A sombra de um passado – Carina Rosa

32.jpgSINOPSE: Conseguirá o verdadeiro amor apagar uma grande paixão?

Clara e Santiago vivem um casamento feliz e juntos planeiam construir um palácio de sonho para viverem com a filha. Mas quando, numa concentração de motas, Clara reencontra o homem que quase destruiu a sua vida, o passado mistura-se com o presente e a sua felicidade ao lado de Santiago é ameaçada. Hugo regressa após dez anos na prisão e Clara sabe que ele quererá vingança por ter sido abandonado e por tudo o que ela construiu na sua ausência. As inseguranças da menina inocente que foi um dia regressam e, com elas, a culpa e o sentimento doentio que nutriu em tempos por Hugo.

A sombra de um passado é uma história de amor, de sonhos e de perdas que nos leva ao mundo do crime, das drogas e da discriminação racial. Um tributo à família, aos que amam e sabem amar-se e à felicidade nas pequenas coisas.

OPINIÃO: Opinar sobre livros de autores nacionais, que se encontram a lutar por adquirir algum destaque entre os grandes, é sempre um tanto penoso para mim, sobretudo quando não tenho apenas coisas boas a apontar.

A Carina escreve bem. Isto é um facto. No entanto, é imperativo que a uma boa narrativa lhe esteja associada uma boa história. Até aqui, tudo bem. À partida, este livro teria os pressupostos preenchidos para ser uma leitura agradável e, acima de tudo, (o que eu, cada vez mais, considero importante) memorável.

O que falhou?

Não há propriamente uma história e sim uma premissa.

São páginas e páginas a repetir as mesmas ideias, tornando a leitura um tanto aborrecida.

Denota-se um esforço imenso do narrador em nos incutir o seu ponto de vista sobre as personagens. Temos de gostar de quem ele gosta e desapreciar os comportamentos que ele reprova.

Como é que isto é feito? Pela repetição de ideias e de sentimentos. Chegamos a ponto que gritamos: “já percebi!

Hugo tinha tudo para ser uma personagem espetacular, daquelas que ficam na cabeça após fechar o livro, não fosse o seu mundo pautado por algum exagero, como os episódios que ele relata da sua infância, nomeadamente do tratamento que levava por parte dos membros da instituição, e a pena que apanha por ter cometido roubo qualificado. Neste ponto, penso que a Carina deveria ter investigado um pouco mais sobre o funcionamento destes locais de acolhimento de órfãos e se aconselhado a nível jurídico. Escrever é também pesquisar, investigar…

O alter ego que nos é apresentado com Hugo, logo nas primeiras páginas, é uma baforada de ar fresco. Porém, mais adiante, descobrimos que todos os personagens têm alter egos! Isto rouba a individualidade e permite que se sinta a presença do autor, o que não é suposto.

É importante não destruir e ajudar a construir. Logo, o meu conselho para a autora, que já tem a base para ser grande, é que se sente diante das suas futuras histórias e que reflita capítulo a capítulo se há pertinência em mantê-los. Depois disso, cena a cena. Ao ficar “pequeno”, há que esventrar a imaginação e inserir mais conflito, novas aventuras, quicá, novas personagens que apimentem o enredo.

“A sombra de um passado” é, assim, um livro um tanto fraquinho a nível de enredo e que, infelizmente, não me cativou.

Não vou desistir da autora porque parece-me que ela tem “aquilo“. Só espero que a pouco e pouco ela perca um pouco da inocência que a caracteriza e que arrisque, que perca o medo de escavar a fundo nos defeitos das suas criações e que me surpreenda com uma história tão emotiva que me faça chorar.

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