Felizes viveram uma vez: O andersenal – Filipe Faria

SINOPSE: Felizes Viveram Uma Vez… ou, pelo menos, assim quis Borralheiro acreditar após ter lido O Perraultimato, o legado da Mãe Gansa. Borralheiro, com os quatro indivíduos que se juntaram ao jovem na sua demanda em busca da verdade, Burra, Vasilisa, Capuchinho e Aprendiz, faz os possíveis por seguir à risca as instruções enigmáticas que lhe foram deixadas por Mãe Gansa. Estas conduzem-nos ao palácio da Rainha da Neve, onde deverão procurar O Andersenal, a segunda peça do enigma d´ O Perraultimato. Infelizmente para Borralheiro, não é o único que sente que algo de muito errado se passou: um ser misterioso está a matar as personagens folclóricas uma a uma, também ele decidido a retificar aquilo que de errado se terá passado.

OPINIÃO: O Filipe escreve muitíssimo bem. 
Nota-se um uso pensado da linguagem e um vocabulário diversificado e rebuscado, que pode até tornar a leitura mais lenta.
Os parágrafos são longos, as frases grandes com muitas vírgulas e poucos pontos. Não vejo aqui nada de negativo e/ou positivo. Vejo uma característica própria do autor, num registo que se começa a tornar muito português, como um regresso aos clássicos.
Quanto à temática, foi boa a aposta da Editorial Presença numa distopia dos clássicos contos de fada, quando o género parece estar em voga no estrangeiro. Mais uma vez, verifica-se a diversidade de obras portuguesas e a capacidade que nós (portugueses) temos de preencher, com qualidade, qualquer género literário. 
“O Andersenal” é o segundo livro do que parece vir a ser uma saga.
As personagens que conhecemos no primeiro volume estão de volta, com o mesmo grau de importância, com os mesmos traços de personalidade, menos vincados, mas ainda caracteristicos. 
O final do 1o volume deixou as relações das personagens em corda bamba. O enredo deste 2o volume centra-se, ao longo de uma 1a parte, nas elaborações mentais do protagonista, Borralheiro, sobre como pode unir um grupo tão peculiar como aquele que o segue na sua demanda. Reflete sobre os motivos que os moverão a seu favor, sobre as reações dos mesmos face a futuras adversidades.
Aqui foi onde houve o maior e único lapso, que não me permitiu ter uma leitura mais fluída e agradável. Refiro-me à abundância de pensamentos do protagonista, às constantes e repetitivas indagações, que deram um travão à história, criando um ambiente de demasiada sonolência. Principalmente, tendo em conta a rapidez da ação com que o livro anterior findou.
Não me detendo na preguiça proporcionada por este ciclo de reflexões, prossegui a leitura e fui surpreendida com o interesse que a história desenvolveu, com o fantástico e obscuro final. Totalmente envolvente. 
Só me provou que o Filipe apenas teve um infeliz percalço ao investir tanto papel na mente do protagonista e que é deveras dotado da capacidade de entreter o leitor, assustá-lo, surpreendê-lo e deliciá-lo com a introdução de personagens, sobretudo vilões, magnificamente terroríficos.
Agora, só espero que o terceiro volume não demore muito a sair, pois quero mesmo conhecer o “homem que vive na lua”.

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