A mulher do camarote 10 – Ruth Ware

35485468SINOPSE: Uma jornalista faz a cobertura da viagem inaugural de um cruzeiro de luxo. O que parecia uma grande oportunidade profissional revela-se um pesadelo quando ela testemunha um possível crime no camarote ao lado do seu. Porém, para sua surpresa, todos os passageiros continuam a bordo. Não falta ninguém e ninguém pode sair do navio…

OPINIÃO: Este é o segundo romance que leio da autora.

Tal como o livro anterior, Ruth Ware transporta-nos para um ambiente onde só podemos contar com a nossa própria capacidade de dedução.

Desta vez, abandonamos a “floresta muito, muito escura” para embarcarmos no Aurora Borealis, um navio de cruzeiro na sua travessia inaugural.

A protagonista é uma mulher ansiosa, que acaba de passar por um mau bocado quando lhe assaltam o apartamento com ela no interior. Ainda sob o efeito do trauma do assalto, e com historial de episódios de pânico (para o qual está medicada), Lo é facilmente desacreditada quando afirma ter assistido a um homicídio a bordo do cruzeiro.

Devo dizer que a facilidade com que o relato de Lo é tido como lunático me assustou. Tomar ansioliticos ainda pode ser visto pelo mundo como um tabu apesar de serem cada vez mais as pessoas que os tomam, e mais ainda as que necessitam de tomar. O realismo da dificuldade da protagonista em se impor como alguém lúcido e capaz é de levar qualquer leitor a estremecer.

Hoje somos cidadãos dignos e amanhã loucos. Afinal, um homicídio não é propriamente uma boa publicidade para a inauguração de um cruzeiro de luxo, pois não?

Sabiam que as leis marítimas são ainda muito difusas, que há muita dificuldade em saber a quem pertence a jurisdição nos crimes cometidos em águas internacionais?

Não me surpreende que comparem a autora a Agatha Christie. Os livros de Ruth Ware levam-nos a pensar nos crimes à moda antiga, a atentar aos pormenores, aos comportamentos dos suspeitos, sem o auxílio das tecnologias de que se carregam os policiais modernos. Tal como os clássicos da eterna escritora de crimes, o enredo centra-se em suposições, palpites e muitos diálogos.

É um livro que se lê bastante bem e que não desvenda tudo até ao derradeiro final. No entanto, devo dizer que fiquei com algumas questões no virar da última página. O desfecho pareceu-me apressado.

“A mulher do camarote 10” é um romance policial que vos levará a pensar. A ansiedade que provoca deve-se sobretudo às circunstâncias, estar em alto mar, sem acesso à internet, sem rede móvel, e às ações de Lo que, na situação em que se encontra, não ajudam a que ganhe a credibilidade que merece… ou não…

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