Acabadora – Michela Murgia

22SINOPSE: Numa pequena vila sarda, a velha costureira, Ti Bonaria, acolhe Maria, «cedida» a ela por uma família humilde com muitos filhos. Oferece à sua «filha da alma» uma profissão e estudos, uma escolha audaciosa para uma mulher na Sardenha dos anos cinquenta. Maria cresce rodeada de ternura; mas há certos aspetos da vida da Ti Bonaria que a incomodam, em particular as suas ausências noturnas. Ela não sabe que a velha é a acabadora, a «última mãe», a mulher que ajuda os que sofrem a morrer. No dia em que descobre, a sua vida muda por completo e serão necessários muitos anos para que consiga perdoar à sua mãe adotiva. Com uma linguagem poética e essencial, Michela Murgia cria duas personagens inesquecíveis numa Sardenha intemporal, de costumes fascinantes.

bertrand

OPINIÃO: Aqui está uma bela e subtil forma de abordar a grande Hydra que é a Eutanásia.

Afinal, quem é que tem na mão o poder de tirar a vida de alguém? Se o mesmo pedir, exigir um fim para o seu sofrimento, é legítimo atender a esse chamado? Não será também, de certa forma, egoísta da parte de quem sofre forçar alguém a um ato que marcará eternamente essa vida. Um acto que poderá tecer linhas sinuosas na consciência e imagens que jamais o tempo apagará?

E quem acaba por acarretar com essa responsabilidade? Alguma vez se tornará mais fácil? O que se passará com a alma de um “acabador”? Estilhar-se-á a cada último sopro? Ou, por sua vez, procurará força na ideia de que libertou o moribundo do seu sofrimento e, por se agarrar com garras e dentes a essa teoria, acabará por ter essa premissa como a única verdade absoluta?

Este pequeno livro podia ser ainda mais pequeno e não deixaria de ser interessante. É um enredo que faz pensar. Levanta questões que deixa o leitor dividido.

Porém, a certo ponto, a história envereda por outros ambientes e perco o fio à meada. Isto é, além da apresentação (um pouquinho exaustiva) da protagonista e das suas relações, o enredo centra-se na Ti Bonaria, nos segredos que carrega e na liberdade que dá a Maria. “Filha de alma” é, talvez, o conceito que é mais explorado, estando o segundo ofício da Ti Bonaria em segundo plano. Então, refletimos sobre afetos, família, vida e morte. Com isto, para que é que serve aquele capítulo em que Maria se ausenta?

Na minha humilde opinião, penso que uma maior exploração no que realmente interessa e alguns cortes não fariam nada mal.

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