The Call – Peadar O’Guilin

35421397SINOPSE: Três minutos

Uma trombeta soa à distância. Foste Chamado. Agora, à tua volta, só vês cinzento. Este novo mundo não tem cor e sabes que vais começar uma corrida contra o tempo. Tens apenas três minutos para te agarrares à vida.

Dois minutos

Os Sídhe estão cada vez mais perto. Consegues ouvir as vozes deles, as gargalhadas sedentas de sangue e o som dos seus passos. Achas que estás preparado. Sabes tudo sobre eles. Sabes exatamente o que fazem aos jovens como tu, quando os conseguem apanhar. São tão belos como terríveis, tão simpáticos como cruéis. Já te viram. Resta-te fugir.

Um minuto

Se não correres, se não te esconderes, podes desaparecer a qualquer minuto e ficar, para sempre, nesta terra de horrores. A caçada já começou e tu és a presa. Conseguirás sobreviver?

«The Call é uma história de sobrevivência que sobressai entre todas as que existem. É uma lufada de ar fresco, fantástica e poderosa.» — The Bookbag

OPINIÃO: Este livro é muito sombrio. Inspirado no folclore irlandês, o autor traz-nos uma história de sobrevivência.

Há muitos anos, as fadas foram exiladas para a Terra cinzenta. Cerca de 2000 passados desde essa separação, os Sídhe encontraram uma forma de iniciar a sua vingança. Os adolescentes são chamados, todos sem exceção, para passarem 3 minutos e 4 segundos no mundo das fadas.

Atualmente, um em cada dez morre. Os corpos regressam mutilados e os que sobrevivem carregam traumas, alguns até deformações físicas, para o resto da sua existência.

Para que a espécie humana possa prosperar, a partir dos 10 anos as crianças ingressam numa escola de sobrevivência, onde são treinadas como se estivessem no exército, aprimorando as variadas técnicas para que consigam resistir a uma hora na Terra Cinzenta(3 minutos e 4 segundos no nosso mundo).

O melhor que esta narrativa traz são as descrições. A Terra Cinzenta é um mundo horroroso, no verdadeiro sentido da palavra. As deformações postas a cabo pelos Sídhe nos humanos que lá caem parecem saídas dos nossos piores pesadelos. São misturas grotescas de seres humanos com animais e plantas e, na grande maioria, ávidos por carne humana. O ambiente é inóspito, o próprio ar queima os pulmões, espirais doentias rodopiam no céu, erva de lâminas cobrem o terreno, e todos terão de lá cair um dia.

A imprevisibilidade dos chamados é o que torna a leitura viciante. A qualquer momento os nossos personagens podem desaparecer, deixando atrás de si um amontoado de roupa. 3 minutos e 4 segundos depois regressam ao mesmo local, vivos, mortos ou pior.

Sobrevivam ou não, as mazelas serão visíveis tanto físico como psicologicamente.

Os episódios do chamado estão muito bem construídos, com muita imaginação. Esses momentos são muito, mas mesmo muito, violentos.

A escolha do autor para protagonizar esta história não deixa de ser curiosa. Num mundo em que a resistência física ditará a sobrevivência, Nessa tem uma deficiência nas pernas que não lhe permite deslocar-se com a mesma rapidez dos demais.

Inconformada com a piedade alheia e com a certeza que todos parecem ter de que ela jamais resistirá ao chamado, Nessa treina com fervor para provar a todos, e a si mesma, que não será uma presa fácil para os Sídhe.

A sociedade disciplina os jovens a serem fortes, rápidos e impiedosos na hora do seu chamado. Com isto, também vemos a natureza humana na sua multitude: há quem repugne a violência necessária com que são obrigados a lidar, e há aqueles que se encontram a si mesmos na ânsia de magoar e de matar.

O livro está bem escrito e é de fácil leitura. Contudo, torci o nariz a alguns dos vocábulos empregues nos diálogos, por serem grosseiros, desnecessários e, de certa forma, demasiado próprios de ambiente de balneário masculino.

Mais uma vez, afirmo que o enredo ganha muito pelo belo-horrível das descrições. Palmas para o autor e para o seu imaginário macabro.

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