Viver depois de ti – Jojo Moyes

15SINOPSE: Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.

Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

OPINIÃO: Não sou uma pessoa romântica.

Não é que não goste de histórias de amor, não suporto é livros lamechas e personagens estupidamente, apaixonadamente irreais.

Em suma, são raríssimos os romances que me convencem.

Assim de repente, posso citar: “O diário da nossa paixão”… (agora estou literalmente especada a olhar para o ecrã à procura de mais exemplos).

O amor, assim como o erotismo, não deve ser considerado um género literário.

Peço desculpa, atirem-me pedras, assem-me numa fogueira. O amor e o sexo são ingredientes de um romance, que ajudam a mover a ação em torno de outra temática mais complexa.

Reparem, se lidarmos com personagens apaixonados que não têm permissão para estar juntos porque pertencem a classes diferentes (O diário da nossa paixão), o que está aqui em causa é a discriminação de classes e não o amor propriamente dito. Se em vez de amor tivermos amizade, temos história na mesma.

Então, porque é que eu me meti a ler Jojo Moyes, se fujo da Nora Roberts a sete pés?

  • O trailer do filme, está claro.

Emilia Clarke e aquele gajo fofíssimo dos “Hunger Games” a contracenarem juntos chamou logo à atenção.

Depois, ele é tetraplégico. Com este pormenor, percebi que não ia enveredar numa história superficial de girl loves boy, e que me iria trazer conhecimentos, conteúdo, substância.

Não me enganei.

Fiquei várias vezes sufocada durante a leitura com a vida que este homem enfrenta. Ele, que é rico, vê-se várias vezes limitado no mundo, levou-me a pensar nas batalhas que travarão os que contam os trocos no final do mês.

Fazia pausas na história e refletia sobre a eutanásia e qual o meu ponto de vista em relação ao tema. Também pensei no sistema judicial, se lhe era legítimo o poder de decidir sobre quem quer ou não quer viver. Dava por mim a questionar sobre as próprias pessoas e de como somos todos diferentes a lidar com a dor, com a vida e com as adversidades que ela por vezes impõe.

Em relação à história, acredito que há três formas de se fazer uma boa história:

1- Os twists;

2- Saber de antemão o que o final reserva e assistir como é que se construiu o caminho para lá;

3- Existir uma decisão tomada no início e andar o livro todo a indagar se esta será cumprida ou não.

O enredo de “Viver depois de ti” encaixa neste terceiro ponto.

Eu, com os ideais que partilho sobre a vida humana e da capacidade de o ser humano de sofrer à sua maneira ser algo digno de respeito, gostei do final.

Não chorei, mas senti as lágrimas de Will, a perseverança de Lou e a impotência da família.

Um livro obrigatório que nos faz pensar sobre as várias facetas do egoísmo e de como combatemos sempre para nos protegermos da dor.

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