A Rainha Suprema (As Brumas de Avalon II) – Marion Zimmer Bradley

14.1SINOPSE: A Rainha Suprema é a belíssima Gwenhwyfar, que vive dividida entre a fidelidade que deve ao Rei Supremo, o rei Arthur, com quem se casou, e a enorme paixão que sente por Lancelet, cavaleiro invencível, capitão de cavalaria dos exércitos e o amigo mais íntimo do seu marido. E não sabe, Gwenhwyfar, se é o respeito pelo juramento que fez no dia do seu casamento ou o temor de pecar contra os mandamentos de Cristo – de quem é fervorosa seguidora – ou ambos, o que a impede de consumar por actos o que em pensamentos, não consegue evitar. É tão ardente o seu desejo de que Cristo triunfe na Terra que não hesitará em persuadir o rei Arthur a trair o juramento que fizera de lutar sob o estandarte real de Pendragon, tudo fazendo para que a decisiva batalha contra os saxões seja travada unicamente sob o estandarte da Cruz de Cristo, que ela mesma bordou. 
Mas maior do que a angústia de uma paixão impossível é o sofrimento em que vive, por não conseguir consumar o seu casamento oferecendo um filho ao rei. Nem os mistérios insondáveis de Deus são conforto suficiente para tanta dor e sofrimento. 
14E é nesta angústia, ou, quem sabe, na secreta esperança de, sem pecar, poder consumar a sua paixão ardente dando à luz um herdeiro ao reino, que a bela Gwenhwyfar decide entregar-se nas mãos da Deusa. Mas, se são difíceis de compreender os caminhos de Deus, o que poderá acontecer quando se procura modificá-los com encantamentos e magias?
Neste segundo volume da mítica saga As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley continua a maravilhar-nos através de um imaginário ancestral, de uma visão do mágico, do místico, do fantástico, de eras perdidas do mito, só ao alcance dos grandes escritores.

Saída de Emergência

OPINIÃO: Peço desculpa, muitas desculpas a todos a quem disse que isto não era majestoso! É, é uma série como não há outra igual e entendo que haja tanta gente apaixonada há tantos anos por estas personagens, por este enredo fantástico.

Se o primeiro volume não me arrebatou, por explorar a vida da geração que antecede Morgaine e Arthur que, apesar de interessante, tornou-se enfadonha devido ao espírito extra religioso da corte de Uther, este agarrou-me de uma forma que não consigo explicar.

Esta coleção põe, sem dúvida, a mulher no cerne do enredo. Habituados a visualizar esta lenda pelos olhos do próprio Arthur ou, recentemente, por Merlin, aqui é Morgaine e Gwenhwyfar que dão a voz às ações.

Tal como o ser humano muda com a idade e com os acontecimentos da vida, também as personagens de MZB mudam. Talvez seja mesmo esse o segredo da autora, a sua capacidade de humanizar tanto as personagens, ao ponto de sentirmos as consequências psicológicas que certas provações terão nelas.

Este volume apresenta uma Morgaine adulta, zangada com Avalon e a sentir-se perdida numa vida que não pediu. Enfrenta os seus próprios demónios, pelo que foi acometida a tecer em honra da deusa. Porém, agora, não consegue lidar com a criança que se aproxima, com o destino que lhes foi a ambos atribuído.

Morgaine também sofre por um amor não correspondido. Desde muito jovem que o seu coração bate por Lancelet, assim como o de todas as mulheres do reino. O cavaleiro parece uma espécie de sereia com duas pernas, pois não há fêmea que lhe resista. Pode ser essa beleza uma maldição, visto ele ser um homem que esconde uma grande amargura por detrás do sorriso mais esplendoroso da Bretanha.

O motivo da sua tristeza reside em Gwenhwyfar, na sua rainha e esposa do seu melhor amigo, Arthur.

Gwenhwyfar é a personagem mais mutável de MZB, visto ser uma mulher bastante confusa. Educada num seio demasiado protetor e religioso, Gwenhwyfar aprende lentamente a pensar, a tecer juízos de valor e a acarretar para si crenças. No entanto, mesmo dentro daquilo que acredita veementemente, Gwenhwyfar cambaleia quando o mundo não a ilumina, quando as suas preces não são atendidas. Há uma revolta imensa nesta mulher que foi educada à mercê de tudo que desejava (que não era mais do que um teto que a mantivesse a salvo). Gwenhwyfar cresce e os seus desejos mudam. Contrariada pelo próprio pai e depois pelo Deus que teme e ama, Gwenhwyfar prepara-se para ser uma personagem com imenso poder junto dos homens que cruzarão a sua vida e serão alvo dos seus afetos.

É nestas duas mulheres influentes que este livro se rodeia e o enredo se constrói.

Para quem procura uma boa história, um prol de personagens que marcam e palavras que picam como abelhas furiosas.

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