à conclusão de que Annie é um monstro que tem de ser imobilizado, talvez até abatido.

Não é uma leitura fácil. Dei por mim a fechar o livro algumas vezes para respirar. A insanidade está tão patente que tememos que nos afete de alguma forma. As reflexões a que o autor nos expõe são duras de encarar. A debilidade de Paul é tão bem retratada que, ao tentarmos colocar-nos no seu lugar, sabemos que não aguentaríamos. Ele também não aguenta! E nós lemos até ao fim, acompanhamos os seu sofrimento e torcemos para que a situação mude, seja de que forma for.

Quem segue este blogue sabe que faço a vénia a Stephen King, pela sua ousadia, pela sua capacidade em entrar na mente humana e de não temer chocar com o que poderá lá encontrar.

“Misery” é um dos seus melhores romances e é obrigatório para todos aqueles que gostam de ser traumatizados pela ficção.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s