A guerra dos mundos – H.G. Wells

a guerra dos mundosSINOPSE: ‘Então, bruscamente, os relâmpagos brancos do Raio da Morte aproximaram-se de mim. As casas desabavam como se, se dissolvessem ao seu contacto, e dardejavam chamas; as árvores incendiavam-se com um rugido. O Raio varria o curso do reboque, lambendo as pessoas que corriam, e desceu até à água a menos de cinquenta metros de distancia do local onde eu me encontrava. Rastejou sobre o rio em direcção a Shepperton e a água na sua esteira erguia-se numa chicotada fervente, coroada de vapor. Voltei-me para a margem.
Tenho uma vaga memória do pé de um marciano, pisando o terreno a uns vinte metros da minha cabeça. Recordo-me também de um longo momento de suspense e, depois, dos quatro marcianos que transportavam entre eles os restos do seu companheiro, ora claros, ora indistintos, através de um véu de fumo, recuando interminavelmente pela vasta extensão do rio e dos prados. E, depois, muito lentamente, compreendi que tinha escapado por milagre.’
‘A Guerra dos Mundos’, de H.G.Wells, é não só uma das obras fundadoras da moderna ficção cientifica (juntamente com alguns outros livros do mesmo autor, e com quase todos os romances de Jules Vernes), como foi ainda o romance que Orson Welles utilizou para a genial criação radiofónica que lançou o pânico nos EUA, com multidões inteiras a convencerem-se de que os marcianos tinham de facto chagado á Terra.
Este livro pode ler-se como uma fantasia: a história de uma guerra com um final, ao menos temporariamente, feliz. Ou pode pensar-se no contexto em que foi escrita (1898), numa altura em que o mundo ocidental pressentia que uma boa parte do que tinha sempre tido como imutável e seguro estava de facto a chegar ao fim. Em qualquer caso, e seja qual for a perspectiva do leitor, A Guerra dos Mundos não deixará de ser por todos considerada como uma narrativa verdadeiramente apaixonante.

OPINIÃO:

Um livro, sem dúvida, muito à frente tendo em conta o tempo em que foi escrito. Facilmente se visualiza este caos na atualidade. Aliás, não estamos nós a ser bombardeados com distopias, apocalipses zombie e afins? Seja qual for o motivo que espoleta o caos, o resultado é semelhante: verifica-se o retorno ao estado natureza, à anarquia, ao auge da lei do mais forte.
Talvez por isso este livro não me tenha conquistado. Não posso dizer que é mais do mesmo, porque o mesmo é que veio depois dele, mas, infelizmente, sinto-me calejada deste género e sobretudo porque “A guerra dos mundos” é muito básico. Não explora convenientemente os personagens, a prioridade está na descrição e imagino o impacto que terá tido aquando a sua publicação. O autor é o rei da descrição. Não há ponta que lhe falhe e pormenor que escape.
Voltando ao enredo, estou familiarizada, mais pela história do cinema, da explosão científica dos inícios do século xx. Vilões mecânicos e gigantescos eram, quiçá, assustadores e misteriosos para as gentes da época. Explosões, tiros verdes, armas de destruição massiva… Cai-me no rídiculo… Hoje, aponto essas escolhas aos americanos, que adoram “fazer barulho”. O século XXI está a regressar ao nível anterior do “mecânico” e já não se contenta apenas com a imagem. Procuramos o bicho que habita na alma humana e a morte ganha novamente um significado diferente, mais profundo. Daí eu não me sentir minimamente inclinada por este clássico, porque é muito superficial, bélico, tem ação a mais, sentimento e emotividade de menos.
Contudo, para finalizar, pareceu-me perceber que este livro terá tido alguma responsabilidade sobre alguns momentos da mediatica série “Walking Dead”. Há alguns pormenores recentes da série que estão visivelmente expostos aqui. Se assim o foi, é de louvar. Prova um trabalho de pesquisa com qualidade.

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