Isto acaba aqui – Colleen Hoover

35008907.jpgSINOPSE: O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa?
Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar uma nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? Terá força para interromper o ciclo?

OPINIÃO: Colleen é romântica. É uma afirmação e qualquer um dos seus leitores o pode dizer.

A própria autora escreveu, no final deste livro, que escreve para entreter. Os seus livros não servem para ensinar lições, mas para trazer momentos agradáveis de leitura.

Pois bem, Colleen, tenho a cabeça em papa!

Com “Isto acaba aqui”, Colleen ousou explorar um tema que não é fácil, que visa alertar, que visa ajudar mulheres que estejam a viver em relações abusivas. Não há qualquer dúvida de que este enredo se prende unicamente no bem estar da mulher abusada e inferiorizada pela brutalidade masculina.

Palmas para quem escreve sobre isto, para quem não aceita a agressão! Não há nada neste mundo que justifique sermos magoadas por aqueles que amamos. Sejam eles maridos, pais, irmãos, amigos… o vínculo da fraternidade, amizade e amor não aceita qualquer comportamento de ódio.

Quando embarcamos nas histórias de violência doméstica, há pormenores que costumam ser um pouco estereotipados: um histórico semelhante da parte de um dos intervenientes; a mudança radical de personalidade, a transformação do príncipe no monstro; as desculpas; o arrependimento; as idas ao hospital; entre outras características que sabemos serem bem reais e que nunca é demais expô-las como recorrentes.

O livro é narrado na primeira pessoa, o que permite ao leitor acompanhar os pensamentos de Lilly e, tal como ela, sentimo-nos divididos quanto às decisões que ela precisa tomar. Na teoria, todos achamos fácil resolver este problema: deixar o agressor, libertar-se do monstro.

A grande novidade desta história é que não consigo olhar para o agressor e odiá-lo. O que o move nas suas emoções mais violentas não é culpa sua e doeu-me não ver uma resolução para o problema dele.

A sombra que paira sobre o agressor é grave, muito complicada e muito traumatizante. É dito que o mesmo terá sido acompanhado, mas não explora mais esse ponto. Acaba por levar à ideia de que quem passa por traumas, nunca venha a ser feliz, a estar completo. Não é justo que ele seja deixado de lado, apelidado de vilão, sem que lhe seja prestada qualquer orientação e ajuda.

A meu ver, ele precisava de alguém que o ajudasse! Há mais personagens, mais pessoas em torno do nosso agressor, mas não há qualquer indicação de que ele será orientado a curar-se, a livrar-se do lado negro que não controla e que abomina.

Parece que, uma vez que somos bem sucedidos profissionalmente, não é visível qualquer problema que merece a intervenção de terceiros.

Sabemos que não é assim, a própria ambição profissional pode servir como subterfúgio.

Nada justifica a agressão. No entanto, há circunstâncias e circunstâncias. No meu ponto de vista, Lilly também não age bem ao longo do livro. Ele não tem o direito, NUNCA, de lhe bater, mas ela também não é merecedora de tanta atenção. É uma mulher que cresceu com um escudo em torno de si e parece-me um pouco comodista.

É neste ponto que me parece que a luta pelos direitos das mulheres falha, porque a mulher será sempre rotulada como a eterna vítima, porque o idiota do homem há de perder a razão porque lhe bate. No entanto, se pensarmos noutro desfecho para a discussão, esta personagem não terá sido muito correta.

Há histórias em que temos um verdadeiro monstro. Homens machistas, alcoólicos, possessivos… depois, há o personagem desta história, que me entristece, que precisaria de outros tipo de ajuda (talvez não de Lilly, porque há circunstâncias que não podem ser toleradas), mas da família, de alguém!

O tempo não cura tudo e há cicatrizes que doem. A dor propaga-se e mistura-se com o resto. Ela está lá e terá de sair de alguma forma.

Estou tão confusa! Não sei o que pensar disto tudo!

Neste ponto, tenho de parabenizar a autora, porque conseguiu passar a mensagem de que é mais difícil do que parece tomar decisões radicais nestas situações e que nem todas as histórias são iguais. Uma mulher que se veja numa situação destas será corajosa qualquer que seja a decisão que tome. No entanto, é de apelar a que pensem primeiro em si mesmas e só depois no resto. Ninguém deve viver (e obrigar os filhos a sobreviver) num ambiente de emoções descontroladas.

Não dei o que dizer daquele final…

Leiam, leiam e comentem aqui o que vos diz esta história. É de tal forma ambígua que merece ser comentada.

Caso comentem com spoilers, peço que coloquem um SPOILER ALERT antes do comentário em si.

Anúncios

2 thoughts on “Isto acaba aqui – Colleen Hoover

  1. Ainda não li este livro da autora. Até agora, o que li tocou-me bastante pela forma sublime como ela descreve e aborda os sentimentos humanos. Fiquei curiosa com a tua opinião, até porque me fez lembrar um caso que tive e, sim, tivemos solução para ele. 🙂 Mais um livro para a lista.

    Liked by 1 person

  2. “…não consigo olhar para o agressor e odiá-lo. O que o move nas suas emoções mais violentas não é culpa sua…”
    Não concordo em absoluto (poderia procurar ajuda) mas não acha que todos os agressores têm problemas do foro psicológico ou psiquiátrico? Há pessoas que só se tornam violentas se bebem e o resto do tempo são calmas. Uma pessoa violenta e que agride não é uma pessoa sã, logo todos os agressores não têm culpa, essa culpa de que falou, no sentido de que são doentes, têm traumas, problemas não resolvidos.
    Geralmente há qualquer coisa que despoleta a violência, seja a bebida, os ciúmes.
    Talvez por Ryle ter uma boa vida, ser médico e bonito, o resto seja desvalorizado. Mas Ryle é machista e possessivo na parte relacionada com Atlas, foi sempre por causa dos ciumes que ele agrediu Lily.
    Não consigo gostar da personagem Ryle porque, apesar de tudo o resto ser perfeito, a faceta agressora é suficientemente má para destruir a parte boa. E Lily também achou.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s