O porto das almas – Lars Kepler

35388495SINOPSE: Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.

Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas.
O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.

 

OPINIÃO: Fui conquistada.

Esta foi a minha estreia com os autores, por detrás do pseudónimo Lars Kepler, e estou rendida.

Tenho conhecimento de que a série que os levou à ribalta é bem diferente deste livro, mas estou convencida de que não tardarei a juntar os livros todos deles na minha estante. Até já fui procurar nas feiras do continente “O hipnotista”, o que significa que é um livro prioritário da minha wishlist apesar de só lá ter entrado agora.

Estou familiarizada com alguns casos em que “O porto das almas”, apesar de ser inegável a sua qualidade, não agradou aos fãs. Diz-se que o elemento sobrenatural não os deixou adorar o livro, mas ainda assim gostaram.

Pois… expetativas! Eu não as tinha em demasia e fui surpreendida pela positiva. Fui arrebatada por esta história, de tal forma que cheguei a ouvir “mas tu não largas esse livro?” Não… lia-o em todo o lado. Estava tão embrenhada na história que dava por mim a apanhar uma pista e a folhear para trás na tentativa de tentar resolver antes que o mistério me fosse revelado.

Não era fã e fiquei.

Quanto ao elemento sobrenatural… é a minha praia.

A história centra-se em Jasmin, uma mulher soldado que passa por uma experiência pos-morte. À semelhança do que ouvimos muitas vezes na vida real, Jasmin afirma ter visto o Além. Porém, este mundo que nos espera após a morte é escuro, violento e injusto. Na cidade portuária reina a anarquia.

É deveras interessante o paralelismo que é feito deste porto com a civilização da Antiga China. No decurso das pesquisas levadas a cabo por Jasmin, ficamos a conhecer as diferentes noções que os povos têm do Além e de como os diferentes testemunhos parecem levar a este Porto.

O porto é um local confuso. Toda a gente se encontra perdida e quase ninguém parece saber ou querer ajudar os recém-chegados. O facto de se falarem todas as línguas do mundo, e de ser complicado muitos se fazerem entender, levou-me a relembrar a passagem bíblica “a torre de babel”, quando Deus criou o caos no mundo ao atribuir aos povos línguas diferentes de forma a que estes aprendessem a se entender por outro meio que não a fala.

Os episódios na cidade portuária são carregados de ação. A adrenalina é enorme porque o tempo é escasso. Afinal, Jasmin só lá está de visita.

No regresso ao mundo dos vivos, a tensão não amaina. O mundo tem dificuldade em aceitar aquilo que não vê. Ao mesmo tempo, é enorme a facilidade com que conseguimos rotular alguém de louco.

É angustiante a demanda de Jasmin em ter de lutar contra aquilo que sabe ter presenciado, de forma a poder ter lugar na sociedade e, sobretudo, se mostrar apta a criar o filho.

Quando Dante vai para a cidade portuária, já nós conhecemos como é que aquele mundo funciona. Não há como não sofrer com o desespero de Jasmin ao imaginar o seu pequeno filho, de apenas 5 anos, a ter de se desenrascar naquele caos, cheio de gente violenta.

Como é que alguém que viu como o Além funciona pode sossegar e acreditar nos médicos?

Afinal, parece que os milagres da medicina não são mais do que o fruto da luta que as almas travam na cidade portuária.

Gostei mesmo muito deste livro. Aprendi imenso sobre variados temas. Está elegantemente e culturalmente bem construído.

Estou muito curiosa de saber o que nos trará o resto da série.

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