O Prodígio – Emma Donoghue

O ProdígioSINOPSE: A jovem Anna recusa-se a comer e, apesar disso, sobrevive mês após mês, aparentemente sem graves consequências físicas. Um milagre, dizem.

Mas quando Lib, uma jovem e cética enfermeira, é contratada para vigiar a menina noite e dia, os acontecimentos seguem um diferente rumo: Anna começa a definhar perante a passividade de todos e a impotência de Lib. E assim se adensa o mistério à volta daquela pobre família de agricultores que parece envolta num cenário de mentiras, promessas e segredos.

Prisioneira da linguagem da fé, será Anna, afinal, vítima daqueles que mais ama?

Um drama intenso sobre os perversos caminhos do fundamentalismo, mas também sobre como o amor pode vencer o mal nas suas mais diversas formas.

OPINIÃO: O século XIX foi marcado pelos avanços científicos. Foi neste século que a medicina sofreu um grande impulso. Também estamos cientes da hegemonia britânica neste período, sempre lembrada pela riqueza proporcionada pela rainha Vitória.

Estamos habituados a pensar nas épocas históricas em séculos. Sabemos que a Idade Média decorreu entre o século XV e XVI, mas reconhecemos que ao termo Idade Média corresponde também um significado de mente fechada, assustada e supersticiosa. Esta forma de viver tacanha não desapareceu de um dia para o outro, com o despoletar do Renascimento. Ademais, sabemos que foi no final da Idade Média e no início do Renascimento que a Igreja se sentiu mais pressionada a agir, devido à Reforma Protestante.

Neste livro a religião ainda tem muita força na Irlanda. A própria Igreja ainda incentiva o medo do inferno; e é nas teias deste mundo em transição que Anna é capturada pela sua fé e ingenuidade.

Anna não ingere qualquer alimento há 4 meses. É esta a grande premissa que move todo o enredo.

O médico quer provar que isto não é um embuste, para poder ser o pioneiro de algo novo e extraordinário. A sede de fama move este homem a querer provar que o ser humano pode subsistir sem precisar de se alimentar.

O padre quer provas de que não se trata de uma mentira desgarrada de uma família de agricultores, antes de dar à Igreja o conhecimento de que poderá aquela aldeia, esquecida pelo tempo, estar perante de um milagre.

A própria família rejubila com a santinha, cegos a qualquer evidência de pior que se manifeste sobre a criança que têm debaixo do seu teto. Católicos fervorosos, reprimem qualquer aviso que não esteja ligado à vontade de “Nosso Senhor”.

Lib foi batizada na Igreja Anglicana, mas não se sente, de jeito nenhum, ligada a Deus. Embarca na demanda de vigiar a criança carregada de preconceito para com os irlandeses e para com as suas crenças “ignorantes” e “fantasiosas”. Os seus métodos práticos e cingidos apenas à própria ciência são postos à prova nos 15 dias do decorrer da dita vigília.

Iniciei a leitura com a a pergunta mais evidente, com a que é suscitada logo após a leitura da sinopse: “será verdade?”

À medida que virava as páginas outras perguntas surgiam:

“Como é possível?”

“Quem a está a ajudar?”

“Como é que a estão a ajudar?”

E, de repente, isto fica em segundo plano…

“Porque é que Anna está a fazer isto?”

“O que move a criança?”

“O que lhe aconteceu?”

Cativou-me, interessou-me e ensinou-me. Aprendi, refleti e temi pela vida de Anna. Desesperei com Lib, revoltei-me com os “responsáveis”.

Como já tinha dito anteriormente, qualquer autor que consiga despoletar em mim emoções fortes é para ter em consideração.

Emma é mestre em dar voz a crianças e uma cativante professora a transportar-nos para o passado sem maçar.

Para ler!

 

 

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