A sombra do vento – Carlos Ruiz Zafón

23SINOPSE: Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito, que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, A Sombra do Vento é sobretudo uma história trágica de amor, cujo eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página. A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros num crescendo de suspense, que se mantém até à última página.

bisleya

OPINIÃO: Acho que nunca insisti tanto num livro como neste.

Andei com ele a rasto mais de 2 meses. Meti 3 outras leituras (pelo menos) pelo meio. Dei-o como “lido” (será mais correto dizer “desistido”) no goodreads. Porém, sempre que o fazia alguém se admirava e me dizia que o havia adorado e que estava entre os preferidos de sempre.

Ora, quem é que consegue ouvir semelhante coisa e desistir mesmo assim? É que não era apenas um leitor a dizê-lo! Eu tinha mesmo de perceber o que é que aquela leitura, que para mim era deveras redundante e enfadonha, trazia de tão fascinante para que tanta gente adorasse. Sim, sou mesmo muito teimosa quando quero.

Então, seguiram-se mais uns longos (curtos) momentos em que lhe dedicava alguma atenção. Lia pedacinho aqui, pedacinho ali. Reservava-lhe sempre cerca de 5 minutos quando tinha oportunidade. Não o tirava de casa. Era outro que me acompanhava e me entretia nas horas vagas fora do lar. Até que deixaram de ser 5 minutos. Até que o outro começou a esperar mais tempo, acabando por ser posto de lado.

Entrei finalmente na toca do lobo ou, para ser mais exata, fiquei totalmente emaranhada nas teias do enredo.

Adivinhei o final, não posso negar. Contudo, há tanta dor e perda naquela história que é impossível ficar indiferente. Há uma exploração tal à degradação humana e ao roçar da loucura na solidão e no medo que entranha. É sombrio, mas ternurento. É assustador, mas apelativo.

Percebo porque conta nas melhores leituras de muita gente. É um livro que marca. Aqueles personagens permanecem na memória. Dá mesmo vontade de intervir, de lhes dar a mão, de consolá-los e ajudar a encontrar uma fuga ao passado que os consome. Perde-se a noção de que são irreais, de que são apenas fruto da imaginação do autor.

Sem mencionar a beleza da narrativa. A poesia das palavras do autor e a perspicácia com que as utiliza.

Perde, e não posso ignorar isso, pela extensão de “palha” do início. O livro já é enorme e juntando-lhe uma entrada enfadonha, acredito que será meio caminho andado para que o pousem antes de conhecer a verdadeira riqueza da obra.

É um livro para se ler com calma. Tem de lhe ser dado o devido tempo para atuar.

Depois disto, quero conhecer melhor Barcelona.

zafon

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