O prisioneiro da árvore – Marion Zimmer Bradley

16127777SINOPSE: Que será do Rei Veado, quando o jovem veado crescer?
São cada vez mais os seguidores de Cristo e, para Morgaine, parece cada vez mais difícil conseguir que os antigos rituais perdurem no espírito dos homens. São tempos de magia, feitiçaria, morte e traição.
A Deusa trabalha sozinha e silenciosa no coração da natureza, mas não pode consumar a sua magia sem a força daquele que corre como o veado e que, com o sol do Verão, fecunda a riqueza do seu útero. As folhas levantam-se e rodopiam e ei-lo que chega! Cai súbita a escuridão, mas é com o regresso da luz que espalha selvaticamente o seu sémen sobre a terra.
Entretanto, é urgente que Arthur seja punido pela sua traição a Avalon. Um traidor não pode usar a espada da Insígnia Sagrada como se fosse um símbolo de Jesus crucificado, nem trazer à cintura a bainha tecida com as malhas da imortalidade. E nem a morte pode ser obstáculo!37
Mas eis que um grito dilacerante ecoa por toda a Avalon… Roubaram o cálice da Insígnia Sagrada!… E… traição das traições, alguém se prepara para profanar o cálice da Deusa-Mãe, enchendo-o com o vinho que dizem ser o sangue daquele para quem todos os outros deuses são demónios, em vez da água pura e cristalina da terra sagrada! É terrível o castigo reservado pela Deusa a tão grande traição, mas irá Ela permitir o consumar de tal blasfémia? Que irá acontecer a Arthur, Camelot, Gwenhwyfar, Lancelet e aos restantes companheiros da Távola Redonda? E conseguirá Morgaine que o culto da Deusa perdure numa sociedade em que os homens começam a ditar as suas leis? Conseguirá, ainda, embrenhar-se nas brumas, atravessá-las… e chegar a Avalon?

OPINIÃO:

E assim termina uma das melhores coleções que tive oportunidade de ler. Sabem aqueles livros que ficam mesmo bem numa estante para a posteridade? Aqui está. Não saem de moda; o tema é de interesse universal e com uma história já de fama longínqua. Há quanto tempo se escreve sobre o Rei Artur e os seus cavaleiros?

Então, o que tem esta série de especial?

Em primeiro lugar, quem gosta da temática, procura sempre ler mais. Nem que seja para ver a perspetiva que foi apresentada.

Porém, MZB enfatiza o lugar das mulheres nesta lenda. Conhecemos Guinivere, Morgana e Morgause como personagens secundárias. Percebemos a importância delas na história, mas nunca antes se tinha entrado na perspetiva das mesmas. Conhecê-las verdadeiramente, como seres pensantes e manipuladores, não como marionetas da entidade masculina.

Esta obra origina, também, uma enorme reflexão em torno da religião. A fé desencadeia guerras e preconceitos desde sempre e a pergunta reside sobre qual estará mais próxima da verdade? Neste caso, a Deusa ou Cristo.

Em particular, “O prisioneiro da árvore”, sendo o desfecho, tem um tom mais melancólico. A vida e as circunstâncias fintam os personagens e eliminam-lhes a arrogância com que viveram. No fim, há certas atitudes que foram outrora tomadas que parecem não fazer sentido, há vidas que parecem ter-se perdido em vão. A que custo se conspirou tantos anos? A que propósito se complicou a felicidade? Era suposto? Era a mão da Deusa/de Cristo ou era a arbitrariedade humana a ser mesquinha e petulante em relação às escolhas alheias, que vão contra o que acreditámos?

Começa-se esta saga com um prol de personagens dominados pela soberba, cheios de si, donos da razão. Jovens abstinados e prontos a morrer por uma causa. Aqui, no fim, tudo é tão díficil de perceber. Há uma névoa que prova que o mundo não é a preto e branco e que não pode nunca haver certezas sobre a vontade divina, porque o homem não tem esse desígnio.

Adorei. Vou mantê-los comigo para as futuras gerações. Acredito piamento que daqui a 20 anos ainda serão lidos com o mesmo prazer com que os li.

Recomendo mais do que vivamente.

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