As cinquenta sombras de Grey – E.L.James

SINOPSE: As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre. Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe… Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas… Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E.L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicada, da Austrália aos Estados Unidos, da Inglaterra à Nova Zelândia.

OPINIÃO: “As cinquentas sombras de Grey”, à semelhança de obras como o “Twilight”, “Harry Potter”, “O código Da Vinci”, tem sofrido de uma elevada controvérsia. Este tipo de mediatismo tem, por norma, a tendência de suscitar explosões de venda, que invariavelmente cria surtos de argumentos em torno do objeto em questão. “As cinquenta sombras de Grey” ainda consegue colidir mais com a população em geral (atenção, falamos do mundo inteiro e não apenas de Portugal) pelo carácter sexual que sustém. 
Pois, a meu ver, qualquer livro ou filme, ou qualquer obra pública que mereça tanta atenção a nível de número, já ganha o seu valor.  
Em suma, o livro ganhou os seus lovers, os seus haters, há pessoas que leem sem opinar e há outros que se deixam ficar na plateia a ver para onde pesam os melhores argumentos. Seja qual for a posição do leitor há algo que não varia, é um leitor do “As cinquentas sombras de Grey”.

Anastacia, uma jovem estudante tímida, virgem e ingénua, conhece Christian Grey, um bilionário poderoso e excêntrico. Christian, ciente do desejo que desperta a Anastacia, faz-lhe uma proposta: ser a sua submissa pelo prazo de 3 meses. 
Christian Grey tem um carácter intrigante. É um homem controlador, independente, frio e misterioso. Ao longo do livro, outro lado de Grey é mostrado com alguma cautela. Um lado dependente, carente e necessitado de atenção. 
O ponto alto deste livro é a construção deste personagem. Doente, quebrado, que oscila entre a sua aparente segurança e nas suas ações, Christian adquire alguma profundidade, suscitando interesse no desenrolar das páginas.
Anastacia, por sua vez, é, de facto, uma mulher submissa. Se a qualidade de uma personagem reside na verosimilhança com a realidade, Anastacia não está totalmente deslocada. Há de facto mulheres que se submetem ao controlo de homens e que apreciam este género de relações. Porém, há algumas particularidades sexuais que acho difíceis de acreditar. Como por exemplo o facto de uma jovem ter-se mantido virgem tantos anos para se entregar a um homem que afirma não “saber fazer amor”, mas sim, perdoem-me o termo, “foder”. De entre os dois, não sei se é ele que precisa de terapia mais depressa ou ela.
O livro é 90% sexual, mas vê-se algo mais por trás, o que o distingue de um simples romance erótico. Arriscar-me-ia dizer que tal diferença está na instabilidade desta relação, onde o corpo e as ações falam e as palavras são evitadas, pelo menos no que toca a Christian.

Em termos de escrita deixa imenso a desejar. Há demasiadas repetições de palavras, de frases e situações. O léxico é fraco e simplista, faltando o jogo mínimo de palavras que normalmente traz a alguma qualidade literária.
É no texto narrativo que se verifica a fraqueza da autora, já que os diálogos são algo interessantes e caracterizantes das personagens. 

Para mim, um livro não é um todo e sim um conjunto de partes. É por isso que se analisa, enfatizando onde estão as qualidades e onde precisariam de alguma atenção. “As cinquenta sombras de Grey” tem algo de muito bom, para ser capaz de criar tanto alarido à sua volta, para se infiltrar tanto na mente de quem o lê (positivamente ou negativamente) e para ser lido com um laivo de obsessão, sobretudo por aqueles que se rendem ao enredo.

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