A filha do barão – Célia Correia Loureiro

31SINOPSE: Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo – um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações.

OPINIÃO:

Às vezes fico na dúvida se o distanciamento será ou não benéfico para se poder elaborar uma opinião objetiva e consistente. É verdade que o fervor provocado pela leitura pode e deixará realmente marcas de subjetividade, no entanto, deixar que ele passe poderá levar ao nosso próprio distanciamento com os pormenores que caracterizaram a nossa leitura.
Escrever algo opininativo sobre esta autora é-me sempre bastante difícil. Não pela ligação pessoal que tenho com ela, mas pela mutabilidade de sensações que as suas obras despoletam.
Este livro foi-lhe trabalhoso. Mesmo que não o tivesse presenciado, aquando a sua criação, percebê-lo-ia pela extensa descrição histórica que o integra.
Admiro esse esforço e a capacidade de ela conseguir recuar no tempo e viver uma época tão diferente da nossa. Esquecer o que nos rodeia e coexistir com gentes que estão tão distantes de nós, tanto nas vivências como nas ideias. Só por aqui, e por eu admitir não ter esse seu dom, ela já merece todo o meu respeito como autora.

Este é o terceiro livro da Célia que me é dado a conhecer. “A filha do barão” foge imenso às suas obras anteriores, a começar pelo já enunciado conteúdo histórico, mas também pelas características impessoais que, a meu ver, estão sempre associadas a este género literário. Serão elas as descrições, por vezes exaustivas, do ambiente e dos objetos característicos.

Confesso que esta particularidade do género histórico sempre me levou a fugir destes livros. Adoro história, mas aborrece-me estar a ser bombardeada com informação histórica a cada parágrafo. Isto acontece, irremediavelmente e sobretudo nos primeiros capítulos. Daí eu me estar a entristecer no início desta leitura, por não estar a conseguir distinguir o toque que eu tanto adoro nesta autora, a emotividade e o intimismo dos personagens.

Vejam que a Célia é uma criadora de pessoas e não de simples personagens e estava a custar-me imenso ver isso aqui… Parecia-me tudo tão estereotipado, tão superficial e engolido pela necessidade de descrever antes aquele mundo.

Finalmente, a meio do livro, vi uma centelha da Célia a reluzir e foi pouco mais tarde que me vi embargada pela emoção de uma determinada cena. Fiquei feliz quando a mesma sensação ocorreu umas páginas à frente e mais radiante me senti ao fechar o livro e a desejar saber um pouco mais.

Logo, há pontos menos positivos, a nível do meu gosto pessoal e pontos excelentes, dentro do mesmo nível.

Já são três os livros desta autora, alinhados na minha estante. Recomendo-a várias vezes e faço-o novamente. Leiam a Célia, leiam os seus mundos tão reais, tão palpáveis. Conheçam as suas “gentes” complexas e humanas.

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