Crónica dos bons malandros – Mário Zambujal

SINOPSE: Uma quadrilha decide assaltar o Museu Gulbenkian, farta dos seus banais assaltos. Durante o livro fala sobre a vida de cada um dos elementos da quadrilha e como se conheceram. Mas o assalto ao museu não correu como esperavam…

OPINIÃO: A minha estreia com Zambujal.
Este é daqueles títulos que sempre ouvimos falar e que quase toda a gente conhece. Ou por ter lido, ou por ter visto o filme, a verdade é que “Crónica dos bons malandros” já cá anda há muitos anos e já passou gerações.
Noto que é um livro que agrada a miúdos e graúdos e tal pode dever-se à forte componente humorística e linguagem fácil e acessível.
A temática também é bastante leve e as personagens deliciosas de conhecer.

A “Crónica dos bons malandros” apresenta-nos um grupo bem português, seja nas falas como nos costumes. Este grupo, liderado por Renato “o pacífico”, está carregado de particularidades que os diferenciam como pessoas. 
Adoro uma ficção onde me esqueço que estou a lidar com personagens, quando estas são de tal modo convincentes que parecem pessoas reais.
Este grupo está inclinado não para o mal, mas para o menos correto. Há aqui uma distinção entre um malandro que rouba e trapaceia e um criminoso que fere a integridade do próximo. Logo com o líder do grupo percebemos isso. Renato é chamado de “o pacífico” porque tem aversão a armas. Segundo ele, uma coisa é fazer um roubo, bater com os punhos, outra é matar alguém. Isso, segundo ele, é para ter “a polícia sempre à coca para o resto da vida”.

O livro é extremamente pequeno e ainda mais pequeno fica se o analisarmos segundo o enredo principal. 
No início temos uma reunião deste grupo, onde se preparam para o maior assalto de sempre. Porém, logo a seguir, temos um capítulo com a apresentação das personagens e o que as levou a juntarem-se a Renato e, claro, o que levou o próprio Renato a enveredar pela vida da “malandrice” (crime não se ajusta aqui).
Se retirarmos estas histórias de vida, o livro passa a conto. 

Há quem tenha gostado mais do enredo principal e toda a situação cómica e trapalhona da elaboração do plano de assalto. Já eu gostei mais das histórias de cada um. Achei muito interessante o rumo que levou a vida de cada um para os levar a Renato. Pormenores que mudaram a vida destes protagonistas. Seja uma professora tirana, um amor que fugiu, ou uma luta que se perdeu, a verdade é que todos foram levados pela vida de forma madrasta. Bem, todos exceto Silvino que já era malandro desde que nasceu, roubando a chupeta ao irmão ou os utensílios no consultório médico.

Há uma beleza na simplicidade da escrita de Mário Zambujal que pouco se vê. O autor não precisa de elaborar o texto, ou embelezar com palavras caras, para chegar ao leitor, para passar as mensagens pretendidas. Nas frases mais simples e curtas muitos significados se depreendem. É extremamente perspicaz na escolha do léxico.

É português, sabe a Portugal, só tenho pena que cheire demasiado a Lisboa. (Eheh)
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