O comboio errado – Jeremy de Quidt

36174612SINOPSE: É tarde. Está escuro. Um rapaz apressa-se para apanhar o comboio, entrando a bordo um segundo antes da partida. De repente, percebe que está no comboio errado. Fica irritado, compreensivelmente, mas não fica assustado.

Ainda…

O rapaz sai na estação seguinte, mas a plataforma está completamente vazia, e não se parece com nenhuma outra estação que ele já tenha visto. Mas o rapaz continua a não estar assustado.

Ainda…

Então, um estranho aproxima-se… alguém com histórias para contar e ajudar a passar o tempo. Mas estas não são como as velhas histórias. Estas histórias são pesadelos, e vêm com um alto preço a pagar.

Ainda não estás assustado?

Mas vais ficar!

OPINIÃO: Quem é que se lembra dos livros dos “Arrepios”? Recordo-me da minha mãe me proibir de os ler, porque eu depois só queria dormir com a luz acesa e porta do quarto aberta…

Ok. Porque é que eu estou a falar dos “Arrepios” aqui?

Na verdade, este livro fez-me regressar a esses tempos. Os contos são simples, de um terror tão sugestivo e tão pouco visual. Trabalham bem com a imaginação e confesso que sustive a respiração algumas vezes. Recordei a menina que fui um dia, ao ser induzida a pensar no que teria acontecido depois, para onde os finais em aberto me conduziam.

Os contos são todos protagonizados por pré-adolescentes, os quais eu acredito serem o público-alvo deste livro. Em todas as histórias, os pais são figurantes, ou porque não acreditam, ou porque estão ausentes. Tudo o que vamos lendo está a ser contado a outro jovem, que se perdeu ao descer na estação errada do comboio. Um velho estranho, que se faz acompanhar por um cão, uma candeia e um saco de folhas, faz companhia ao rapaz, aterrorizando-o com estas peripécias.

Conforme o velho termina cada conto, voltamos à estação e assistimos às conversas e ao crescendo de medo que o rapaz vai sentindo. Os diálogos estão fabulosos e o livro lê-se mesmo muito rápido!

Quanto aos contos, são 8 no total:

  1. Arrepiou-me… a sugestão que o final deixa é muito forte;
  2. Levou-me a admitir que, mesmo com 30 anos de idade, acho que me passava se a luz da entrada, que ativa com sensor, estivesse num constante pisca-pisca (temos uma lá na casa dos meus pais);
  3. Vai fazer com olhe mais vezes pelo retrovisor do carro enquanto conduzo;
  4. Produziu imagens aterrorizantes na minha cabeça… aquela boca… aquelas saídas tão infantis e, ao mesmo tempo, tão inquietantes;
  5. As fotografias fizeram-me lembrar um livro em particular da coleção “Arrepios”;
  6. Sou irmã mais velha, este conto mexeu comigo e sei que se o tivesse lido em miúda ia deixar-me com os nervos em franja;
  7. Quem nunca jogou ao “Bloody Mary”? Eu nunca tive coragem, e ainda hoje me recuso a pensar na lengalenga na frente a um espelho.
  8. Este confundiu-me, mas admito que se há coisas que funcionam sempre, são os armários.

O final é interessante e joga, mais uma vez, com o psicológico. Ao todo, o livro trabalha com as capacidades de dedução e com a imaginação. Achei-o fantástico para o público mais jovem! Se o meu filho, quando for pré-adolescente, não for medricas, vou com certeza passar-lho.

Em suma, muito bem conseguido e altamente recomendado para quem gosta de sentir aquele friozinho na barriga.

Não é um terror visual, não tem nada de macabro, mas é muito sugestivo e isso funciona muito bem.

 

 

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