Cidades de papel – John Green

17402477SINOPSE: Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.

OPINIÃO: John Green tem um dom para dar voz a adolescentes. No entanto, os jovens de Green são sempre criaturas com alguma maturidade espiritual.

O que vou agora dizer merece um grande DAH!: todos conhecemos adolescentes e todos os fomos um dia (ou somos, depende de quem está a ler).

Porém, eu nunca tive o prazer de conhecer nenhum August (“A culpa é das estrelas”), conheci algumas pseudo-Alaskas (“À procura de Alaska”), mas o que é certo é que o mundo está cheio de Margos. O que duvido é que haja muitos Quentins com pachorra para as aturar.

A ideia é que Margo seja, tal como Alaska, uma incógnita. Mas Margo é, na realidade, uma desilusão. Não há nada de fascinante nesta personagem, a não ser, talvez, um distúrbio qualquer que merecia ser tratado e não admirado pelos outros personagens (vá, é só por Quentin).

O livro começa bem, com mistério e diálogos soberbos entre Quentin e Margo. A construção das personalidades é fabulosa.

Na primeira porta sem retorno (quando a miúda desaparece) o enredo amolece de tal forma que aborrece.

Somos levados pelo dia-a-dia de Quentin e, mais uma vez, é a interação dos personagens uns com os outros que salva a leitura.

O idiota do Quentin está apaixonado pela ideia de uma pessoa, e essa mesma pessoa desapaixonada pelo mundo.

É uma história que rotula a sociedade como sendo de “papel”. Com isto, parece-me que a está a apelidar de fútil, monótona e efémera.

As crises existenciais são comuns em qualquer etapa da vida. Sabemos que na adolescência, tal como tudo o resto, estas tendem a bater com mais força.

Margo é apenas oca. Falta aqui qualquer coisa, mais pistas sobre de onde vêm estas atitudes de Margo. À falta de conteúdo, eu acho-a desiquilibrada, sem fundamento.

Quanto a Quentin, acho que ele nem sequer merece ter amigos.

Gosto de John Green. Admiro a sua escrita, principalmente a forma como consegue criar “pessoas” e não simples personagens. Só eu sei quantas emoções contraditórias me trouxe a leitura do “A culpa é das estrelas”, e de quantas questões lancei ao ar após ler “À procura de Alaska”.

Aqui fechei o livro e disse: o que foi isto? Sofrer porque sim, porque lhes apetece?

Infelizmente, este livro não me convenceu.

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