O décimo terceiro conto – Diane Setterfield

8SINOPSE: O Décimo Terceiro Conto narra o encontro de duas mulheres: Margaret, jovem, filha de um alfarrabista, biógrafa amadora, e Vida Winter, escritora famosa, que, sentindo aproximar-se o final dos seus dias, convida a primeira para escrever a sua biografia.
Na sua casa de campo, a escritora decide contar a verdadeira história da sua vida,
revelando um passado misterioso e cheio de segredos. As duas vão partilhar vivências profundas, resgatando velhas memórias e confrontando-se com fantasmas há muito adormecidos.
Sem que pudessem inicialmente prever, acabam por entrelaçar as suas vidas de forma tão intensa, que o resultado não poderia ser outro que não uma inesquecível história de amor, amizade e solidão.

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OPINIÃO: Que livro mais estranho.

Afinal, gostei ou não gostei?

Deu-me prazer a leitura?

Angústia. Conta?

Fechei o livro e fiquei com as imagens das últimas revelações a sobreporem-se.

Foi uma leitura marcante? Sem dúvida.

Ainda agora, ao pensar nele para escrever a opinião, sinto uma bola a formar-se na garganta e um ligeiro aperto no peito.

É muita gente maluca numa só casa. É demasiada disfuncionalidade que, sem dúvida, funciona. Pelo menos, como história de um livro.

Todos os personagens podem ser caracterizados como “estranhos”. O que pode levar-me a criticar negativamente a visão da autora em relação aos leitores. Estes gostam, de facto, de momentos de quietude, mas não quer isso significar que sejam pessoas solitárias por opção.

Este livro mostra que há vidas que dão histórias e que, por vezes, é mais fácil viver através dos olhos de personagens do que enfrentar os fantasmas que transportamos do passado.

Vida Winter é uma mulher de idade, estranha, autora famosa de imensos bestsellers. É uma senhora que vive isolada no seu canto e oprime qualquer tentativa do mundo em descobrir o seu passado.

Perto do fim de vida, a história quer ser contada e a felizarda biografa é a amadora Margaret.

Margaret tem também o seu quê de esquisitice ao se conhecer apenas o seu pai como o seu todo de vida social. É obcecada pela vida dos que morreram e tem o seu próprio fantasma a reprimir-lhe a felicidade.

Margaret serve apenas de mediadora para orientar e ajudar o leitor a compreender a história drástica, complexa, que Vida Winter conta.

Vida Winter, viciada em histórias, não se limita a contar a sua vida. Fá-lo de forma literária, deixando propositadamente pontas soltas, mistérios que se adensam e explora os comportamentos que estiveram ausentes da sua presença, mas que foram basilares para o desmoronamento do mundo que conheceu.

O que Vida Winter precisava encontrar para, finalmente, expor o seu passado era alguém que percebesse de irmãos. Margaret percebe de irmãos. Carrega, também, a sua própria cruz, é vítima deste amor.

Conhecemos um prol de personagens que não sabem agir como irmãos. Há irmãos que são a extensão do outro, irmãos que escolhem favoritos, incesto e morte.

Tudo isto com uma grande dose de loucura e solidão.

E o final?

Que estalo! Que tremenda bofetada levei. Até reli duas passagens duas, três vezes para confirmar se tinha percebido direito.

O início não deixava adivinhar o desenvolvimento. Contudo, a certo ponto, fui consumida e senti-me angustiada pelo ambiente soturno e sádico da história de Vida Winter.

Quem diria… Não dava nada por esta leitura e agora… Esta gente não me sai da cabeça!

Leiam e digam-me de vossa justiça.

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