No país das porcas saras – Fernando Évora

13SINOPSE: Uma velha quase analfabeta que rima as palavras em quadras e décimas; uma menina que desperta os apetites sexuais de um tio; uma mulher com medo do escuro; um homem que faz malabarismos com um palito na boca; um galinheiro, um poço, um sobreiro, uma caixinha de cartão.
Personagens inesquecíveis e cenários decrépitos de uma história que tem lugar no Portugal do século XXI, num interior esquecido.

Usando uma finíssima ironia e revelando um domínio perfeito da «arte de bem escrever», o autor conta-nos uma história de alentejanos, pobres, rurais, que no fundo se confrontam, num dia-a-dia feito de riso, raiva e desassossego, com problemas que também são nossos: a violência doméstica, o suicídio, o incesto, a desertificação do interior, a crise de valores.

esfera do caos

OPINIÃO: Já começa a ser habitual dizermos: “É tipicamente português”.

Onde estão as marcas?

Ora, passa-se num espaço rural, as personagens são pessoas simples com pouco, ou nenhum, acesso à escolaridade e o tema apela à piedade do leitor para com este modo de vida, quando, ao mesmo tempo, mostra a sua beleza tão peculiar.

Este livro exalta a pura ingenuidade da juventude, a cegueira do amor, a cobiça. Sentimos empatia por uma velha que sobrevive, apesar da dureza do que a vida lhe trouxe. Uma cunhada que luta com o desejo por um homem que não lhe pertence. Uma mulher completamente cega à realidade de um amor que não é verdadeiro, embevecida por uma fantasia. É impossível ficarmos indiferentes a semelhante final.

Tudo corre mal! E isso é tãoooo português! lol

Pessoalmente, gostei muito deste livro pequenino, com personagens tão reais e palpáveis que conseguimos sentir as suas lutas.

Na realidade, uma vez que vejo autores a terem tanta notoriedade com enredos do mesmo género, acho que este autor merecia um pouco mais de destaque.

É também ousado nas descrições poéticas que faz. Consegue-se sentir realmente repugna pelo velho método de “dar à luz”.

A mentalidade desta gente é tão diferente que até revolta. Apetece tomar medidas para livrar esta gente de tão tacanha visão. O pior é que dá mesmo para reconhecer este tipo de pensamentos no mundo real, e não é preciso viajar para as aldeias.

Como um livro tão pequeno pode conter tanto?

Leiam e descubram 😉

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