13 minutos – Sarah Pinborough

35235986SINOPSE: Natasha esteve morta durante 13 minutos. Salva de um lago gelado por um professor de música, regressa a casa sem conseguir lembrar-se do que aconteceu. Intercalando diversos registos (o diário de Natasha, a narração de uma sua “ex-melhor amiga”, os relatórios da psiquiatra, as investigações da polícia, as notícias de jornal, etc.), o que confere à narrativa uma vivacidade e suspense notáveis, os fios da intriga vão-se entrelaçando com mestria. As descrições da psique e do quotidiano dos adolescentes de dezasseis anos é absolutamente notável.

Todas as personagens são suspeitas à sua maneira e a intriga não é de modo nenhum óbvia, conseguindo criar uma tensão consistente e uma ambiguidade narrativa que nos deixa interessados e expectantes

OPINIÃO: Que os adolescentes são cruéis, já nós sabemos. A puberdade é uma passagem da vida humana que se pode resumir a uma palavra: sentimento. A idade da “parvalheira” caracteriza-se pelo exagero, pelo drama, pelo excesso. Está certo que nem todos tivemos uma adolescência “típica”, mas todos havemos de ter conhecido alguém que se tenha revoltado mais um pouco, que tenha desafiado as barreiras que os adultos impunham.

Estamos cansados daquele cliché da colmeia e da abelha rainha que domina as escolas secundárias. Sabemos que, pelo menos em Portugal, as coisas não correm bem assim. Claro que há, decerto, alunos mais populares do que outros, mas não estou certa de a nossa sociedade assistir a esse nível de maldade, infligida por um grupo de raparigas (são sempre 3) que pertencem a uma espécie de realeza obtida pela beleza e perfeição.

Nesse sentido, o livro não me agradou totalmente no início. Somos levados a conhecer a dinâmica da escola e a reviver o passado mais inocente de Becca e de Tasha, hoje divididas pela estirpe social que ocupam.

Porém, o enredo apostou num crime nas primeiras linhas. Há um ligeiro desvio, para introduzir o contexto em que o acontecimento misterioso ocorreu, mas somos reencaminhados constantemente para as pistas sobre o que terá acontecido naquela madrugada.

Tasha foi encontrada no rio e esteve morta durante 13 minutos. Esta é a premissa que nos fará dar voltas e voltas à cabeça para perceber como é que ela lá foi parar. Quem é o culpado? O que terá acontecido?

Felizmente, senti-me transportada para um rol de armadilhas que me deixaram muitas vezes confusa. Mesmo quando algum segredo era revelado, dava por mim ainda com questões por responder e isso dava alento à leitura.

O final foi o mais confortável que a autora poderia ter escolhido.

“13 minutos” é um livro que se lê muito bem, por também ter muitas passagens que são transcrições de mensagens de texto, relatórios policiais, passagens de diário e transcrições de sessões de terapia.

A componente policial é leve, o que é uma característica que me agrada, uma vez que tendo a aborrecer-me quando as histórias enveredam em demasia por vocabulário técnico.

Por fim, deixa a reflexão de que há certos monstros que não se criam, mas que nascem. Não há nada mais assustador do que reconhecer que existem seres humanos incapazes de sentir empatia, tornando-se, invariavelmente, calculistas e perigosos.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s