O filho de mil homens – Valter Hugo Mãe

SINOPSE: Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.
As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar.

Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.


OPINIÃO: A minha estreia com Valter Hugo Mãe e posso dizer que entendo a fama que o autor tem vindo a acumular ao longo dos anos.
Se há livro que prevejo que ultrapassará as garras do tempo e perdurará para as gerações vindouras e talvez ser, um dia, chamado de clássico é este.

Com uma escrita emotiva, poética, mas de muito fácil leitura – desde que estejamos atentos às metáforas e filosofias encobertas -, “O filho de mil homens” é uma história de seres humanos, de injustiças, de justiças pelo juízo do povo, de preconceito, de dor e de encontro.

Este livro tem uma componente negra, muito verosímil, típica de uma sociedade tacanha, afundada na ignorância, regida pelas superstições. O autor dá voz a um grupo de pessoas sofredoras, com um laivo de ternura que nos deixa piedosos para com as rasteiras que o destino lhes prega. Damos por nós a torcer pela sorte destes personagens e querermos interferir nas crueldades que lhes são infligidas.

Recentemente, li um outro livro à qual me disseram que o autor se havia inspirado em Valter Hugo Mãe – “Jesus bebia cerveja” de Afonso Cruz. Contudo, apesar de se verificar uma incrível semelhança na escrita, nos meios que ambos escolheram para dar vida ao enredo, Afonso Cruz é deveras pessimista e com uma inclinação para a depressão e conformismo do povo, como se este não tivesse outro remédio senão cingir-se à vida que lhe foi atribuída pelo nascimento. Já Valter Hugo Mãe encontra pontos de felicidade nas minúcias que a vida tenta esconder e cria picos de pura felicidade no caos.
“O filho de mil homens” é uma história sobre família, sobre o encontro de almas quebradas pelo tempo, pela idade, pelos infortúnios da vida. Na reconstrução do “eu”, sob a premissa do “Nunca é tarde demais para ser feliz”. 

A linguagem utilizada é, ao mesmo tempo, cuidada e rude. Há um uso de determinados termos mais vulgares que assentam muitíssimo bem no texto. Tal como o desenvolvimento das personagens e a identidade que lhes é dada, parecendo estarmos a assistir a relatos de pessoas reais. Talvez esteja aqui a mestria de Valter Hugo Mãe, na sua capacidade de criar seres humanos e não apenas simples personagens.

Fiquei rendida e recomendo este livro a quem quiser uma boa dose de realidade e de reflexão sobre o que é de facto importante.
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