Fome – Michael Grant

SINOPSE: Todos têm fome, mas ninguém se dispõe a encontrar uma solução. E a cada dia que passa são mais os jovens que sofrem mutações e adquirem capacidades sobrenaturais, que os distinguem dos que não têm esse género de poderes. A tensão cresce e o caos reina na cidade. São os «normais» contra os mutantes. Cada um, luta por si, e até os melhores são capazes de matar. Mas avista-se um problema ainda maior. A Sombra, uma criatura sinistra que vive soterrada no coração das montanhas, começa a chamar alguns dos adolescentes da ZRJ. A chamá-los, a guiá-los, a manipulá-los. A Sombra despertou. E tem fome. Nem todo o ouro do mundo seria pagamento suficiente para o que Lana tencionava fazer. O ouro não alterava em nada o terror frio que lhe enchia o coração. E se falhasse não precisaria do ouro para nada. Não podia subornar a Sombra. Mas talvez… talvez a pudesse matar.

OPINIÃO: Este livro não podia ter melhor título.
A sequela de “Desaparecidos” traz-nos um mundo mergulhado no caos, onde a máxima é a lei da sobrevivência.
Na tentativa de manter algum civismo, Sam impõe algumas regras e apela ao bom senso dos habitantes da ZRJ. A comida já escasseia e os recursos são nulos. A desordem na entrega dos alimentos, que precedeu esta situação, fez com que, no momento, não se encontre forma de alimentar toda a gente.
Esta é a primeira faceta da palavra “fome” presente no livro. A fome propriamente dita. O desespero do estômago vazio, das forças a falhar, da necessidade urgente de evitar uma morte por desnutrição. 
Adivinhando as consequências deste panorama, e tendo em mente que estamos a lidar com protagonistas demasiado jovens para qualquer bom senso, se é que ele existe quando a fome aperta, instala-se uma guerra de cada um por si.
É duro assistir ao desespero, ao sofrimento desmedido das crianças. Entende-se o egoísmo, as atitudes infantis, precipitadas, os planos que só funcionam em parte, por falta de consistência na elaboração dos mesmos.
O autor conseguiu passar perfeitamente a noção de aflição, deixando o leitor com um aperto ao ter de se imaginar na mesma situação.

A segunda faceta da palavra “fome” chega-nos com as alterações genéticas que se estão a dar nos habitantes da ZRJ.
Depois de assistirmos ao nascimento de poderes em algumas crianças, durante o primeiro volume, neste vemos em alta a desigualdade que estes estão a criar. 
Uma falsa (ou não) hierarquia de poder dos “mutantes” sobre os “normais” origina revoltas e a divisão da cidade. Surge uma espécie de preconceito dos “normais” para com os prendados por poderes, levando-os a terem atitudes verdadeiramente animalescas, que levantam a questão de “quem é o monstro e o homem quem é?”
A “fome” de poder mexe com alguns, desafiam-se lideres, e os verdadeiros heróis são aqueles que menos esperamos e por quem mais sofremos.

A terceira faceta da palavra vem com o grande vilão da história, a sombra.
Ele tem fome e precisa de ser alimentado. O que ele fará para conseguir alimentar-se irá deixar alguns cadáveres pelo caminho.

Este “Senhor das moscas” atual, com um grande toque de fantástico, consegue prender qualquer amante de fantasia. 
Aconselhável a quem gosta de enredos tensos e cruéis. O autor não se inibe em descrever situações mais macabras. 
Os capítulos são pequenos, de leitura rápida, apesar de eu achar que este livro teve algumas partes mortas que poderiam ter sido cortadas sem provocar qualquer dano à história. 
Aconselho vivamente.
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