1984 – George Orwell

SINOPSE: «Curioso percurso, o desta alegoria inventada para criticar o estalinismo e invocada ao longo de décadas pelos ideólogos democráticos, e que oferece agora uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas.

A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. Como se não bastasse, a electrónica permite, e também sem precedentes, que instrumentos destinados ao trabalho e à vigilância sejam igualmente usados nos ócios. É graças à unificação de todos os aspectos da vida numa tecnologia integrada que a democracia capitalista pode realizar na prática as suas virtualidades totalitárias. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana.»


OPINIÃO: Numa temporada em que as distopias voltam a dar que falar, 1984 torna-se um livro obrigatório para os amantes do género.
Publicado em 1949, 1984 relata um tempo futurista em que o governo toma total controlo sobre o ser humano, sobre a intimidade, as emoções e decisões dos homens.

“O Big Brother está a observar-te”, este é o slogan que caracteriza o enredo hiperbólico apresentado nesta magnífica obra. 
Winston Smith é um homem dominado pela rotina, pela opressão do partido, pela sua própria consciência que se recusa a submeter. Winston vive com o receio da sua própria confusão perante as leis do partido ser notada, controlando sempre as expressões faciais, o tom de voz e a postura. Note-se que, mesmo dentro de casa, Winston está a ser observado, assim como todos os cidadãos.
A procura de Winston por alguma liberdade é subtil e desencadeia-se suavemente ao longo da narrativa, não sendo forçada e tomada pela sorte, o que, por vezes, infantiliza alguns livros deste género. A leitura desta personagem, tão quebrada e ao mesmo tempo forte na retenção do pouco que ainda o torna humano, é complexa e angustiante. Facilmente se esquece de que se trata de uma personagem, tal é a essência realista deste homem, de alma acinzentada, possuidor de pensamentos bons, maus e horríveis. Winston sofre, precisa confiar, desconfia e revolta-se dentro de si. Winston tem saudades e, ao mesmo tempo, sente as memórias perderem-se no tempo, que parece não passar, e nas sobreposições que a imaginação lhes acrescenta. As relações que trava são cambaleantes e o medo impregna-se a cada linha de ação. É impossível não sentirmos a tensão da vigilância permanente e, à partida, difícil, ou mesmo impossível, de fintar.

É daquelas leituras que colam na mente do leitor como parasitas e trazem reflexões profundas e contraditórias. Apesar de publicado em 1949, a ideologia de 1984 está longe de estar ultrapassada. É muito fácil pegar no conteúdo desta estória e transportá-la para os nossos dias, para um futuro cinzento, ou até negro, que o pessimismo humano insiste em prever.
O que mais me fascinou foi a capacidade deste partido em moldar pensamentos, não se limitando em impor ideologias. A insistência que este implementa nos métodos para conseguir que seja não só aceite, mas amado. A forma como brincam com o medo, o elevado teor psicológico afasta esta leitura do público juvenil. 

É um livro inquietante, escrito de uma forma elaborada, mas não rebuscada. Não é uma leitura leve.
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