A invenção das asas – Sue Monk Kidd … por Andreia Silva

25606943SINOPSE: Hetty, uma escrava do início do século XIX, sonha com uma vida para lá das paredes sufocantes da opulenta mansão Grimké.
Sarah, a filha dos Grimké, desde cedo que quer fazer algo pelo mundo, mas é sufocada pelos limites rígidos impostos às mulheres.

Tudo tem início quando Sarah faz onze anos e lhe dão Hetty, um ano mais nova, para ser sua aia. Nas décadas seguintes, cada uma à sua maneira, as jovens lutam por liberdade e independência. Moldando o destino uma da outra, vivem uma intensa relação de amizade marcada pela culpa, rebeldia, separação, os caminhos ínvios do amor e também pelo nascimento do movimento abolicionista que mudará as suas vidas para sempre. Será que a religião, a sociedade e a família podem enfrentar os sonhos de duas jovens?

Inspirada pela figura histórica de Sarah Grimké, Sue Monk Kidd transcende o registo histórico para nos oferecer um testemunho deslumbrante e poderoso da luta das mulheres e dos escravos em nome da liberdade. A Invenção das Asas é um triunfo da arte de contar histórias, abordando um tema sensível e atual, de uma forma honesta e poética.

OPINIÃO por Andreia SilvaNo século XIX, na mansão da família Grimké vive Sarah, a irmã do meio de uma carrada de irmãos.

Aos onze anos é-lhe atribuída uma das escravas como aia, Hetty. Contudo, Sarah recusa, uma vez que ter uma escrava a seu mando vai contra os seus princípios. No entanto, nem uma menina de 11 anos e muito menos uma escrava conseguem ter voz.

Esta história não se baseia simplesmente numa menina negra e escrava a tentar ganhar a sua liberdade. Também não é uma história de uma menina rica a tentar ser mais do que é esperado de si por ser mulher. É uma história que nos é contada a duas vozes, mas vivida por um único tipo de alma: pura, resistente e ansiosa pela liberdade física e mental.

À medida que os anos vão passando, e tanto Sarah como Hetty ficam mais velhas, vamos percebendo que nenhuma das duas vai desistir daquilo em que acredita.

Ao existir a alternância das vozes de ambas, é dado ao leitor duas perspetivas e dois tipos de anseios. A escrita é cuidada, profunda, mas, ao mesmo tempo, simples, ajudando o leitor a sentir esses mesmos anseios.

Este enredo, baseado numa história real, choca-nos por conter tanto preconceito e desrespeito pela vida humana. Por outro lado, alerta-nos, ao nos fazer ver que o ser humano pode ser capaz de tanta crueldade com o próximo.

Tem um final um tanto ou quanto repentino. Eu, pelo menos, não contava que aquela fosse a última página. Porém, entendo e concordo. Deixa o leitor a pensar e, de certo modo, feliz!

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