Sob o céu que não existe – Veronica Rossi

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SINOPSE: O mundo mantinha-os separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que estaria para lá das fronteiras. Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível. Então Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de alguém.

Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto. E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.

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OPINIÃO: Estes romances distópicos dão cabo de mim! Por mais que prometa a mim mesma não me lançar em mais coleções, estas sinopses, estas capas, levam a melhor de mim. Depois, para não bastar o ter iniciado uma coleção e ter aquela comichão que me impede de desistir dela até a ver terminada, ainda me deixo arrebatar pela história. Não só querendo a continuação, mas desejando-a.

Em primeiro lugar, gosto do título. É comprido, mas funciona bem. Deixa um rasto de curiosidade que incentiva a abertura e consequente leitura do livro.

Este título também serve como prenúncio da nossa realidade. Aliás, como todos os enredos distópicos, este livro alerta para o caminho que o planeta está a percorrer e o seu triste fim. No entanto, “Sob o céu que não existe” transforma a natureza enlouquecida numa personagem ativa da história. O céu, espelho da destruição, adquire um nome e temperamento, agredindo os seres que vivem sob ele.

Todos estes YA (confesso que odeio esta denominação, pois parece-me que desvaloriza o género) apresentam pontos em comum. Todos ensaiam uma política fantasiosa, normalmente centrada num poder único, num regime ditatorial opressivo. Todos têm uma protagonista que possui a capacidade de trazer a mudança e, curiosamente, a par da parte romântica, há sempre uma criança necessitada. Evidentemente, estou a generalizar.

Apesar de sentir a presença desta constante, continuo a surpreender-me com a originalidade dos pormenores que constroem o género.

Então, o que traz de novo “Sob o céu que não existe”?

Quem nunca leu nenhum romance distópico, “Sob o céu que não existe” é tão bom para começar como qualquer outro. Além disso, se nunca leram mesmo o género, façam-no! Não são livros infantis, não são livros ocos.

Presentemente, não há género que me deixe mais a refletir do que este.

Neste mundo há duas realidades. Por um lado, há uma sociedade a viver em casulos. Estas pessoas vivem através de uma realidade virtual que copia o que havia de mais belo na realidade prévia. Viajam, mentalmente, entre mundos e vivem centenas de anos.

Não conhecem a dor, a morte prematura, a doença, a perda, o toque, a brisa, o sabor real da comida, os odores e as verdadeiras cores da vida.

Por outro lado, há um grande grupo a viver fora dos casulos, sujeitos a doenças, falta de higiene, com poucos ou nenhuns recursos alimentares. Vivem selvaticamente, aprendendo desde cedo a matar, a sobreviver à fúria dos ataques do céu.

Aqui assenta a originalidade deste argumento.

Balançando os dois modos de vida possíveis, qual é o que pesa mais? O mundo ilusório dos casulos ou as provações do mundo real?

Fiquei, de facto, a pesar os prós e os contras e não cheguei a qualquer conclusão.

Não há amor à primeira vista! Há, até, uma repugna inicial. Há um preconceito enraizado nestas pessoas, de ambas as fações. Porém, quando as circunstâncias e, sobretudo, o interesse mútuo exigem a convivência, os primeiros tempos não se revelam fáceis. A coexistência chega a parecer impossível e o processo de aceitação será lento.

Quanto ao texto, os capítulos variam entre os dois protagonistas, é de fácil e rápida leitura e conseguem-se algumas boas surpresas. Boas, no sentido de serem surpreendentes.

Este género literário tende a ser violento e a mexer com os nervos. Este não é exceção.

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