A luz – Stephen King

28SINOPSE: Jack Torrance vê-se forçado a aceitar um trabalho como zelador de Inverno do Overlook, um enorme hotel nas montanhas do Colorado, um lugar que queda absolutamente isolado pela neve entre Novembro e Março. Embora a vida nessas condições de isolamento não pareça fácil, para Jack é uma oportunidade perfeita para reconquistar a sua mulher Wendy e o seu filho Danny, e para retomar o seu trabalho de escritor. Mas a família não está exactamente sozinha no Overlook. Os terríveis acontecimentos que sucederam no hotel no passado vão-se assenhorando lentamente do presente dos seus novos ocupantes até os levar a uma situação aterradora, da qual talvez nenhum deles possa escapar…

OPINIÃO: Terceira leitura do autor por ordem de publicação. Carrie: Uma história mediana, com uma índole religiosa forte e opressiva. A hora do vampiro: Recuperação do clássico de Bram Stoker, com uma força gigantesca na exploração dos próprios intervenientes.

O iluminado… Não é à toa que é a grande obra do autor.

Lentamente, passo a passo, com muita minúcia e cuidado, vamos assistindo ao desenrolar de uma situação de isolamento que leva Jack Torrance a um estado de paranóia.

Certamente, há outras entidades a influenciar a perda de sanidade de Jack, mas aí está o verdadeiro terror: a incapacidade de discernir se o que  afeta é a loucura ou o sobrenatural. É um estado puro de alucinação, que deixa o leitor sem ar, enquanto assiste à queda desta família nas garras do demónio(?).

Há muitos anos, vi o filme e não percebi nada. Recentemente, vi o filme e percebi pouco. Revi o filme depois de ler o livro e já o fui entendendo.

Contudo, o cinema (para variar) alterou algumas situações basilares do enredo, para lhe dar um toque mais horririfico. Entendo, porque, de facto, há algumas particularidades na criança um tanto confusas, principalmente, no que toca ao seu amigo imaginário. Dificilmente, a adaptação fidedigna resultaria no grande ecrã.

O que tenho vindo a reparar em King é que, além da sua mestria na criação de personagens (facto que salientei na opinião ao livro “A hora do vampiro”), há uma exploração dos clichés do terror, provando que eles ainda funcionam! Outra caracteristica é a de ser cruel, jogando com os mais frágeis.

O hotel segue a mesma premissa de uma típica casa assombrada, mas, com mais cómodos e detentor de uma impessoalidade, cria um ambiente mais frio, mais desconfortável.

O próprio Jack Torrance não cai nesta armadilha do demónio(?) de paraquedas. Ele não é uma vítima. É uma homem amargurado, assombrado pela sua própria fragilidade em enfrentar as circunstâncias menos boas da vida. O seu melhor amigo de há tempos é o alcool. É fácil jogar com uma alma destas, tão fácil de subjugar. É, contudo, homem apaixonado e pai. É assustadora a facilidade com que o rumo dos seus pensamentos muda, as associações idiotas e agressivas que faz e para onde direciona as culpas das infelicidades do dia a dia.

É um ótimo livro, necessário a qualquer amante do terror. Para os aspirantes a escritores: acredito que King poderá ensinar muito aos criadores de personagens.

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