Uma outra voz – Gabriela Ruivo Trindade

17SINOPSE: João José Mariano Serrão foi um republicano convicto que contribuiu decisivamente para a elevação de Estremoz a cidade e o seu posterior desenvolvimento. Solteiro, generoso e empreendedor como poucos, abriu lojas, cafés e uma oficina, trouxe a electricidade às ruas sombrias e criou um rancho de sobrinhos a quem deu um lar e um futuro. É em torno deste homem determinado, mas também secreto e contido, que giram as cinco vozes que nos guiam ao longo destas páginas, numa viagem que é a um tempo pessoal e colectiva, porque não raro as estórias dos narradores se cruzam com momentos-chave da história portuguesa. Assim conheceremos um adolescente que espreitava mulheres nuas e ria nos momentos menos oportunos; a noiva cujos olhos azuis guardavam um terrível segredo; um jovem apaixonado pela melhor amiga que vê a vida subitamente atravessada por uma tragédia; a mãe que experimentou o escândalo e chora a partida do filho para a guerra; e ainda a prostituta que escondia documentos comprometedores na sua alcova e recusou casar-se com o homem que a amava. Por fim, quando estas vozes se calam, é tempo de ouvirmos o protagonista através de um diário escrito noutras latitudes e ressuscitado das cinzas muitos anos mais tarde.
Baseado em factos reais, Uma Outra Voz é uma ficção que nos oferece uma multiplicidade de olhares sobre a mesma paisagem, urdindo a história de uma família ao longo de um século através das revelações de cada um dos seus membros, numa interessante teia de complementaridade.

leya

OPINIÃO: Os ingredientes para se ganhar o prémio Leya:

– Há quem diga que é preciso estar-se desempregado ou ter algum emprego artístico. Será?

– Escrever uma história sobre gentes do povo.

– Não ter um enredo.

– Aprofundar bem o pessimismo! (Afinal, somos portugueses, é um prémio português)

– Não se importar se os pontos ficam todos fechados. Não há início, meio ou mesmo fim.

– Agora, peguemos num protagonista bem, bem, bem carismático e vamos por as pessoas a falar sobre ele, enquanto contam trechos da sua vida.

– Tem de ser tipo diário mesmo. Daqueles que mesmo no contexto não se entende bem onde se quer chegar e tem aqueles “ais” de suspiro à mistura.

– Crianças! Tem de ter crianças a passarem por situações embaraçosas de que ninguém gosta de falar e dar isso como um facto geral. Tipo, brincar aos médicos e assim… com a própria irmã! (facepalm daquelas mesmo que doem)

– Padres promíscuos. Somos ou não somos herdeiros de Eça?

– Falta a história de amor trágica! Não, está ali também. Bem, essa até saiu bem. Dava um livro sozinho e decerto mais interessante.

Ok. Acabou o livro!

Espera! E o 25 de Abril?

Tem de estar! Para ganhar o prémio, convém falar do 25 de Abril.

Vamos lá meter qualquer coisa para o meio sobre o 25 de Abril.

Ó pá, mas não fala do Tio Mariano, aquele herói carismático!

Deixa lá, ninguém repara.

Porquê?

Porque é sobre um gajo amputado!

Ah, já ia perguntar se havia deficientes…

Não achas que dá no mesmo?

Cria empatia, por isso, resulta na mesma. Mas não estará o final deste capítulo confuso? Tipo, morreu? Tipo, está a sonhar? Tipo, está simplesmente acordado passado algum tempo?

Esquece isso, ninguém repara porque nessa parte já está toda a gente bué de triste com o desfecho do rapaz.

Ah, ok ok.

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