A rapariga no gelo – Robert Bryndza

35274024SINOPSE: Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres.

A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima?

 

OPINIÃO: O que capta logo a atenção num livro?

Por mais que digam que não, é a capa. O estímulo visual é o que funciona de forma mais instantânea, é o que produz o efeito desejado mais rapidamente: despoletar a curiosidade. Esta capa está muito apelativa.

O que vem depois?

Todos sabemos! Vamos ler a sinopse. (Pode haver quem não o faça, mas têm de admitir que é o mais gesto mais comum…)

Aqui é selecionado o público-alvo, neste caso, qualquer leitor que goste de policiais. Não é à toa de que a nossa televisão está a abarrotar de histórias criminais e de que as séries televisivas policiais sejam as que têm mais temporadas. Em termos gerais, o mundo gosta.

Os policiais têm duas componentes, a meu ver, muito interessantes. Em primeiro lugar, têm sempre personagens inteligentes a dirigir as operações, e nós gostamos de acompanhar os génios; em segundo lugar, o desafio.

O que é isto do desafio?

Neste género de entretenimento são-nos entregues pistas. Vamos sendo conduzidos por um caminho, que é o do protagonista, mas podemos apanhar as “migalhas” que ele deixa escapar. É claro que somos obrigados a seguir os passos dele, mas nada nos impede de formarmos a nossa própria teoria e de termos o nosso suspeito em mira. É isto que me parece divertido, podermos “viver” uma profissão extremamente perigosa sentadinhos no sofá.

Um bom policial tem de ser ousado. O autor não pode ter receio de chocar. As descrições têm de ser difíceis. “A rapariga no gelo” cumpre nesse sentido. Não são traumáticas, mas suficientemente explícitas para que as consigamos visualizar.

Quando leio um livro deste género tenho de simpatizar com o protagonista. São enredos muito centrados nos movimentos e nas teorias de uma só pessoa, o que tornaria intragável a leitura caso não se sinta qualquer empatia com aquele que direciona a ação.

Neste livro temos Erika Foster, e se o mundo tivesse mais Erikas talvez não fosse tão corrupto.

Erika está um pouco desequilibrada. O marido morreu há pouco tempo e ela ainda está a lidar com a ideia de que a sua ausência será “para sempre”. Erika sente que perdeu tudo o que era de mais importante da sua vida, que era o seu futuro. Neste momento, só tem a sua vida profissional e, como tal, afoga-se nela.

O que me fez gostar de Erika não foi a suposta genialidade ou coragem, ou qualquer outra característica típica de um bom agente. Até nem a achei muito perspicaz, mas mais para o teimosa (o que se revelou essencial neste caso). Simpatizei com as fraquezas de Erika e com a sua incapacidade para engolir certas e determinadas “facilidades” e “lacunas na transparência da justiça” quando se lida com gente influente.

O enredo é interessante e solta muitas rasteiras. Mexe com os nervos, porque joga com o preconceito na justiça, que não é assim tão “igual para todos”.

A vítima não é um ser perfeito e isso é um ponto a favor.

Ao longo da história, é apontado o dedo com subtileza para algumas personagens, para que o leitor possa escolher o seu suspeito. No meu caso, selecionei o meu praticamente no momento em que ele apareceu. Se duvidei? Sim, um pouco… mas pouco. Acertei.

Tem algum convenience plot, por exemplo, quando a campainha toca naquele momento tãooooo oportuno (entre outras). Tem uma personagem por demais “conveniente”, que me parece que devia ter sido mais explorada para perder o laivo ridículo que não consegue deixar de transmitir, e para tornar o desfecho mais convincente.

É um livro que entretém e é de fácil leitura. A escrita não cansa e não chateia com pormenores muito técnicos. Não é genial, mas não é mau. Está bem estruturado e foi pensado com cautela, para não deixar pontas soltas. No entanto, o final foi apressado e ficaram algumas perguntas ou, pelo menos, algumas respostas não foram suficientemente esclarecedoras.

Somos transportados para o meio do gelo e das chuvas, mas parece-me que será refrescante para os dias de maior calor.

 

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