A súbita aparição de Hope Arden – Claire North

36041975.jpgSINOPSE: Ouçam-me. Lembrem-se de mim… O meu nome é Hope Arden, sou a rapariga de quem ninguém se lembra. Primeiro esquecem o meu rosto, depois a minha voz e, por fim, as consequências dos meus actos. Desapareço da memória sem deixar rasto. Começou quando tinha 16 anos, um momento de cada vez. O meu pai esqueceu-se de me levar à escola, um professor esqueceu-se que eu era sua aluna, a minha mãe colocou mesa para três, em vez de quatro. Um amigo olhou para mim e só viu uma estranha. Por mais que eu tente, por mais pessoas que magoe ou crimes que cometa, nunca se lembram de mim. E isso torna-me única… e particularmente perigosa. Esta é a história de Hope Arden, a rapariga que todos esqueceram. Uma saga de amor, esperança, desespero e ânsia de viver o momento e deixar uma marca na vida.

OPINIÃO: Alguma vez paraste para pensar no que seria se NINGUÉM te conhecesse?

Acredito que já te tenha acontecido lembrares-te de alguém e essa pessoa não se lembrar de ti. A memória é assustadoramente imprevisível, pois o que recordas nunca será o mesmo que a outra pessoa terá retido desse momento que viveram em conjunto.

E se NINGUÉM se lembrasse de ti?

Não terias amigos, família, conhecidos… serias uma névoa a deambular pelo mundo, a travar relacionamentos efémeros com a sociedade. 

Esta é a premissa deste livro: Hope é esquecida passados exatamente 60 segundos de terem olhado para o seu rosto.

Aconteceu por volta da adolescência, quando os próprios pais se questionaram quem era a jovem que habitava com eles.

Ser “esquecível” (isto existe?) traz vantagens: não há consequências objetivas dos atos cometidos.

É por isso que Hope é uma execelente ladra. Basta cruzar uma esquina e o seu perseguidor já não se lembra de quem está a tentar alcançar.

Estes dotes foram-se aperfeiçoando e Hope parte para a escala mundial. Enveredando pelo círculo dos mais abastados, acaba por  tropeçar nos resultados de uma aplicação de telemóvel que está, pouco a pouco, a dominar o mundo: o perfection.

O Perfection dá conselhos acerca de tudo, para que a pessoa se aproxime da perfeição.

Surge aqui aquela pergunta: o que é a perfeição?

Está claro que a identidade cairá por terra e que a pressão de atingir um estado de espírito falsamente feliz e hipócrita destruirá algumas pobres almas pelo caminho.

Hope não tencionava mexer com tubarões tão ferozes, não contava vir a comprometer a sua solitária existência numa batalha que não é dela. No entanto, Hope aspira tudo o que o Perfection retira das pessoas. Hope quer conhecer de verdade um ser humano e ser reconhecida por ele. Hope quer ser um ser humano individualizado e não mais um rosto na multidão.

Esta história tem passagens muito interessantes, sobretudo no que toca à condição da protagonista (imaginem a situação dela num hospital ou num restaurante). Contudo, quando o enredo se perde em devaneios quebra o ritmo, custando a encontrar o seu caminho.

A escrita é peculiar, um tanto poética. É emotiva e pragmática. Este elemento antagónico tão bem conseguido não me deixa alternativa a não ser reconhecer que  estamos perante alguém com  talento, que sabe dar uso à palavra escrita para contar histórias. 

É o segundo romance que leio da autora. Confesso que me entusiasmei mais com “As primeiras quinze vidas de Harry August” (AQUI).

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